Jamil Chade: Lobby protecionista vence e Parlamento Europeu bloqueia ratificação de acordo com Mercosul

Tempo de leitura: 3 min
16/01/2026: O presidente Lula durante reunião com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert/PR
 

Lobby protecionista vence e Parlamento Europeu bloqueia ratificação de acordo com Mercosul

Por apenas dez votos de diferença, deputados aprovaram acionar a Corte de Justiça da Europa para examinar pacto em processo que pode demorar 18 meses

 

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é bloqueado, após uma forte pressão de movimentos agrícolas e protecionistas do Velho Continente.

Nesta quarta-feira (21), em Estrasburgo, o Parlamento Europeu aprovou uma decisão para exigir que, antes de um voto de ratificação, o acordo seja levado para a Corte de Justiça da Europa. Na prática, isso significará que o processo de aprovação do tratado pode ser adiado para meados de 2027.

Um alto funcionário do governo brasileiro não escondeu a frustração. “Isso enterra o acordo”, alertou o negociador ao ICL Notícias.

O resultado é também considerado como uma dura derrota para a Comissão Europeia, liderada por Ursula Van der Leyen. Nas redes sociais, a liderança do bloco apenas “lamentou” a decisão, enquanto eurodeputados favoráveis ao acordo alertaram que a medida para protelar o pacto era “irresponsável”.

A poderosa Associação de Veículos da Alemanha, interessada em exportar mais para os mercados do Brasil e Argentina, também criticou a decisão.

“Existe um risco real de que os Estados do Mercosul percam a paciência com a UE neste caso, comprometendo o acordo como um todo”, afirmou a entidade.

Os fabricantes alemães querem, agora, que Bruxelas opte por seguir com a implementação provisória do acordo, enquanto espera pela decisão final da Corte de Justiça. Essa opção jurídica existe. Mas tal manobra teria um elevado custo político para a Comissão Europeia que já vive uma situação de profunda fragilidade.

Reunidos em frente ao Parlamento Europeu, os agricultores explodiram em festa ao saberem do resultado.

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“Podemos nos orgulhar. Estamos exaustos, trabalhamos neste assunto durante meses e meses, anos”, disse Quentin Le Guillous, Secretário Geral dos Jovens Agricultores.

O chefe da diplomacia da França, Jean-Noël Barrot, também comemorou.

“A França está disposta a dizer não quando necessário, e a história muitas vezes comprova isso”, acrescentou. “A luta continua, para proteger nossa agricultura e garantir nossa soberania alimentar”, insistiu.

Caberá aos tribunais europeus examinar se, primeiro, o pacto não viola os tratados da UE. Nas horas que antecederam ao voto, mais de mil tratores cercaram o Parlamento.

O pacto comercial, depois de 25 anos de negociações, foi assinado no último final de semana em Assunção, no Paraguai. O fim do processo foi comemorado por governos sul-americanos e pela Comissão Europeia como uma resposta ao desmonte do multilateralismo promovido por Donald Trump.

Mas sua assinatura não representou sua entrada em vigor. A França não havia dado sua chancela ao processo e, nos bastidores, apoiou parlamentares europeus a frear a ratificação.

Assim, uma proposta feita por cinco grupos políticos representando 21 nacionalidades diferentes, mais de 150 eurodeputados declararam que “a Comissão Europeia ultrapassou o seu mandato ao dividir o acordo entre as suas vertentes comercial e política, a fim de contornar a aprovação dos parlamentos nacionais durante o processo de ratificação”.

A ala protecionista precisava de uma maioria simples de votos, o que foi obtido por apenas dez votos de diferença. A ala protecionista obteve 334 votos, contra 324 apoios pelo acordo. Onze deputados ainda optaram por se abster.

Até que a Corte examine o tratado, isso congelará qualquer ratificação por pelo menos dezoito meses.

O voto nesta quarta-feira ainda gerou um fato raro: todos os 81 eurodeputados franceses, da extrema esquerda à extrema direita, apoiaram a ideia do encaminhamento da questão ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

Para pressionar os deputados, o setor agrícola europeu passou a hostilizar a produção brasileira na opinião pública. Com medo de perder apoio eleitoral, muitos parlamentares optaram por não sair em defesa do tratado com o Mercosul.

Antes do voto, o líder do PPE (movimento de centro-direita), o eurodeputado alemão Manfred Weber, descreveu o pacto de livre comércio com o Mercosul como um “acordo anti-Trump”.

Os defensores do acordo esperavam que as ameaças do presidente americano convencessem aqueles que hesitam sobre a necessidade urgente de encontrar novos parceiros comerciais.

Na extrema direita, porém, houve um racha. O partido polonês PiS apoiou bloquear a aprovação do acordo, enquanto os italianos do Fratelli d’Italia optaram por um apoio ao Mercosul.

Embora o Tribunal certamente leve muitos meses para chegar a uma decisão, a Comissão Europeia poderia anular a sentença entretanto.

Os tratados europeus permitem a aplicação provisória do acordo caso a ratificação seja adiada. Mas, neste caso, uma batalha política sem precedentes seria aberta na Europa.

*Jamil Chade percorreu mais de 70 países,cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

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Zé Maria

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Bloco de Esquerda aprova apelo ao voto
no Candidato do Partido Socialista Português
e critica “inqualificável” silêncio dos partidos
governistas PSD e IL.

O coordenador do Bloco de Esquerda apela,
sem hesitações, no voto em António José
Seguro (PS), “pela democracia” e “contra a
extrema-direita”, no segundo turno das
Eleições Presidenciais em Portugal, que se
realizará no próximo dia 8 de fevereiro.

“Na segunda volta nós vamos ter um confronto
entre um candidato pela democracia e um candidato
contra a democracia, e neste contexto o Bloco acha
absolutamente inqualificável o silêncio das lideranças
de PSD e IL”, declarou José Manuel Pureza, em conferência
de imprensa, na sede nacional do BE, em Lisboa.

O coordenador do BE acrescentou que “o Bloco
evidentemente que não hesita e por isso mesmo
os órgãos de direção do Partido assumiram e
aprovaram a posição de apelar ao voto em António
José Seguro (PS) para derrotar André Ventura (Ch)
e impedir que a extrema-direita chegue ao Poder
nestas eleições presidenciais”.

A candidata presidencial apoiada pelo Bloco, que
não obteve êxito no primeiro turno, a eurodeputada
Catarina Martins, ex-coordenadora do partido,
declarou no domingo que irá votar em Seguro (PS),
no segundo turno.

Quanto ao PSD e à IL [Iniciativa Liberal], José Manuel Pureza considerou que “há ainda um outro resultado
a sublinhar que é o resultado que é a derrota clamorosa
de Luís Marques Mendes, candidato governista, que arrastou o Governo para a derrota que sofreu nesta primeira volta”, sustentou, apontando o primeiro-
ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro,
como “um dos principais derrotados”.

Pureza apelou a todas as pessoas que concordaram
com a sua mensagem, mas optaram por “um voto
tático” noutro candidato, para que se juntem às lutas
do BE “contra a política do Governo” PSD/CDS-PP.

[Com informações de Lusa e SIC Notícias]

Alexandre melo martins

Será que morrerá no berço o acordo caracu, onde a UE entra com a cara e nós com o resto.

Marco Paulo Valeriano de Brito

SIGO CONTRA O ACORDO MERCOSUL – UNIÃO EUROPEIA E AGORA VEJO QUE NÃO ESTOU SÓ

Escrevi contra esse acordo Mercosul-UE, mas sou um Enfermeiro-Sanitarista, quem me daria crédito neste tema, pois bem, o Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal, e tem firme convicção contra esse acordo de vassalagem e competência doutoral para escrever sobre esse absurdo entreguismo do nosso futuro, que “perpetua desigualdade e subalternidade”.

https://share.google/JK4AEG25Bwn1obVAX

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LUZES EM AMBOS OS LADOS DO EUROMERCOSUL TUNEL

Do lado europeu ganham os agricultores e do nosso lado sul-americano o nosso futuro industrial, científico, tecnológico e a autonomia do desenvolvimento sustentável dos nossos povos.

____________________//________________

Nesse caso há males que vem para o bem da América Latina.

Esse acordo EUROMERCOSUL seria catastrófico para o nosso desenvolvimento sustentável a longo prazo.

Agradar o agronegócio brasileiro para intenções políticas imediatas é negligenciar o Brasil.

Nossa Nação (e a América Latina) precisa ir além do plantation e do eurocentrismo.

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Sigam a ‘Lógica Brizola’

“Se a Globo (Direita/Extrema-Direita/Centrão) é a favor faz mal ao Brasil, se a Globo é contra faz bem ao Brasil”.

Simples assim!

A Globo está entusiasmadíssima com esse Acordo Mercosul – UE.

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A UNIÃO EUROPEIA NÃO TEM QUE SER A NOSSA PRIORIDADE GEOESTRATÉGICA E GEOECONÔMICA

O Brasil precisa aderir, enquanto há tempo, a Nova Rota da Seda – Cinturão e Rotas com a China.

Ampliar o Mercosul por toda a América do Sul, Latina e Caribe.

Criar a médio prazo uma Zona Latino-Caribe (União das Nações Latino-Americanas e Caribenhas).

Por fim, a longo prazo, criar uma Moeda Comum da Zona Latina-Caribenha, o ‘LATINO’.

Ampliar parcerias concretas com a África.

Fincar relações estratégicas com a ASEAN.

SE consolidar como uma das Nações líderes do Sul Global.

Marco Paulo Valeriano de Brito
Enfermeiro-Sanitarista, Professor e Gestor Público

https://share.google/3hwRKqaK0AR6LXt7U

Zé Maria

https://t.co/Wo2IlXdOYA

“O Acordo com a UE é muito prejudicial
para os países do Mercosul, em especial
para o Brasil.”

Economista PAULO KLIASS

https://x.com/VIOMUNDO/status/2013634149148508670

https://www.viomundo.com.br/politica/paulo-kliass-acordo-uniao-europeia-mercosul.html

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