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No mundo do dinheiro digital, clã Bolsonaro movimentou R$ 1,5 milhão em notas
Ana com Renan, Rogéria e Michelle: enroladas com os negócios do clã. Reprodução redes sociais
Política

No mundo do dinheiro digital, clã Bolsonaro movimentou R$ 1,5 milhão em notas


11/08/2020 - 19h17

Da Redação

O fetiche do japonês da Federal era encontrar dinheiro no colchão do casal Lula-Marisa em São Bernardo do Campo.

Simbolicamente, Newton Ishii acabou expulso da Polícia Federal e multado em 200 mil reais por facilitar contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai.

O fetiche do juiz federal Sergio Moro era encontrar uma empresa de fachada, num paraíso fiscal, através da qual chegaria ao dono do tríplex do Guarujá, que presumia ser o ex-presidente Lula.

Quando a PF fez busca e apreensão no escritório da fábrica de empresas laranja Mossack & Fonseca, do Panamá, na avenida Paulista, em São Paulo, só encontrou indícios de que a neta de Roberto Marinho pagava anuidades de empresas de fachada em Nevada, no Panamá e nas ilhas Seychelles.

O assunto não foi perseguido pelas autoridades, o que pode ter sido consequência da aliança entre o juiz Moro e a empresa de comunicação mais poderosa do Brasil, a Globo.

As contas de Lula e Marisa no Exterior jamais se materializaram.

Porém, o próprio MPF diz que o senador tucano José Serra, que fez uma campanha presidencial moralista em 2010, acusando o PT de corrupção, recebeu 23 pagamentos da Odebrecht totalizando o equivalente a R$ 4,5 milhões na offshore Circle Technical, no Corner Bank de Lausanne, na Suiça, em nome de José Amaro Pinto Ramos, que transferiu 936 mil euros para a conta Dortmund, da filha de Serra, Verônica.

Em setembro de 2014, Serra tinha ao menos 1,1 milhão de euros escondidos na Suiça.

A conta de outro vestal, o artífice do impeachment de Dilma Rouseff, o senador mineiro Aécio Neves, ex-presidente do PSDB, foi encontrada no LGT Bank, de Liechtenstein.

Foi aberta em nome da Fundação Bogart e Taylor, em maio de 2001 — na verdade, fachada para movimentação bancária da mãe e sócia de Aécio, Inês Maria Neves Faria. A conta 0027.277 surgiu no período em que Aécio era presidente da Câmara dos Deputados.

Já Eduardo Cunha, o presidente da Câmara que na prática executou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, com a apoio de Serra e Aécio, usou um artifício mais tinhoso para esconder seu dinheiro na Suiça.

As contas estavam em nomes de trustes — autoridades identificaram 2,3 milhões de francos suiços nelas. 

Apesar de mandar apreender o equivalente a R$ 651 mil reais que estavam em uma outra conta na Suiça, através da qual a mulher de Cunha, Cláudia Cruz, pagava seu cartão de crédito internacional, o juiz Sergio Moro absolveu Cláudia alegando falta de provas de que ela sabia dos esquemas de corrupção do marido.

Quando Dilma Rousseff, ao deixar o poder, denunciou os moralistas sem moral e disse que não sobraria pedra sobre pedra, talvez não tenha imaginado que o xerife da Lava Jato ajudaria a eleger e daria sustentação no poder a uma família movida a dinheiro vivo.

Entre 1997 e 2008, a então mulher do deputado federal Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Vale, comprou 14 imóveis, cinco dos quais usando dinheiro vivo — de acordo com denúncia da revista Época.

Há indícios de que Ana, mãe de Renan, era a fachada de Jair.

Desde o início de sua história política, o clã Bolsonaro já empregou 22 parentes em cargos de assessoria em seus gabinetes na Câmara Federal, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, inclusive Ana e várias pessoas da família dela.

O levantamento foi feito pelo jornal O Globo.

Funcionários fantasmas, eles devolviam parte do dinheiro público recebido para enriquecer o clã — é o que investiga o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

Ana, depois da separação, mudou-se para a Noruega e chegou a acusar Jair Bolsonaro na Justiça de ocultação de patrimônio. Mas reatou com o ex-marido e fez campanha por ele em 2018.

Outra ex-mulher de Bolsonaro, Rogéria Nantes Nunes Braga, a mãe dos filhos Flávio, Eduardo e Carlos, também comprou em dinheiro vivo um apartamento em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, em 1996.

Foram R$ 95 mil. O dinheiro equivaleria hoje a mais de R$ 650 mil.

Finalmente, a primeira dama Michelle recebeu R$ 89 mil em depósitos em sua conta bancária de Fabrício Queiroz e sua esposa Márcia — hoje ambos em prisão domiciliar.

De acordo com a quebra de sigilo bancário de ambos, não houve entrada do suposto empréstimo que o presidente da República disse ter feito a seu “faz tudo”, de R$ 40 mil — razão alegada por Jair Bolsonaro para justificar os depósitos de Queiroz na conta da primeira-dama.

Mas os filhos parecem ter tomado gosto pelo manuseio de notas.

Flávio Bolsonaro comprou 11 salas comerciais na Barra da Tijuca, em 2008, utilizando R$ 86.779,43 em dinheiro.

Um levantamento da revista Época recém-divulgado contabilizou: o clã Bolsonaro movimentou cerca de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo, o que inclui dos pagamentos de plano de saúde e mensalidades escolares da família de Flávio por Fabrício Queiroz aos R$ 31 mil que Carlos e Flávio usaram, através de uma corretora, para cobrir prejuízos na Bolsa.

Transações em dinheiro vivo, vivíssimo, numa época em que as transferências bancárias se tornaram imensamente menos complexas. Porém, deixam rastros eletrônicos.

 



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1 comentário

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Zé Maria

12 de agosto de 2020 às 22h07

É Prática Comum das Milícias

Transações Financeiras em Dinheiro Vivo, de Origem ilícita,
que não passa por Bancos, são mais difíceis de serem
rastreadas por Órgãos de Investigação ou pela Receita.

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