Por Marcelo Zero*
Primeiro, o Departamento de Estado dos EUA resolve, sem nenhuma justificativa técnica, classificar o PCC e o Comando Vermelho como “organizações terroristas”, abrindo caminho para uma série de intervenções financeiras, comerciais, econômicas, políticas e até mesmo militares contra o Brasil.
Em rápida sequência, após praticamente 18 meses com o cargo de embaixador vago, os EUA resolvem nomear para representá-los no Brasil, Daniel Perez.
Republicano e atual Presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, Daniel, descendente de cubanos, é bastante afinado ideologicamente com Marco Rubio e com o grupo de anticastristas que domina os conservadores extremistas da Florida.
Sua missão geopolítica, será, evidentemente, assegurar a aplicação da “Doutrina Donroe” no Brasil.
Em terceiro, 2 dias depois desse anúncio, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs, em documento divulgado no final da noite desta segunda-feira (1°), a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”, como café, carnes e alguns minérios.
Essa proposta punitiva contra economia também não tem nenhuma base técnica sólida. Observe-se que o Brasil é uma das poucas grandes economias que tem déficit comercial com os EUA. Apenas em 2025, segundo os próprios dados do USTR, o Brasil apresentou um déficit comercial com os EUA de cerca de US 20 bilhões, incluída a balança de serviços. Em 2024, foram US$ 28 bilhões de déficit contra o Brasil.
Porém, segundo o USTR, “certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (leia-se PIX); tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal (que está caindo celeremente) são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”.
Ora, não temos dúvidas de que esses 3 fatos, que surgiram rapidamente em sequência em pleno ano eleitoral, não resultaram de mera coincidência.
Eles destinam-se a provocar ingerência no processo político interno do Brasil, visando, por vias tortuosas, prejudicar a economia brasileira, a imagem do país, de seu governo, de suas empresas e do seu sistema financeiro, com o intuito último de tumultuar o processo eleitoral nacional.
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Também não parece haver dúvidas de que os bolsonaristas impulsionaram essas medidas contra o Brasil.
Outras medidas poderão vir. Bolsonaristas e trumpistas uniram-se para atacar o Brasil, sua economia e sua população.
*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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Comentários
Adão Mota
Qual famoso personagem vivia nos EUA a cada 15 dias.
Tudo está interligado.
” Qualquer semelhança é mera coincidência ” Será?
FrancoAtirador
A Traidores da Pátria,
Lacaios dos EUA,
“Cadena o Paredón”.
No hay otra solucion.
Bernardo
É fato. Mas também está claro que a maioria do povo já percebeu quem são os canalhas que traem o Brasil. O governo não vai fraquejar e o Brasil vai superar mais essa.Os EUA mostram sua rápida decadência com essas atitudes mal formuladas e de total irracionalidade. Tudo isso é a cara do nazifascismo que comanda o grande irmão do norte. Não passarão!!!