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Marcelo Zero: Trump está adorando novo Brasil, que engatinha pelo cenário mundial
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Política

Marcelo Zero: Trump está adorando novo Brasil, que engatinha pelo cenário mundial


03/11/2018 - 10h36

Grande Porto Rico

por Marcelo Zero, via whatsapp

Porto Rico é um “estado associado” dos EUA.

Anexado em 1898 pelos norte-americanos, após a guerra contra a Espanha, Porto Rico é um território subordinado, que não faz parte dos Estados Unidos.

Seus habitantes, embora tenham a cidadania norte-americana, não podem votar para eleger o presidente, senadores ou deputados. No Congresso, Porto Rico tem apenas um Resident Commissioner, com direito a voz, mas sem direito a voto.

Dessa forma, Porto Rico não é nem um Estado soberano nem um Estado dos EUA. Porto Rico fica num limbo de soberania.

É, na verdade, uma colônia dos EUA. Tal status é reconhecido até pela ONU.

Com efeito, o Comitê Especial das Nações Unidas sobre a Descolonização declarou que os EUA deveriam “permitir que o povo de Porto Rico tome decisões de maneira soberana e enfrente seus urgentes problemas econômicos e sociais, incluindo o desemprego, a marginalização, a insolvência e a pobreza”. Em vão.

Entretanto, o caso de Porto Rico, embora extremo, não chega a ser exatamente um ponto totalmente fora da curva, na América Latina. A bem da verdade, muitos países da região, mesmo não sendo colônias formais, têm uma forte relação de dependência, em relação aos EUA.

O Brasil, por suas vastas proporções territoriais, demográficas e econômicas, era, até pouco tempo, uma exceção parcial a essa realidade latino-americana.

Com efeito, tivemos períodos em que nos alinhamos subordinadamente aos interesses geopolíticos norte-americanos, como no período Dutra, nos governos Castelo Branco e Médici e nos governos FHC.

Mas também tivemos períodos em que o Brasil tentou ativamente afirmar seus interesses próprios no cenário regional e mundial de forma mais autônoma.

Foram os casos, por exemplo, da Política Externa Independente (PEI) do período de Jânio Quadros e João Goulart, do “pragmatismo responsável” de Geisel e, sobretudo, da política externa “ativa e altiva”, implantada nos governos do PT.

Nesse último período, o Brasil fez avanços extraordinários em seu protagonismo mundial.

Investimos muito na integração regional, fortalecendo o Mercosul e criando a Unasul e a Celac.

Demos prioridade à vertente Sul-Sul da política externa e estabelecemos sólidas parcerias estratégicas com outros países emergentes, como a China, a Índia e a Rússia. Reaproximamos-nos à África e criamos laços de cooperação inéditos com regiões como a do Oriente Médio, por exemplo.

Com isso, diversificamos muito nosso comércio exterior e nosso fluxo de investimentos, bem como ampliamos extraordinariamente nossas exportações e nossos superávits, algo que foi fundamental para a superação da vulnerabilidade externa da nossa economia, a qual vivia pendurada no FMI.

Criamos o grupo dos BRICS, contribuindo para conformação de uma ordem internacional mais multipolar.

Fomos indispensáveis para a transformação do G7 em G20 e exercemos nossa respeitada liderança em todos os grandes foros mundiais.

Lula converteu-se no primeiro presidente brasileiro a ter dimensões mundiais. O “cara”, segundo Obama.

Todos esses avanços estão sendo celeremente destruídos pelo golpe. Como se sabe, hoje temos uma política externa passiva e submissa. Voltamos a nos alinhar aos interesses norte-americanos na região e no mundo.

Porém, temos, agora, um sério agravante. Esse sério agravante chama-se Bolsonaro, o “capitão-que-bate-continência-para-a-bandeira-dos-EUA”.

Com efeito, se fizer o que está acenando, Bolsonaro fará com que a política externa do Brasil se converta num ponto totalmente fora da curva, em relação à sua história e às suas tradições.

Uma coisa é aliar-se aos EUA, mantendo, porém, alguns espaços para a defesa de seus interesses próprios, como o Brasil fez, por exemplo, na era FHC.

Na época, mesmo priorizando as relações com o grande irmão do Norte, não abandonamos a integração regional e as relações com alguns países emergentes.

Outra coisa, entretanto, é a promessa de terra arrasada de Bolsonaro. A total submissão do país aos interesses dos EUA, em nome de um feroz anticomunismo totalmente deslocado e extemporâneo, que faria até McCarthy corar. O que se prenuncia é a inteira perda de soberania.

O novo superministro da economia do capitão já deixou claro, de forma bastante grosseira, que o Mercosul e a Argentina não são prioridades, não terão qualquer relevância.  Isso causou grande rebuliço num bloco que é fundamental para economia brasileira e para a paz em nossa região.

Trata-se de completa ignorância, por parte de quem pretende governar o Brasil.

A Argentina já foi nosso primeiro parceiro comercial. Mesmo depois da crise, é nosso terceiro parceiro comercial.

Entre 2003 e este ano exportamos para o Mercosul nada menos que US$ 276 bilhões, com um superávit a nosso favor de cerca US$ 100 bilhões.

Saliente-se que as exportações brasileiras para o bloco são, em mais de 90%, de produtos industrializados, com alto valor agregado.

Em contraste, no que tange às nossas exportações para a União Europeia, a China e os EUA, os percentuais de manufaturados são de 36%, 5% e 50%, respectivamente.

Portanto, o Mercosul compensa, em parte, a nossa balança comercial negativa da indústria.

Entretanto, o “posto Ipiranga” talvez não ligue para isso, pois já avisou que não terá políticas para promover nossa industrialização.

Ao contrário, terá políticas para inviabilizá-la, pois pretende abrir totalmente nossa economia e extinguir o BNDES, nosso grande instrumento de financiamento da indústria. De agora em diante, a indústria brasileira só terá desincentivos.

Obviamente, essa negligência criminosa em relação ao Mercosul estender-se-á a toda a integração regional, bem como às alianças estratégicas com blocos e países emergentes.

O único relevante, agora, será a relação privilegiada com EUA e aliados, como Israel, por exemplo.

A aliança firme com Trump, evidenciada pelas declarações de Bolsonaro, pelo efusivo e único comunicado de felicitações do presidente dos EUA ao recém-eleito e pela recente visita do embaixador norte-americano ao capitão, bem como à talvez decisiva participação de Steve Bannon na campanha eleitoral, já suscitou a advertência severa de Beijing, que não admitirá retrocessos em sua parceria estratégica com o Brasil, o qual nos beneficia enormemente.

A China é nosso primeiro parceiro comercial. No ano passado, exportamos para lá US$ 47 bilhões, com um superávit a nosso favor de US$ 20 bilhões. Em contraste, exportamos apenas US$ 26, 8 bilhões para os EUA, com um superávit a favor do Brasil de somente US$ 2 bilhões, dez vezes menor que o obtido com a China.

Ademais, é a China que alimenta o Banco de Desenvolvimento dos BRICS (NDB) e o Arranjo Contingente de Reservas (CRA), instrumentos financeiros que poderiam contribuir muito para nosso desenvolvimento.

O posto Ipiranga e o capitão parecem ignorar esses fatos que são do conhecimento de alunos do primeiro ano do curso de Relações Internacionais.

A sabujice política e ideológica do capitão chega ao ponto de anunciar a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e o fechamento da embaixada da Autoridade Palestina no Brasil, emulando Trump.

Trata-se de uma estupidez inacreditável, de uma ruptura clara não apenas com política externa ativa e altiva, mas com toda nossa tradição diplomática no tratamento do tema.

Com efeito, o Brasil é um defensor histórico da solução dos “dois Estados” para a solução do conflito israelo-palestino e, por isso, acompanha a determinação da ONU, inscrita na Resolução 181 de sua Assembleia Geral, de que Jerusalém é uma cidade de status internacional.

É por isso também que à exceção dos EUA de Trump, do Brasil do capitão e da Guatemala, um satélite norte-americano, todos os países mantém embaixadas em Tel Aviv.

Os países árabes e muçulmanos estão adorando essa iniciativa desastrosa do capitão.

Exportamos US$ 11,6 bilhões para o Oriente Médio, em 2017. Para Israel, exportamos somente US$ 466 milhões.

Tal decisão é, como se vê, muito pragmática e inteligente. Está em perfeita sintonia com os interesses da nossa agroindústria e com os milhões de descendentes de árabes que temos no nosso país.

Mas isso é só o começo. O ex-embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, já anunciou que apoia a humilde solicitação do capitão, no sentido do Brasil entrar na OTAN.

O que um país do Atlântico Sul fará na OTAN não parece muito claro. O que é evidente é que tal decisão fará o Brasil rumar para o fundo do “posso”, em termos de soberania.

Se concretizada, essa preclara decisão tornará o Brasil um satélite definitivo, que orbitará fielmente, de forma canina, os interesses geoestratégicos dos EUA no mundo.

Obviamente, tal iniciativa inviabilizará a participação do Brasil no BRICS. Nem Beijing nem Moscou aceitariam um membro da OTAN no seu clube.

O que virá depois?

Uma aventura militar na Venezuela? A liderança, na América do Sul, contra o “marxismo cultural”, seja lá o que isso for?

Medidas protecionistas contra a China, acompanhando Washington?

A extinção do Mercosul e da Unasul? Um pedido para que o Brasil se torne Estado associado dos EUA, como Porto Rico?

Não sabemos. Contudo, pelo andar da carruagem (seria melhor dizer carroça), só falta isso mesmo.

O que é certo é que a combinação de ultraneoliberalismo do posto Ipiranga com a subordinação política e ideológica do capitão que bate continência para a bandeira dos EUA rompe com todo resquício de soberania que nos sobrava, após o golpe.

Com tal combinação, que subverte por inteiro a nossa tradição diplomática, mesmo a do período neoliberal anterior, nos tornaremos uma nulidade geopolítica.

Não seremos apenas um país menor, seremos um país desprezível. Formal ou informalmente, seremos colônia, a exportar commodities para quem conseguirmos exportar. E não serão muitos os países, pelo visto.

Trump, aquele que aprisionou crianças brasileiras, e os grandes interesses do capital estão adorando esse novo país que engatinha, de quatro, pelo cenário mundial, sujando as suas fraldas, seus interesses e sua memória.

Só falta batizá-lo. Que tal “Gran Puerto Rico”?

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12 comentários

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Bel

05 de novembro de 2018 às 19h50

Trump está governando o Brasil via controle remoto acoplado ao Bolso. Dita tudo o que o eleito daqui é para dizer e fazer. Exemplo: dizer que vai transferir embaixada para Jerusalém. Brasil perde exportações árabes e o Tio Sam ri muito que com isso os árabes aumentam a compra de produtos dos EUA. E o eleito daqui acredita que está sendo bem assessorado pelo Bannon. Quá, quá, quá.

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Bel

04 de novembro de 2018 às 22h33

Nossa bandeira jamais será vermelha, mas bate continência para bandeira com listras vermelhas. Ou será que vê a bandeira dos EUA toda azul?

Responder

Jardel

04 de novembro de 2018 às 01h32

Num planeta com mais de 150 países, entre eles, muitos com IDH muito mais alto que o nosso, com expectativa de vida muito superior à nossa e economias muito melhores e estáveis do que a nossa, o Brasil foi o primeiro país lacaio a segurar o saco de Trump e embarcar nessa adesão aos interesses israelenses.
O que ganharemos com a inevitável inimizade que nutriremos com o Mundo Árabe?

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marcosomag

03 de novembro de 2018 às 22h19

O sonho de cada “coxinha” é ser enrabado por um “marine”.

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Zé Maria

03 de novembro de 2018 às 17h04

O braZil de Botsonauro: um território sem personalidade jurídica,
anexado sem resistência ou por opção aos Estados Unidos da América,
porém não incorporado à União, sem Status de Estado da Federação.

http://amazonasatual.com.br/porto-rico-decide-ser-51o-estado-americano-medida-depende-de-aprovacao-dos-eua/

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Eduardo

03 de novembro de 2018 às 16h24

General Augusto Heleno crítica ex-chanceler Celso Amorim! Bizarrice! Isso me dá nos nervo! Será ese General um militar capaz para tão importante cargo à frente dude uma instituição guardiã da Constituição! Devemos de fato invejar o povo e as instituićōes Argentinas!

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Weez

03 de novembro de 2018 às 12h59

Bolsonaro é Deus para seus seguidores.

Ele é o deus da guerra que vai guiar seus fiéis para conquistar a terra prometida (o Brasil potência) dos inimigos representantes do mal que estão contaminando a terra prometida que havia sido dada pelos militares após o fim da Ditadura para os homens de bem (cristãos, brancos e de classe média alta de preferência). Ele é o deus da guerra que vai destruir o mal que está contaminando a sociedade e vai proteger seus seguidores. Quando aquilo que representa todo o mal da sociedade for destruído, finalmente os eleitos vão poder desfrutar da terra prometida (preferencialmente cristãos, brancos e de classe média alta). Qualquer um que se oponha a essa batalha é um bandido sem caráter e merece morrer por tentar negar a soberania do deus da guerra. Bolsonaro, o pai disciplinador, é tão deus, que ele não precisa seguir regras e está acima do bem e do mal. “Fiz caixa dois mesmo! Recebi propina mesmo! A gente precisa matar milhares mesmo! Digo algo e depois digo que nunca disse mesmo!”. Isso é demonstração de soberania real, do senhor que vai por ordem no mundo nem que seja à bala e sobre os corpos de milhares de mortos. É um rei absoluto, um imperador, deus, o senhor, que pune com mão forte. Não precisa seguir as regras porque elas têm de se dobrar a ele. Ele vai levar o Brasil de volta à uma época de ouro mitológica, quando, segundo seus iludidos seguidores, teria pretensamente havido ordem, respeito, disciplina, segurança, prosperidade. Ele vai cuidar de cada um como um pai amoroso, vai resolver todos os problemas de todos, porque ele é pai e deus. Vai punir os maus com severidade, porque ele é pai e deus. Vai fazer com que os frustrados, os injustiçados, os humilhados, os violentados possam fazer parte de uma grande narrativa épica do bem contra o mal. Aqueles que se sentem irrelevantes no mundo finalmente podem sentir que fazem parte de algo maior, fazem parte de uma fraternidade que vai combater os desordeiros e aqueles que contaminam o Brasil. Afinal, nada estreita mais os laços de fraternidade entre duas pessoas do que o ódio a uma terceira pessoa ou o medo. São todos uma grande família unida no ódio contra os “depravados do PT e seus comunistas”. Uma família unida pelo medo da desordem e da destruição das tradicionais hierarquias e valores da nossa injusta sociedade. Todos sob a proteção do homem Deus. Tão messiânico que sobreviveu até mesmo a uma facada. Seu nome Jair MESSIAS já comprova esse fato. Sua liderança estava escrita nas estrelas, profetizada como a de Jesus Cristo.

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lulipe

03 de novembro de 2018 às 12h43

Bom mesmo era quando o país reverenciava ditaduras africanas e se alinhava à republiquetas bolivarianas. Aceitem que dói menos. O choro é livre, lula não.

Responder

    cid elias

    03 de novembro de 2018 às 21h15

    lulipe, fake, babaovo de americano, corrupto e mentiroso ~ pilantra!

    Gersier

    04 de novembro de 2018 às 10h29

    Vc, como disse o Marcos, está doidinho pra ser enrrabado por um marine, não é mesmo trouxa otário?

Luis Leite

03 de novembro de 2018 às 12h35

E as forças armadas que rosna contra brasileiros, apoia e bate palmas para este desastre anunciado

Responder

    carol

    04 de novembro de 2018 às 10h16

    Parece que você não leu a coluna…mas respondendo diretamente: bom é agora, que estamos alinhados com quem sempre promoveu ditaduras e chacinas pelo mundo…(é os EUA sempre fizeram isso, sabia?)


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