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Luis Fernando Miguel: Ciro Gomes tem nas mãos um presente raro, a segunda chance
Foto: PDT/Divulgação
Política

Luis Fernando Miguel: Ciro Gomes tem nas mãos um presente raro, a segunda chance


20/05/2022 - 15h07

Por Luis Fernando Miguel*, em seu perfil de rede social

Ciro Gomes tem uma segunda chance.

A história brasileira é cheia de políticos que passaram a vida sonhando com a presidência e nunca chegaram lá. Ruy Barbosa, Magalhães Pinto, Carlos Lacerda, Leonel Brizola, Paulo Maluf.

Sempre lembro da personagem de Macedonio Fernández, “El hombre que será Presidente y no lo fue”. Macedonio, aliás, conhecia bem o assunto: tentou, sem sucesso, chegar à presidência da Argentina.

Ciro caminha para integrar este grupo. Tudo aponta que terá, na quarta tentativa, seu pior desempenho nas urnas.

Os obcecados com a presidência que não a alcançam passam à história como figuras um tanto patéticas, que despertam um misto de piedade e zombaria. Quem foge deste figurino é Brizola.

À parte as outras qualidades do engenheiro gaúcho, ele se engrandeceu pela postura que teve em 1989. Não foi ao segundo turno por menos de meio ponto percentual.

Brizola certamente intuía que a presença no segundo turno faria de Lula o líder inconteste da esquerda brasileira. Que aquela mísera diferença, menos de 500 mil votos, selaria o futuro político de ambos.

Ainda assim, Brizola não hesitou no apoio a Lula contra Fernando Collor de Mello.

Em 2018, Ciro, como todos lembram, foi incapaz de apoiar Haddad contra Bolsonaro.

Talvez tenha achado que seria, hoje, herdeiro tanto do antipetismo quanto da frustração com Bolsonaro, num cálculo tão mesquinho quanto equivocado. Talvez tenha sido incapaz de superar as mágoas da campanha, mostrando não ter estofo para a posição de liderança que aspirava ocupar.

De um jeito ou de outro, apequenou-se.

Hoje, ele tem nas mãos um presente raro da Fortuna: uma segunda chance.

Não estamos a caminho de uma eleição “comum”. Há uma movimentação golpista, à luz do dia, comandada pelo presidente da República e com a simpatia de boa parte da cúpula militar.

Uma vitória da oposição no primeiro turno certamente contribuirá para reduzir a aposta golpista.

Todos sabem que sou crítico da chapa com Alckmin e do caminho traçado pelo PT, de reedição do pacto lulista original, em condições mais adversas. Mas não há dúvida de que é Lula o candidato que derrotará Bolsonaro.

Retirando seu nome da corrida e anunciando apoio a Lula, Ciro pode dar o passo decisivo para encerrar a fatura já no dia 2 de outubro.

Chegará à presidência depois disso, em 2026 ou 2030? Provavelmente não.

Mas terá um gesto de grandeza, que não será esquecido, a ornar sua biografia.

*Luis Fernando Miguel é professor de Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB).

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6 comentários

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Zé Maria

24 de maio de 2022 às 04h33

Não, Ciro! “Lula é Inocente”
não é uma invenção de ninguém.
É uma Decisão Judicial da Suprema Corte Brasileira
que considerou uma invenção do Juiz Moro a acusação (falsa) de corrupção contra o ex-presidente, por interesse político desse julgador parcial e, portanto, parcial, na condenação – e na prisão sabidamente injusta – do candidato petista, em 2018, para eleger Jair Bolsonaro presidente.

Infelizmente, nesta campanha presidencial, é você, Ciro, quem está execendo esse triste papel que foi do Moro. na eleição passada.

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    Zé Maria

    24 de maio de 2022 às 06h29

    “Lula é Inocente”
    não é uma invenção de ninguém.
    Em tempo

    “Lula é Inocente”
    não é uma invenção de ninguém.
    É, sim, uma Decisão Judicial da Suprema Corte Brasileira
    que considerou uma invenção do Juiz Moro a acusação (falsa) de corrupção contra o ex-presidente, por interesse político desse julgador parcial e, portanto, Suspeito, na condenação – e na prisão sabidamente injusta – do candidato petista, em 2018, para eleger Jair Bolsonaro presidente.

    Infelizmente, nesta campanha presidencial é o Ciro quem está execendo esse triste papel que foi do Moro. na eleição passada.
    Sintoma da iminência de mais uma derrota vexatória. Uma pena.

antonio ricardo

21 de maio de 2022 às 08h20

adoradores do santo lula

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Ibsen Marques

21 de maio de 2022 às 07h13

Perseguir um objetivo e agir para atingi-lo é uma constante na vida das pessoas. Não é o caso do Ciro Gomes. Ciro tem sede de poder e em sua busca ficou cego. Ciro é um vaidoso que vive diante do seu espelho. Entenda o próprio de Ciro para o brado como um projeto criado para que ele, Ciro, brilhe. É um narcisista a admirar-se.
E, por fim, não é um homem de esquerda, nem mesmo centro- esquerda como o Lula.

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Luís Castro

20 de maio de 2022 às 22h19

Espere sentado um gesto de grandeza do Ciro a lá Brizola, esse sim um líder fiel a suas ideias e que não deixou que uma postura de ressentimento rasgasse sua biografia intocável. O problema do Ciro é seu desequilíbrio mental que acaba por o tornar um igual ao Bolsonaro. De Ciro nada a esperar de um gesto de renúncia a sua miudeza ressentida.

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Milton

20 de maio de 2022 às 21h17

“Uma vitória da oposição no primeiro turno certamente contribuirá para reduzir a aposta golpista.”
Essa frase é pura especulação, assim como um suposto apoio de Ciro à Lulla ser considerado um gesto de grandeza. Para muitas pessoas, seria um gesto de fraqueza.
O jornalista deu a sua visão, mas que para muitos brasileiros (uns 10% pelo menos) não corresponde à realidade.

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