VIOMUNDO

Diário da Resistência


João Franzin sobre o Dia de Lutas: Nacional e forte
Política

João Franzin sobre o Dia de Lutas: Nacional e forte


12/07/2013 - 19h14

Foi nacional. E forte

João Franzin, no Repórter Sindical

Assim como na vida, os movimentos sociais têm forma e conteúdo. Movimento de estudante é de um jeito, agitação de torcida esportiva é de outro e Marcha para Jesus acontece de outra forma.

O Dia Nacional de Luta, com Greves e Mobilização, ontem, dia 11, teve as formas do movimento sindical. Teve também o conteúdo do sindicalismo. Teve como marca principal a convergência da unidade, sem desrespeitar variedade e pluralidade.

E qual foi a marca, digamos, geográfica, do dia de ontem? Foi a ocorrência de milhares de atos e movimentos, em todo o território nacional, como ilhas de um grande arquipélago. Só o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo marcou 31 pontos de concentração e mobilização da categoria (fábricas, praças, avenidas, viadutos etc.).

Como o que é natural (diz o conselheiro Acácio) acontece naturalmente, os eventos maiores aconteceram entre categorias que possuem acúmulo de luta. Ou em regiões (portos, por exemplo) onde persistem problemas mal resolvidos. Caso, também, das grandes obras, às voltas com as más condições de trabalho.

A ocupação de estradas não é novidade no movimento social. Ano passado, ainda, metalúrgicos paulistanos e do ABC fizeram um grande ato na Via Anchieta.

As manifestações deste dia 11 incorporaram essa experiência e ampliaram as ações. Havia, ali, dois objetivos: 1) Realizar o próprio movimento; 2) Criar fato midiático, o que é compreensível em toda ação organizada.

Discurso – Todo movimento social tem discurso (conteúdo). O Dia Nacional, convocado pelas Centrais, também teve. O centro desse discurso foi o reforço da Pauta Trabalhista, eleita na Conclat 2010, reafirmada na grande 7ª Marcha a Brasília, em março último, e tantas vezes reafirmada nos eventos sindicais e nas ações políticas junto a governantes e ao Congresso Nacional. O atendimento a essa Pauta, que inclui (como se decidiu na Conclat) mais investimentos na Educação e Saúde, é a meta do movimento.

Pacífico – Em certos setores da sociedade, havia temores, e também apostas, de provocações ou violência. Quem acompanhou as reuniões preparatórias das Centrais testemunhou a preocupação em evitar desacertos.

Ao final do 11 de julho, o balanço apontava um dia praticamente sem incidentes. No que foi manifestação trabalhadora, que tradicionalmente tem comando, prevaleceu a organização.

Mito – Em São Paulo, pelo menos, caiu o mito de que só existe protesto sindical forte quando param ônibus, trens e metrô. Esses serviços funcionaram, sem impedir que metalúrgicos, bancários, construção civil, costureiras, alimentação, químicos, comerciários, asseio e outros trabalhadores engrossassem os atos.

Oposição – Nem chapa branca, nem oposição. As manifestações, em todo o Brasil (respeitadas as condições locais), foram de reafirmação da Pauta Trabalhista e pelo aumento da pressão sobre o governo federal e o Congresso Nacional.

Dia seguinte – O sindicalismo brasileiro tem programa. A Pauta Trabalhista expressa a ponta de lança desse programa – cujos eixos estratégicos foram aprovados na Conclat e reafirmados na posição unitária das Centrais em prol de um modelo político que valorize o desenvolvimento nacional. Hoje (12), as Centrais se reúnem para avaliar o protesto e tratar do futuro. Quem olhar, com acuidade, verá um antes, um durante e um depois. Assim como na vida.

João Franzin é jornalista da Agência Sindical

PS do Viomundo: É óbvio que a mídia patronal vai dizer que o sindicalismo acabou, que os sindicatos contrataram manifestantes (tornando a exceção, regra), etc. etc. etc. Não é novidade. A novidade é que esta mídia que exagera, omite, deturpa e inventa foi parar no centro das atenções. Isso, sim, é novo.

Leia também:

Leia os documentos revelados pelo Cafezinho e o livro Afundação Roberto Marinho





12 comentários

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Aprofcmpa no Dia Nacional de Lutas | APROF CMPA

15 de julho de 2013 às 12h57

[…] método de luta dos trabalhadores produziu seus efeitos: a cidade ficou paralisada. Como escreveu João Franzin o 11 de julho “teve as formas do movimento sindical. Teve também o conteúdo do sindicalismo. […]

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Paulo Moreira Leite: "Novo", "velho"? Não vale fazer papel de bobo - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de julho de 2013 às 11h22

[…] João Franzin sobre o Dia de Lutas: Nacional e forte […]

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Marcos Coimbra: Quem topa a aventura? - Viomundo - O que você não vê na mídia

13 de julho de 2013 às 15h13

[…] João Franzin sobre o Dia de Lutas: Nacional e forte […]

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J Souza

13 de julho de 2013 às 13h48

O PT de antigamente:
José Dirceu
José Genoíno
Marina Silva
Heloísa Helena
Cristovam Buarque
Lula (…)
Olívio Dutra
Plínio de Arruda Sampaio
Mercadante (…)
Luiza Erundina
Fernando Gabeira
Soninha Francine
E outros.

O PT atual:
Alexandre Padilha
Paulo Bernardo
Gleisi Hoffmann
Dilma Rousseff
Mercadante (…continua)
José Eduardo Cardozo
Maria do Rosário
Lula (segurando a estrela solitária…)
Jorge Viana
E outros.

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Carlos Saraiva

13 de julho de 2013 às 09h28

Tentativa patética de explicar o fracasso. É fácil bancar carro de som e centenas de camisetas com um imposto arrancado à força de todos os trabalhadores criado numa ditadura fascista.

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Noronha

13 de julho de 2013 às 06h43

Eu não sabia que houve um acordo intersindical para excluir expressões como “Fora Dilma” da pauta de reivindicações no Dia Nacional de Lutas. Ainda assim, bandeiras do PT eram poucas e tanto Dilma quanto Lula não escaparam de críticas no asfalto e no palanque.
O PSTU clamava “contra a política econômica do governo Dilma, contra Alckmin e contra Haddad”; o Partido Pátria Livre “saudou o PT e saudou Lula” nos três minutos a que teve direito de som. Faixas chamavam Cardozo de Ministro da Injustiça e exigiam o mesmo reajuste salarial concedido aos ministros.

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J Souza

12 de julho de 2013 às 23h10

Não mudou nada com as manifestações!?
Mudou, sim…
Os empresários do transporte ganharam isenções tributárias e subsídios…
Os banqueiros viram os juros subirem e seus lucros engordarem mais uma vez… E a dívida vai aumentar… E mais cortes de gastos para pagar juros da dívida!
A rede Globo reforçou sua impunidade, mostrando que denúncias contra ela são inócuas…

Eu até entendo que o pessoal está tentando manter a moral da tropa, mas a Dilma não aceita mudanças na sua equipe “perfeita”… O governo aproveitou as manifestações para apenas reforçar as pautas que já vinha defendendo… E insiste em dizer que são a pauta “do povo”!
E o pessoal aqui festejando o “sucesso” do tal “dia nacional de lutas”???

Então tá bom, né?

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    Felipe

    13 de julho de 2013 às 17h21

    Pois é, esses atos estão mais pra cacofonia patética de uma burocracia que dorme sobre a bonança e acorda atrasada, assustada com o fato que outrora pintou.

    Sindicatos ainda não caíram na real não percebem que a base já não os sustenta – pois esses já não são mais a base -, e se encastelam na arrogância para não admitir que o povo não mais pede suas bênçãos pra lutar? Seu carro de som seria mais útil numa micareta de 1º de Maio!

    A estrutura que vocês queriam dominar absorveram suas falas tal como levaram Narciso.

Mídia global prova do próprio veneno | A Tal Mineira – Blog da Sulamita

12 de julho de 2013 às 22h37

[…] interessante o artigo sobre a manifestação sindical em São Paulo, publicado em Vi o Mundo. É lá também que se pode ter visão diferenciada sobre os protestos em Beagá, onde a mídia […]

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FrancoAtirador

12 de julho de 2013 às 22h35

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Dia Nacional de Lutas termina com protesto em frente à Rede Globo

Cerca de mil pessoas se reuniram quinta-feira, 11 de julho, no primeiro grande ato contra o monopólio da mídia na sede da Rede Globo em São Paulo. Os manifestantes renomearam a ponte Octavio Frias de Oliveira para Jornalista Vladimir Herzog e forçaram a Globo a noticiar o protesto invadindo com um laser a transmissão do SPTV.

Por Mailliw Serafim, na Carta Maior

Cerca de mil pessoas se reuniram quinta-feira na sede da Rede Globo em São Paulo, 11 de julho, pelo fim dos monopólios de mídia e por uma mídia mais democrática e transparente. O protesto ocorreu em outras cidades e encerrou o Dia Nacional de Lutas, convocado pelas centrais sindicais.

Os manifestantes começaram a se reunir por volta das 17 horas na Praça General Gentil Falcão.
A dificuldade de locomoção para a região atrasou o inicio do ato.
Por volta das 19 horas, com o fim das manifestações na Avenida Paulista, a manifestação ganhou corpo e partiu em passeata em direção à sede da Rede Globo.

Os manifestantes denunciavam o cenário de quase monopólio da mídia brasileira.

Na TV aberta, a Globo controla 73% das verbas publicitárias, embora tenha 43% da audiência.

A Globosat participa de 38 canais de TV por assinatura e tem poder de veto na definição dos canais da NET e da SKY, que juntas controlam 80% do mercado.

“A população está cada vez mais consciente de que a mídia brasileira é controlada por poucos que usam a informação por interesse próprio. As ruas percebem que a democratização da mídia é necessária para que exista, de fato, uma democracia”
disse Ana Flávia Marques, integrante do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes denunciaram o uso privado desse monopólio da informação por parte da Globo como suporte a interesses políticos contrários aos interesses da população.

“A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”, cantavam os manifestantes, que durante todo o percurso destacavam a manipulação da informação e a corrupção da rede globo.

“Globo mente”, “Globo sonega” gritavam.

A ação que mais causou comoção entre os manifestantes pelo seu forte conteúdo simbólico foi a renomeação da ponte Octavio Frias de Oliveira para Jornalista Vladimir Herzog, jornalista morto e torturado pela ditadura militar.

Constrangida após seus estúdios terem sido invadidos por um laser dos manifestantes durante a transmissão do SPTV (http://www.youtube.com/watch?v=iGcSYN00slI), a Globo noticiou o protesto como um grupo de cerca de 400 pessoas que protestavam naquele momento.
Nitidamente, o protesto era maior.

Com forte presença de bandeiras de partidos, não se escutou o repúdio a partido e vozes despolitizantes, como observado nas manifestações ocorridas no final do mês passado.

“É fundamental a presença dos partidos políticos e dos movimentos sociais nos protestos, a mídia criminaliza estes como forma de esvaziá-los politicamente.

A reforma da mídia é fundamental”, comentou a estudante Cindy Ishida.

(http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22344)
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MANIFESTANTE DERRUBA GLOBOCOP COM ARMA A LASER

Responder

Felipe

12 de julho de 2013 às 22h21

Centrais sindicais, “o novo sempre vem”! Será difícil admitir que os seus avanços são meras pinturas de um barraco prestes a desmoronar. Trocar por uma nova cor será trabalho em vão?! Deixa cair esse daí, vamos limpar o terreno para algo novo… O panfleto foi Panfleto na época da prensa, o megafone só era audível da praça da Indústria; uma, duas, três indústrias, e agora que a grande massa está espalhada por setores terceirizados e setores não formais da força de trabalho globalizada. Você tanto lutou sindicato, mas os postos de serviço só baixou, os direitos nem se fala… esfacelou. Mas o capital gira, gira e gira, giramos ele, nunca está na minha mão de fato, mas sempre esse gira. Não quero mais postos de trabalho na montadora, quero ar puro! Quero a terra de volta, não quero produtos envenenados das prateleiras…

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renato

12 de julho de 2013 às 20h42

Estão todos de parabens, menos os mascarados.
Estes não me representam.

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