VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Metroviários pedem salário mínimo do DIEESE e fim da privataria
Política

Metroviários pedem salário mínimo do DIEESE e fim da privataria


05/06/2014 - 22h44

O que querem os metroviários em SP?

Expansão do sistema desabou nas gestões tucanas. Falta de investimentos e suspeitas de corrupção levam transporte sobre trilhos ao colapso. Metroviários querem salário e mais segurança e conforto para a população

por Gilberto Maringoni

A greve dos metroviários coloca novamente São Paulo diante de um de seus maiores problemas: o da mobilidade urbana.

A capital paulista é uma cidade em que as linhas do transporte sobre trilhos foram implantadas tardiamente. Enquanto metrópoles como Londres, Paris ou mesmo Buenos Aires começaram a instalar seus metrôs entre 1890 e 1910, São Paulo somente colocou em operação suas linhas em 1974. Mas os primeiros projetos remontam a primeira gestão do prefeito Prestes Maia (1938-45).

Os planos iniciais foram deixados de lado e somente na segunda metade dos anos 1960, quando a população da cidade já ultrapassava a marca de cinco milhões de habitantes, é que se iniciou a construção sistema.

Pequena extensão

Do início dos anos 1970 até hoje, a cidade implantou 75 quilômetros de linhas.

Se compararmos com metrópoles da periferia, que assentaram seus trilhos no mesmo período, como Seul e Cidade do México, a cidade brasileira faz feio. Os dois municípios estrangeiros têm, respectivamente 287 e 226 quilômetros de vias, que cobrem boa parte da malha urbana.

O ritmo de construção diz muito sobre a dinâmica dos investimentos. Nos primeiros 17 anos de operação – entre 1974 e 1991 – foram implantados 57 quilômetros de linhas. Um ritmo de 3,35 quilômetros por ano.

Nos 22 anos seguintes – entre 1992 e 2014 – foram assentados apenas mais 18 quilômetros. Aqui, o ritmo desabou para 770 metros por ano.

Este segundo período coincidiu com as administrações do PSDB, que fizeram do ajuste fiscal e da falta de investimentos sua pedra de toque.

Em 1970, a cidade tinha 5,9 milhões de habitantes. Em 1991, eram 9,6 milhões os moradores da capital e hoje temos 11,25 milhões dividindo esse imenso chão.

O que isso indica? Que enquanto a população crescia e a urbanização se espalhava de forma desordenada, o investimento no mais moderno sistema de transportes para grandes cidades se reduziu. E pior: uma das linhas, a amarela, que liga a Estação da Luz ao Butantã, é privada. Ou seja, o poder público não tem controle sobre planos de investimento e gestão.

Mesmo assim, esse metrô de reduzidíssimo tamanho é vital para a cidade.

A pauta de reivindicações

Os metroviários foram à greve como último recurso, após várias tentativas de negociação com o governo do PSDB.

O que querem?

Nada demais.

Pedem um piso salarial equivalente ao salário mínimo – isso mesmo, mínimo! – calculado pelo DIEESE, o que dá R$ 2.778,63 por mês e o reajuste dos salários para acompanhar a inflação.

A pauta de reivindicações estende-se por 98 páginas. A maior parte das demandas versa sobre direitos trabalhistas. Mas á solicitações de interesse cidadão, que devem merecer especial atenção. Entre elas estão:

— Uma gestão empresarial democrática;

— O fim à privatização, “para que todo o investimento em sistemas metroviários seja realizado através desta, com a imediata suspensão do projeto de expansão (…) através de PPP’s” [Parcerias Público-Privada];

— Combate à corrupção, com demissão e “confisco dos bens e cadeia para todos os corruptos e corruptores envolvidos nas denúncias de cartel no Metrô”;

— Deve-se também “reverter o dinheiro confiscado em investimento e em expansão do metrô público e com redução da tarifa, rumo à tarifa zero”.

Os metroviários não estão aí para atrapalhar a vida de ninguém. Querem retomada de investimentos, para que o sistema não entre definitivamente em colapso.

Para isso é preciso expandi-lo rapidamente.

Quem quiser ver a pauta dos metroviários, deve clicar neste endereço.

Leia também:

Altamiro Borges: Lotação, panes e corrupção no cenário da greve

Altino Prazeres: Um alerta sobre a segurança do Metrô em SP

Tucanos implacáveis com quem denuncia corrupção, dóceis com o trensalão

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



26 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Desmascarando o golpe geral

09 de junho de 2014 às 08h47

Surpresa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não deu isso no PIG!!!!!!!!!!!!

Responder

nona fernandes

08 de junho de 2014 às 17h59

Neuza, tenho certeza que você só assiste à TV Globo. É uma pena. E fica desinformaaada!

Responder

Luís Carlos

07 de junho de 2014 às 17h50

O Maringoni será candidato pelo PSOL ao governo estadual de SP? Não foi ele citado pela desistência do Safatle?

Responder

augusto2

07 de junho de 2014 às 16h17

Sendo a favor da presença do Estado, de forma geral como a gente é, e de empresas do ESTADO no minimo para dificultar a vida dos monopolios privados, digo porem uma coisa.
A CONTinuarem os metroviarios com essas atitudes,passo a ser advogado de privatizar a operacão das extensoes futuras do metro-sp. Ate um limite claro, digamos 50% das linhas. Assim eles serão forçados a respeitar mais o usuario.
Sorry, mas com todas as letras srs. metrogreviários.

Responder

Weslei

07 de junho de 2014 às 11h53

O piso ( salário mais baixo ) do metrô já é alto, que é por volta de R$ 1.600,00 obs: requisito “ensino fundamental” chegando por volta de R$ 2.350,00 mas exigindo curso de 1.200 horas que tem uma duração média de 1 ano e meio, mesmo assim é um bom salário. Os salários do metrô estão compatíveis com a Petrobras,mas esta última tem um valor agregado maior. O valor conquistado pelos metroviários de aumento e benefícios estão acima da inflação e da média Brasileira, que ficou em média em 7%.
Se o executivos e chefias do metrô tiveram grandes aumentos, o correto é brigar para tirar esses aumentos deles, e não pedir aumentos absurdos de 35%, com isso se igualando ao egoísmo deles.
Uma pauta que considero justa é a PR dividida igualmente.
No quesito aumento, querer aumento de dois dígitos é egoísmo já que à média da população Brasileira não conseguiu este aumento.
Numa sociedade mais igualitário as diferenças salárias tem que diminuir e não aumentar, se os executivos ganham muito no metrô, a pauta principal tem que ser esta e não aumento acima de dois dígitos.

Responder

marcosomag

06 de junho de 2014 às 22h42

A blindagem dos tucanos no lixo corporativo da velha mídia é total.

A Globo ficou horas no ar hoje falando da greve do Metrô. Apoiou a retomada parcial de circulação dos trens, mas não informou o espectador de quê a companhia estava usando pessoal não qualificado para o serviço, colocando em risco os usuários.

A pauta de reivindicações foi colocado no ar em GC. Uma das principais reivindicações da categoria, a apuração da corrupção no Metrô, não foi listada.

Inclusive, em NENHUM MOMENTO das reportagens foram mencionadas as palavras CORRUPÇÃO, TUCANOS e PSDB. O fato novo de terem avançado no STF as investigações sobre o possível recebimento de gordas propinas por lideranças como José Aníbal (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM) não foi noticiado pela emissora.

Com certeza há ordem das chefias de redação para não relacionar o partido que desgoverna SP aos malfeitos que algumas de suas principais lideranças praticaram no Metrô de SP. O que a Globo quer que a população imagine é que corrupção é monopólio petista.

Enquanto isso, o governo federal continua a patrocinar o lixo chamado “SPTV” através da Caixa Econômica Federal!

Acorda Dilma!

Responder

Patricio

06 de junho de 2014 às 18h49

Os alquiminstas estão chegando. Estiveram totalmente ausentes na greve amiga dos ônibus. Voltam agora, em peso, com seus objetos fálicos contra os trabalhadores do metrô. Gravem antes que os coxinhas do Serra tirem do ar: https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=g0eznzSdGGc

Responder

Julio Silveira

06 de junho de 2014 às 13h44

A maldita privataria onde se escondem todos os incompetentes da administração publica e uma camuflagem para corrupção, já a partir da própria concepção.

Responder

Mário SF Alves

06 de junho de 2014 às 12h21

Mais um retrato a frio do “salve-se quem puder” neoliberal tucano.

Novidade?

Nenhuma.

Responder

    Mario

    09 de junho de 2014 às 18h35

    NEO LIBERAL? Você sabe o que significa? Meu Deus, acho que você prefere um partido de esquerda que rouba discaradamente o dinheiro público e ilude o povão com os BOLSAS da vida (migalhas). Só a grana (6x mais que em outros paises) que foi gasta na “COPA” daria para melhorar em muito a vida das pessoas. Mas é isso aí, o povão precisa comer copa, aprender copa, se tratar com copa, enfim, POVO ignorante = voto em PETE!!!!

Cético

06 de junho de 2014 às 11h52

O sindicato dos metroviários é ligado ao partideco PSTU , de viés stalinista, portanto intolerante e autoritário.Estão mais interessados em dividendos políticos e saciar seus patéticos delírios ideológicos do que reivindicações coerentes. Os metroviários não estão passando fome. Seus salários são superiores a muios trabalhadores brasileiros. Quem está sofrendo é o povão que usa metro e ônibus.

Responder

    Sidnei

    06 de junho de 2014 às 13h00

    PSTU?
    Ah, tá!
    Partido de Sustentação de TUcano!

    Edna Lula

    06 de junho de 2014 às 14h09

    É a “elite branca” espoliando o povo. Fora tucanos ladrões.

Mauro Assis

06 de junho de 2014 às 09h36

“Não queremos nada demais, nossa pauta tem apenas 98 páginas…”
Privatização já!

Responder

    EVAIR DA COSTA NUNES

    06 de junho de 2014 às 19h50

    Como a da Linha Amarela citada no texto cujos planos e gestão o poder público não tem controle, vimos o que deu a privatização das ferrovias!!!!!!!Desmantelamento do patrimônio público acumulado, fim do transporte de passageiros, falta de manutenção da precária rede mantida pelas concecionárias como a ALL América Latina Logística, que opera o trecho da antiga Sorocabana pertencente à FEPASA!!!!!

    EVAIR DA COSTA NUNES

    06 de junho de 2014 às 19h59

    Erro ortográfico imperdoável!!! Concessão, concessionária, isso o certo!!!!!

Zanchetta

06 de junho de 2014 às 08h09

Metroviário = CUT = PT!!!

É assim que a população enxerga… Azar deles!

Responder

    Marduk

    06 de junho de 2014 às 11h53

    Azar da população ou dos sindicaleiros?

    Patricio

    06 de junho de 2014 às 20h07

    Tem muito troll aqui. Um fedor. É só falar de trabalhador e eles aparecem. Quanto custa ou é por quilo, Serra?

    Sônia Bulhões

    06 de junho de 2014 às 21h30

    São “trolls” que não usam nem metrô nem ônibus. Coxinhas.

Sidnei

06 de junho de 2014 às 07h37

Como explicar, então, aqueles jalecos com “exigimos transporte padrão Fifa”?
Não seria melhor algum jaleco com alusão à Alca?
Que tal “exigimos transporte padrão ‘mansão do Robson Marinho’?”

Responder

    Sidnei

    06 de junho de 2014 às 11h11

    Alca não seria mal. Mas eu quis dizer Alstom!

Joaquim

05 de junho de 2014 às 23h32

Nao importa o que digam e sim o que estao fazendo,
detonando o ambiente urbano a 6 dias da copa o que favorece
o PSDB. Bem estranho mesmo!

Responder

    Lucas Morais

    06 de junho de 2014 às 09h18

    eis um petista de direita bem aqui.
    “Favorece o PSDB!” já virou um mantra a ser repetido, logo logo o fim do PSDB será apenas uma jogada para “favorecer o PSDB”.
    Contra o trabalhador, a favor do partido. Antigos eleitores do PCB estão saindo das tumbas.

    Marduk

    06 de junho de 2014 às 11h56

    Vossa senhoria nunca usa transporte público, pois não? Vale lembrar que existem pessoas que fazem tratamento de saúde em hospitais públicos, daqueles cujo agendamento demora meses, aí tem a paralisação e tem que agendar tudo novamente, interessante não?

    abolicionista

    07 de junho de 2014 às 10h38

    Pois é. E foi o governador quem impediu a catraca-livre. Essa greve é contra o PSDB. O único motivo para ela favorecer o PSDB foi o PT ter permitido a formação de uma máfia midiática fora-da-lei. Agora é tarde pra chorar.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.