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Jandira: Até quando enterrar, sem dó, nossos jovens?! Nos palácios do Planalto e Guanabara, os grandes responsáveis!
Câmara e Facebook de Jandira Feghali
Política

Jandira: Até quando enterrar, sem dó, nossos jovens?! Nos palácios do Planalto e Guanabara, os grandes responsáveis!


24/06/2018 - 11h33

Câmara e Facebook de Jandira Feghali

por Jandira Feghali, exclusivo para o Viomundo

O último e desolador momento que restou à mãe do estudante Marcos Vinicius, de 14 anos, foi a pergunta do jovem ensanguentado no chão de terra da favela da Maré: “Eles não viram que eu estava com roupa da escola, mamãe?”

Baleado por um tiro de fuzil a caminho do CIEP na comunidade, Marcos teve finalizado sonhos e a chance de construir sua vida.

Foi enterrado em meio ao sofrimento e revolta de uma população vulnerável e cotidianamente presente nos noticiários policiais pelas frequentes perdas de seus filhos, mulheres e homens, meninas e meninos, em geral pretas e pretos jovens e transformados em números frios de uma estatística crescente no Rio de Janeiro.

Mas algumas mortes “da Maré” repercutem muito e fazem deste tema a violência, algo assustador.

A violência urbana ou a violência política.

Marcos e Marielle.

Vila Vintém agora grita por Guilherme.

Rocinha, Alemão, e tantas outras favelas gritam pelos seus e suas.

E continua o nosso ruidoso questionamento: Até quando?

Como uma ação conjunta da polícia civil e do Exército, com helicópteros em rasantes e dando disparos numa área escolar, podem deixar o Governo do Rio e suas corporações incólumes?

É preciso investigação séria e célere sobre a responsabilidade da morte do estudante.

Pois em plena intervenção federal, junto da gestão Pezão e do MDB para conter a violência no Rio de Janeiro, vemos a marca das ações: improviso, sem planejamento inteligente, desprezo pela vida dos civis inocentes.

A camisa de Marcos com o brasão da rede estadual manchada de seu sangue é a prova disso.

Não é de hoje que alertamos que a intervenção em andamento no Rio não é solução para a grave crise de segurança experimentada no estado.

E quem está pagando com a vida o preço disso tudo é principalmente a parcela de sempre do povo.

A já discriminada em todas as dimensões da vida.

Os considerados e tratados como sub-cidadãos e eliminados na guerra contra os pobres. B

arbárie!

É preciso denunciar sistematicamente o desgoverno que só pensa em congelar investimentos, entregar nossas riquezas, sequestrar direitos e futuro e enterrar, sem dó, nossos jovens.

Nos palácios do Planalto e Guanabara, os responsáveis maiores!

De acordo com dados do último Atlas da Violência, publicação do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública , a taxa de homicídios no Brasil atingiu marca nunca antes vista.

Chegamos a 30 homicídios por 100 mil habitantes.

O texto sugere uma reflexão acerca do que chamam de “verdadeira crise civilizatória”.

Os dados falam por si.

Nosso estado e seus jovens clamam por políticas públicas de segurança há tempos.

Os remendos apresentados só têm agravado a situação e, se por um lado, parte da população apoiava  a intervenção federal, a maioria já entendeu que não trará solução.

Seu planejamento, só agora, quatro meses depois, foi apresentado à sociedade.

Vários são os desafios nesta área, mas são necessários investimentos em políticas públicas e uma capacitação nos três níveis de governo que permita a integração dos sistemas de inteligência e investigação, para maior eficiência e menor risco das ações.

Mas não nos esqueçamos que a desigualdade é mãe fervorosa da violência que massacra nossos jovens e lhes nega a oportunidade de um desenvolvimento pleno ou mesmo de viver.

E desigualdade não se combate com tanques nas ruas ou tiros que tombam crianças e adolescentes.

 *Jandira Feghali é médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da oposição
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3 comentários

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MAAR

25 de junho de 2018 às 11h46

Visto que até o presente momento não está disponível o comentário que encaminhei ontem à noite, e que não haveria nenhum motivo para o bloqueio do mesmo, reitero a seguir o encaminhamento, em face da possibilidade de alguma falha do sistema.

[segue a reiteração do referido comentário]

Registro aqui minha solidariedade ao povo oprimido da Maré e de tantas outras comunidades carentes vitimadas pela brutalidade policial.

Fato é que as agressões covardes e as inúmeras ilegalidades cometidas diariamente pelos agentes do estado, asseclas da insegurança pública, já constituem crimes hediondos. E a prática de realizar vôos rasantes de helicópteros para metralhar áreas densamente povoadas, constitui crime de guerra contra a população brasileira.

A violência policial testemunhada em nosso país precisa ser enfrentada na arena política, através do uso dos meios democráticos.

[Neste sentido, vale transcrever a seguir um breve comentário que escrevi no dia 22/06]

FRENTE AMPLA CONTRA A EXCEÇÃO E O EXTERMÍNIO

É preciso denunciar e repudiar em todas as esferas a barbárie desencadeada pelo estado policial, implantado pelo governo ilegítimo e temerário, que se apossou do poder para servir aos interesses predatórios da usurpação e da desestabilização.

Os crimes aviltantes cometidos pela brutalidade policial são de responsabilidade direta dos poderes executivo, legislativo e judiciário, que se mostram coniventes e cúmplices do extermínio genocida, evidenciado à exaustão na favela da Maré.

A inexistência de coibição rigorosa para obstar a prática das atrocidades perpetradas contra a população nos morros e nas periferias induz, de maneira direta, o acirramento da violência policial, conduzida à escala da desumanidade hedionda.

Urge promover a formação de uma frente política em defesa da ética e da dignidade, mediante lançamento de candidatura à presidência da república com compromisso real firmado sobre plataforma democrática, que tenha por base o efetivo e imediato resgate da legalidade constitucional, rompida pelos asseclas da construção do caos.

É indispensável que os partidos políticos que têm efetivo compromisso com as causas populares percebam a necessidade de construir um projeto de programa de governo de união nacional, capaz de reverter os retrocessos promovidos pelo estado de exceção mal dissimulado, que hoje vigora de fato, e que viola o estado democrático de direito.

Urge difundir uma plataforma política que fale e linguagem do povo, que seja feita por pessoas que tenham suas origens e suas vivências identificadas com a realidade do povo e que seja voltada para a garantia dos direitos sociais e do pleno respeito à dignidade humana, pois assim o povo saberá escolher seus verdadeiros representantes.

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MAAR

24 de junho de 2018 às 21h02

Registro aqui minha solidariedade ao povo oprimido da Maré e de tantas outras comunidades carentes vitimadas pela brutalidade policial.

Fato é que as agressões covardes e as inúmeras ilegalidades cometidas diariamente pelos agentes do estado, asseclas da insegurança pública, já constituem crimes hediondos. E a prática de realizar vôos rasantes de helicópteros para metralhar áreas densamente povoadas, constitui crime de guerra contra a população brasileira.

A violência policial testemunhada em nosso país precisa ser enfrentada na arena política, através do uso dos meios democráticos.

[Neste sentido, vale transcrever a seguir um breve comentário que escrevi no dia 22/06]

FRENTE AMPLA CONTRA A EXCEÇÃO E O EXTERMÍNIO

É preciso denunciar e repudiar em todas as esferas a barbárie desencadeada pelo estado policial, implantado pelo governo ilegítimo e temerário, que se apossou do poder para servir aos interesses predatórios da usurpação e da desestabilização.

Os crimes aviltantes cometidos pela brutalidade policial são de responsabilidade direta dos poderes executivo, legislativo e judiciário, que se mostram coniventes e cúmplices do extermínio genocida, evidenciado à exaustão na favela da Maré.

A inexistência de coibição rigorosa para obstar a prática das atrocidades perpetradas contra a população nos morros e nas periferias induz, de maneira direta, o acirramento da violência policial, conduzida à escala da desumanidade hedionda.

Urge promover a formação de uma frente política em defesa da ética e da dignidade, mediante lançamento de candidatura à presidência da república com compromisso real firmado sobre plataforma democrática, que tenha por base o efetivo e imediato resgate da legalidade constitucional, rompida pelos asseclas da construção do caos.

É indispensável que os partidos políticos que têm efetivo compromisso com as causas populares percebam a necessidade de construir um projeto de programa de governo de união nacional, capaz de reverter os retrocessos promovidos pelo estado de exceção mal dissimulado, que hoje vigora de fato, e que viola o estado democrático de direito.

Urge difundir uma plataforma política que fale e linguagem do povo, que seja feita por pessoas que tenham suas origens e suas vivências identificadas com a realidade do povo e que seja voltada para a garantia dos direitos sociais e do pleno respeito à dignidade humana, pois assim o povo saberá escolher seus verdadeiros representantes.

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lulipe

24 de junho de 2018 às 20h41

E o que essa hipócrita acha de enterrar policiais quase semanalmente??

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