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Política

Macapá elege primeiro prefeito do PSOL em capital


29/10/2012 - 00h18

28/10/2012 22h10 – Atualizado em 28/10/2012 23h07

Macapá não será ‘trincheira’ contra o governo, diz prefeito eleito do PSOL

PSOL ganhou primeira capital; partido faz oposição ao governo federal.
Clécio Luís pretende procurar rival Góes para ‘aproveitar a experiência’.

Priscilla Mendes*

Do G1, em Macapá

O prefeito eleito de Macapá, Clécio Luís (PSOL), afirmou na noite deste domingo (28) que, embora pertença a um partido de esquerda e de oposição, não fará da prefeitura uma “trincheira” contra o governo federal. Ele foi eleito com 50,59% dos votos válidos, numa disputa apertada contra o atual prefeito, Roberto Góes (PDT), que obteve 49,41%.

Com a vitória de Clécio, o PSOL elegeu o primeiro prefeito em uma capital. O partido faz oposição ao governo federal, mas Clécio disse que não vê problema em procurar a presidente Dilma Rousseff quando julgar necessário.

“Vamos procurar o governo federal da presidente Dilma, em que pese a nossa posição de oposição. Não há um antagonismo da instituição prefeitura para fazer de Macapá uma trincheira contra qualquer que seja”, afirmou Clécio Luís, que, após a vitória, recebeu jornalistas na casa da mãe, de onde acompanhou a apuração dos votos.

Clécio afirmou que vai cobrar do governo federal a liberação de emendas dos parlamentares amapaenses que beneficiam a capital do estado. “Essas emendas estão paradas. Queremos retomar as obras. Isso é fundamental para sinalizar para o governo federal que nós vamos restituir a cooperação entre os entes federados”, afirmou.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um dos principais cabos eleitorais de Clécio Luís em Macapá, afirmou que o governo da primeira capital conquistada pelo PSOL será de esquerda, voltado para os mais pobres.

“É a primeira experiência de um partido recente, um partido que nasceu para ser alternativa política de esquerda, democrática e socialista. Não tenha dúvidas: o primeiro governo de capital do PSOL será um governo de esquerda. Será um governo para os mais pobres, para aqueles que mais sofrem na cidade”, disse Randolfe, que tem Clécio como seu suplente no Senado.

Para o presidente nacional do PSOL, deputado Ivan Valente, a primeira vitória no Executivo de uma capital representa um “desafio” para o partido.

“Acho que no Executivo é até mais difícil [que no Legislativo], porque você tem que encarar grande desafios e forças muito conservadoras. Deve trabalhar para hegemonizar a política do partido na cidade e ao mesmo tempo governar para todos e com apoio popular. O PSOL tem as chamadas dores do crescimento, por ser pequeno e ideológico. Trata-se agora de manter os princípios e a coerência. A gente vai aprender muito, vai ser importante”, disse ao G1.


Comitê do Povo


Clécio afirmou que a marca de seu governo será a participação popular. Entre suas propostas, está a criação do Comitê do Povo, formado por cidadãos que deverão fiscalizar a execução de obras e programas da prefeitura.

“Isso nos dará ao mesmo tempo a facilidade de fazer o povo entender o que estamos fazendo e também coibir o pior câncer da administração pública, que é a corrupção, que tem infelicitado tanto a nossa cidade”, afirmou.

Plano emergencial


Clécio Luís elaborou um programa emergencial de cem dias cuja prioridade, segundo afirmou, será a saúde. Segundo o prefeito eleito, a terceira maior causa de morte em Macapá é a falta de diagnósticos.

“O povo não está tendo consulta, não está tendo nenhum tipo de prevenção, não consegue diagnosticar. Isso é atenção básica à saúde”, afirmou o prefeito eleito, que prometeu durante a campanha concluir a construção do hospital metropolitano e ampliar o programa Saúde em Casa.

A segunda prioridade do plano emergencial é a limpeza da cidade e desobstrução dos bueiros para diminuir os alagamentos na baixada, de acordo com Clécio. “Macapá, infelizmente, é uma cidade suja, mal cuidada, o mato está tomando conta. Precisamos fazer uma frente de trabalho para limpar a cidade”, disse.

Orçamento


O prefeito eleito, que durante a campanha reclamou do alto endividamento do município, disse que pretende “arrumar a casa” no que diz respeito a orçamento.

“Vamos fazer um diagnóstico situacional no município para que a gente vá atrás das fontes de recursos existentes e já preparar o primeiro concurso público da prefeitura, porque Macapá padece da falta de valorização dos seus funcionários”, afirmou.

Transição


Clécio disse que pretende procurar o candidato derrotado, o atual prefeito Roberto Góes (PDT), para “aproveitar a experiência” do adversário frente à prefeitura.

“Vamos montar um cronograma para procurá-lo logo porque ele tem muita informação. A eleição acabou, os palanques serão desmontados. Agora segue a vida na cidade em que ele foi prefeito”, declarou.

*Colaborou Renan Ramalho, de Brasília

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13 comentários

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Flávio Prieto

29 de outubro de 2012 às 16h15

Vamos apoiar, concordo. Mas também vamos cobrar coerência:
1 – Auditoria-cidadã das dívidas do município assim que entrar, antes de começar a pagá-las,
2 – Fazer obras sem contratar empreiteiras, já que estas são fonte certa de ‘Caixa 2’,
3 – Dobrar os salários da Saúde e Educação,
4 – Baixar todas as tarifas municipais,
5 – Governar sem coligações à direita e ao centro, já que isso é espúrio (já começa um pouco mal, porque recebeu apoio do DEM e do PPS pra se eleger …)
6 – Dar casa e cidadania a todos os pobres.

Ou será que essas exigências só valem para o governo federal e seus aliados? Agora não tem essa de contexto não: o contexto é o mesmo.

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Arthur

29 de outubro de 2012 às 16h10

Eu conheço de perto esses malucos demagogos que preferem abraçar o DEMO do que o PT.
Vamos esperar um ano, e fazer um balanço para ver na m… que deu.

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Dias

29 de outubro de 2012 às 14h22

Parabéns ao Clécio e ao PSOL pela vitória em Macapá.
Prefiro o PSOL preocupando-se em construir para o povo carente, que coadjuvante,da mídia oposição, para destruir o PT, por governar com prioridade para esse mesmo povo carente.

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Roberto Locatelli

29 de outubro de 2012 às 14h01

A questão é que o país é capitalista. O executivo acaba tendo que administrar o estado burguês, que foi pensado e construído para oprimir e controlar os trabalhadores. É uma encrenca.

Um dia perguntaram a Hugo Chávez qual é o maior problema da Venezuela. Ele respondeu: “nosso maior problema é que ainda somos um país capitalista”.

O PSOL propôs aumento de 700% aos professores. Acho muito correto. Mas isso só será possível numa outra ordem social. Sob capitalismo, professores de escola pública ganham mal e banqueiros ganham muito bem.

A principal função dos governos de esquerda (municipais, estaduais e federal) é organizar a classe trabalhadora e a população para superarmos o capitalismo. Se não for assim, o governante estará apenas esquentendo a cadeira para a direita, que volta pelo voto ou pelas armas.

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Jair de Souza

29 de outubro de 2012 às 13h34

Em minha opinião, todos os simpatizantes do PT deveriam agir com a próxima administração de Macapá de modo bem diferente do que tem sido a tradição do PSOL quanto ao Governo Federal, ou aos demais governos liderados pelo PT. Nenhuma pessoa realmente de esquerda deveria boicotar medidas que visem melhorar a situação das maiorias trabalhadoras. Nada de fazer oposição sistemática e automática só porque se trata de uma adminitração do PSOL. O comportamento sectário nefasto que tem sido característico da extrema esquerda (inclusive do PSOL) não pode ser repetido pelo PT. Só por saber que Lula e Dilma se dispuseram a ajudar o representante do PSOL em sua disputa com a direita pela prefeitura de Belém (infelizmente, sem êxito), tenho a convicção de que o tratamento à nova prefeitura de Macapá será correta e solidária.

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Marcelo de Matos

29 de outubro de 2012 às 12h16

Macapá, capital do Amapá, é totalmente dependente do governo federal, até para pagar juízes, desembargadores e outros funcionários públicos. Florestas inexploradas ocupam 70 por cento do seu território. Capital do estado e maior cidade, Macapá, só pode ser alcançada por barco ou avião. O governo federal está construindo pontes para ligar a capital a principais cidades do estado. A maior dessas pontes fará ligação com a Guiana Francesa. A segurança pública é dependente da atuação da PF, já que há tráfico de mulheres para prostituição no Suriname, entre outros tráficos que ocorrem na região. O prefeito eleito diz que Macapá não será trincheira contra o governo federal. Está de brincadeira – nem pode. É economicamente dependente.

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    Valdeci Elias

    29 de outubro de 2012 às 12h34

    Ainda bem, que a era FHC, já passou. Se não os prefeitos e governadores , que fazem oposição ao governo fedral iriam comer o pão que o diabo amassou.

Zilda

29 de outubro de 2012 às 12h12

Chegou a hora do boi beber água. Vai ficar claro que entre ter vontade política e reunir as condições políticas e materiais para realizar o que quer, vai uma distência. Boa sorte para o prefeito eleito!.

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Fabio Passos

29 de outubro de 2012 às 11h58

Comitê do Povo!

Estas iniciativas da esquerda de oferecer poder ao povo deixam apavorados os donos do poder… a “elite” branca e rica.

Tomara que a iniciativa prospere e seja seguida em outras cidades do Brasil.

Oportunidade excelente para as forças progressistas.

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Rasec

29 de outubro de 2012 às 11h32

Quero ver aumento de 700% pros professores!
Tamo de olho!

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Celso

29 de outubro de 2012 às 11h03

Quem apostar contra o Clécio vai se dar mal. Ele foi do PT, é super articulado, escreve muito bem, conhece os corredores de Brasília. Foi militante pela causa do microcrédito/microfinanças em seu estado e no Brasil. Vai administrar para o povão, para os pobres. Aguardem. Esse rapaz vai longe!

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    francisco niterói

    29 de outubro de 2012 às 13h07

    O s criticos nao estao apostando contra, muito pelo contrario. Eu, por exemplo, sempre critiquei o purismo do PSOL, melhor dizendo “udenismo”, inclusive e principalmente o odio patologico ao PT.

    Mas acho que o cair na real fara bem, ou destruira, o PSOL.

    E a sua resposta enseja uma questao: vc diz que ele é articulado, conhece os corredores, etc. Vc deu voltas pra nao dizer o termo claro: dialogar politicamente. Mas como fazer isso?

    Nos corredores de Brasilia so temPsolistas? E se ele precisar do Sarney que é presidente do Senado?
    E os ministros que os há de varios partidos?

    Deixa ver se eu entendi: se for o prefeito do PSOL é republicano, se for os outros é corrupcao?

    E a administracao do bolsa-familia que diversos, eu disse DIVERSOS, se nao a maioria, dos psolistas consideram compra de votos?

    Meu amigo, nao sei de onde vc é. Pelo meu nick, vc ve de onde eu sou. Em niteroi o Psol teve 20%dos votos e no rio ficou em segundo lugar. Temos muitos Vereadorese deputados do PSOL aqui. E por isso conheço o xiitismo deles.
    Desejo muita sorte ao prefeito eleito mas tenho uma certeza: ele nao podera adotar a linha udenista pra ser um bom prefeito e assim sera escancarada a hipocrisia do oartido.

Fabio Passos

29 de outubro de 2012 às 01h03

será muito interessante acompanhar o desempenho do PSOL em uma prefeitura de capital.

Torço que consigam implementar ações importantes de resgate social… e que consigam enfrentar os interesses e a inevitável sabotagem dos poderosos.

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