Crise do petróleo reforça papel da Petrobras e conteúdo local, afirma especialista

Tempo de leitura: 2 min
Wagner Victer (foto de Octacilio Barbosa, Alerj)

Disparada dos preços dos contratos de petróleo detonam teoria tosca de perda da importância da commodity e reforça papel da Petrobras.

Por Marcos de Oliveira, Monitor Mercantil

As fortes oscilações dos preços dos contratos futuros de barril de petróleo nos mercados internacionais – que atingiram uma máxima de US$ 120 no final de semana, cedendo para US$ 98 na segunda-feira e US$ 88 nesta terça-feira, podendo disparar novamente amanhã – deveriam ser motivo de reflexão para aqueles que, por inocência ou por desinformação, ainda acreditavam que o petróleo seria uma mera commodity.

“O que está acontecendo, diante da nova geopolítica global, refletindo no comportamento de preços e no risco desabastecimento de muitos países, joga por água abaixo, essa teoria tosca e manipulada que alguns ainda defendiam no Brasil”, critica Wagner Victer, ex-secretário de Energia e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro.

“O que vemos fortalece, de forma inconteste, a importância de termos uma empresa de petróleo estatal, como a Petrobras, atuando no Brasil com uma forte produção de petróleo interna associada à capacidade de refino, evitando a volatilidade de preços e, principalmente, garantindo o abastecimento, enquanto alguns segmentos e refinarias que foram privatizadas não demonstram comprometimento com o abastecimento nacional e já estão explodindo os preços”, prossegue o especialista.

Para Victer, o momento reforça que as políticas públicas devem, cada vez mais, fortalecer nossa cadeia local de fornecedores de itens críticos associada à importância de produzir e refinar petróleo internamente, garantindo nossa segurança energética.

“Ao mesmo tempo, demonstrando, para o mundo, o Brasil como sendo uma fonte confiável de abastecimento de petróleo que estará presente, por muitas décadas, ainda dentro dessa interconexão internacional energética”, finaliza o ex-secretário.

Para subir, não depende?

Na coluna de ontem, comentamos sobre a pressão de importadores de combustíveis para forçar a Petrobras a aumentar os preços da gasolina e do diesel nas refinarias, embora a estatal faça a extração de petróleo no Brasil, a milhares de quilômetros do Estreito de Ormuz.

Em janeiro, quando a Petrobras reduziu o preço da gasolina, a diferença foi apropriada pela distribuição/revenda e não chegou ao consumidor.

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Nesta semana, alegando a alta dos preços do barril de petróleo no exterior, postos de São Paulo elevaram os preços dos combustíveis em até R$ 0,50. Frase dita em entrevista ao UOL pelo presidente do Sincopetro, entidade dos varejistas, sobre o motivo de os preços demorarem a cair ao consumidor, na baixa, é esclarecedora e confirma o que a coluna disse ontem: “Depende mais da concorrência.”

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Comentários

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Zé Maria

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Entrevista: ALEXSANDRO FREY PEREIRA,
Diretor do Sindicato dos Petroleiros do
Rio Grande do Sul (Sindpetro/RS)

Os ataques dos Estados Unidos ao Irã abriram,
como parte da crise geopolítica global, um
cenário de grande preocupação quanto ao preço
internacional do petróleo.

A forma como esse cenário já afeta o Brasil se
relaciona com o contexto de privatizações
realizadas em governos recentes e, por outro lado,
com medidas do atual governo para conter a alta
dos preços.

Para tratar dos diversos ângulos desse tema,
o Sintrajufe/RS entrevistou o diretor do Sindicato
dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindpetro/RS)
Alexsandro Frey Pereira.

Desde o primeiro ataque do governo de Donald Trump
ao Irã, o preço internacional do petróleo começou
a subir.

As disputas em torno do Estreito de Ormuz, por onde
passa o comércio do combustível, agravaram os
problemas.

Na última segunda-feira, por exemplo, o preço subiu 9%,
ultrapassando a marca de 100 dólares o barril,
mesmo com liberação recorde de reservas de
petróleo por países-membros da Agência Internacional
de Energia (AIE).

No Brasil, apesar do controle da Petrobras pela União,
os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL)
privatizaram diversas refinarias, o que reduziu a
capacidade do governo de evitar o aumento dos
preços – que tem influência em toda a economia.

Mesmo assim, o preço do diesel no Brasil não sofria
reajustes desde maio de 2025.

Agora, porém, o governo Lula (PT) anunciou aumento
de R$ 0,38 por litro, passando para R$ 3,65.

Os demais combustíveis não sofreram reajuste.

“Mesmo após essa atualização, no acumulado
desde dezembro de 2022, os preços de diesel ‘A’
vendido às distribuidoras registram redução acumulada
de R$ 0,84 por litro, o equivalente a uma queda de
29,6%, considerada a inflação do período”, disse
em nota a Petrobras.

O impacto desse aumento para os consumidores,
no entanto, deverá ser menor.

A projeção da Petrobras é de que o consumidor
sinta impacto de R$ 0,06.
Isso porque o governo anunciou medidas de contenção
dos preços: zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre
o diesel para importação e comercialização do diesel,
anunciou uma subvenção à qual a Petrobras aderiu
e aumentou o imposto de exportação sobre petróleo
de zero para 12%.

A avaliação do governo é de que há “lucros extraordinários”
e “abusos recorrentes” no setor, que acabam prejudicando
os consumidores e a economia do país.

Para tratar dos diversos ângulos desse tema,
o Sintrajufe/RS entrevistou o diretor do Sindicato
dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindpetro/RS)
Alexsandro Frey Pereira.

Veja abaixo a íntegra da entrevista:

https://sintrajufe.org.br/entenda-como-privatizacoes-de-temer-e-bolsonaro-fragilizaram-a-capacidade-brasileira-de-enfrentar-aumento-do-petroleo-provocado-pela-guerra-de-trump/
.

Zé Maria

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“De Gaza ao Irã: A Visão Distópica de isRéu”

No Monitor do Oriente Médio

https://www.middleeastmonitor.com/20260311-israels-dystopian-vision-from-gaza-to-iran-palestine-this-week/
.

Zé Maria

https://pbs.twimg.com/media/HDPFCi0bQAATzV5?format=jpg

“Adotamos hoje um conjunto de ações
para proteger a população da alta
internacional do preço do petróleo
causada pela guerra no Oriente Médio.

Zeramos os impostos federais sobre o diesel
e garantimos subvenção aos produtores e
importadores para reduzir o preço do óleo diesel
na bomba.

Também estamos aumentando a capacidade
da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP) de fiscalizar o mercado
de combustíveis para coibir o aumento abusivo
de preços e outras ações lesivas aos consumidores
brasileiros.

Nosso objetivo é evitar que a população brasileira
arque com o custo de uma guerra”…

Luiz Inácio LULA da Silva
Presidente do Brasil
https://x.com/LulaOficial/status/2032184874463846830
.

Zé Maria

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O ministro das Relações Exteriores do Irã,
Abbas Araqchi, descartou a postagem apagada
de Wright como desinformação deliberada.

“Autoridades americanas estão divulgando
notícias falsas para manipular os mercados”,
escreveu ele nas redes sociais.

“Isso não os protegerá do tsunami inflacionário
que impuseram aos americanos.”

Araqchi alertou ainda que os mercados globais
de petróleo enfrentavam a sua “maior escassez
da história”, superando o impacto combinado do
embargo de petróleo árabe, da Revolução Islâmica
do Irã e da invasão do Kuwait.

A interrupção no Estreito de Ormuz já fez disparar
os preços do petróleo, com a Associação Automobilística
Americana (AAA) relatando um aumento de 43 cents
nos preços da gasolina nos EUA na última semana.

O preço médio atual é de US$ 3,54 por galão (94 cents por litro).

A oposição pública à guerra com o Irã permanece alta nos EUA.

Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac divulgada
na segunda-feira revelou que 53% dos eleitores
americanos se opõem fortemente a uma ação militar
contra o Irã.

Uma pesquisa separada da Reuters-Ipsos na semana
passada mostrou uma desaprovação ainda maior,
com 60% dos entrevistados se opondo à guerra.

https://tasnimnews.ir/en/news/2026/03/11/3537701/iran-mocks-us-over-deleted-claim-of-navy-escorting-oil-tanker-through-strait-of-hormuz
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Zé Maria

https://tasnimnews.ir/en

“As Forças Armadas da República Islâmica do Irã
não permitirão a exportação de um único litro de petróleo da região até segunda ordem”

General Ali Mohammad Naeini
Porta-Voz da Guarda Revolucionária Islâmica.
https://tasnimnews.ir/en/news/2026/03/10/3536824/irgc-threatens-to-halt-regional-oil-exports-in-response-to-us-israeli-aggression

“Não permitiremos que nem um único litro de petróleo
passe pelo Estreito de Ormuz em benefício dos Estados Unidos e seus aliados”

Porta-Voz do Quartel-General Central
Khatam al-Anbiya do Irã.
https://tasnimnews.ir/en/news/2026/03/12/3538532/no-oil-benefiting-us-allies-allowed-to-pass-through-hormuz-strait-iran
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Nuno Lima Melo Filho

Aliás, a propósito da crise do petróleo, os donos de Postos de Gasolina, em crime contra economia popular, estão aumentando de véspera, os preços dos combustíveis. E para anular tais descalabros, o Governo Lula deveria criar um Aplicativo(APP), que informasse a população os os Postos de Combustíveis que, regionalmente, praticam preços menores. Contribuindo com tal medida, inclusive, a alta da inflação..
Att.

Zé Maria

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“Preparem-se para o barril a US$ 200,
porque o preço depende da estabilidade
que vocês desestabilizaram”

Ebrahim Zolfaqari
Porta-Voz Militar Iraniano
.

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