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O drama de Wassef para encontrar uma versão plausível: “Eu e o presidente viramos uma pessoa só”
Queiroz e a mulher, o radialista e Flávio, Wassef e a esposa. Redes sociais
Política

O drama de Wassef para encontrar uma versão plausível: “Eu e o presidente viramos uma pessoa só”


21/06/2020 - 11h44

Se bater no Fred atinge o presidente, eu e o presidente viramos uma pessoa só, então todos estão empenhados em atingir minha vida, em destruir minha vida, minha imagem, minha reputação. Fred Wassef, advogado de Jair e Flávio Bolsonaro, à CNN

Da Redação

O advogado Fred Wassef não explica como Fabrício Queiroz foi parar em seu imóvel em Atibaia, no interior de São Paulo.

Alega sigilo profissional.

Por enquanto, faz uma defesa política. 

Nas entrevistas que deu, alegou até que foi alvo de plantação de documentos, o que o Ministério Público de São Paulo rebateu.

Wassef diz que nem ele, nem o presidente Bolsonaro, nem o senador Flávio têm qualquer relação com os fatos da Operação Anjo.

A estrategia de Wassef parece ser a de ganhar tempo para combinar versões com as de outras testemunhas.

Fabricio Queiroz e a esposa, Márcia, que está foragida — por exemplo.

O fato é que o advogado esteve 13 vezes com o presidente da República, desde setembro do ano passado, no Planalto ou no Alvorada.

Uma empresa ligada à esposa dele, Cristina, revelou o UOL, recebeu R$ 41,6 milhões em contratos com o governo federal durante o governo Bolsonaro.

Como Wassef disse mais de uma vez em entrevistas que não sabia do paradeiro de Queiroz, vai ter de formular uma resposta compatível com a pergunta que a repórter Andrea Sadi fez a ele na Globo: o operador dos Bolsonaro entrou “voando” no imóvel de Atibaia?

Perguntas sem resposta

Wassef já deixou claro que vai se colocar como um anteparo entre Queiroz e Jair e Flávio Bolsonaro, mas sem fazer o papel de bode expiatório.

Se sua versão para a presença de Queiroz em Atibaia não for factível, afunda junto com o presidente e o senador.

Wassef tomou a iniciativa depois que outra advogada do presidente, Karina Kufa, divulgou nota tentando dissociar Jair Bolsonaro do colega.

Repelindo a nota, Wassef diz que tem nove procurações para advogar em nome dos Bolsonaro: três para Jair, três para Flávio e três para Carlos.

A dificuldade em conseguir uma versão plausível para a presença de Queiroz em Atibaia, no entanto, é imensa: os repórteres de O Globo Juliana Del Piva e Chico Otávio já descobriram um novo personagem, o radialista Márcio Motta, que admitiu ter levado Queiroz de Atibaia a Saquarema, no Rio de Janeiro, para ver o filho jogar futebol, entre maio e setembro do ano passado.

Confirmada, esta versão coloca Queiroz na casa de Atibaia já em maio de 2019 — é inverossímel que uma pessoa — no caso Wassef — não saiba da presença de um hóspede supostamente indesejado, em seu próprio imóvel, durante mais de um ano!

Além disso, o documento encaminhado pelo MPE-RJ, deixa claro que o bando de Queiroz usava outro advogado — de Flávio Bolsonaro — no esquema para tentar atrapalhar as investigações.

Luiz Gustavo Botto Maia foi um dos alvos da Operação Anjo.

Ele entrou no circuito para ajudar Queiroz.

Luiza Souza Paes, servidora fantasma do gabinete do então deputado estadual Flávio, começou a ficar preocupada com o noticiário envolvendo as rachadinhas.

Recorreu ao pai, que disse explicitamente em mensagem que precisava combinar a versão dela com a de Queiroz, antes de qualquer depoimento.

A mensagem do pai à filha

No que pode ser definido como obstrução de Justiça, o advogado Botto Maia foi intermediário para que Luiza assinasse pontos retroativamente.

Porém, pelo rastreamento do celular, os investigadores descobriram que Luiza só chegou três vezes a menos de 750 metros de distância da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando era “funcionária” de Flávio, entre 16/12/2014 e 15/02/2017.

O que a peça do MP demonstra é que Queiroz e seu entorno atuavam ATIVAMENTE para dificultar as investigações, COM A AJUDA DE ADVOGADO ligado a Flávio e adotaram o padrão de não comparecer aos depoimentos marcados pelo MP — é uma forma conhecida de evitar contradição com fatos revelados posteriormente.

Assim, é pouco provável que Márcia, a esposa foragida de Queiroz, se entregue à polícia.

Adriano Magalhães da Nóbrega, o miliciano implicado no esquema, preferiu fugir para a Bahia, onde foi morto em fevereiro deste ano, durante ação policial.

Márcia poderia esclarecer, por exemplo, quem financiava a vida de Queiroz em liberdade.

Hoje, ela é o seguro de vida do marido — e vice-versa.

Sabe, melhor que ninguém, que a regra do crime é o silêncio.

Parece incrível, mas estamos falando em crime organizado, senador e presidente da República na mesma sentença.

Anjo from Luiz Carlos Azenha

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8 comentários

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Zé Maria

22 de junho de 2020 às 11h25

Fred Wassef renuncia à defesa do Filho do Presidente
e advogados que defenderam militares da ditadura
assumem defesa do Senador Flávio Bolsonaro
[…]
Luciana Pires e Rodrigo Roca já foram sócios e atuaram na defesa
de diversos oficiais militares processados pelo MPF;
Ela já atua para o senador e Roca também foi advogado de Sérgio Cabral

O Globo apurou que Luciana Pires e Flávio Bolsonaro se conhecem
há mais de dez anos …
No entanto, o que foi decisivo para que o Planalto concordasse
com o nome da dupla de advogados foi a atuação deles
em defesa de militares acusados por crimes cometidos
durante a ditadura.

Luciana, por exemplo, defendeu o general Nilton Cerqueira denunciado
por seu envolvimento no “Atentado do Riocentro”.
Na época, Cerqueira era comandante geral da Polícia Militar (PM) do Rio e,
segundo as investigações, ele teria mandado suspender o policiamento
na área do centro de convenções quando um grupo de militares pretendia
plantar bombas no evento que estava lotado.
A denúncia contra os militares envolvidos no caso foi aceita pela Justiça Federal
em 1ª instância, mas depois foi trancada nos tribunais superiores.

Já Roca advogou para o general reformado José Nogueira Belham, acusado
pelo assassinato e ocultação do cadáver do deputado federal Rubens Paiva
em janeiro de 1971.
O parlamentar, cassado à época, foi preso em casa no Rio e levado para o
Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI-CODI) do Rio na Barão de Mesquita.
Belham era o chefe do DOI e foi acusado por outros militares de saber
que Paiva estava sendo torturado, mas não tomou providências.
A denúncia também foi aceita em primeira e segunda instância, mas uma liminar do ministro Teori Zavascki trancou o caso em 2014 e com a morte do magistrado o caso ficou com o ministro Alexandre de Moraes.
.
Julgamento no TJ-RJ pode anular decisões
do Juiz do Caso Queiroz/Flavio Bolsonaro

3ª Câmara Criminal* do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ)
julga na próxima quinta-feira (25) pedido de Habeas Corpus (HC)
ajuizado em favor de Flavio Bolsonaro, no “Caso Queiroz”.

O HC foi apresentado pela advogada Luciana Pires e a defesa
sustenta que, como Flávio era deputado estadual no período
dos fatos investigados, entre 2007 e 2018, o juízo competente
para o caso seria o Órgão Especial do TJ-RJ, por prerrogativa
de foro por função de mandatário legislativo estadual.

Caso a defesa tenha o pedido atendido pelos 3 desembargadores
que julgarão o HC, as decisões do Juízo de 1ª Instância podem ser
anuladas.

No entanto, os Promotores que investigam o caso apontam que há jurisprudência em tribunais superiores garantindo que o direito a
foro privilegiado se encerra quando cessa o respectivo mandato.

[Em fevereiro, a 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ negou Habeas Corpus do senador
e manteve a quebra de seu sigilo fiscal e bancário.
O relator do caso, desembargador Antônio Amado, votou por anular a decisão
que ordenou a quebra do sigilo.
Contudo, as desembargadoras Monica Toledo Oliveira e Suimei Meira Cavalieri
divergiram e mantiveram o despacho. (Conjur: https://www.conjur.com.br/2020-mar-11/desembargadora-suspende-investigacao-flavio-bolsonaro)]

*(http://www4.tjrj.jus.br/camarasweb/ConsultaCamara.aspx?OrgaoJulgador=16)

Leia também:

Reportagens: Juliana Dal Piva e Chico Otávio, n’O Globo:
https://oglobo.globo.com/brasil/julgamento-no-tj-do-rio-pode-anular-decisoes-do-juiz-do-caso-flavio-bolsonaro-24490983
https://oglobo.globo.com/brasil/julgamento-no-tj-do-rio-pode-anular-decisoes-do-juiz-do-caso-flavio-bolsonaro-24490983

Responder

Antenor

21 de junho de 2020 às 22h24

Parece que o general Ramos é do Rio de Janeiro. Acontece que o Brasil está sendo governado
pelo grande chefão da milícia carioca. Portanto, considerando que o general Ramos defende com unhas e dentes o tal chefão nós temos que saber se ele relações com algum miliciano, tipo amigos, parentes, etc.
Seria interessante saber também de onde são os outros generais.

Responder

Zé Maria

21 de junho de 2020 às 18h41

Telefone celular em que Gustavo Bebianno
registrou um ano e meio de conversas
com Jair Bolsonaro
retornou ao Brasil e está “muito bem guardado”,
afirmou um amigo do ex-ministro
morto por infarto em março deste ano.
O aparelho estava nos Estados Unidos
aos cuidados da irmã de Bebianno.
Thaís Oyama, no UOL: https://t.co/w7IcAhyYPB

Responder

BRENO TADEU FONSECA DINIZ

21 de junho de 2020 às 14h45

PARABÉNS VIOMUNDO, PELA ÓTIMA MATÉRIA.
EM BREVE A FAMÍLIA BOZO VERÃO O SOL NASCER QUADRADO.

Responder

Zé Maria

21 de junho de 2020 às 14h10

O Queiroz foi Babysitter do 01, do 02 e do 03 do Jair Bolsonaro.

Responder

Zé Maria

21 de junho de 2020 às 13h48

“Quem trouxe Queiroz para a política?
Quem colocou os 3 filhos na política?
Quem manda de fato no gabinete de todos os filhos?
Quem colocou o Queiroz para assessorar Flávio?

Ainda está difícil entender que o verdadeiro
chefe desse esquema é @jairbolsonaro ?”

Professor Marcelo Freixo
Deputado Federal (PSoL=RJ)
https://twitter.com/MarceloFreixo/status/1274346952705093632

Responder

Zé Maria

21 de junho de 2020 às 12h52

Queiroz Recebeu visita da Esposa Márcia em Atibaia,
afirma Radialista Bolsonarista à Rádio BanNews

As revelações são do radialista Márcio Motta,
apoiador da família Bolsonaro.

Ele disse que fez uma viagem à Atibaia,
com a esposa de Queiroz, em apoio
“ao amigo de longa data”.

“Eu levei ela numa casa e ela se despediu de mim,
fiquei em um hotel e no outro dia vim embora.
A casa de quem é eu não sei”, disse.

Motta também confirma que recebia Queiroz
nas idas do ex-assessor parlamentar à Saquarema.

“Teve em Saquarema por uma ou duas vezes.
Ficou morando em Sampaio Corrêa,
junto com o time na casa do Lourival Gomes”,
contou Motta.

O radialista critica a maioria de deputados estaduais e federais,
que teriam abandonado Queiroz depois da divulgação do escândalo
das rachadinhas.
De acordo com Marcio Motta, 70% dos deputados bolsonaristas
ligavam para Queiroz até quatro vezes por dia.

“A partir que o nome dele estourou na imprensa todos abandonaram.
Todos eles eram muito amigos do Queiroz,
ligavam para ele três a quatro vezes por dia”,
afirmou o radialista.

O radialista também disse que Queiroz lamentou a morte
do miliciano Adriano da Nóbrega, apontado como chefe
de um grupo de matadores de aluguel no Rio, a quem
o PM reformado se referia como “um amigo”.

“É mais um colega que morreu assim como
ele fica triste com a morte de qualquer policial”,
disse sobre a morte de Nóbrega.

Motta afirma ainda que Queiroz demonstrava
medo apenas com seu estado de saúde,
por causa do câncer, mas não das investigações.

Áudios em: https://t.co/pZUWioB8Cq

https://noticias.band.uol.com.br/politica/noticias/100000993033/queiroz-recebeu-visita-da-esposa-marcia-em-atibaia-afirma-radialista.html

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