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Governo Bolsonaro financiou explosão das fake news, com média de 57 mentiras por dia em páginas de apoiadores
Foto: Mídia Ninja
Política

Governo Bolsonaro financiou explosão das fake news, com média de 57 mentiras por dia em páginas de apoiadores


22/07/2021 - 14h20

Páginas patrocinadas pelo governo Bolsonaro publicaram em média 57 mentiras por dia no Facebook

Por Felipe Bianchi, no Barão do Itararé

Páginas propagadoras de Fake News que receberam verbas públicas do governo Bolsonaro em 2019 foram responsáveis por 206 mil postagens no Facebook ao longo de 10 anos, uma média de 57 mentiras por dia ou 2 mentiras por hora.

Esses são os dados de estudo publicado pelo Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Tecnologias Digitais, do Centro de Pesquisa Jurídica e Digital , em conjunto com o Facebook.

Outro relatório do mesmo grupo, sobre eleições, redes sociais e democracia, também mostrou que as páginas de esquerda na plataforma, que dominavam o debate até 2014, sofreram queda vertiginosa a partir de 2015, movimento acompanhado pela ascensão expressiva de páginas de direita.

A disseminação de mentiras nas redes sociais sempre foi uma das táticas preferidas de quem é contra a democracia, de Bolsonaro e de seus apoiadores. 

A distribuição em massa de Fake News no processo eleitoral de 2018 e durante o governo de Jair Bolsonaro é foco de inquérito no STF, e as mentiras assassinas propagadas pelo presidente e pelo governo sobre a Covid-19 são alvo de CPI no Senado.

Os dados da pesquisa corroboram tais conclusões: as páginas analisadas, que versam sobre assuntos tão diversos como política, saúde, anticiência, religião e humor, tiveram pico de produção durante a campanha de 2018 e no início da crise política e sanitária em 2020, e queda vertiginosa durante as investigações do inquérito das fake news.

O estudo foi elaborado com base em informações produzidas pela assessoria legislativa da Câmara Federal para a CPMI das Fake News.

Ao longo de 2019, um total de 843 canais classificados como inadequados receberam anúncios pagos do governo federal.

As inadequações envolviam exibir material de conteúdo sexual, páginas de jogos de azar ilegais, ofertas de investimentos ilegais, desrespeito a direitos autorais e propagação de notícias falsas.

Entre os 47 sites de fake news que receberam verba pública, 27 têm páginas de Facebook e tiveram suas publicações analisadas, entre 2010 e 2020. No período, essas páginas contabilizaram 250 milhões de interações.

Os dados apontam um crescimento contínuo do número de publicações e interações dessas páginas a partir de 2015/2016, data do golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff.

As eleições de 2018 trazem uma explosão de produção e disseminação de fake news por essas páginas, que se mantêm ativas durante o governo Bolsonaro.

O aumento das postagens continua em 2019 e atinge um pico em maio de 2020 com o número de 5 mil publicações mensais.

Entre dezembro de 2019 e maio de 2020, momento do início da pandemia de Covid-19, crise no governo e troca dos ministros da Justiça e da Saúde, o número de curtidas nessas paginas vai de 2 milhões para 7,5 milhões.

Entre junho e outubro de 2020, percebe-se uma queda brusca no número de postagens destas páginas.

O período coincide com buscas e apreensões envolvendo empresários, políticos e blogueiros, determinadas pelo STF no âmbito do Inquérito das Fake News.]

A pesquisa analisou também, de maneira mais detalhada, 6 páginas símbolo da propagação de mentiras, em diversos âmbitos: Gospel Prime (religião), Terça Livre (política), A Terra é Plana (anticiência), Jacaré de Tanga (humor),Dr Robert Rey (personalidade) e Naturalmente Saudável (saúde).

Este pequeno universo foi responsável por 59,4 mil postagens entre 2015 e 2020, com 60,6 milhões de interações, com crescimento acelerado da performance das páginas a partir de 2015 e interações ampliadas durante as eleições.

Política no Facebook: o derretimento das páginas de esquerda

O segundo relatório publicado pelo grupo de pesquisa, em junho de 2020, mostra a queda vertiginosa das páginas de esquerda no Facebook a partir de 2015, com diminuição de número de postagens e interações, acompanhada da ascensão expressiva das páginas de direita, cuja dominância se consolida com as eleições de 2015.

Até 2014, as páginas de esquerda apresentavam vantagem em termos de total de postagens, interações e número de seguidores.

Em termos de número de seguidores, o ano de 2015 é um momento- chave, em que a liderança das páginas de direita se estabelece pela primeira vez.

Esse cenário se consolida com a convergência dos esforços das páginas de direita para a candidatura de Bolsonaro e se mantém até 2020.





4 comentários

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Zé Maria

22 de julho de 2021 às 19h12

NeoNazistas ‘do Mundo Inteiro: Uni-vos’.

“Hj recebi a deputada Beatrix von Storch,
do Partido Alternativa para Alemanha,
o maior partido conservador daquele país.
Conservadores do mundo se unindo
p/ defender valores cristãos e a família.”
https://twitter.com/Biakicis/status/1418214572339593228
.
“Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha)
é um partido político alemão de extrema-direita,
fundado em 2013, com tendências racistas, sexistas,
islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso
anti-imigração.
Querem duas histórias breves?
Sigam o fio!” +
https://twitter.com/MuseuHolocausto/status/1418265064877043719

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Zé Maria

22 de julho de 2021 às 15h37

Cabe perguntar por que a Justiça (sic) Eleitoral
não contratou um Grupo de Pesquisadores
Especializado – como esse apresentado acima –
para fiscalizar a Propaganda dos Candidatos nas Campanhas das Eleições de 2018.

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