Marcelo Auler: Observações de um velho repórter sobre o caso Master

Tempo de leitura: 2 min
Daniel Vorcaro, antes e após ser preso

Por Marcelo Auler*, em seu blog

Reparo que todo o debate sobre o Caso Master gira em torno do papel do ministro Alexandre de Moraes, de sua mulher, do contrato do escritório dela e, às vezes, das questões relacionadas ao ministro Dias Toffoli. OK, eles precisam se explicar, mas não apenas eles.

Afinal, certamente eles não foram os responsáveis pelos rombos.

Ou terá sido eles que autorizaram Daniel Vorcaro adquirir o Banco Máxima (hoje Master), entrando no seleto clube dos banqueiros?

Foram eles que deixaram o banco vender CDIs com remuneração acima do normal sem qualquer fiscalização?

Ajudaram diretamente o banco a lesar milhares de “investidores”?

Contribuíram diretamente com o rombo de mais de R$ 50 bilhões?

Enquanto a grande mídia gasta horas falando desses personagens, quase ninguém mais relembra daqueles que envolveram dinheiro público no banco.

Tipos como os governadores Ibaneis Rocha (DF), Cláudio Castro (RJ), os administradores de Macapá e seus padrinhos políticos, além de diversos outros prefeitos e administradores de fundos de previdência públicos, que nós ainda não conhecemos, nem corremos atrás como jornalistas.

Cobranças a serem feitas

Quem do jornalismo econômico cobrará do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (02/2019 a 01/2025), a falta de fiscalização no banco Máxima/Master e o convívio heterodoxo de diretores e gerentes da sua gestão com Vorcaro?

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Também a mídia praticamente não fala – nem buscou explicações com o próprio – do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que apresentou um projeto para ajudar o Vorcaro a roubar mais, respaldado no Fundo Garantidor?

Foi mera coincidência? Por que será que Vorcaro comemorou tal iniciativa nas conversas com a namorada?

Não se cobra também o Nikolas Ferreira (PL-MG) que fez campanha para Jair Bolsonaro no jatinho do Master. Nem políticos como Ciro Nogueira e Antônio de Rueda (União-PE) – entre outros – que aparecem como beneficiários de caronas nos helicópteros do banco.

Meros favores? Algo que aconteceu ao acaso, ou já estava previamente acertado?

Nem se questiona Jair Bolsonaro (PL), seus filhos e o governador Tarcísio Freitas (Republicanos-SP) por terem recebido doações extraordinárias para suas campanhas. A troco do quê? Pura generosidade? Sem nada em troca?

Ou seja, jornalistas calejados e novatos estamos fazendo o papel que a direita quer: focando em alvos diversos – como o STF, o Moraes, sua mulher e Toffoli (que, como disse, devem explicações), mas deixando de lado aqueles que realmente se beneficiaram – e muito – do esquema de roubos.

É preciso pensarmos em pautas que revertam isso e tragam aos leitores e eleitores os demais envolvidos nesse que é classificado como o maior escândalo financeiro da nossa República.

*Marcelo Auler é repórter há 52 anos.

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Comentários

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Marcelo Sant’Anna

Texto inteligente e conciso, dada a abrangência do caso. Destaca os aspectos principais do caso Master, excluídos da pauta seletiva da mídia corporativa, para encobrir os verdadeiros beneficiários da fraude e colher dividendos políticos apenas com base em factoides. Como o texto diz, é preciso trazer para a pauta aquilo que até agora esteve silenciado, se não for possível a pauta corporativa, pelo menos as demais

Nelson

Caro amigo Márcio Gaúcho.

A meu ver, trabalhadore(a)s e o povão em geral, ou seja, a grande maioria da população, nada, absolutamente nada, podemos esperar dos órgãos da mídia hegemônica.

Analisando a coisa a frio, esses órgãos são, no fundo, empresas capitalistas, e, como tal, buscam o lucro para seus donos e/ou acionistas.

Dito isto, quando instada a optar entre o dinheiro do patrocínio ($$$$) e a liberdade de imprensa, essa mídia vai, sem qualquer prurido, escolher o primeiro.

E, como ao povão em geral não sobra grana para investir na mídia hegemônica – é o grande capital que tem, até porque nos suga o tempo todo -, as “verdades” que nela serão divulgadas serão sempre aquelas que satisfazem os interesses apenas de um “lado”.

Nelson

Eu já tinha recebido este excelente texto do Auler.

O jornalista aborda o tema na dose certa; deu uma aula de como escrever para o povo em geral, de forma jornalística e ao mesmo tempo de forma opinativa. Digo isto, porque vejo nossos escribas da esquerda muito preocupados em defender o Lula e o PT em seus textos.

Creio que essa postura acaba espantando possíveis leitores, quando não rotulando os autores dos textos, na mente desses leitores, como esquerdistas fanáticos. Por fim, essa postura acaba fazendo com que os possíveis leitores nunca mais voltem a ler algo escrito por um tal articulista que se pôs a defender, às vezes de forma um tanto desmesurada, a esquerda, o PT e o Lula.

Corretamente, Auler não livrou a cara dos ministros do STF, que devem pelo menos explicações claras ao povo, ao mesmo tempo em que cutucou fundo onde é preciso cutucar.

E não precisou nem tocar no nome do Lula, falar do PT ou mesmo citar a esquerda.

Auler foi sucinto, perfeito e, sem muito alarde, escancarou a seletividade da mídia hegemônica.

Creio que, para atingir mais pessoas com incisividade, maior possibilidade de convencimento, os textos da nossa turma da esquerda deveriam seguir esse modelo.

Vou enviar o texto para uns bolsonaristas que tenho aqui no Zap.

marcio gaúcho

A grande imprensa tem lado!

Zé Maria

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Este Power Point vai Além da Mera Convicção:
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