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Jornal Nacional: Assessor de Flávio Bolsonaro “ganhou” R$ 86 mil em 16 meses, mas passou metade do tempo em Portugal
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Política

Jornal Nacional: Assessor de Flávio Bolsonaro “ganhou” R$ 86 mil em 16 meses, mas passou metade do tempo em Portugal


12/12/2018 - 22h57

por Conceição Lemes

O Jornal Nacional desta noite mostrou que um assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, agora senador eleito, recolheu mais de R$ 86 mil em dinheiro público como funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, embora tenha passado metade do tempo em Portugal.

É um novo indício de que funcionários podem ter sido contratados sem trabalhar repassando parte do dinheiro para a família Bolsonaro.

Wellington Sérvulo Romano da Silva é tenente-coronel da Polícia Militar do Rio. Trabalhou duas vezes com Flávio. Primeiro como assessor da vice-liderança do PP, partido ao qual o deputado pertencia em 2015, depois no gabinete do filho do presidente eleito.

De acordo com o JN, a “Alerj informou que, durante todo o período em que ele esteve na casa, nunca tirou licença. Em um ano e quatro meses em que trabalhou para Flávio, Wellington ficou fora do país por 248 dias — a metade do período”.

Como o salário de Wellington, com gratificações, era de R$ 5.400,00 mensais, isso significa que ele recebeu sem trabalhar R$ 43.200,00. No total, foram R$ 86.400,00.

Wellington está na lista de nove assessores e ex-assessores de Flávio e Jair Bolsonaro que repassaram dinheiro para a conta de Fabrício Queiroz, motorista de Flávio Bolsonaro. Foram R$ 1.800,00.

[Ver íntegra do documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, no pé do post]

Muitos repasses para a conta de Queiroz foram feitos no mesmo dia do pagamento de salários da Alerj.

Queiroz, também policial militar, é íntimo da família Bolsonaro e despertou a atenção de investigadores depois de movimentar R$ 1,2 milhão em um período de um ano, apesar de receber um total de R$ 23 mil mensais em dois empregos.

Em sua conta bancária, Queiroz também recebeu depósitos de parentes. Ele empregou a ex-mulher, a atual e duas filhas nos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro.

Nathalia, uma das filhas, morando no Rio de Janeiro era contratada como assessora de Jair Bolsonaro na Câmara Federal, em Brasília.

Não se sabe se de fato ela prestava serviços ao deputado federal. Porém, tinha ao mesmo tempo um segundo emprego no Rio, como funcionária de uma academia, como mostrou o repórter Marcelo Auler.

A suspeita é de Queiroz operava uma conta ônibus, utilizada para transferir dinheiro de forma a esconder origem e destino.

Chamou a atenção dos investigadores o fato dele fazer saques em dinheiro, muitas vezes mais de um por dia, no valor de R$ 5 mil.

Teria sido uma forma de não chamar a atenção de autoridades encarregadas de monitorar lavagem de dinheiro.

Uma das transferências feitas por Queiroz foi para a futura primeira dama Michelle Bolsonaro, de R$ 24 mil.

O presidente eleito disse que foi parte do pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil que Bolsonaro teria feito ao motorista e amigo.

Jair Bolsonaro argumentou que não recebeu o pagamento em sua própria conta bancária por ter dificuldades de ir ao banco.

Nem Queiroz, nem a futura primeira dama falaram sobre o caso.

Hoje o Jornal Nacional localizou um terceiro endereço de Fabrício, num bairro de classe média do Rio. O porteiro disse que é lá que mora o ex-policial militar.

Deputados do PT acreditam que a família Bolsonaro foi beneficiada com o vazamento de informações da operação Furna da Onça, da Polícia Federal, que aconteceu em novembro.

O PM Queiroz e a filha Nathalia se afastaram dos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro no mesmo dia, em outubro, antes da deflagração da operação.

O afastamento aconteceu entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial.

Curiosamente, no mesmo período, o juiz Sérgio Moro arranjou uma forma de vazar a delação do ex-ministro Antonio Palocci, que comprometia lideranças do Partido dos Trabalhadores.

Posteriormente, Moro foi indicado para um turbinado Ministério da Justiça do candidato que ajudou a eleger.

Moro disse que Jair Bolsonaro já explicou o que teria de explicar sobre o caso envolvendo o PM ex-motorista do senador eleito Flávio.

Na Furna da Onça, a PF prendeu seis deputados estaduais do Rio: Marcos Vinicius Neskau (PTB), Marcos Abrahão (Avante), Coronel Jairo (SD), Chiquinho da Mangueira (PSC), Andre Correa (DEM) e Luiz Martins (PDT).

Também envolvidos no esquema estavam os deputados Paulo Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi, todos do MDB, que já estavam presos. O ex-deputado Marcelo Simão (PP) foi proibido de frequentar a Alerj.

Os deputados davam apoio a Sergio Cabral na Alerj em troca de mensalinhos e de indicar apaniguados para cargos públicos.

Leia também:

Marcelo Auler: Filha do motorista de Flávio Bolsonaro trabalhava ao mesmo tempo em Brasília e no Rio

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16 comentários

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Morgan

15 de dezembro de 2018 às 23h55

O mundo e a língua dá muita volta e termina chegando nos hipócritas, caçadores de corruptos, mitos e heróis de toga.

Responder

Geraldo

15 de dezembro de 2018 às 11h21

Tem que ir fundo

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Zé Maria

14 de dezembro de 2018 às 15h03

Busca e Apreensão na Barra da Tijuca…
No Morro, isso se chama Pé na Porta…

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Canuto

13 de dezembro de 2018 às 19h49

Eu quero saber é do CAMPEÃO DE MOVIMENTAÇÃO com R$ 49,3 milhões, que só podia ser do PUTÊ.
Isso a mídia esquerdopata está escondendo.

Responder

Rogério paulino

13 de dezembro de 2018 às 19h36

A Globellss decretou o alvo,prepare-se.

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Zé Maria

13 de dezembro de 2018 às 17h10

EL PAÍS: Sondagem CNI/Ibope ouviu 2.000 eleitores, em 127 municípios do país,
entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro, ou seja,

ANTES do noticiário sobre a movimentação financeira atípica do [ex-PM QUEIROZ]
assessor de Flavio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Responder

LEANDRO

13 de dezembro de 2018 às 16h11

Nossa um ano e meio em 248 dias… Algo de errado não esta certo?? ?

Responder

Zé Maria

13 de dezembro de 2018 às 13h44

A Globo está tentando monopolizar a narrativa.
Nem fala mais do Cheque de R$ 24 Mil pra Michele
e nem que uma das filhas do Queiroz foi contratada
pelo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.
O s Herdeiros Sem-Nome do Roberto Marinho
estão com o Senador Flavio na mão deles.
O Presidente, provavelmente, fica pra Depois.

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Carlos Magno Ramos Souza

13 de dezembro de 2018 às 10h52

E o filho de Lula de faxineiro à um milionário, Lula teria que governa mais de cem anos para juntar o seu bom patrimônio , imagina seu filho

Responder

    Joao

    14 de dezembro de 2018 às 10h28

    Vai tomar no seu c…… aliás…..continue tomando.
    Você é um energumeno, que tiver que pagar, que pague e pronto!!!!
    Toda vez que surge uma denúncia contra alguém da direita vocês fazem alusão a esquerda.
    Vão se f…..

Bel

13 de dezembro de 2018 às 09h53

Tem muita notícia que pode ser verdade, mas também tem muita notícia repetida que serve para desviar a atenção de outros assuntos hiper importantes. Alguém já perguntou porque querem acabar com o Ministério do Trabalho?
Vejam esta: ¨O deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO), que relatou o impeachment de Dilma Rousseff, foi pego em um esquema de fraudes em uma operação da Polícia federal; a Operação registro Espúrio desbaratou um esquema de desvios de verba pública no Ministério do Trabalho que chegou à cifra de R$ 13 milhões¨.
É um grande negócio enfraquecer empresas públicas e depois vendê-las, assim como é um grande negócio desmoralizar instituições e depois acabar com elas com todas as provas dos desvios e corrupção. Ou não é?

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    Jardel

    13 de dezembro de 2018 às 19h44

    A cura para a doença não pode ser matar o paciente.
    O Ministério do Trabalho é mal e porcamente a garantia de cumprimento das leis trabalhistas. Sem ele vai-se reclamar com quem?

Fernando

13 de dezembro de 2018 às 09h42

” Uma vez trouxinha, sempre trouxinha, coxinha até morrer.

Responder

maria nadiê rodrigues

13 de dezembro de 2018 às 09h38

Pela CBN ouve-se a voz de Bozo dizendo que ele mesmo irá resolver essas questões. E, na cara de pau.
Ou seja, se cada um que praticasse improbidade administrativa, lavagem de dinheiro, e corrupção, resolvesse seus crimes dessa forma, pra que justiça, PF? Na verdade, é isso que a gente não tem: justiça, sobretudo se tiver que ser feita contra alguns.

Responder

Bolsa de M*

13 de dezembro de 2018 às 09h05

Isso é que é escravidão. Paga ao assessor salário do Brasil e obriga o coitado em trabalhar em Portugal

Responder

Bruno

13 de dezembro de 2018 às 08h13

É bom a gente estudar ambos lados antes de defender algo né, se não a gente acaba falando merda.

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