Cebes contra o bloqueio a Cuba: Nossa solidariedade é imperativo ético

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NOTA DE SOLIDARIEDADE

Exemplo de solidariedade internacional e resposta rápidas a emergências, Cuba enfrenta grave crise sanitária que coloca em risco milhões

Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) 

O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) manifesta solidariedade a Cuba e repudia o recrudescimento do cerco dos Estados Unidos. Sob ameaça de invasão, Cuba resiste ao isolamento financeiro, comercial e energético, que afeta o funcionamento de serviços básicos, em especial a Saúde.

Cuba não é referência apenas pela eficácia do seu sistema de Saúde, universal, público e gratuito, mas também pela solidariedade internacional e capacidade de resposta rápida a emergências internacionais. Cuba estava no Paquistão após o terremoto de 2005, montando hospitais de campanha que atenderam milhares de pessoas. Médicos cubanos foram os primeiros a chegar no Haiti após o terremoto de 2010.

Médicos cubanos estavam na África Ocidental para combater o ebola na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

A solidariedade cubana também se expressou na formação de 30 mil profissionais de 120 nacionalidades na Escola Latino-Americana de Medicina, e no apoio às lutas de libertação e independência de países africanos.

No Brasil, os cubanos estiveram na linha de frente do Programa Mais Médicos, que levou profissionais à Atenção Primária à Saúde de mais de 4 mil municípios, desde sua criação, em 2013. Sob cerco americano, a ilha ainda mantém mais de 24 mil médicos em 56 países.

O bloqueio leva a grave crise fitossanitária, com falta de insumos e condições mínimas de atuação para os profissionais de Saúde em seu próprio território.

Apagões prolongados, fruto do desabastecimento energético, comprometem o funcionamento de unidades de terapia intensiva, prontos-socorros e serviços de urgência e emergência.

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A falta de energia afeta a produção, armazenamento e distribuição de vacinas, hemoderivados e medicamentos sensíveis à temperatura, interrompendo a cadeia de frio.

Essa situação ameaça a vacinação de mais de 30 mil crianças e o acompanhamento de 32 mil gestantes, segundo dados do Ministério da Saúde de Cuba. São afetados 16 mil pacientes oncológicos que precisam de radioterapia e 12,4 mil em tratamento quimioterápico. A fila para cirurgias ultrapassa 96 mil pessoas, incluindo mais de 11 mil crianças.

O bloqueio energético impacta o acesso à água potável e já afeta a produção e conservação de alimentos, ampliando os riscos sanitários.

A gravidade da situação levou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos a afirmar que “objetivos políticos não podem justificar ações que, por si só, violam os direitos humanos”.

O agravamento das sanções americanas, inclusive com efeitos extraterritoriais, caracteriza clara violação ao Direito Internacional, seletivamente esquecido, ao penalizar coletivamente a população cubana.

O presidente Donald Trump tem se torando infame pelo sequestro e assassinato de chefes de Estado que desafiam sua política unipolar e controle energético.

Cuba já resistiu a valentões. A CIA tentou matar Fidel Castro com roupas de mergulho contaminadas, charutos envenenados e até concha marinha com explosivos.

Nada funcionou. Fidel morreu aos 90 anos, em 2016, oito anos após deixar a Presidência. Cuba seguiu resistindo à pressão dos Estados Unidos.

Eurodeputados pressionam por uma resposta da União Europeia, principal parceiro comercial de Cuba. O silêncio é cúmplice.

A falta de voz reflete o medo que paira sobre o mundo. Qual será o próximo país a ser invadido? Nem a rica Dinamarca está a salvo. Mas nem a arbitrariedade dos Estados Unidos é capaz de estancar a solidariedade internacional dos povos.

A trajetória de Cuba é uma demonstração inabalável do compromisso internacionalista com a vida, a dignidade e a autodeterminação dos povos.

Rio de Janeiro, 23 de março de 2026

Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes)

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