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Diário da Resistência


Juliana Cardoso: Doria “desprefeita” da cidade de São Paulo derrotado e pela porta dos fundos
Foto: Irene Lucatto/Assessoria de imprensa de Juliana Cardoso
Política Resistir e Lutar 09/04/2018 - 21h15

Juliana Cardoso: Doria “desprefeita” da cidade de São Paulo derrotado e pela porta dos fundos


Por Juliana Cardoso

Boneco do ex-prefeito João Doria Jr, o Dorióquio, também conhecido como João Enganador. Foto: Irene Lucatto/Assessoria de imprensa de Juliana CardosoFoto: Irene Lucatto/Assessoria de imprensa de Juliana Cardoso

DÓRIA, O QUE NÃO ERA POLÍTICO E NUNCA FOI GESTOR, ABANDONA A CIDADE DE SÃO PAULO DERROTADO E PELA PORTA DOS FUNDOS

por Juliana Cardoso*

Na última sexta-feira (07/04), demos adeus a um prefeito que de fato nunca governou a cidade de São Paulo.

Doria descumpriu mais uma de suas promessas de campanha: deixou a prefeitura para a qual ele prometeu “prefeitar” até o final de seu mandato.

Doria abandonou a prefeitura para concorrer ao governo do Estado de São Paulo, após flertar com o Palácio do Planalto, a ponto de quase trair seu padrinho político, Geraldo Alckmin.

Não podemos, porém, dizer que ficamos tristes com sua partida.

A sua má avaliada gestão certamente deve frustrar o homem que se gabava de ser um gestor e não um político.

Até o momento, estranhamente, não vimos pesquisas atuais sobre avaliação da gestão de Doria.

A última, divulgada em dezembro de 2017, indicava que a porcentagem dos que achavam o governo Doria “Bom ou Ótimo” caiu de 44% em fevereiro para 29% em dezembro.

Os que achavam o governo “Ruim ou Péssimo” subiu de 13% para 39%.

Deve ser muito  desalentador ver que os recursos e os esforços destinados à publicidade não surtiram os resultados esperados.

Mas, cá entre nós,  já pensou a dureza que é fazer propaganda de uma gestão que pouca coisa boa fez pela cidade e sua população?

Como dizer que a cidade está linda, se ela está mais cinza e mais suja?

Ou  como fazer a população acreditar que Doria cuida das pessoas se o que ele mais fez na cidade foi  fechar serviços e unidades de saúde?

Até para marqueteiros experientes deve ser tarefa ingrata enganar quem já foi enganado uma vez. Afinal, gato escaldado tem medo de água!

A recente derrota  na reforma da previdência municipal também deve ter sido  muito frustrante para o gestor.

O projeto apresentado ao apagar das luzes de 2017, sem qualquer negociação com sindicatos, representava um verdadeiro confisco.

Doria tinha pressa. Se aprovasse a reforma a tempo, poderia atrair o apoio do mercado financeiro para sua tão sonhada candidatura à Presidência da República.

Só que ele não contava com a garra e a histórica mobilização dos servidores e da população.

Mesmo usando golpes baixos, como a vergonhosa repressão aos servidores e  chantagem a vereadores, Doria foi derrotado. E no dia 27 de março, o vereador da base governista Milton Leite (DEM), presidente da Câmara, teve que anunciar a retirada do PL por cento e vinte dias.

E o que os servidores fizeram para conquistar essa importante vitória?

Eles fizeram política! Articularam forças, alianças, pressionaram vereadores, se mobilizaram na câmara e nos territórios.

Foi lindo de acompanhar. Uma verdadeira lição de resistência, que, aliás, já começa a inspirar a luta em outras cidades, como  Campinas, cujo prefeito, o tucano Jonas Donizetti, apresentou também um projeto de alteração na previdência municipal.

É isso, minha gente, o homem que estufava  o peito para dizer que era gestor foi derrotado justamente por aquilo que ele sempre negou no discurso: a política.

Nós, paulistanos, estamos em festa e muito determinados a não deixar que os demais paulistas sintam na pele a “jestão” Doria.

Juliana Cardoso é vereadora (PT-SP).

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4 comentários

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Morvan

29 de abril de 2018 às 21h59

Boa noite.

São Paulo, dando um desconto bem grande, pela fonte da pesquisa, continua, penso, caso de estudo bem aprofundado. Síndrome de Estokolmo não explica:

João Dória Lidera Disputa Pelo Governo Estadual, Mas Sua Rejeição Cresce

O cara não passou um dia sem prejudicar a população. Descontinuou programas sociais, reduziu o atendimento hospitalar, diminuiu drasticamente a frota de coletivos, carreou polpudos recursos para publicidade (explica, em parte, a “preferência”…), detonou, sem trocadilhos, a Cracolândia; abandonou, literalmente, o posto de prefeito, o qual só se utilizava como entreposto mercadológico | eleitoreiro e, pasme-se lidera?
Agora, o pior é na Eleição para Presidente, em havendo, qualquer revés e a culpa, já se sabe, é do nortista (N|Ne)…
#LulaLivre, #LulaPresoPolítico, #LibertarLulaJá.

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Julio Silveira

29 de abril de 2018 às 10h37

Espera aí, mas São Paulo não é aquela cidade que tirou um prefeito padrão europeu, para colocar esse, padrão Fifa? Não é o estado da lacomotiva, que acredita na Globo e repetem a exaustão a cada eleição gente de um unico partido, padrão plim plim, que já fez secar uma cantareira. Que repetem a cada eleição a execução da limpeza do Tiete, que criaram para o mundo a cratera no Metro? Não e o estado que criou o já famoso coxinha de pato? e que depois foi ao resto do Brasil atrás de materia prima? Deve ser por isso que estamos assim, em todo Brasil, esse estado locomotiva carrega o vagões na direção das cavernas e dis cavernosos. Com sua gente que tripudia do estado, e não tem simbolismo mais perfeito, já que, com o tempo, São Paulo tornou-se o estado dos cansados, ou talvez descansados, mas cheirosos, por favor. E por favor tampem o Tiete.

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Eduardo

28 de abril de 2018 às 19h41

Espero que as coisas piorem mais , especialmente em São Paulo! O burro às vezes aprende quando apanha!

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FrancoAtirador

09 de abril de 2018 às 21h35

João Doria é um Serra Com Botox

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