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Mário Scheffer: Com Fakhoury, homofobia e movimentos antivacina, antimáscara e negacionista ganham palco na CPI da Covid
A CPI da Covid ouviu nessa quinta-feira (30/09) o empresário Otávio Oscar Fakhoury, apontado como financiador de disseminação de notícias falsas. Ele entrou na mira da CPI em agosto, quando os senadores aprovaram a quebra dos sigilos bancário, telefônico, telemático, desde abril de 2020. A comissão também teve acesso ao sigilo fiscal do empresário, desde 2018. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Política

Mário Scheffer: Com Fakhoury, homofobia e movimentos antivacina, antimáscara e negacionista ganham palco na CPI da Covid


30/09/2021 - 19h39

Homofobia e movimento antivacina ganham palco na CPI

Por Mário Scheffer – Blog Diário da CPI – Estadão

Devemos admitir que a programação da CPI da Covid nesta semana não foi realmente feita para nos tranquilizar.

Já sabemos que os senadores da comissão estão com dificuldade de praticar o desapego diante da proximidade do fim de um reinado temporário e popular.

Mas nem bem haviam terminado de varrer o palanque do comício de Luciano Hang do dia anterior, cederam o palco para Otávio Fakhoury, patrono de redes sociais e propulsor de manifestações bolsonaristas.

Foi uma péssima decisão espetacularizar as sessões finais com depoimentos que premiam a reversão de valores, que promovem a banalização da política.

De qualquer forma, a oitiva da vez ilustra o que se extrai do farto material reunido pela CPI, das investigações sobre o gabinete paralelo, da cooperação firmada com a CPMI das Fake News, do compartilhamento de dados do inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, da quebra dos sigilos fiscal e bancário de blogueiros e donos de sites.

Partiram dessas fontes tudo que os senadores usaram para confrontar a testemunha, mas a sessão foi tão improdutiva quanto o depoimento do tenente-coronel Hélcio Bruno, em agosto, do Instituto Força Brasil, do qual Fakhoury confirmou ser o vice-presidente.

No dia em que Hélcio esteve na CPI, o site do Força Brasil saiu do ar, está indisponível até hoje.

Fakhoury não se fez de rogado, manteve ativo o portal Crítica Nacional, por ele financiado, segundo a CPI.

Entre bate-bocas e interrupções na CPI, navegar pela página foi um exercício elucidativo.

Em destaque, junto ao link da transmissão da TV Senado, havia um manifesto contra o que seria uma “campanha de demonização e assassinato da reputação” de Otávio Fakhoury.

Em publicações bem recentes do site, de setembro, continuam atrás do “vírus chinês”, repercutem novas “provas” de que a China fez “alteração genética no coronavírus de morcego, para torná-lo mais infeccioso para seres humanos”.

Consideram que máscaras são ineficazes e “geram falsa sensação de segurança”.

Detonam as vacinas e definem a vacinação como “um processo de experimentação em larga escala”.

Querem derrubar medidas de saúde pública, como a obrigatoriedade de comprovante de imunização para a entrada em escolas, estabelecimentos e eventos.

No que parece ser uma espécie de ombudsman do bolsonarismo, reclamam do governo a defesa mais enfática do “uso de medicamentos reposicionados para tratamento da covid” e das “maiores manifestações democráticas da história do País”, como chamam os atos golpistas de 7 de Setembro.

Fakhoury apresentou-se na CPI como um conservador cristão que exige seu direito de opinião, inclusive para dizer que a Coronavac é um “lixo de vacina” ou para postar comentários covardes e homofóbicos contra Fabiano Contarato. O senador agredido respondeu com um discurso emocionante, que transbordou dignidade e altivez.

Esse é outro ponto comum da rede de ódio e mentiras que age para além da pandemia: invocam a liberdade de expressão, desde que seja em uma nova sociedade expurgada de democracia e de pessoas que desejam “cancelar”, como os gays.

Nota-se uma sinergia entre desejos mais amplos do bolsonarismo e a cruzada de Fakhoury anti-máscara, antivacina e “covidocética”, como são chamados, na Europa, os negacionistas da pandemia.

O site Crítica Nacional, além da defesa do depoente em tempo real e de desinformações sobre saúde pública, oferece “capacitação para fazer o embate político” contra “marxismo cultural” , “ideologia de gênero” e “globalismo”.

Essas expressões sem nexo, três fantasmas de estimação, se repetem em todas as mídias e veículos bolsonaristas.

Foram inventadas para se opor às causas progressistas que tanto temem, como feminismo, movimentos antirracista e LGBTI+, em defesa dos direitos de povos indígenas, por terra e moradia, e contra o desmatamento.

Não bastasse a miscelânea conceitual, apresentada de maneira vulgar e caricatural, misturam também inimigos de diversas linhagens – de Lula à terceira via, de sites “comunistas” à “grande imprensa” – todos eles aliados em conspiração, planejando a derrubada do mito.

Nas frentes que apuram os crimes reunidos em torno de fake news, praticados livremente desde as eleições de 2018, vê-se de tudo, menos improviso.

Hang e Fakhoury, enquanto falavam na CPI, contavam com retaguarda investida em vários canais da internet.

Em momento de crise, o aparato se volta para a reatividade militante, mas as máquinas estão ligadas sem parar na distorção da realidade, na intenção de enganar e atacar.

Os motivos, o objeto, os destinatários e os procedimentos da mentira compõem uma técnica que visa substituir a informação pela ideologia.

Seja por meio de conteúdos falsos, ou mesmo reais, mas truncados ou manipulados, os fins são políticos e vêm assumindo alguma expressão partidária.

Hang subiu no palanque, nas barbas da CPI, e Fakhoury domina o diretório do PTB em São Paulo.

O relatório da CPI ou o inquérito do STF poderão levar ao indiciamento de patrocinadores de fake news e de campanhas antidemocráticas.

Além da pressão para que Legislativo e Judiciário cumpram o seu papel, a resposta precisará vir também de baixo, de iniciativas de cidadania e participação capazes de responder aos extremistas no seu próprio terreno, onde eles hoje são influentes, nas ruas e na internet.





3 comentários

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Fabio Silva

01 de outubro de 2021 às 19h03

Parece que todos estão deixando escapar a informação de que o cara é presidente do diretório do ptb que filiou uma rapa de integralistas, não sei se levados por ele mesmo ou pelo Bob Jeff, para eles saírem candidatos em 2022. Além disso, esse Fakouri termina suas postagens com “Deus, Pátria e Família”, lema integralista (e que Bolsonaro tbm tem usado).

Responder

Zé Maria

01 de outubro de 2021 às 00h34

“Com Fakhoury, homofobia e movimentos antivacina,
antimáscara e negacionista ganham palco na CPI”

Faltou Racismo nessa Cesta Nazista de Crimes
contra a Vida, a Honra e a Reputação Humanas.

Responder

    Zé Maria

    01 de outubro de 2021 às 03h36

    É preciso aprender que pedido de desculpa
    de Nazi-Fascistas é Palavra Morta, porque
    não têm Escrúpulos, nem Ética nem Moral.


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