Lucas Rafael Chianello a Quaquá, Cruvinel, Lelê e Lula: Culpa da Dilma mesmo?

Tempo de leitura: 3 min
Foto: Ricardo Stuckert

Culpa da Dilma?

Por Lucas Rafael Chianello*, no Página 13

Nota-se nos últimos tempos uma tentativa de revisão histórica sobre a presidenta Dilma Rousseff.

Primeiro, foi o senhor Washington Quaquá, que afirmou que Dilma não possui mais relevância eleitoral.

Depois, a jornalista Tereza Cruvinel, que numa tentativa sôfrega de canonizar Alckmin (o tema da possível aliança deixamos para depois), escreveu:

“Outros dizem: Ah, com Alckmin de vice a direita vai tramar um golpe contra Lula para empossá-lo, como fizeram com Temer. Contra isso, não temo dizer: se Lula fosse o presidente em 2016, não teria havido golpe. Tanto é que Dilma o buscou como ministro da Casa Civil na certeza de que ele, com sua habilidade e capacidade de articulação, evitaria o impeachment”.

Importante lembrar, no caso citado por Tereza Cruvinel, que tempos antes da exibição do grampo de Sergio Moro no Jornal Nacional e da farsa a jato criar comoção pedindo a cabeça de Lula, Dilma já havia lhe oferecido a Casa Civil.

Lula rejeitou a oferta sob o argumento de que não caberiam dois presidentes do mesmo palácio.

Tivesse aceito, de pronto, a Casa Civil, não teria caído nas garras da República de Curitiba que tanto o assustava.

Foi aceitar o convite quando já estava marcado para ser preso e o STF, que até então avalizava a farsa a jato, retirou dele, via Gilmar Mendes, a possibilidade do foro por prerrogativa de função, porcamente chamado de “foro privilegiado”.

Lelê Teles, em tom de debochado, escreveu:

“Lula não é Dilma”, cortou-me o selvagem, “e pra dar uma rasteira no Lula, meu camarada, o cabra tem que ser capoeirista da escola de mestre Bimba”.

Agora, o próprio presidente Lula é  que afirma em entrevista à CBN no Vale do Paraíba:

“Aonde que a companheira Dilma, na minha opinião, erra? É na política. Ela não tem a paciência que a política exige que a gente tenha para conversar, para ouvir as pessoas dizerem não, para atender as pessoas mesmo quando você não gosta do que elas estão falando.”

As críticas de Quaquá, Cruvinel, Teles e Lula colocam na pessoa da Dilma a culpa pelo golpe de 2016.

É como se dentro da luta de classes o desequilíbrio para que não houvesse o golpe tivesse de ser o carisma e a habilidade negocial de Dilma, quando, na verdade, se trata de uma questão de correlação de forças.

Logo, as críticas recém recebidas pela presidenta são intelectualmente desonestas, pois ultra personalizam a apuração de uma responsabilidade que deveria ser o menos personalizada possível.

Quando aprovada no PT, em 1995, a política de ampliação do leque de alianças eleitorais e divulgada, em 2003, a Carta aos Brasileiros, criou-se uma profissão de fé dentro do partido de que após a queda do Muro de Berlim e os supostos rumos autoritários de revoluções socialistas, que inclusive teriam atentado contra os direitos humanos, apenas alianças políticas heterogêneas de coalizão proporcionariam a construção de uma sociedade menos injusta e desigual.

O grupo que controla o PT passou a optar demasiadamente pelo pragmatismo aliancista extremo, o que seria o ponto de segurança contra qualquer instabilidade política interna e externa.

O Brasil é um país marcado por rupturas institucionais dentro de um continente que talvez tenha a maior taxa de golpes de Estado no mundo.

Aprovar programas sociais no Congresso custava despolitizar aqui fora sob o argumento da “nova classe média”. E a partir do momento em que o próprio vice-presidente liderava uma coalização golpista para realinhar o Brasil ao neoliberalismo, o que ficou batizado de “Ponte Para o Futuro”, o esforço de propaganda das mídias tradicionais e das redes sociais neutralizou qualquer chance de resistência popular.

Tudo porque há longínquos 20, 25 anos introduziu-se a profissão de fé “Com alianças, sem golpe”, estratégia da qual Dilma não participou da formulação.

No país da história por cima, dos pactos de elite, cujas heranças contribuem para que até hoje sejamos civilizadamente atrasados em diversos fatores, foi uma mulher presa e torturada na época da ditadura que se tornou sua primeira presidenta.

Culpá-la pelo golpe de 2016 diz muito mais respeito à incapacidade de leitura de seus críticos do que de falhas dela mesma.

Viva Dilma Rouseff, a primeira mulher presidenta do Brasil!

*Lucas Rafael Chianello é militante petista em Minas Gerais

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Dilma responde ao Estadinho


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Comentários

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André

Lula foi perfeito ao defender Dilma em entrevista recentemente.

Tentar, na campanha eleitoral, refazer a imagem que a própria Dilma deixou que o povo tivesse dela, é muito esforço por pouco resultado prático.

Dilma deve focar em se eleger deputada federal por MG e levar votos para a esquerda, ajudando eleger outros deputados.

Assim que o Lula e ela ganharem, poderão lançar campanhas esclarecendo o povão de todo excelente trabalho que ela fez e a campanha sórdida de destruição do Brasil patrocinado por PSDB, Centrão e Globo!!!

Helio Sartorel

Grato por seu texto. Também acredito que se trata de um erro culpar Dilma por um golpe misógino, perpetrado por um grupo neoliberal e consumado por um congresso que representa o que há de mais retrógrado e corrupto na política. Sem esquecer a frase de Jucá: “é com o supremo com tudo”…

Zé Maria

Não foi salutar essa Divisão Interna Extemporânea
externada por Alguns Membros da Cúpula do PT.

Flavio de Oliveira Lima

Parei na metade
Por colunistas como esse não ajudo mais o site
Ninguém pós a culpa do golpe na Dilma
Mas a arrogância e ingenuidade dela facilitaram o golpe
Manter zéduardo, o infiltrado, até praticamente o golpe, é o maior exemplo
Mas não pode criticar, Dilma é mulher…

Assis

votei na Dilma 4 vezes.
Levei gás lacrimogêneo na cara no largo da batata em manifestação contra o golpe.
Mas aqui mesmo no Viomundo, tiveram artigos, escritos pelo Azenha, que logo depois das duas eleições ela abandonou a Blogosfera.
Na primeira vez eleita foi dar entrevista para Ana Maria Braga.
Na segunda vez se fechou no Palácio e esqueceu os militantes virtuais que tanto lutaram por ela.
Mesmo fazendo média com a mídia, Dilma foi abandonada qdo os Barões quiseram.
Adoro a Dilma, mas ela tem um problema de comunicação, não há como negar isto, eu adoro o Suplicy, mas isto não muda o fato dele ter um problema de fala tb.
Dilma tem muitas qualidades, honesta, ama o Brasil e sofreu um golpe.
Mas isto não muda o fato dela ser ruim de política e para piorar, em seu segundo mandato traiu seus eleitores e implantou o programa econômico do Aécio.
Infelizmente a Dilma não atrai voto e não agrega alianças necessárias para governabilidade em um pós Bolsonaro. Eu gosto da Dilma, mas quem gosta da Dilma já gosta do Lula e é contra o golpe. Isto eh fato.

Donato lima

Paciência. Agora e tarde demais para chorar sobre o leite derramado.

Zé Antonio

A superficialidade é gigantesca. O Brasil não é dominado economicamente, não tem uma das piores distribuição de renda do mundo, por outro lado uma das maiores concentrações de riqueza. Não tem tecnologia própria. Triste q culpe uma pessoa . A estagnação e o vazio social e intelectual dessa gigantesca biodiversidade e sociodiversidade que é o Brasil. Será q um dia seremos descrastados Será???

sergio

Irretocável …

Luís Guedes

Parabéns! Dilma não serve mas o picolé de xuxu sim.

Cleiton Onacis

O brasileiro é um caso bem raro a ser estudado pela NASA.
Tiraram uma política que fazia tudo pelo povo e puseram um bando de ladroes que NUNCA nesses 6 anos fizeram algo para o povo. Ah sim. Fizeram a reforma trabalhista, fizeram a reforma da previdência e fizeram tb o teto de gastos.
Inclusive prenderam o Lula que tb fez muito pelo povo. Mais e muito mais que a Dilma.
É um caso raro mesmo o brazuca médio inclusive MUITOS com DIPLOMA de nível superior. Afinal, é lógico que um torneiro mecânico não é mais inteligente que gente de nível superior.
Enquanto o general come picanha, o povo come ossos do pé do frango.
Aja burrice.

Petrucio Goes

A culpa é da Dilma. Deu no jornal. Rsrsrs !
O povo sempre consegue se superar na estupidez.

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