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Israel Gonçalves: Fracassados na missão institucional, militares vão atrás de salários generosos
Fernando Frazão/Agência Brasil
Política

Israel Gonçalves: Fracassados na missão institucional, militares vão atrás de salários generosos


23/06/2020 - 15h38

O Exército é o fiel da balança?

Por Israel Aparecido Gonçalves*

O país vive uma guerra discursiva entre o Presidente da República e outras instituições de relevância democrática, a exemplo do Supremo Tribunal Federal e o mapa desse conflito demonstra que Bolsonaro está perdendo espaço político.

Ao lado do Presidente, de forma serviçal, encontra-se o Exército.  

Mas por quê?

Primeiramente deve-se lembrar que o Exército brasileiro tem a missão de defender as nossas fronteiras, em especial a terrestre.

Por fazer fronteira com quase todos os países da América do Sul, o nosso país pode ficar vulnerável ao tráfico de drogas, de animais, de armas e de imigrantes ilegais.   

O Exército ainda não conseguiu garantir total segurança a nossas divisas, talvez por falta de soldados, de dinheiro ou de estratégias.  

Ao Exército também é permitido assumir a função de Garantidor da Lei e da Ordem (GLO) interna como, por exemplo, as intervenções do Exército no Rio de Janeiro.

A propósito, as empreitadas da Instituição na cidade “maravilhosa” em nada reduziram os atos de violência naquele município.

Entende-se que o problema da violência carioca não foi e nem será resolvido por Forças Armadas.

Diante dessas constatações, é notório que o Exército não consegue garantir a segurança das fronteiras e nem da ordem interna, ou seja, mostra-se duplamente incompetente.

Mesmo não conseguindo efetivar seus compromissos constitucionais — de zelar pelas fronteiras e pela ordem pública — o Exército aderiu politicamente ao governo Bolsonaro.

Militares saíram dos seus clubes e da reserva para ocuparem um espaço central no governo federal.

Observam-se muitos deles em ministérios e nos bastidores dos palácios em Brasília.

Bolsonaro tem, pois, mais militares no governo do que o regime político venezuelano.

Militares treinados para a guerra, mas inaptos para a política.  

Um exemplo desta inabilidade militar na governança é o ministro da Saúde, que além de não conhecer sobre a Saúde Pública, desconhece a geografia brasileira.

Outro fato mal explicado é militar prestigiando bandeiras estrangeiras como a de Israel e a dos EUA em atos políticos, ou seja, o patriotismo institucional é deixado de lado por causa das ideologias políticas.

Por último, percebe-se que a mistura do fuzil com política é tática oportunista para ajudar amigos da caserna a ganhar salários generosos sem sujar as botinas.

Assim é o Exército o fiel da balança de um governo irresponsável e cuja popularidade cai dia a dia.

Essa Força Armada deixou para uma nota de rodapé seu prestígio institucional e optou por um jogo sujo de um governo que aposta em uma “guerra de palavras”.

Como disse a poeta: “palavras apenas, palavras pequenas, palavras” para um país gigante por natureza.  

*Israel Aparecido Gonçalves é autor de quatro livros,Cientista Político e doutorando em Sociologia Econômica (UFSC)

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18 comentários

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Zé Maria

24 de junho de 2020 às 22h51

“Não há Poder acima do outro,
e Forças Armadas não são Poder”,
diz Cármen Lúcia

A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia disse, na tarde de hoje, 24, que não existe Poder acima do outro e reafirmou que as Forças Armadas não são Poder.

https://noticias.uol.com.br/videos/2020/06/24/nao-ha-poder-acima-do-outro-e-forcas-armadas-nao-sao-poder-diz-carmen-lucia.amp.htm

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    Israel Aparecido Gonçalves

    26 de junho de 2020 às 11h29

    Sim. Ela tem razão. A Forças Armadas não são um poder (político). Reserva-se a instituição militar o que aponta a nossa CF de 1988. Obrigado por comentar.

Ana Paula Câmara

24 de junho de 2020 às 19h19

Muito bem posicionado, Israel. Realmente estamos à mercê de uma política baseada na farda. E farda essa, que não faz jus a nenhuma menção relevante. Há um fetiche da farda, por parte dos brasileiros que ainda apoiam esse (des) governo, que até agora só mostrou às caras, avessas às reais necessidades do povo. Lamentável.

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Zé Maria

24 de junho de 2020 às 15h23

https://twitter.com/i/status/1275579292794138632
O Exército Endossa a Milícia
e os Generais batem Palmas
para Queiroz, Adriano, Flavio
e todo o Power Point do MP-RJ

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Jonas Silva

24 de junho de 2020 às 12h27

Um filho do General Mourão “enxuga gelo” num das diretorias do Banco do Brasil. Fatura o equivalente a 40 mil por mês. Eles tão atrás é do bem bom. O bem-ruim fica para o povo.

Responder

Cláudio

24 de junho de 2020 às 01h13

Excelente texto: pequeno e simples mas que diz tudo ou quase tudo, versando de forma lúcida e suficiente sobre a realidade brasileira. Parabéns ao autor e ao Viomundo por esta sua publicação.

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Atílio

24 de junho de 2020 às 00h48

Vejo que os militares, no caso brasileiro, ainda não avançaram em direção ao Esdado moderno no sentido weberiano. Uma instituição de fato de Estado e não de governos. E mais, com a participação massiva em um governo que se mostra incompetente em várias esferas, tais militares, que não representam, as Forças Armadas em sua totalidade, haja vista o número de militares de pijama, tenderão a perder cada vez mais a legitimidade civil, a confiança social. Portanto, para o próprio bem das Forças Armadas, é fundamental que, em nome da seriedade de uma instituição, abdiquem o duplo salário. Há algo maior em jogo do que uma conta bancária.

Responder

    Zé Maria

    24 de junho de 2020 às 16h49

    “Duplo Salário” e a Presunção de um Poder que nunca tiveram.

Marcos Videira

23 de junho de 2020 às 23h03

Só mesmo os tolos se iludem com os militares entreguistas.
São quase 3.000 militares ocupando cargos federais. Além de garantirem uma boquinha pra si, alguns também garantem uma boquinha para seus filhos. Vide os generais Villas Boas e Mourão.
E não se pode passar pano: as Forças Armadas são responsáveis diretos pelas mortes de milhares de cidadãos brasileiros pelo CoronaVírus.

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Jeysiane Gomes Mariano

23 de junho de 2020 às 22h34

“Oportunismo”, a definição perfeita. Ocupar espaço para desestabilizar a governança.

Responder

abelardo

23 de junho de 2020 às 17h56

As FFAAs tem a missão e a obrigação constitucional de defender o nosso território, a nossa democracia, a nossa soberania, as nossas riquezas e a toda população brasileira, dentro das limitações do seu poder. Para efetuar a sua missão com segurança, com inteligência e com o potencial humano, material e operacional necessário é dever do governo priorizar constantemente a valorização, a atualização, a evolução científica, tecnológica, educacional, social e patriótica das unidades e de toda a corporação militar. Tem que ser e se mostrar exemplo de respeito, de dedicação, de confiança, de coragem e de autoridade militar. Tem o direito de receberem do governo federal a atenção e assistência em todos os sentidos dos seus deveres e obrigações, para estarem sempre prontas a cumprir o seu papel de defensoras e guardiãs da nação, com toda qualidade em estrutura, treinamento e preparo necessário e indispensável. Certamente ganharemos com essa justa, legal e necessária valorização. Por outro lado, talvez nunca mais assistiremos a repetição de alguns desnecessários vexames e constrangimentos vividos por quem as representa hoje, no atual governo.

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    Carlos C

    23 de junho de 2020 às 20h57

    Concordo em gênero e grau com o ordenamento CONSTITUCIONAL de nossas forças armadas, porém, tal ordenamento, nunca foi cumprido durante a vigência de várias constituições anteriores a de 1988. A transgressão do ordenamento constitucional sempre foi uma rotina por parte de nossos militares lembrando que, a primeira vítima fatal do golpe militar de 1964 foi o tenente-coronel Alfeu de Alcântara Monteiro, assassinado na base Aérea de Canoas, Rio Grande do Sul e isso ocorreu por ele se posicionar contra o golpe.

Zé Maria

23 de junho de 2020 às 16h12

O (des)governo Bolsonaro/Guedes/Mourão apequenam o Brasil.

Responder

    Israel Aparecido Gonçalves

    23 de junho de 2020 às 18h07

    Obrigado por ler.

    Zé Maria

    25 de junho de 2020 às 10h26

    Nós é que agradecemos pelo texto, Professor Israel.

    O Exército realmente se apequena no (des)governo
    que, no caso de Bolsonaro/Mourão, apequena o País.

    Aliás, parece que é costume de generais, no governo,
    tratarem toda a população como Esquadrão Militar.

    E é dessa forma que os Militares das Forças Armadas,
    principalmente o Exército, abandonam suas funções
    constitucionais para se aventurar no Poder Central
    ou, pior, para arrogar um ‘poder moderador’ que
    inexiste na República Constitucional do Brasil.

    “Milico, quando sai da caserna,
    é pra mijar fora do Pinico”

    Um Grande Abraço Civil, Professor Israel.
    E mais uma vez agradecido pelo valoroso
    artigo que oportunizou-nos estas reflexões.

marcio gaúcho

23 de junho de 2020 às 15h49

Retificação importante no texto: “militares inaptos na guerra e na política”. Nunca dispararam um só tiro em combate.

Responder

    Jairo

    24 de junho de 2020 às 07h49

    O último foi na Itália, no século passado.


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