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Israel Gonçalves: Maia, Baleia e Lira são farinha do mesmo saco
Com o texto da reforma da Previdência e acompanhado de Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia),  Jair Bolsonaro posa com os presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre . Foto: Xinhua/Marcos Correa/Presidência de Brasil
Política

Israel Gonçalves: Maia, Baleia e Lira são farinha do mesmo saco


13/01/2021 - 10h50

Polêmica na política, onde?

Por Israel Aparecido Gonçalves

A única polêmica política da eleição da Câmara dos Deputados Federais e do Senado, foi a tentativa de Rodrigo Maia (DEM/RJ), presidente da Câmara dos Deputados e Davi Alcolumbre (DEM/AP), presidente do Senado buscarem um respaldo jurídico para tentar se reeleger, fato proibido pela Constituição Federal de 1988, no seu artigo 57, parágrafo § 4º que afirma de forma explícita: “Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente.”

Quando dois políticos de renome tentam driblar a lei para seus próprios interesses demonstra mais sobre a personalidade do sujeito do que a sigla partidária que habita.

A questão política da reeleição foi então judicializada, o fato resolvido.

O Supremo Tribunal Federal, desta vez, leu a Carta Magna e fez cumprir o que estava escrito (fácil, né?) e impediu a recondução aos cargos de Maia e Alcolumbre, na mesma legislatura.

Qualquer apoio político aos indicados desses dois parlamentares é concordar que a lei pode, quando for necessário, ser interpretada para interesses privados.

No caso da Câmara Federal, o Rodrigo Maia, eleito pela primeira vez presidente da Câmara, em 2016, em uma onda dentro do parlamento de “fora Cunha”, ou seja, deputados queriam a cassação de Eduardo Cunha (PMDB/RJ), articulador do impeachment de Dilma Rousseff.

Ele foi afastado em cinco de maio daquele ano, pelo então ministro do Supremo Teori Zavascki, que considerou correta a acusação de que Cunha, na presidência, usava o cargo para atrapalhar investigações contra ele e a Lava Jato.

Rodrigo Maia passou dois anos e meio driblando os parlamentares de esquerda que votaram nele em julho de 2016, para não colocar o impeachment de Temer no plenário da Câmara, mesmo com evidências claras, como foi o caso de Joesley Batista, ocorrido em maio de 2017.

Assim, Maia passa os anos de 2016 e 2018 como presidente da Câmara, sendo reeleito parlamentar para o quinto mandato consecutivo, após as eleições de 2018.

Ele concorre e é reeleito para mais dois anos de mandatos, em 2019 e 2021, como presidente da Câmara.

Maia passou quatros anos no comando da casa dos “nobres parlamentares”, apoiando o presidente golpista e liberal Michel Temer (MDB), de 31 de agosto de 2016 e 01 de janeiro de 2019, o negacionista e anti-vacina Jair Bolsonaro, e virou em 2021, um político oposicionista deste último governo?

A resposta é: não! Rodrigo Maia, continua Liberal, articulador da aprovação da reforma da previdência de 2 de novembro de 2019, engavetador dos pedidos de impeachment de Bolsonaro, entre outros itens que compõe um integrante de um partido de direita, o DEM.

A mudança está no governo federal, cansou de ficar dependendo de Maia, que ora elogia, ora critica abertamente o governo.

Bolsonaro é vaidoso e quer submissão total, não aceita disputa no discurso político.

A disputa do comando da Câmara para 2021 e 2022, está entre o deputado Arthur Lira (PP/AL), apoiado explicitamente pelo governo federal, e o deputado Baleia Rossi (PMDB/SP), que tem apoio de Maia, que serviu o governo por dois anos.

Entre as duas candidaturas não tem nada de novo, pouco mudará na relação entre governo e parlamento.

A diferença é que Lira abriu o jogo e apoia um governo em colapso.

Lira, talvez apoie o governo por cargos nos ministérios, por mais verbas aos deputados e vaidade política.

Já Rossi é a candidatura fingida.

Finge que será mais democrático, finge que fará oposição, que não buscará ter cargos no governo, porém o MDB é o maior partido fisiológico do país.

Está no poder central, quase de forma ininterrupta desde 1985 e é o partido de Temer, o golpista.

O lamentável já foi em outubro de 2018, e o atual cenário na Câmara dos deputados não é de polêmicas ou disputas entre polos políticos antagônicos, mas apenas reorganização da direita que se fragmentou entre 2019 e 2020.

Nessa toada segue a esquerda e seu jeito tímido de ser fisiológico a apoiar os amigos do rei, no sonho de estar mais perto dos holofotes da grande mídia para propagar o mantra que a elite econômica está no poder político e é preciso mudar, mudar os políticos na próxima eleição, bravo!

Agora é hora de a política ser restabelecida na base da sociedade, com as associações de moradores, sindicatos, igrejas e partidos políticos que realmente querem conjugar a Política aos interesses reais da nação brasileira, ou seja, gerar emprego para os milhões de desempregados, com a inclusão de jovens nas universidade públicas, valorização da ciência e das artes, um Sistema Único de Saúde – SUS com atendimento de qualidade à sociedade e que o dinheiro público seja destinado para as benfeitorias urbanas.

São essas demandas que devem ser debatidas na agenda política e a principal polêmica é entender porque um país rico como é o Brasil, ainda mantém tanta desigualdade social em seu território.

*Israel Aparecido Gonçalves é Cientista Político e autor do livro “Reflexões: educação, sociedade e política”. São Paulo. Scortecci, 2019.





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