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Lula e Bolsonaro tiram oxigênio da terceira via.  Vitória do petista passa por reconquistar lulistas que perdeu no Nordeste
Política

Lula e Bolsonaro tiram oxigênio da terceira via. Vitória do petista passa por reconquistar lulistas que perdeu no Nordeste


11/05/2021 - 17h47

Da Redação

Se a eleição fosse hoje o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula disputariam o segundo turno com leve vantagem para o petista, indica nova pesquisa XP-Ipespe.

Apesar da população estar pessimista com o futuro da economia e descontente com o comportamento do governo no combate à pandemia, Bolsonaro demonstra resiliência com o apoio de eleitores mais pobres e aumento de sua popularidade no Nordeste.

Bolsonaro agora tem 49% de ruim e péssimo, mas também cresceu sua aprovação para 29% de ótimo e bom.

O salto de Bolsonaro de 29% de aprovação na pesquisa para 40% em eventual segundo turno com Lula mostra a resiliência do antipetismo.

Dos 58% que desaprovam Bolsonaro hoje, apenas 42% votariam em Lula no segundo turno, criando uma faixa de 16% do eleitorado para os candidatos que pretendem tirar Bolsonaro ou Lula no segundo turno.

Ciro Gomes (9%) e Sergio Moro (8%) são os melhores colocados para fazer isso. O ex-juiz federal já disse que não pretende disputar as eleições de 2022, abrindo espaço para um candidato moralista em relação à corrupção, que pode ser o próprio pedetista.

Ciro, assim, tem o potencial de chegar a 17%, ainda muito pouco para acossar Lula ou Bolsonaro.

A grande oportunidade de Lula deslanchar está com uma proposta econômica que encante os eleitores: 63% deles acreditam que a economia sob Paulo Guedes está no caminho errado.

Também no trato à pandemia, a atuação do presidente permanece em patamares altos de desaprovação (58% de ruim e péssima). 

É o tema em que Bolsonaro é mais vulnerável, pois não é aprovado nem por sua base tradicional de 30% (22% de ótimo e bom, apenas).

Porém, há de se estudar a resiliência do presidente na disputa eleitoral.

Ele está empatado em simulação de primeiro turno com Lula (29% cada) e tem vantagem numérica sobre todos os outros candidatos no segundo turno (Ciro, Moro, Huck, Doria e Boulos).

Entre os que recebem até dois salários mínimos o apoio a Bolsonaro subiu de 25% para 29% e no Nordeste deu um salto de 20% para 26%.

Tradicionalmente, são dois grupos do eleitorado onde o lulismo nadou de braçadas.

Lula teve 84% dos votos no Maranhão no segundo turno de 2006, 82% no Ceará e 78% em Pernambuco e na Bahia.

Estes números são incompatíveis com a taxa de aprovação de 26% de Bolsonaro, hoje, no Nordeste.

O presidente tem se dedicado a viajar pela região e, em sua aliança com o Centrão, soltou dinheiro à vontade para caciques de importância eleitoral no Nordeste.

A estratégia do PT desde a primeira vitória de Lula, em 2002, sempre foi abrir margem esmagadora de diferença no Nordeste, vencer em Minas e ter uma boa votação, no mínimo, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Desenha-se no horizonte um cenário animador para Lula, com Marcelo Freixo candidato a governador do Rio, Fernando Haddad em São Paulo e Alexandre Kalil em Minas Gerais.

Porém, a margem esmagadora no Nordeste permanece ameaçada.





3 comentários

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Darcy B Rodrigues da Silva

12 de maio de 2021 às 03h55

Primeiro, todas as pesquisas realizadas por telefone são bem menos confiáveis que as pesquisas mediante abordagem pessoal. Segundo, nenhuma pesquisa, por óbvio, projeta o futuro, embora quase sempre faça muita gente tomá-las como leituras de bola de cristal. É sempre bom lembrar que a pesquisa sequer nos informa o quadro presente, pois se refere a uma situação pregressa. Quanto mais dinâmica for a situação política, menor será a semelhança entre o passado recente e o presente. Essa dinamicidade se associa quase sempre a momentos de crise sistêmica que, em geral, conjuga crise econômica, social e política. No Brasil, vivemos uma crise econômica, social e sanitária que, de forma bastante anormal, continua adiando a crise política que lhe corresponde e isso, em minha opinião, se deve ao fato de que a política tem sido dirigida pelo espontaneísmo, privada das ações políticas conscientes de massas, das grandes manifestações de rua convocadas pelas forças que lutam contra o fascismo. Por último, em relação à terceira via, esta jamais poderá expressar o seu potencial eleitoral enquanto for apenas uma miragem, uma mistura de alternativas sem definição. Para a terceira via vir a ser, de fato, uma alternativa considerada pelo eleitor, ela, terceira via, terá que desejar-se a si mesma, superando suas contradições internas em nome do objetivo comum, correspondendo a uma decisão política de todos as forças políticas que desejam derrotar Lula e Bolsonaro simultaneamente. Isso equivale a dizer que a terceira via terá que deixar de ser apenas uma hipótese, passando a ser uma realidade, uma coligação partidária definida com um único nome também definido como seu candidato. Terá, portanto, que escolher para ser seu representante entre Ciro Gomes, Mandetta e Luciano Huck. Se essas condições não forem reunidas, a viabilidade da terceira via estará totalmente descartada. Porém, se esses condicionantes forem observados, o meu esforço em fazer uma projeção analítica que, diferentemente da pesquisa eleitoral, refere-se ao futuro, estabelecendo uma cadeia possível de acontecimentos com grande chance de acontecer para qualificar uma previsão, acredita que a terceira via terá grande potencial para chegar ao 2° turno se a crise econômica, sanitária e social que atravessamos, finalmente, deflagrar uma crise política. Isso, a meu ver, deverá acontecer assim que as ruas voltarem a ser palco de grandes manifestações que, atualmente, estão reprimidas pelas recomendações de prevenção contra a Covid. À terceira via (aqui entendida como uma coligação partidária consistente associada a um único candidato) mais do que Lula, interessa o desgaste de Bolsonaro para tornar-se uma realidade, chegando ao 2° turno para disputar as eleições contra Lula, restabelecendo a divisão do Brasil entre aqueles eleitores que, no passado, configuravam as disputas entre o PT e o PSDB, obviamente com os ajustes históricos determinados pela emergência do bolsonarismo.

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Henrique martins

11 de maio de 2021 às 21h09

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/05/depoimento-de-presidente-da-anvisa-na-cpi-constrange-planalto-e-queiroga-sai-em-defesa-de-bolsonaro.shtml

Ao contrário de Queiroga, pelo andar da carruagem, o presidente da Anvisa está entre aqueles que nao vão morrer abraçados por Bolsonaro.

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Zé Maria

11 de maio de 2021 às 18h41

O Centrão BBB vai mamar até a Última Gota do Orçamento.
E na Hora H, pula do Barco, ao Sabor das Ondas Midiáticas.

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