Marcelo Zero: Nazismo, um problema histórico na Ucrânia de Zelenski
Tempo de leitura: 2 min
Por Marcelo Zero*
A imprensa do Brasil é absolutamente ignorante sobre a Ucrânia ou finge que é.
Não explica direito, ou não explica, o papel que parte da Ucrânia, principalmente a Ucrânia ocidental, desempenhou na Segunda Guerra Mundial.
Não explica bem a origem da alta tensão entre Polônia e a Ucrânia, que envolve o genocídio cometido por nazistas ucranianos em Volínia e na Galícia Oriental, no qual teriam sido assassinados cerca de 100 mil poloneses, justamente pelo Exército Insurgente Ucraniano (UPA), organização nazista que Zelenski resolveu homenagear, provocando a indignação até de Lech Walesa.
Isso não foi um fato isolado.
A realidade embaraçosa, e que Zelensky e seus apoiadores procuram ocultar, é que muitos grupos de ucranianos do oeste e do centro se aliaram aos nazistas contra a União Soviética, na Segunda Guerra Mundial.
Entre muitos outros crimes de guerra, eles foram responsáveis pelo famoso massacre de Babi Yar contra os judeus de Kiev e forneceram milhares de guardas para atuar nos campos de concentração nazistas do leste europeu, como Auschwitz, por exemplo.
No referido massacre de Babi Yar, teriam perecido cerca de 100 mil judeus. Saliente-se que, na época, a Ucrânia tinha cerca de 2,7 milhões de judeus. A maior parte foi assassinada, ao longo do conflito, em massacres semelhantes ao de Babi Yar, por nazistas ucranianos.
O problema maior, contudo, reside no fato de que alguns líderes nazistas ucranianos desse período são vistos, hoje, na Ucrânia de Zelenski, como “heróis nacionais”, e são constantemente homenageados, como aconteceu agora.
Com efeito, a Ucrânia ergueu, nos últimos anos, estátuas e monumentos em homenagem a esses “nacionalistas ucranianos”, cujo legado está indelevelmente manchado pela sua relação indiscutível com o regime nazista.
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O principal deles, Stepan Bandera, antigo líder da terrível Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), cujos seguidores atuaram como membros da milícia local das SS e do exército alemão, tem várias dezenas de monumentos e de nomes de ruas que glorificam seu nome.
Outro frequente homenageado é Roman Shukhevych, considerado um lutador pela liberdade da Ucrânia, mas que também foi líder de uma temida unidade policial auxiliar nazista.
Ademais, teriam sido erguidas estátuas para Yaroslav Stetsko, ex-presidente da OUN, o qual escreveu: “insisto no extermínio dos judeus na Ucrânia”.
Assim, na Ucrânia hodierna, o “nacionalismo” está fortemente associado a essa lamentável herança nazista e a uma franca hostilidade à Rússia.
Os europeus belicistas insistem em fazer “vista grossa” quanto a esses fatos e fingem ignorar a natureza política do governo de Zelenski.
Mas História não esquece. Parece que os poloneses também não.
*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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