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Julian Rodrigues: Derrotar Bolsonaro passa por defender a vacina contra a Covid no SUS
Política

Julian Rodrigues: Derrotar Bolsonaro passa por defender a vacina contra a Covid no SUS


24/01/2021 - 20h51

Vacinação universal e imediata pelo SUS: a batalha do momento

Junto com a luta pela volta do auxílio emergencial a defesa da vacina, da ciência e do sistema público estão no centro da agenda de todo campo progressista

Julian Rodrigues*, especial para o Viomundo

Cheguei respirando ofegante, muita raiva.

Trazia o jantar comprado na simpática pizzaria que fica em frente de casa, onde tinha acabado de promover um quase minicomício.

Rolava na TV da pizzaria o JN: assunto era vacinas.

O motoboy comenta: “nem me pagando tomo essas vacinas”.

Já viram: fiz uma discurseira anti-fake news e pró-ciência, ele ficou até meio assustado.

Depois, pedi desculpas aos demais pela ênfase, mas justifiquei-me dizendo que não podemos nos calar frente a esses absurdos, porque não se trata só da saúde do cara que não quer vacinar, mas a de todos nós.

No elevador, subi refletindo sobre os retrocessos que o neofascismo já consolidou, influenciando massas trabalhadoras com suas ideias negacionistas, obscurantistas.

Como nem tudo é amargor, chegando em casa, tomo conhecimento dos novos números do Datafolha. Aumentou o número de brasileiros que pretende se vacinar.

Em agosto do ano passado, 89% dos brasileiros disseram que pretendiam se vacinar. Em dezembro, esse número caiu para 73% (provável auge das campanhas bolsonaristas). E agora, subiu para 79%.

Na primeira pesquisa, 9% responderam que não pretendiam se vacinar. Em dezembro, foram 22%. E agora, caiu um pouco: 17% disseram que não querem se vacinar.

56% defendiam a obrigatoriedade da vacina em dezembro – agora são 55% (estabilidade).

O Datafolha investigou a credibilidade das vacinas, conforme origem. Interessante dado.

Com relação às vacinas desenvolvidas nos Estados Unidos, em dezembro, 74% disseram que tomariam. Agora,  78%.

Em dezembro, 70% responderam que tomariam uma vacina da Inglaterra. Agora, 75%. Até aí, previsível, não há campanha bolsonarista contra.

Na primeira pesquisa, 60% disseram sim à vacina russa. Agora, 66%.

Em dezembro, 36% responderam que não tomariam a vacina. Agora,caiu para 30%. Dado promissor.

47% disseram que tomariam a vacina da China em dezembro. Agora, 58%.

50% responderam que não tomariam em dezembro; agora, 39%. Outra boa nova.

Ou seja, mesmo com relação às “vacinas comunistas”, aumentou o percentual de quem topa se imunizar.

Entre dezembro e janeiro, 11% a mais de brasileiros se convenceram a tomar à vacina China-Butantan e 6% a vacina russa (que ainda não foi validada pela Anvisa).

Neofascismo não é incompetente

Bolsonaro lidera um governo neofascista em aliança com o ultra-liberalismo. Faz disputas políticas-culturais-ideológicas o tempo todo, pois essa é uma das estratégias de construção, arregimentação e mobilização do fascismo.

Como todo governo fascista, o bolsonarismo ataca a cultura, as artes, a ciência e a ideia de direitos humanos, igualdade e diversidade.

A conduta de Bolsonaro desde o início da pandemia nada tem a ver com incompetência, insanidade ou irracionalidade.

Trata-se de uma política pensada, estruturada. Uma política de morte, que exalta “os fortes” e coloca os interesses individuais e as atividades econômicas acima de qualquer ideia de saúde coletiva.

Pior ainda. Além de negacionista, o governo promove uma política de charlatanismo oficial, fazendo propaganda de remédios e tratamentos ineficazes, espalhando desinformação.

Politizando ao extremo todas as esferas da vida, conseguem alimentar um exército de apoiadores via redes sociais.

Contando com governos municipais e estaduais aliados e a omissão de muitos, o bolsonarismo impôs uma “resposta ao Covid”: 217 mil mortos, nenhuma estratégia de vacinação nacional.

Temos uns 20% da população imersa no obscurantismo anti-ciência, acreditando em “tratamento precoce”, desconfiando de vacinas, se opondo ao isolamento social.

No futuro (tomara que em breve), vamos levar todos os responsáveis a julgamento.

Será preciso uma Comissão da Verdade e Justiça que apure todos os crimes cometidos por Bolsonaro, seus ministros,  governadores, prefeitos, deputados, jornalistas, influenciadores. Todos que contribuíram para esse extermínio deveram ser julgados e condenados.

Vacina e SUS: civilização x barbárie

Desacreditar as vacinas faz parte da plataforma da extrema-direita em todo mundo. Está dentro do repertório, junto com o terraplanismo e negar a chegada do homem à Lua.

Vacinas são um símbolo do avanço científico. Vacinação em massa, com campanhas nacionais, coordenadas pelo governo federal.

Um sistema universal de saúde pública, gratuito, eficiente, acessível, acolhedor. Uma construção histórica que valoriza o Estado, o serviço público, a racionalidade, a solidariedade, a ideia de saúde para todas e todos.

O Brasil tem uma história de 120 anos desde os pioneiros esforços de sanitaristas como Oswaldo Cruz e Vital Brasil (patronos da Fiocruz e do Instituto Butantan).

Nosso Programa Nacional de Imunização antecede o próprio Sistema Único de Saúde. A campanha de vacinação contra a paralisia infantil é um marco de sucesso internacional, desde os anos 1980.

É por essas razões que o bolsonarismo ataca a vacinação universal, coordenada nacionalmente, gratuita. E abre espaço para o salve-se quem puder, para a privatização das vacinas.

Fazem ataques frontais à saúde pública. Uma certa ABVC (Associação Brasileira de Vacinas), que reúne as clínicas privadas do setor, anunciou que pretende importar 5 milhões de doses da vacina indiana. Uma das consequências do bolsonarismo, que não é só negacionista, é também ultra-liberal, privatista, aliado dos capitalistas.

É preciso, desde já, proibir o “mercado” paralelo de vacinas para ricos. Combater os “fura-filas”.

Mas, sobretudo, desencadear uma ampla campanha a favor da vacinação já. A favor da ciência. Contra o charlatanismo.

Denunciando autoridades governamentais e médicos que compactuem com o tal “tratamento precoce” (enfiar cloroquina e vermífugo nas pessoas).

Desidratar o bolsonarismo passa por defender a vacinação e mostrar como o governo boicotou todo o processo.

Derrotar Bolsonaro passa por derrotar o negacionismo. Ganhar milhões de pessoas para a ideia de que sim, existem consensos científicos, existe racionalidade, existem parâmetros para a vida em comum.

Enfraquecer a influência das correntes de zap bolsonaristas. Disputar a consciência das pessoas para uma ideia de coletivo, de bem-comum, de Estado, de ciência, de acreditar nos estudos.

A batalha pela vacina condensa várias outras.

É uma guerra pela ciência, pelo Estado, pela racionalidade, pela saúde pública, contra o individualismo, contra o mercado, pela ideia de coletividade. Pela civilização.

Vamos, agora, junto com #ForaBolsonaro, levantar a bandeira do Auxílio-Emergencial e da Vacina Universal.

24/01/2021

*Julian Rodrigues, professor e jornalista, ativista de Direitos Humanos e do movimento LGBTI é militante do PT-SP





1 comentário

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Zé Maria

24 de janeiro de 2021 às 21h22

O general mandalete do ex-tenente
falou que o desgoverno vai contratar
a União Química, uma empresa do
Setor Privado, para fornecer a Vacina
Sputnik V do Laboratório Gamaleya
da Rússia, assim que a ANVISA anuir.

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