VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Jeferson Miola: Evo ganhou e não levou. Os EUA vão respeitar o resultado de domingo na Bolívia?
Reprodução de vídeo
Política

Jeferson Miola: Evo ganhou e não levou. Os EUA vão respeitar o resultado de domingo na Bolívia?


17/10/2020 - 11h05

Eleição na Bolívia testará real compromisso da oligarquia continental e dos EUA com a democracia

Por Jeferson Miola, em seu blog

No próximo domingo [18/10] a Bolívia decidirá nas urnas qual modelo o país adotará para a exploração e industrialização da maior reserva de lítio do mundo.

Esta disputa se desenrola em torno de 2 modelos antagônicos.

Por um lado, a retomada do modelo soberano de industrialização e orientado para o desenvolvimento nacional que fora concebido ainda durante o governo Evo Morales e que, no pleito, está representado pela candidatura de Luis Arce, do MAS [Movimento ao Socialismo].

E, em contraposição, o modelo defendido pelos candidatos de direita e extrema-direita em linha com interesses estrangeiros, que consiste na desnacionalização e na entrega desta formidável riqueza a grupos multinacionais.

O lítio é um elemento químico de alto valor estratégico e econômico. É empregado nas indústrias química, farmacêutica e, principalmente, nas áreas de energia, eletrônica e produção automotiva.

Este “ouro branco”, como é chamado, está largamente presente no nosso cotidiano: em remédios antidepressivos, nas baterias de celulares e na maioria dos dispositivos eletrônicos.

Mas a aplicação do lítio será cada vez mais crescente na propulsão de veículos elétricos; uma realidade que nas próximas décadas desencadeará uma competição mundial pelo produto no contexto desta revolução tecnológica em curso.

É dominante no debate internacional a tese de que a derrubada de Evo Morales no golpe de novembro de 2019 é consequência da ofensiva dos capitais internacionais, na maioria estadunidenses, pelo combate às políticas de regulação e controle do governo boliviano em relação à cadeia de hidrocarbonetos [combustíveis minerais, como o gás] mas, principalmente, do lítio.

Elon Musk, o dono da fabricante de veículos elétricos Tesla, recentemente [junho/2020] confessou sua participação no golpe conduzido pelo secretário-geral da OEA Luiz Almagro a mando dos EUA.

Além de assumir o atentado contra a democracia do país andino, Musk ainda ameaçou: “Vamos dar golpe em quem quisermos! Lide com isso”.

Pesquisas realizadas por institutos bolivianos e estrangeiros indicam que Luis Arce, do MAS, poderá ser eleito já no 1º turno. A tendência, hoje, é que ele obtenha uma votação acima de 40% e, ao mesmo tempo, uma vantagem superior a 10% de votos em relação ao 2º colocado, o direitista Carlos Mesa.
De acordo com a lei boliviana, com este desempenho Arce seria eleito no 1º turno.

Isso, entretanto, não é garantia de que a oligarquia boliviana, que representa os interesses estrangeiros no país, respeite e aceite o resultado eleitoral e a soberania popular.

Suspeita-se que a oligarquia boliviana, com auxílio do exército de observadores [ou mercenários] da OEA, apoiados pelo governo Trump, promovam fraudes e falsifiquem o resultado eleitoral.

Ou, então, a hipótese mais traumática é a de que, ante o fracasso eleitoral, eles aprofundem a dinâmica golpista, imprimindo características ainda mais sanguinárias no massacre dos povos originários.

Na eleição de outubro de 2019 Evo Morales obteve 47,06% dos votos – fez 10,54% mais que Carlos Mesa [36,52%], tirando uma vantagem de 640 mil votos.

Apesar disso, contudo, o mercenário Luis Almagro/OEA fabricou um informe falso para tumultuar o processo político do país e legitimar o golpe perpetrado com extrema violência pela oligarquia dominante [aqui].

Está fartamente documentado que o governo Bolsonaro, por intermédio da embaixada do Brasil em La Paz, não só apoiou o atentado do Almagro/OEA, como teve participação ativa na conspiração que levou à derrubada do presidente legítimo.

E, além disso, o governo Bolsonaro participou da solução golpista [e bizarra] que legitimou a “autoproclamada” presidência de Jeanine Añez.

O capitalismo, em todas suas formas e estágios – da atual fase neoliberal, assim como nas etapas históricas pregressas [vide a Comuna de Paris, no longínquo ano de 1871] – já comprovou ser um sistema incompatível com a democracia e com a soberania popular.

A eleição na Bolívia no próximo domingo [18/10], se acontecer livremente com lisura, sem fraudes e sem interferência indevida, será um importante teste acerca do real respeito e compromisso da oligarquia boliviana e continental, assim como dos EUA, com a democracia e a soberania popular.



Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


Nenhum comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!