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Jeferson Miola: Até dia 19, o termômetro da eleição no Chile estará nas ruas; últimas pesquisas apontam crescimento de Boric
Política

Jeferson Miola: Até dia 19, o termômetro da eleição no Chile estará nas ruas; últimas pesquisas apontam crescimento de Boric


06/12/2021 - 10h21

Pesquisas apontam crescimento de Boric no Chile

Por Jeferson Miola, em seu blog

A duas semanas do 2º turno da eleição presidencial chilena, se acirra a disputa entre o progressista Gabriel Boric, pela Frente Ampla, e o ultradireitista José Antonio Kast, pelo Partido Republicano.

A vantagem apertada de Kast no 1º turno, de apenas 2,07% sobre Boric [146.610 votos], prenunciava uma disputa bastante difícil no 2º turno.

Todas as 9 pesquisas divulgadas no país desde 26 de novembro sobre a intenção de votos indicaram, entretanto, vantagem de Boric em relação a Kast.

A significativa variabilidade dos resultados encontrados, entretanto, ainda que sempre apontando tendência de vitória do Boric, desaconselha qualquer conclusão assertiva a respeito do prognóstico.

Os levantamentos desta última semana, mais homogêneos nos resultados, convergem na aferição de uma diferença pró-Boric ao redor de 6% – algo como 53% a 47%.

Este cenário, teoricamente, guarda coerência com a dinâmica de massas da campanha frente-amplista no 2º turno e traduz o assombro dos setores populares e democráticos da sociedade chilena com os riscos de retrocessos e de totalitarismo que Kast representa.

Esta presumível dianteira eleitoral de Boric pode representar o reequilíbrio da relação social de forças no país, que tem no processo Constituinte uma perspectiva majoritariamente progressista, popular e de esquerda. Boric é o candidato que melhor capta a ânsia da maioria do povo chileno por mudanças econômicas, sociais e institucionais.

Este quadro reflete, também, o maior potencial que possui Boric de se beneficiar da transferência de votos do eleitorado que optou por alguma das candidaturas derrotadas no 1º turno, sobretudo das que expressam compromisso com a democracia e as de recorte progressista.

Boric recebeu apoio da centrista ex-Concertación [Partido Socialista e Democracia Cristã], do Partido Progressista e de figuras destacadas na cena política nacional, como Carmen Frei, filha e irmã de dois ex-presidentes do país.

Kast, de outra parte, somente angariou apoio do candidato situacionista Sebastián Sichel, que carrega consigo a enorme rejeição do governo Piñera, do qual foi ministro até assumir a candidatura presidencial.

Já Franco Parisi, direitista demagogo que obteve surpreendentes 12,8% dos votos fazendo sua campanha exclusivamente por meio das redes sociais desde o Alabama, nos EUA [não pisou em solo chileno em toda eleição devido a problemas com a justiça] e ficou em terceiro lugar, à frente das candidaturas da UDI [Sichel] e da ex-Concertación [Provoste] – agrupamentos tradicionais que polarizavam a política chilena nos últimos 35 anos – rechaçou apoiar tanto Boric quanto Kast. Este posicionamento de Parisi beneficia, indiretamente, Boric.

Enquanto Boric recebe apoios de políticos e governantes mundiais progressistas como o ex-presidente Lula, do Brasil, a colheita de Kast na arena internacional não poderia ser mais prejudicial aos seus próprios interesses eleitorais.

Ele conta com o apoio, dentre outros, do presidente brasileiro Bolsonaro, com quem se identifica, e cuja associação transmite ao povo chileno a percepção do brutal desastre econômico e social promovido pelo seu análogo fascista do Brasil.

A legislação do Chile proíbe a divulgação de pesquisas nas duas semanas finais do pleito, ou seja, a partir deste sábado, 4 de dezembro.

De agora até o domingo de 19 de dezembro, portanto, o termômetro da campanha eleitoral estará nas ruas, na disputa renhida dos candidatos pelo voto da maioria chilena para conquistar o direito de dirigir o país no próximo período rico e complexo que se avizinha.

A eleição de 19 de dezembro não define somente quem presidirá o Chile, mas coloca o país diante da possibilidade ou não de continuar e aprofundar as duas transições em curso: [1] a transição para uma constituição republicana e democrática pós-pinochetista, e [2] a transição para um modelo econômico pós-neoliberal.

Ventos promissores sopram dos andes e alentam a confiança num futuro melhor, democrático, justo e pós-neoliberal na América do Sul.





1 comentário

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baader

06 de dezembro de 2021 às 10h51

e nós?
Franklin Martins disse ontem por aí q batalha na esquerda é coletiva, enqto.direita usa da individualidade. ele parece dizer q até lá (2022) haverá reconhecimento/mobilização dos beneficiados pelas políticas públicas do PT rumo à eleição de Lula. SERÀ? processo Cambridge Analytica – “supermicroindividualização” na comunicação – vem sendo procurado desde os 80 (“O século do eu” – Adam Curtis). Guerra hibrida vem desde os 50: golpe na Guatemala (no mesmo documentário) via CIA durou 4 anos até a vitória do império (“old fake news”) em 1954, ano da chegada de Stroessner e fim de Vargas. depois da eleição do miliciano, coisa impensável p/nós (“ele será vencido nos debates”: só q não houve debate e sim uma facada inventada pelos mesmos milicos das bombas nas bancas revista e do riocentro – sao capazes de tudo), nada nos garante a volta ao leito da civilização ano q vem, SIMPLESMENTE pq não há qq PROCESSO INSTITUINTE ocorrendo na sociedade, não há mobilização efetiva/espontânea/generalizada, não há reconhecimento, não há comunicação efetiva e principalmente não houve educação política desde q baniram PAULO FREIRE. sobrou uma completa incapacidade de uma enorme parte da pop q vota nessas peças q estão nos parlamentos e executivos dos três níveis país afora. o que aconteceu na sociedade BR nos anos 80 e q nos levou à constituinte talvez volte numa nova “onda progressista”, supõe-se (é da vida), mas nada no horizonte parece mostrar isso para breve. foram muitos anos perdidos e tantas oportunidades desperdiçadas pela sociedade bras., no mínimo desde 1964. eles têm o controle dos processos e nós não temos hoje combatentes à altura do desafio colocado (a esquerda se acostumou com ar condicionado e cargos e salários e assessores e etc – há exceções, claro). por enquanto, nobres movimentos como MST NÃO SÃO um exército. uma reação exigiria caráter das instituições/organizações/agentes. somos uma nação sem caráter! CUIDEMOS, pois já anunciaram o agente do imperialismo e o q vemos algures são desdéns qto. ao potencial desta candidatura.
é desolador.

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