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Lula no Le Monde: Por que eu quero voltar a ser presidente do Brasil
Foto Ricardo Stuckert
Política

Lula no Le Monde: Por que eu quero voltar a ser presidente do Brasil


17/05/2018 - 09h55

Foto Ricardo Stuckert

Lula escreve no Le Monde: Porque eu quero voltar a ser presidente

Leia a íntegra do artigo publicado hoje pelo jornal francês

Lula.com.br

Sou candidato a presidente do Brasil, nas eleições de outubro, porque não cometi nenhum crime e porque sei que posso fazer o país retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento, em benefício do nosso povo.

Depois de tudo que fiz como presidente da República, tenho certeza de que posso resgatar a credibilidade do governo, sem a qual não há crescimento econômico nem a defesa dos interesses nacionais.

Sou candidato para devolver aos pobres e excluídos sua dignidade, a garantia de seus direitos e a esperança de uma vida melhor.

Na minha vida nada foi fácil, mas aprendi a não desistir. Quando comecei a fazer política, mais de 40 anos atrás, não havia eleições no País, não havia direito de organização sindical e política.

Enfrentamos a ditadura e criamos o Partido dos Trabalhadores, acreditando no aprofundamento da via democrática.

Perdi 3 eleições presidenciais antes de ser eleito em 2002. E provei, junto com o povo, que alguém de origem popular podia ser um bom presidente. Terminei meus mandatos com 87% de aprovação popular. É o que o atual presidente do Brasil, que não foi eleito, tem de rejeição hoje.

Nos oito anos que governei o Brasil, até 2010, tivemos a maior inclusão social da história, que teve continuidade no governo da companheira Dilma Rousseff.

Tiramos 36 milhões de pessoas da miséria extrema e levamos mais de 40 milhões para a classe média. Foi período de maior prestígio internacional do nosso país. Em 2009, Le Monde me indicou “homem do ano”.

Recebi estas e outras homenagens, não como mérito pessoal, mas como reconhecimento à sociedade brasileira, que tinha se unido para a partir da inclusão social promover o crescimento econômico.

Sete anos depois de deixar a presidência e depois de uma campanha sistemática de difamação contra mim e meu partido, que reuniu a mais poderosa imprensa brasileira e setores do judiciário, o momento do país é outro: vivemos retrocessos democráticos, uma prolongada crise econômica, e a população mais pobre sofre, com a redução dos salários e da oferta de empregos, o aumento do custo de vida e o desmonte de programas sociais.

A cada dia mais e mais brasileiros rejeitam a agenda contra os direitos sociais do golpe parlamentar que abriu caminho para um programa neoliberal que havia perdido quatro eleições seguidas e que é incapaz de vencer nas urnas.

Lidero, por ampla margem, as pesquisas de intenções de voto no Brasil porque os brasileiros sabem que o país pode ser melhor.

Lidero as pesquisas mesmo depois de ter sido preso em consequência de uma perseguição judicial que vasculhou a minha casa e dos meus filhos, minhas contas pessoais e do Instituto Lula, e não achou nenhuma prova ou crime contra mim.

Um juiz notoriamente parcial me condenou a 12 anos de prisão por “atos indeterminados”. Alega, falsamente, que eu seria dono de um apartamento no qual nunca dormi, do qual nunca tive a propriedade, a posse, sequer as chaves.

Para me prender, e tentar me impedir de disputar as eleições ou fazer campanha para o meu partido, tiveram que ignorar a letra expressa da constituição brasileira, em uma decisão provisória por apenas um voto de diferença entre 11 na Suprema Corte.

Mas meus problemas são pequenos perto do que sofre a população brasileira. Para tirarem o PT do poder após as eleições de 2014, não hesitaram em sabotar a economia com decisões irresponsáveis no Congresso Nacional e uma campanha de desmoralização do governo na imprensa. Em dezembro de 2014 o desemprego no Brasil era 4,7%. Hoje está em 13,1%.

A pobreza tem aumentado, a fome voltou a rondar os lares e as portas das universidades estão voltando a se fechar para os filhos da classe trabalhadora. Os investimentos em pesquisa desabaram.

O Brasil precisa reconquistar a sua soberania e os interesses nacionais. Em nosso governo, o País liderou os esforços da agenda ambiental e de combate à fome, foi convidado para todos os encontros do G-8, ajudou a articular o G-20, participou da criação dos BRICS, reunindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e da Unasul, a União dos países da América do Sul.

Hoje o Brasil tornou-se um pária em política externa, que os líderes internacionais evitam visitar, e a América do Sul se fragmenta, com crises regionais cada vez mais graves e menos instrumentos diplomáticos de diálogo entre os países.

Mesmo a parte da população que apoiou a queda da presidenta Dilma Rousseff, após intensa campanha das Organizações Globo, que monopolizam a comunicação no Brasil, já percebeu que o golpe não era contra o PT. Era contra a ascensão social dos mais pobres e os direitos dos trabalhadores. Era contra o próprio Brasil.

Tenho 40 anos de vida pública. Comecei no movimento sindical. Fundei um partido político com companheiros de todo o nosso país e lutamos, junto com outras forças políticas na década de 1980, por uma Constituição democrática.

Candidato a presidente, prometi, lutei e cumpri a promessa de que todo o brasileiro teria direito a três refeições por dia, para não passar fome que passei quando criança.

Governei uma das maiores economias do mundo e não aceitei pressões para apoiar a Guerra do Iraque e outras ações militares. Deixei claro que minha guerra era contra a fome e a miséria. Não submeti meu país aos interesses estrangeiros em nossas riquezas naturais.

Voltei depois do governo para o mesmo apartamento do qual saí, a menos de 1 quilômetro do Sindicato dos Metalúrgicos do da cidade de São Bernardo do Campo, onde iniciei minha vida política.

Tenho honra e não irei, jamais, fazer concessões na minha luta por inocência e pela manutenção dos meus direitos políticos. Como presidente, promovi por todos os meios o combate à corrupção e não aceito que me imputem esse tipo de crime por meio de uma farsa judicial.

As eleições de outubro, que vão escolher um novo presidente, um novo congresso nacional e governadores de estado, são a chance do Brasil debater seus problemas e definir seu futuro de forma democrática, no voto, como uma nação civilizada. Mas elas só serão democráticas se todas as forças políticas puderem participar de forma livre e justa.

Eu já fui presidente e não estava nos meus planos voltar a me candidatar.

Mas diante do desastre que se abate sobre povo brasileiro, minha candidatura é uma proposta de reencontro do Brasil com o caminho de inclusão social, diálogo democrático, soberania nacional e crescimento econômico, para a construção de um país mais justo e solidário, que volte a ser uma referência no diálogo mundial em favor da paz e da cooperação entre os povos.

Artigo originalmente publicado pelo jornal francês Le MondeAcesse a versão original.

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3 comentários

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Rogerio

20 de maio de 2018 às 07h48

A ORCRIM Globo precisa ser extinta, apagada do mapa, massacrada sem piedade. Ela foi uma das principais peças dessa guerra Não-convencional dos EUA contra nós, que começou em 2013. Lembro que apos a Vitória da Dilma, esses demônios recomeçaram a lançar novelas de cunho popular para angariar a atenção do povo das classes mais desfavorecidas, para os doutrinar subliminarmente e manter sua atenção nos telejornais, especialmente o JN, propositalmente inserido entre duas novelas. O povo brasileiro, com seu carater bovino e sem agressão, a seguiu hipnotizado. Por outro lado, nas redes sociais (especialmente no whatsapp), material humoristico bem preparado era disseminado pelo proprio povo, que se divertiu com as gafes de dilma, trocadilhos sobre lula e o pt. Aqui a Guerra convencional não era necessaria. Esse nosso povo idiota agora tem mesmo que sofrer, pra aprender a pensar, raciocinar e reagir, defendendo seu país.

Um alerta: um proximo governo progressista tera que investir em inteligência, contra-inteligência e operacoes militares cirurgicas para identificar e mitigar insurgencias, alem de promover ações para contra ataques midiaticos, tudo isso se quiser continuar a governar.

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Maria Telma

17 de maio de 2018 às 13h57

Ótimo artigo. O golpe foi golpe e não tem meio termo. Golpe de Estado é golpe de estado.
Não voto em político golpista.
Voto em Lula ou em quem ele mandar eu votar.
Fora PSDB golpista, fora PMDB golpista, fora Aécio, fora Alckmin.

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Julio Silveira

17 de maio de 2018 às 11h25

Enquanto o Lula, vitima de uma farsa judicial, segue preso (para vergonha dos minimamente versados em direito), seu carrasco se refestela com a trupe tucana em Nova York, hospedado num dos hoteis mais caros e badalados dos States, o hotel Pierre.
Esse é o elemento simbolo do judiciario brasileiro. Farsante, faustoso, exibido, e que não dá a minima para o possa representar para a instituição que faz parte e o país. Mostra não ter qualquer empatia com a maioria do povo brasileiro.

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