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Política

Katarina Peixoto: Demorou, mas o Brasil chegou a SP


28/10/2012 - 14h31

Política| 27/10/2012 | Copyleft

Neste domingo, o Brasil se chama São Paulo

Em São Paulo e em Campinas, o eleitor foi apresentado a dois candidatos do PT que deram rosto a algo que faz sentido nas suas vidas. Assim não fosse, essas candidaturas não se sustentariam. Uma prova da fragilidade das imagens descarnadas é o desastre espetacular chamado Russomano, um pedagógico exemplo de que rosto e espetáculo não constituem nem ameaçam o poder. É porque o que eles representam faz sentido e está presente nas vidas dos eleitores que as suas candidaturas não apenas cresceram, como floresceram e apontam para uma inesperada e bem vinda renovação do PT, e justamente no estado de São Paulo, o reduto da hoje crepuscular oposição.

por Katarina Peixoto, na Carta Maior

Prestem atenção, nem que por misericórdia, nestas afirmações: Lula é o grande derrotado das eleições de 2012; o grande vencedor é Eduardo Campos, ele foi até assunto na The Economist; o PT acabou: o julgamento do mensalão pôs um fim à hegemonia que saqueou o estado brasileiro e mergulhou a sociedade num pesadelo de corrupção; você vai querer me dizer que o PT é inocente? Ora veja, para condenar alguém, numa acusação de quadrilha, não se precisa de prova direta e, vale dizer, boato e fofoca têm a mesma eficácia de prova direta. Quantos anos de cadeia para esses corruptos? 40, 15, muito pouco. Vejam, Dilma não pode ser confundida com Lula: o seu governo é medíocre e a sua possibilidade de acumular votos ou apoio não pode depender de um partido que está praticamente derrotado e será destruído, com o julgamento do mensalão. Agora, Aécio entrou de vez na campanha municipal deste ano; Aécio, não um poste qualquer, uma pessoa que nada tem a ver com o jogo, um neófito, esse Márcio Pochmann, por exemplo.



Nenhuma dessas coisas foi inventada por mim. Todas foram ditas, com mais ou menos literalidade, pelos colunistas políticos que se dedicam, segundo falam, a noticiar e comentar os principais “fatos” políticos. A relação semântica entre o que é dito acima e a realidade político-eleitoral que se encerra amanhã, no Brasil, é de pane total.

Uma perspectiva ingênua, crente no sonho de Montesquieu da tripartição dos poderes do estado, poderia argumentar que a independência do judiciário em relação ao andar das coisas no executivo e no legislativo do país explicaria a aparente falta de relação entre esse julgamento e o atual processo eleitoral. Mas se tem uma coisa que ninguém que pretenda respeitar o esclarecimento pode reivindicar, a título de qualquer tentativa de defesa, a estas alturas, é a ingenuidade.

A inocência é o pior dos defeitos que se pode cultivar na luta pelo esclarecimento. Se tem algo de irredutível na experiência de dois mandatos e meio do PT na presidência da república é isso. A Política, como se sabe, habita e contamina o reino que se situa entre a inocência perdida e a delinquência negada. Não é requerido e é mesmo indevido que se espere que monopólios ou veículos de comunicação que emprestam carros a sessões de tortura digam a verdade ou tenham respeito pela realidade.

Monopólio e tortura são propriedades da delinquência. Tampouco é requerido e menos ainda devido que se abrace a delinquência em nome de uma amadurecida não-inocência inventada em contraposição a uma igualmente inventada propriedade angelical que teria estado presente em algum momento do passado do PT ou da esquerda.

Quer dizer, não é a Rede Globo e a Folha de São Paulo que devem ser exigidos e denunciados como delinquentes, enquanto se louva o obscurantismo inventado para combater uma inocência jamais havida. É com isso em mente que faz sentido dizer que é o governo federal, na terceira gestão de um projeto político, o grande vencedor com a sigla partidária do PT, nestas eleições.

E é em São Paulo e em Campinas que essa tese ganha força. É em duas candidaturas oriundas não do PT como partido político, mas das experiências Lula e Dilma, que se torna irredutível o tamanho da vitória que se avizinha. Demorou, mas o Brasil chegou em São Paulo e, neste domingo, as duas maiores cidades do estado de São Paulo e uma das maiores cidades do mundo se aproximam de uma eleição nacional.

Amanhã, o nome do Brasil é São Paulo. E não é justo nem verdadeiro dizer que Lula é o grande vencedor destas duas irredutíveis vitórias políticas, a serem eleitoralmente confirmadas, neste domingo.

Fernando Haddad e Márcio Pochmann podem se tornar prefeitos não porque Lula os escolheu e os pôs lá, como fossem bonecos ou “postes”. Esses dois doutores, oriundos da universidade pública brasileira, são de uma geração política que se tornou dirigente nos governos petistas de Marta (caso de Pochmann) e de Lula.

Haddad se tornou conhecido porque foi um bom ministro da Educação. Pochmann, porque transformou o IPEA e porque, em momento algum, parou de pensar o tamanho dos problemas do país que acompanham ou interpelam os seus avanços.

Haddad é o gestor responsável pela mudança na universidade brasileira e na relação desta com a cidadania. Será preciso décadas ainda para que o impacto das cotas, da ampliação dos campi e do número de vagas nas universidades públicas e do PROUNI seja analisado com o tamanho e a força civilizatória devidos.

Por ora, o que há são dados preliminares e uma mudança de paisagem e de produtividade no ensino e pesquisa universitária brasileira, que poderiam estar melhor, com servidores e professores mais bem remunerados, mas que, de fato, saiu da treva em que o tucanato os tinha afundado.

Pochmann se tornou conhecido por sua atividade intelectual e como pesquisador, sobretudo a partir da presidência bem sucedida no IPEA. E isso, por si só, torna a sua candidatura extraordinária; é como se a República de Platão fosse, de uma maneira a um só tempo promissora e historicizada, instanciada numa candidatura que abraça o líder popular e a atual presidenta e defende como programa de governo “uma cidade do conhecimento”.

Sim, é preciso uma certa misericórdia para escutar ou ler ou assistir à turma que comunica e desinforma a respeito desses fatos. O que a candidatura de Haddad e a de Pochmann representam não é o PT, apenas, não é a esquerda, enquanto tal; eles representam uma experiência de governo: as suas campanhas são campanhas que se estruturam com programas referidos e reivindicados num governo, numa experiência governamental. Lula e Dilma são cabos eleitorais porque eles, os candidatos, trabalharam junto, num governo, isso mesmo, num governo.

Nada nesse processo é trivial e menos ainda comum. Nunca aconteceu algo assim, dessa dimensão, em tão longevo período de estabilidade democrática, dentro das regras do jogo, portanto.

Em São Paulo e em Campinas, o eleitor foi apresentado a dois candidatos do PT que deram rosto a algo que faz sentido nas suas vidas. Assim não fosse, essas candidaturas não se sustentariam.

Uma prova da fragilidade das imagens descarnadas é o desastre espetacular chamado Russomano, um pedagógico exemplo de que rosto e espetáculo não constituem nem ameaçam o poder. É porque o que eles representam faz sentido e está presente nas vidas dos eleitores que as suas candidaturas não apenas cresceram, como floresceram e apontam, hoje, para uma inesperada e bem vinda renovação do PT, e justamente no estado de São Paulo, o reduto da hoje crepuscular oposição.

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16 comentários

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Fabio Passos

28 de outubro de 2012 às 19h57

O PiG se estrepou completamente…

Esta vitória em São Paulo, humilhando o principal representante do PiG em seu principal reduto eleitoral, é uma benção para todo o Brasil.

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Fabio SP

28 de outubro de 2012 às 19h44

A Dilma tinha que baixar um decreto invalidando as eleições que não foram para o PT e seus aliados, pois o povo desses lugares não sabem votar…

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Messias Franca de Macedo

28 de outubro de 2012 às 18h57

… Prezado Darcy Rodrigues, este ‘neocoroné’ Geddel, em alguns aspectos, supera o ACMalvadeza!… Tivesse o mínimo [o mínimo!] de compostura, amanhã, pela manhã, mandaria uma carta à Presidência da Caixa Econômica Federal, informando a sua exoneração do cargo!… E que não se atreva a telefonar para a presidente Dilma Rousseff, A Magnífica! Mesmo porque funcionários públicos não concursados devem se dirigir ao chefe da repartição!…

República Destes Bananas da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL, fascista, terrorista, histriônica, alienada, aloprada, MENTEcapta, impunemente terrorista, golpista de meia-tigela, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo’! (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente e catedrático pensador humanista uruguaio Eduardo Galeano)

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Messias Franca de Macedo

28 de outubro de 2012 às 18h49

… O honesto, ínclito, catedrático, competente, ético… Márcio Pochmann será um grande colaborador do governo do prefeito Fernando Haddad! Ou, ministro do governo da presidente Dilma Rousseff, A Magnífica!

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao honesto, ínclito, catedrático, competente, ético… Márcio Pochmann.

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Messias Franca de Macedo

28 de outubro de 2012 às 18h44

VIVA O POVO PAULISTANO!

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao íntegro, decente, absolutamente ético, catedrático, competente, impávido… Brasileiro Fernando Haddad – prefeito de São Paulo e, potencialmente, o sucessor da presidente Dilma Rousseff, A Magnífica, em… Em 2019, óbvio e uLULAnte(!) [RISOS DO MATUTO!]

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo – ‘mais feliz do que pinto no lixo’ [lixo da pureza!, revisor!]

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    Jairo Beraldo

    28 de outubro de 2012 às 18h50

    E meus pesames ao povo baiano que quis a volta do carlismo. Lamentavel, mas a culpa é exatamente daquele que deveria mudar as coisas, mas fiz igual, ou melhor, fez pior, pois exagerou na marvadeza contra o povo baiano, o governador Jacques Wagner!

    Messias Franca de Macedo

    28 de outubro de 2012 às 19h13

    Prezado Jairo Beraldo, permito-me discorrer sucintamente acerca de uma das justificativas plausíveis para o retorno do carlismo, do ACMalvadeza em Salvador: ente acertos e erros, o governador Jaques Wagner poderia ter cometido alguns erros, tirante o de trair o funcionalismo público estadual! O mesmo funcionalismo público responsável pela eleição e pela re-eleição do ‘atual mandatário da Bahia’ (sic)… Tivesse gastado 1/3 a menos em publicidades, haveria recursos para implantar os Planos de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) de todos os servidores públicos do Estado da Bahia… Nelson Pelegrino estaria eleito… No primeiro turno!… E, ademais, a valorização dos funcionários públicos produziria, naturalmente, uma melhor qualidade dos serviços públicos prestados à população!… “De quebra”, “dispensou” os militantes ideológicos, aqueles que, no anonimato, rejeitam qualquer tipo de soldo!…
    Realmente, Lamentável!…

    Felicidades!

    Hasta la Victoria Siempre!

    Saudações democráticas, progressistas, nacionalistas, antigolpistas e, portanto, civilizatórias,

    República de ‘Nois’ Bananas – “que comemos poeira” para ajudar a entronar o atual governador petista, eleito e re-eleito!…

    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

Darcy Brasil Rodrigues da Silva

28 de outubro de 2012 às 18h29

Se a urnas confirmarem a boca-de-urna em Salvador, penso que o governo federal deveria ,sim, exigir que o PMDB substituísse os nomes dos pemedibistas baianos que integram o governo por outros nomes confiáveis. Apoiadores que trabalharam pelo vitória de ACM Neto não podem ser levados à sério.

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Willian

28 de outubro de 2012 às 18h23

Parabéns, cidade de São Paulo! O paraíso que é viver no resto do Brasil chega finalmente a vocês.

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Darcy Brasil Rodrigues da Silva

28 de outubro de 2012 às 17h46

Infelizmente, em Campinas, o PCdoB deve estar comemorando, mais uma vez, do lado errado :Boca-de-urna, Ibope: PSB :58%, PT: 42% ( votos válidos)

E ainda há quem diga, dentro do PCdoB, que por lá não se pratica pragmatismo político. Sim Senhor! Lamento sinceramente que Pochmann tenha sido derrotado com o apoio do PCdoB ao candidato tucano do PSB. Da mesma forma que lamento que Manuela tenha sido derrotada com o apoio implícito do PT ao candidato do PDT ,coligado ao PSDB,DEM,PPS e PIG.
Penso que um balanço político supra-partidário dessas eleições deveria ser feito, já nos próximos dias, pelos partidos que se dizem pertencer ao campo da esquerda no âmbito da base de sustentação do governo Dilma ( depois de ter visto o candidato do PDT de Niterói usando imagens do “mensalão” para desgastar o seu concorrente do PT, começo a ter dificuldades para considerar ainda o PDT um membro desse campo).

É hora de esclarecer dúvidas, de desfazer intrigas e ,até mesmo, de pedir desculpas eventualmente. Todos os partidos cometeram erros políticos inadmissíveis. Primeiro , observou-se o velho exclusivismo do PT, a tentar impor ,na marra, o nome desse partido nas cabeças-de-chapa, mesmo sendo evidente a existência de nomes muito mais competitivos em outras legendas. Pior:o PT voltou-se contra si mesmo, como se viu em Recife, desarticulando a Frente que sustentaria o nome do PT então escolhido.Por isso mesmo,em Recife, é ridículo ouvir o PT queixar-se de traição. Depois, se seguiu um implícito acordo nacional de apoio mútuo firmado entre o PSB e o PCdoB. Nesse arranjo, esqueceu-se o PCdoB de que há PSBs e PSBs, não se podendo aceitar ,no escuro, apoiar qualquer candidatura para não se correr o risco de ficar contra o que se defende. E assim, vemos o PCdoB, equivocadamente, do ponto de vista dos princípios ( mas não do ponto de vista de uma visão pragmática, eleitoreira, da política), apoiando o PSB ,em Campinas e Fortaleza. Ainda bem que despertou-se a tempo para esse equívoco em BH.
Essa reunião precisa, repito, ser convocada imediatamente. Afinal de contas, há muitas perguntas no ar e da falta de respostas às mesmas decorre toda a matéria de que se vale o PIG para multiplicar as suas intrigas contra a esquerda, tentando , a todo custo, dividi-las.

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    Mário SF Alves

    28 de outubro de 2012 às 18h01

    Lamento o resultado em Campinas. No entanto, salva o poder de contribuição do Pochmann onde quer que ele esteja no contexto da luta pela superação do subdesenvolvimento no Brasil.

Messias Franca de Macedo

28 de outubro de 2012 às 16h22

SERÁ QUE O MENSALÃO TEVE EFEITO CONTRÁRIO?

Já se sabe que o julgamento da Ação Penal 470 não ajudou os candidatos da oposição. Prevalece, portanto, a teoria de que foi neutro. Mas não terá sido benéfico para a principal candidatura do próprio PT, a de Fernando Haddad, em São Paulo? Diante de tantos ataques, no STF e nos meios de comunicação, o eleitor pode ter intuído que algo de anormal acontecia no País, com um julgamento que corria em paralelo com uma eleição
27 DE OUTUBRO DE 2012 ÀS 21:41
(…)
SEGUE o discurso de Marco Aurélio Mello, em que ele citou a quadrilha do “sintomático 13” – já há quem diga, no PT, que o ministro mereça até agradecimentos pela propaganda da legenda!
Em http://www.brasil247.com/pt/247/poder/84065/Ser%C3%A1-que-o-mensal%C3%A3o-teve-efeito-contr%C3%A1rio.htm

Que país é este, sô?! República de ‘Nois’ Bananas

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Darcy Brasil Rodrigues da Silva

28 de outubro de 2012 às 16h18

“Renovação”! “Rostos e sangue novos!” O certo é que ,dentro do PT (sobretudo entre os setores mais à direita desse partido organizado voluntariamente como um espectro de correntes,ou seja, entre os segmentos mais declaradamente sociais-democratas e,portanto, menos socialistas, tal como é entendido pelos marxistas) sempre houve uma espécie de torcida silenciosa para que um subproduto da perseguição política midiática ao PT fosse a “renovação” do próprio PT, entendida como sendo a substituição das suas lideranças com passado militante, marxista-leninista,de luta clandestina e até guerrilheira contra a ditadura militar,como José Dirceu e Genuíno Neto, por lideranças técnicas, lights,acadêmicas,com doutorado e pós-doutorado e sem cheiro de porta-de-fábrica ou de reuniões em saletas mal iluminadas e mal arejadas, capazes de converter o PT em um instrumento de vocalização do desejo pequeno-burguês de humanizar o capitalismo, soerguendo no Brasil um Estado de Bem-Estar social,de tipo sueco ( se muito), impedindo ,ao mesmo tempo, que se implante um regime socialista do tipo cubano. Na verdade, esses setores petistas sempre torceram para que algo assim acontecesse. São , em essência, anti-comunistas empedernidos. Intimamente, comemoram as derrotas sofridas pelas lideranças que hegemonizavam o PT ( não que sejam coniventes com as condenações do STF, mas porque enxergam nessas injustiças algumas coisas boas, nos dizendo otimistas:” vejam!, há males que vêm para o bem!”).
Pois eu não penso assim. A pior coisa que poderia ocorrer ao PT seria a sua conversão total em um partido social-democrata de tipo europeu. Os François Hollande nada têm a oferecer nem à Europa e nem ,muito menos, à América Latina. Se o PT tiver que “rejuvenescer” tal deveria ocorrer pela sua afirmação como partido empenhado em edificar na América do Sul o projeto bolivariano em curso na Venezuela, defendendo o socialismo,parecido com aquele que existe lá em cuba, como o nosso objetivo comum. O maior desastre que poderia sobrevir ao percurso do PT seria a sua transformação em um partido de intelectuais pequeno-burgueses arrogantes ( não que eu considere, por exemplo, Pochmann arrogante,muito pelo contrário.Jamais deixei de ler seus textos,por saber que sempre me trariam informações e reflexões pertinentes). Porém, felizmente, discordo da interpretação de Katarina em relação com a certa ( sem dúvida) vitória de Haddad, em São Paulo, ou com a possível vitoria de Pochmann , em Campinas. O fato de serem rostos novos em nada adiantariam se não tivessem sido associados pelos eleitores (pelo povo) ao “lulismo” de que nos fala Singer. Esse “lulismo” realmente existente,porém, sinaliza um perigo que Katarina não é capaz de enxergar: o vácuo político partidário em meio a um povo que precisa urgentemente ser organizado e conscientizado para além de sua percepção pragmática da política. Nesse sentido, nem os “velhos” rostos e nem, muito menos, os “novos” representam raízes partidárias fincadas em meio ao povo. Vislumbramos assim ,e mais uma vez ,uma preocupante manifestação de fulanização da política. Em resumo, se o “velho” Lula não tivesse avalizado e se determinado a fazer o povo a perceber que Haddad era o SEU ( dele ,Lula) candidato, esse “novo” rosto sequer teria ido para o segundo turno. E essa relação fulano-beltrano , em política, não nos concede nenhum motivo para comemorar, embora a vitória do Beltrano por causa do apoio do Fulano,nesse caso, ou seja, a vitória de Haddad por conta do apoio de Lula (e como candidato de Lula), nos enseje não apenas justificáveis motivos para comemoração , mas também de reflexão para que , desta vez e “finalmente”, a “esquerda” ( toda ela, Katarina, e não apenas os “novos” acadêmicos do PT) saiba não apenas conquistar a prefeitura de São Paulo , mas,sobretudo,não repetir os erros que a fizeram perder ,por duas vezes e com duas mulheres, essa mesma prefeitura para a direita.

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Edineuza

28 de outubro de 2012 às 15h39

Parabéns!!!!!!!!!! Um texto bem escrito e que traz uma avaliação do significado positivo que essa a Eleição em São Paulo representa para o projeto de Brasil iniciado em 2003. Especialmente a cidade de São Paulo.

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Marcelo de Matos

28 de outubro de 2012 às 15h08

O Haddad é favorito em Sampa. Gostaria de saber como está a situação do Pochmann em Campinas e do Bigardi em Judiaí. Alguém sabe?

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Preto Velho

28 de outubro de 2012 às 15h04

Como disse o Zé Bolinha, em São Paulo: “Só acaba quando termina”.

Até lá, nada de cantar vitória até os votos válidos forem apurados.

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