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Julian Rodrigues: Hora de respirar, se cuidar e propor saídas para cuidar do povo. Sobreviveremos!
Política

Julian Rodrigues: Hora de respirar, se cuidar e propor saídas para cuidar do povo. Sobreviveremos!


31/03/2020 - 23h05

Nem impeachment, nem golpe: respirar e apresentar propostas para cuidar do povo

por Julian Rodrigues*

Não é só você.

Estamos todos confusos, cheios de dúvidas.

Se já era difícil fazer boas análises de conjuntura nesses tempos hodiernos, pós-corona, então, tudo fica mais, muito mais complicado.

Acredito que uma boa premissa é evitar juízos peremptórios.

Há décadas o cenário mundial não está tão aberto, tão conturbado – atravessamos crises paralelas, globais, concomitantes.

Só que nós somos militantes, não futurólogos.

Carecemos de um tantão de engenho e arte.

Tentar combinar na medida certa o pessimismo da razão com otimismo de vontade – e procurar entender e descrever as condições objetivas/estruturais + as subjetivas (os sentimentos da classe trabalhadora, dos oprimidos) – simultaneamente.

Andamos muito angustiados, irados, tristes, perplexos.

Daí, fica mais difícil resistir à tentação recorrente do “pensamento desejante” (wishful thinking).

Todavia, análises de conjuntura não são mecanismos terapêuticos e nem se destinam à emulação da militância. Nunca nos esqueçamos dessas premissas.

Vou me permitir dar alguns palpites, que talvez ajudem:

I. Bolsonaro não está para cair, nem está derretendo.

O bolsonarismo segue hegemônico nas redes sociais, conta com cerca de 30% de apoio militante orgânico e mais uns 20% de audiência sensível ao seu discurso.

II. Sim, é verdade: Bolsonaro desgastou-se enormemente no andar de cima.

Está vazando no Congresso, na cúpula do Judiciário, na Globo, entre setores neoliberais-financistas mais consequentes.

III. Bolsonaro e seu entorno não são loucos, nem psicopatas (aliás, não somos psiquiatras para fazer diagnósticos, né?).

São agentes políticos com um programa neofascista e ultraliberal – e têm grande apoio de Trump, do imperialismo.

Patologizar a luta política é muito, muito ruim.

Fujamos de adjetivos relacionados à saúde mental ou à moral para qualificá-los.

Política no comando! Eles têm ideologia, objetivo, programa, estratégia, tática, sabem o que fazem.

IV. fechar o regime é o sonho da famiglia presidencial. Nunca esconderam isso.

Mas, nada indica que reúnem forças para concretizar esse objetivo. Por outro lado, também não há sinais de que seria possível fazer o impeachment agora – mesmo que o establishmentdecida agir nessa direção (e eles não se puseram de acordo sobre esse tema ainda).

V. há, portanto, um cenário de empate, de equilíbrio, com disputas cada vez mais acirradas entre o núcleo bolsonarista versus os governos estaduais, a maioria do Congresso, o STF, a Globo e setores financistas não neofascistas.

VI. o campo democrático-popular ainda segue na defensiva, não é protagonista das grandes batalhas – mas temos uma janela aberta.

VII. Palavras de ordem mais ou menos radicais, por si mesmas, não resolvem nossos problemas, muito menos mudam magicamente o cenário político.

A energia gasta no debate sobre adotar ou não o “Fora Bolsonaro” seria melhor empregada na divulgação das propostas da esquerda para superar a crise econômica e a calamidade sanitária; focar esforços em ganhar a narrativa pública sobre a gravidade da pandemia e como superá-la.

VIII. Sem deixar de acompanhar os movimentos do andar de cima, suas contradições – que se aguçam – penso que é mais útil apresentar um programa econômico amplo e radical, batalhar para aprová-lo no Congresso e divulgá-lo para o povão (a nota da última reunião da Executiva Nacional do PT tem pontos positivos);

IX. Urgem cuidados adicionais com fake news, postagens bombásticas e afins. Inclusive, cautela redobrada com os próprios veículos do campo progressista, sobretudo os mais conhecidos e acessados.

Muitos estão envolvidos totalmente em uma lógica de “caça-cliques”, abusando de manchetes sensacionalistas, divulgando um bando de coisas sem checar.

Pior, com “análises” políticas totalmente superficiais, impressionistas, alarmistas, inconsistentes.

X. Bora tentar lidar com nossas ansiedades, ódios e desejos – evitando projetá-los na ação política.

Hora de priorizarmos mais ainda nossa saúde mental.

Respirar, fazer exercícios, meditar, cuidar da gente e dos nossos.

Ler, estudar, ver filmes e séries, escrever, relaxar.

XI. É, sim, a maior mudança e a maior crise global desde a Segunda Grande Guerra. Certezas se dissolvem no ar – novos (velhos) paradigmas aparecem, tudo se transformará. Rapidamente.

XII. Haverá perdas, milhares de mortes. Sofreremos, choraremos. Cuidemo-nos, pois.

E vamos nos preparar para continuar a luta por outro mundo, a luta anticapitalista, agora em outro patamar, depois disso tudo. Ouvir – e dançar – Glória Gaynor, sempre: “I will survive”.

NÓS sobreviveremos!

Julian Rodrigues é professor e jornalista, militante PT-SP



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2 comentários

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Zé Maria

01 de abril de 2020 às 14h10

Não há dúvida que os Atores Políticos estão a
“focar esforços em ganhar a narrativa pública”:
os Estaduais, notadamente na Mídia do PSDB,
e os Federais visando às Eleições de 2022, e os
Prefeitos ao próximo Pleito Eleitoral Municipal.

Salvo as exceções de praxe, tá todo mundo
tirando uma lasquinha do Jair Bolsonaro,
que com certeza está em queda de rapel.
Tem gente neoliberal, mesmo dentro do
governo, louquinha para cortar a corda,
porque, nessa circunstância, o Mito “Psiu”
é cabo eleitoral da Oposição Keynesiana,
e a turma do Maia/Gueds/Globo quer é
cortar salário de servidor público, o mais
rápido possível, para escapar da taxação
das heranças dos bilionários como os da
Lista da Forbes que querem também
fugir da cobrança impostos sobre lucros
e dividendos e sobre propriedade de
jatinhos, helicópteros, lanchas e iates.

Quando se cogita em cobrar impostos
e exigir o pagamento de salários, verbas
trabalhistas e previdenciárias, a Burguesia
do braZil entra em pânico.
Por essa razão, inclusive, está articulando
com o Governo Federal uma ‘doação’ de
dinheiro público para as Grandes Empresas,
sob o pretexto surrado da ‘manutenção de
empregos’, com a qual, na realidade, jamais
demonstrou Compromisso Social, no braZil.

Responder

    Zé Maria

    01 de abril de 2020 às 17h20

    Os Bilionários que não pagam Impostos
    são os Primeiros a pedir Corte de Salários
    dos Trabalhadores Assalariados e Públicos

    Mesmo os Funcionários Públicos que têm
    Remuneração mais alta recebem centenas
    de vezes menos que os Super-Ricos no Brasil
    que não pagam imposto de renda sobre lucros
    e dividendos nem sobre Fortunas e Heranças,
    nem IPVA de suas Aeronaves e Embarcações.

    Presidente do TRT4-RS junta-se a outros
    tribunais e envia mensagem a Governador
    Prefeitos e Parlamentares Contra Corte de
    Salários dos Servidores Públicos

    A presidente do TRT4, desembargadora Carmen Gonzalez, enviou documento
    ao governador Eduardo Leite (PSDB), aos Senadores, Deputados Federais e Estaduais e a Prefeitos de cidades do Rio Grande do Sul manifestando posição
    contrária às medidas que propõem cortes de salários de magistrados e servidores do Judiciário Federal.
    A iniciativa questiona as movimentações no Congresso em torno dessa pauta,
    movimentações essas que utilizam a pandemia do novo coronavírus
    como pretexto para desmontar o serviço público.

    A manifestação da desembargadora acontece após o presidente do TRT18 (GO)
    e do Colégio de Presidentes e Corregedores de TRTs (COLEPRECOR), desembargador Paulo Sérgio Pimenta, realizar ação no mesmo sentido.

    As cartas foram enviadas pela presidente do TRT4 na última sexta-feira, 27, “manifestando repúdio a mais um dos ataques ao Poder Judiciário do Brasil,
    no qual estamos inseridos”, conforme mensagem encaminhada
    pela desembargadora a servidores e magistrados.

    Ela aponta, ainda, que tomou a iniciativa “por experiência própria e por ter
    pleno conhecimento de que todos os Magistrados e Magistradas de primeiro
    e segundo graus de jurisdição, assim como todos os servidores e servidoras,
    estão trabalhando remotamente de suas casas (com raras exceções e apenas
    em casos especialíssimos em que não há possibilidade de trabalho remoto
    ou há outro impedimento) com o espírito público que sempre tivemos para
    enfrentar esse cenário adverso pelo qual estamos passando, do qual sairemos
    juntos e mais solidários”.

    Na carta enviada aos políticos com mandatos executivos ou legislativos,
    a desembargadora lembra que o salário é fonte de subsistência e de dignidade,
    não podendo ser ameaçado.
    Destaca, também, a importância da atividade judiciária para atender
    as necessidades inadiáveis da população, e esclarece que, “agente
    de responsabilidade social que é, o Poder Judiciário não apenas manteve
    suas atividades como passou, neste período, a direcionar recursos provenientes
    de multas e ações judiciais para fundos voltados ao combate da pandemia
    do Coronavírus e à minimização dos impactos econômicos e sociais decorrentes
    da paralisação de diversos setores econômicos”.
    Assim, “consideramos inequívoca a intangibilidade salarial dos integrantes
    do Poder Judiciário, magistrados e servidores, bem assim dos demais integrantes
    dos Poderes Legislativo e Executivo”, conclui a presidente.

    Sindicato irá solicitar manifestações das demais administrações

    Nos próximos dias, o Sintrajufe irá oficiar os demais tribunais do Rio Grande
    do Sul cobrando junto aos presidentes e procuradores-chefes que também
    se posicionem contra as propostas de redução salarial dos servidores.
    O sindicato tem defendido que os recursos necessários para o combate às crises
    sanitária e econômica causadas ou ampliadas pela pandemia do novo
    coronavírus (covid-19) não podem sair do bolso dos trabalhadores.

    Enquanto o governo de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, com o apoio de
    Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenta aproveitar o momento para desmontar os
    serviços públicos e atacar os servidores, o Sintrajufe/RS e outras entidades
    vêm defendendo alternativas viáveis e efetivas para gerar recursos sem que
    os trabalhadores e as trabalhadoras sejam negativamente impactados.

    É o caso da taxação das grandes fortunas e de outras medidas tributárias
    que taxem os mais ricos, além da urgente revogação da emenda constitucional 95/2016 [‘Teto de Gastos’], que congelou os investimentos públicos e já retirou
    R$ 20 bilhões do SUS para enviar para os banqueiros e especuladores.

    https://www.sintrajufe.org.br/ultimas-noticias-detalhe/17179/presidente-do-trt4-junta-se-a-outros-tribunais-e-envia-mensagem-a-eduardo-leite-prefeitos-e-parlamentares-contra-corte-de-salarios-sintrajufe-cobra-posicao-dos-demais-presidentes-e-procuradores


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