Abrasco denuncia o bloqueio criminoso dos EUA e pede solidariedade urgente do Brasil ao povo cubano

Tempo de leitura: 3 min

Nota de solidariedade frente a crise sócio-sanitária em Cuba

A saúde de milhões de pessoas está ameaçada por um bloqueio injusto e criminoso

Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)

O bloqueio de petróleo contra Cuba, a partir de uma decisão do presidente estadunidense Donald Trump, agravou as dificuldades enfrentadas há 60 anos pelo povo cubano por um conjunto de sanções americanas que restringem o comércio, turismo e transações financeiras de maneira abrangente e com impacto extraterritorial.

O petróleo ainda é a base energética do país e um produto essencial para a manutenção de diversos setores na ilha, vitais para a garantia de condições básicas de sobrevivência da população cubana, a exemplo dos serviços de saúde pública e saneamento. Esse fato gerou uma grave crise sócio sanitária.

Em reação, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos publicou, em 13 de fevereiro de 2026, uma nota intitulada: “Preocupações com o aprofundamento da crise econômica em Cuba” [1].

No documento, destaca-se o inequívoco posicionamento: “objetivos políticos não podem justificar ações que, por si só, violam os direitos humanos”.

O documento aponta também que diversos serviços estão comprometidos por conta dos longos apagões, como unidades de terapia intensiva, prontos-socorros, atendimento a serviços de urgência e emergência (cardiologia, ortopedia etc.) produção, distribuição e armazenamento de vacinas, hemoderivados e outros insumos e medicamentos sensíveis a variações de temperatura.

O acompanhamento de pacientes com doenças crônicas em Cuba, referência mundial de um sistema público, universal e gratuito de saúde, também enfrenta escassez de medicamentos, incluindo oncológicos, dificuldade de acesso a exames de imagem, serviços de hemodiálise e adiamento de diversos tipos de tratamento contínuo, comprometendo a sobrevida dos pacientes.

Segundo o Ministro de Saúde Pública de Cuba [2], José Ángel Portal Miranda, cerca de cinco milhões de cubanos assistidos por esses programas estão sendo impactados.

Entre os mais afetados estão 16.000 pacientes oncológicos que dependem de radioterapia e outros 12.400 que necessitam de quimioterapia.

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A lista de espera para cirurgias em Cuba conta com mais de 96.000 pacientes, dos quais mais de 11.000 são crianças. Outros serviços afetados incluem a administração oportuna de vacinas, que exige transporte refrigerado para mais de 30.000 crianças, e ultrassonografias diagnósticas para 32.000 gestantes.

A escassez de energia elétrica também compromete a produção, preparo e armazenamento de alimentos e o acesso à água potável, representando riscos adicionais para o surgimento ou agravamento de doenças.

Solidariedade com o Brasil

A história de Cuba é pautada pelo princípio da solidariedade entre os povos, orientado pela forte política de internacionalização, incluindo o Programa de Cooperação Médica, que é uma ação estruturante no campo da Saúde Pública, com amplo reconhecimento internacional.

Neste Programa, profissionais de saúde de Cuba, sobretudo médicos, atuam em países onde existem demandas e carências na cobertura de serviços de saúde, prestando serviços, primordialmente, em áreas onde os profissionais dos países beneficiários não atuam, seja por distância, dificuldade de acesso ou falta de interesse [3].

Só entre 2011 e 2016, 140.758 profissionais de saúde cubanos prestaram serviços em 67 países. No Brasil, 14.000 médicos vindos de Cuba atuaram no âmbito do Programa Mais Médicos nas áreas mais remotas e de difícil acesso do SUS, entre 2013 e 2018.

Em 2018, após o governo federal encerrar o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com Cuba, mais de 8 mil médicos cubanos deixaram o país, o que resultou na desassistência de diversos territórios.

Ainda naquele ano, a Abrasco publicou um posicionamento sobre a saída desses profissionais do Programa [4], destacando as evidências de sua contribuição para a saúde da população brasileira.

A necessária solidariedade brasileira

Nesse momento histórico para o povo cubano e no dever de combater as situações de ataque aos direitos humanos, devemos retribuir as ações de solidariedade que Cuba vem desenvolvendo por toda a América Latina, Caribe e África nas últimas décadas.

Em face à gravidade da crise sócio-sanitária em Cuba, a Abrasco vem denunciar para os organismos internacionais essa violação do direito à saúde da população cubana por parte do governo do Presidente Donald Trump, e instar o governo e a sociedade brasileira para realizarem ações imediatas de apoio ao povo cubano.

Nesse sentido, a Abrasco propõe ao Governo e ao Ministério da Saúde brasileiros a adoção de medidas para evitar prejuízos ao atendimento à saúde da população de Cuba, bem como aos serviços de saneamento.

Isso envolve medidas como, o envio imediato de insumos básicos de saúde e que possam potencializar o uso da energia como o uso de baterias, geradores portáteis e placas solares.

Também sugerimos ao Ministério da Saúde o estabelecimento de uma cooperação entre o Sistema Único de Saúde Brasileiro e o Sistema de Saúde Cubano na perspectiva de desenvolvimento de ações solidárias entre os países.

Rio de Janeiro, 26 de março de 2026

Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

[1] https://www.ohchr.org/en/press-briefing-notes/2026/02/concerns-over-cubas-deepening-economic-crisis#:~:text=13%20February%202026,vulnerable%20groups%20being%20disproportionately%20impacted.

[2] https://www.brasildefato.com.br/2026/02/22/ministro-denuncia-efeitos-do-bloqueio-estadunidense-na-saude-de-cuba/

[3] O embargo como um ataque frontal à educação e à saúde pública na América Latina. SciELO Preprints, 2026. DOI: 10.1590/SciELOPreprints.15202. Disponível em: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/15202. Acesso em: 21 mar. 2026.

[4] https://abrasco.org.br/nota-abrasco-sobre-saida-dos-medicos-cubanos-do-programa-mais-medicos-para-o-brasil/

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