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Greenwald pede demissão do Intercept e se torna personagem da eleição nos EUA
Uma das fotos de família que teriam sido encontradas no computador de Hunter Biden. Reprodução do New York Post
Política

Greenwald pede demissão do Intercept e se torna personagem da eleição nos EUA


29/10/2020 - 17h15

A publicação dessa reportagem inicial do New York Post provocou uma campanha de censura altamente incomum no Facebook e no Twitter. O Facebook, por meio de um ex-agente do Partido Democrata de longa data, prometeu suprimir a história enquanto se aguarda sua “checagem de fatos”, que até o momento não produziu conclusões públicas. E enquanto o CEO do Twitter, Jack Dorsey, se desculpou pela forma como o Twitter lidou com a censura e reverteu a política que levou ao bloqueio de todos os links da reportagem, o New York Post, o quarto maior jornal do país, continua sem acesso à sua conta no Twitter, incapaz de postar com a aproximação das eleições, por quase duas semanas. Depois que a censura inicial estourou no Vale do Silício, cuja força de trabalho e oligarcas doaram quase inteiramente para a campanha de Biden, foram os meios de comunicação do país e a ex-CIA e outros oficiais de inteligência que tomaram a liderança na construção das razões pelas quais a história deveria ser rejeitada, ou pelo menos tratada com desprezo. Como de costume na era Trump, o tema que ocupou o centro do palco para atingir esse objetivo foi uma afirmação infundada sobre a responsabilidade do Kremlin pela história. Trecho do artigo que foi censurado, segundo Glenn.

Da Redação

O apresentador da Fox News, Tucker Carlson, denunciou na emissora pró-Donald Trump que documentos que poderiam ser comprometedores para o filho do candidato democrata Joe Biden, Hunter, simplesmente desapareceram dentro de uma empresa que faz entregas por correio, a UPS.

O público da Fox está em polvorosa, à espera de revelações de última hora.

A denúncia aconteceu dias depois do tabloide New York Post, também pró-Trump, ter publicado e-mails que teriam sido obtidos de um laptop de Hunter Biden.

A história contada pelo Post é de que o filho do ex-vice presidente deixou o computador para consertar em uma loja em Delaware, o estado americano onde vive a família, mas nunca voltou para pegá-lo.

O dono da loja fez uma cópia dos arquivos antes de entregar o computador ao FBI.

A cópia teria sido repassada ao advogado do ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, que atua como uma espécie de embaixador de Trump para caçar sujeira de Biden no Exterior.

Giuliani não ocupa posição formal no governo.

O ex-prefeito teria repassado cópia de arquivos ao Post. A existência do material já tinha sido mencionada anteriormente por Steve Bannon.

Os arquivos incluem um vídeo de 12 minutos em que Hunter Biden fuma crack e faz sexo com uma mulher não identificada, segundo o Post.

Joe Biden admite que o filho teve problema com drogas no passado, mas diz que nunca se envolveu, nem lucrou, com os negócios de Hunter no Exterior.

Várias publicações pró-Biden levantaram dúvidas sobre a veracidade do material.

O Post, no entanto, sustenta que os e-mails comprovam que Joe Biden se encontrou com empresários que favoreceram Hunter quando o pai ocupava a vice-presidência — em negócios na Ucrânia e na China.

É neste contexto que um dos criadores do The Intercept, Glenn Greenwald, pediu demissão da empresa.

Ele disse que foi censurado pelos editores da publicação em Nova York depois de escrever um texto crítico a Biden.

Greenwald sempre duvidou do chamado Russiagate, que os democratas tentaram explorar para conseguir o impeachment de Trump.

O impeachment passou na Câmara mas foi barrado no Senado.

Para o jornalista, as provas do envolvimento de Vladimir Putin numa tentativa de influenciar as eleições dos EUA em 2016 para beneficiar Trump são vagas.

Agora, Greenwald alega que a mídia está fazendo um esforço para poupar o democrata — e inclui o Intercept dentre os veículos pró-Biden.

Em seu texto-denúncia, Greenwald escreveu:

A causa final é que os editores do Intercept, em violação do meu direito de liberdade editorial, censuraram um artigo que escrevi esta semana, recusando-se a publicá-lo a menos que eu removesse todas as seções críticas ao candidato democrata à presidência Joe Biden, o candidato apoiado veementemente por todos os editores do Intercept de Nova York

O artigo censurado, com base em e-mails revelados recentemente e depoimentos de testemunhas, levantou questões críticas sobre a conduta de Biden. Não contentes em simplesmente impedir a publicação deste artigo no meio de comunicação que eu co-fundei, esses editores do Intercept também exigiram que eu me abstivesse de exercer um direito contratual de publicar o artigo em qualquer outra publicação.

Por ora, Greenwald vai passar a publicar seus textos na plataforma Substack, com financiamento dos leitores.

No twitter, ele recebeu grande apoio, mas também críticas ácidas de eleitores democratas, segundo os quais Greenwald está dando pernas a teorias de conspiração de Giuliani que servem à campanha de Trump, num momento decisivo da eleição.

O presidente dos Estados Unidos está desesperado por uma virada possível, mas improvável, nos dias que antecedem o fechamento das urnas, na próxima terça-feira, 3 de novembro.

Greenwald já foi alvo de críticas no passado em publicações mais à esquerda, como o Counterpunch, quando fundou o Intercept com dinheiro do bilionário Pierre Omydiar, do E-Bay,  e mais recentemente quando a publicação que fundou permitiu a identificação da fonte de um documento, levando o vazador, Reality Winner, a ser condenado a 63 meses de cadeia.

Em sua carta de renúncia, Glenn disse que não teve nenhuma responsabilidade pela barrigada do Intercept, considerada uma das mais graves já cometidas por um órgão da imprensa progressista dos Estados Unidos.

No Brasil, o Intercept fez um trabalho fundamental para desmoralizar a Operação Lava Jato e o juiz Sergio Moro, com as denúncias da VazaJato.

A última versão do artigo que o Intercept não quis publicar está aqui, em inglês.

Aqui, Greenwald publicou os e-mails que trocou com seus editores em Nova York.



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3 comentários

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Souza Filho

29 de outubro de 2020 às 18h12

Acho que Biden e Trump tem algo em comum.
Ambos são americanos.
Não muda nada para nós. Somos vistos como o resto. E não como a última bolacha recheada do pacote.
O Obama deu uma BELA rasteira na Dilma. Caiam na real. O Obama não é e nem foi bonzinho conosco e o Biden será a mesma coisa. O petróleo é deles (EUA) agora.
Tanto faz Trump ou Biden. Essa é a verdade nua e crua.
O Green não fará isso de graça. Tudo tem um custo/preco financeiro. Poder voltar a morar nos EUA. Quem em sã consciência não quer que os filhos morem, estudem e trabalhem nos EUA ? Só doido não quer isso. Quem não quer morar num país de ” primeiro mundo “.
Não tem comparação ser formado nos EUA com as facul brasileira.
Só tem um problema: se o Biden ganhar o Green vai tá ferrado pq ajudou o adversário. Ou seja, vai morrer no Brasil.

Responder

Zinda Vasconcellos

29 de outubro de 2020 às 18h00

Sou contra censura. Mas tb acho que as pessoas deviam saber quando é hora de falar e quando é hora de calar. Por mais graves que sejam os fatos contra Biden, eles nao podem chegar aos pés dos que existem contra Trump. O Green podia ter esperado 10 dias a mais p/ fazer a denúncia, nao?

Responder

robertoAP

29 de outubro de 2020 às 17h24

Estranho o Greenwald passar para o lado do mega fascista Trump, bem no final da campanha. Será que ele quer Trump barbarizando por mais 4 anos?

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