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Dodge já arquivou mais de 40 inquéritos, a maioria envolvendo PSDB, MDB e aliados
Wilson Dias/Agência Brasil
Falatório Política

Dodge já arquivou mais de 40 inquéritos, a maioria envolvendo PSDB, MDB e aliados


01/09/2018 - 10h19

Wilson Dias/Agência Brasil

Com Dodge, PGR revive os tempos de “Gaveta” da República

Desde a posse, a procuradora-geral pediu o arquivamento de mais de quarenta inquéritos, a maioria envolvendo políticos do PSDB, PMDB e da base aliada

Da Agência PT de Notícias

O PT herdou dos tucanos uma Justiça enfraquecida. Órgãos fiscalizadores sem autonomia, Polícia Federal falida e um Procurador-Geral da República que ganhou a fama de “engavetador” por barrar qualquer processo que envolvesse o governo.

Geraldo Brindeiro foi nomeado quatro vezes por FHC, contrariando o voto dos demais procuradores.

Porém, o governo Lula mudou esse sistema tucano. Quando Lula assumiu a presidência, passou a vigorar um critério muito mais democrático: a lista tríplice. Tanto ele quanto Dilma sempre nomearam o procurador mais votado dentre os próprios procuradores.

Depois do golpe, a escolha do Procurador-Geral da República deixou de obedecer a esse critério: Michel Temer ignorou o mais votado e optou por nomear Dodge como substituta de Rodrigo Janot. Em meio ao escândalo das delações de Joesley Batista, era esperada dela uma postura mais “discreta” em relação ao governo.

Dois meses depois da posse, Dodge pediu o arquivamento 24 inquéritos de uma só vez, a maioria envolvendo políticos do PSDB, PMDB e da base aliada.

De la pra cá, mais de dez inquéritos envolvendo figurões do MDB foram arquivados ou estão parados. A Procuradoria livrou Eliseu Padilha de ser processado por crime ambiental, arquivou uma investigação contra Romero Jucá parada há mais de 10 anos e outra contra o “angorá” Moreira Franco.

Dodge também está segurando a denúncia contra Michel Temer no caso dos portos. A pauta pareceu andar nos primeiros meses com delações e pedidos contra aliados, mas estacionou depois que a PGR pediu, em fevereiro, que a investigação fosse prorrogada por mais sessenta dias. E anda sumida do noticiário desde então.

A balança da PGR também é mais leve com o PSDB. No caso mais recente, Dodge ignorou a denúncia de irregularidades na chapa coligada a Geraldo Alckmin.

Essa não é a primeira vez que o tucano é tratado com “republicanismo” pela PGR. Em maio, o vice de Dodge na procuradoria pediu para que uma investigação contra Alckmin – por suspeita de caixa 2 pago pela Odebrecht – voltasse à Justiça Eleitoral, livrando-o da Lava Jato.

A PGR também arquivou denúncia contra Aloysio Nunes e livrou José Serra duas vezes de ser investigado: por caixa dois e recebimento de propina no Rodoanel. Também evitou que Beto Richa fosse investigado pelo massacre contra os professores no Centro Cívico, em Curitiba (PR).

O único alvejado pela PGR foi Aécio Neves, embora a procuradoria não tenha feito qualquer objeção à sua candidatura em MG. Já a candidatura de Lula, o pedido de impugnação veio em tempo recorde.

O voluntarismo da PGR só parece funcionar mesmo com as lideranças do PT.

De treze manifestações de Dodge envolvendo o partido, o arquivamento foi solicitado apenas uma única vez. Dodge já advogou a condenação de Gleisi Hoffmann (em processo no qual ela foi inocentada por unanimidade), recorreu da decisão do STF que permitiu que José Dirceu aguardasse seu julgamento em liberdade e reagiu várias vezes contra os recursos de Lula no STF e no STJ.

O caso do habeas corpus de Lula é o que melhor ilustra esse fenômeno. Dodge pediu a aposentadoria compulsória do desembargador Rogério Favreto do TRF-4 – que concedeu a liberdade a Lula no dia 8 de julho – , mas não apontou erros na conduta de Sérgio Moro, com o qual manobrou para impedir o cumprimento da lei: em entrevista ao Estadão, o chefe da PF revelou que ela ligou pessoalmente para coagir os agentes a não libertarem Lula.

Por conta dessa atuação parcial escrachada, deputados do PT avaliam pedir o impeachment da procuradora.

“Para além de qualquer questão processual, esse episódio é a maior prova da seletividade e parcialidade dessa senhora”, opina o deputado Wadih Damous (PT-RJ).

Ele também chama atenção para o silêncio de Dodge sobre a determinação da ONU para que Lula tenha todos os seus direitos como candidato garantidos.

Histórica defesa dos tratados internacionais, ela não fez qualquer comentário sobre o caso. “Mostra que ela põe a conveniência política acima das convicções. Valem os acordos para qualquer caso, menos para Lula”, completa.

Leia também:

Marcelo Zero: É Temer vs. Lula





7 comentários

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carlos

04 de setembro de 2018 às 19h16

O Brasil é dominado pelo narcotráfico, veja o caso do candidato da Globo, Geraldo Alckmin, através da SAP, não só favorecia a fuga de presos do PCC, e no Rio tem o apoio do CV, que já se espalhou pelo Brasil inteiro, o crime está entranhado nas nossas instituições, no judiciário tem criminoso por metro cúbico, o povo brasileiro não pode financiar essa vergonha que é o judiciário brasileiro.

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maria do carmo

03 de setembro de 2018 às 11h21

Temos que pedir a aposentadoria compulsoria da PGR dra Raquel Elias Ferreira Dodge por mentir no TSE, dra Raquel Elias Ferreira Dodge casada com norte americano professor de ingles?.. e filhos nos EEUU….e parcial tem lado e mentiu, juntamente com dr. Barroso, dra Rosa Weber ministros do TSE com apoio da Globo, que se calaram rasgando a constituicao nao respeitando a democracia, voluntariosa se acha mais importante que pacto com a Onu, envergonhando e trazendo crise internacional ao Brasil!

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maria do carmo

02 de setembro de 2018 às 20h25

A dra Raquel Elias Ferreira Dodge presidente do MP do Brasil mentiu e o TSE se calou, pacto foi promulgado em 1992, dra Dodge mentiu aos brasileiros, ao mundo a ONU ursurpando a democracia, gravissimo mentir em julgamento, ( principalmente MP e judiciario ) do estadiista Lula inocente condenado sem provas por fraude processual de repercussao internacional e do mundo juridico, presidente considerado o melhor do Brasil, por ter governado para todos os brasleiros e que saiu apoz oito anos de governo com o maior indice de aprovacao tirando o BRASIL do mapa da FOME e desemprego. No mundo civilizado nao existe justica eleitoral, e infelizmente no Brasil serve aos manipuladores e conspiradores em favor das elites, e inadimissivel principalmente no Brasil em que seis bilionarios tem a renda de 100 milhoes de brasileiros, tirarem o direito do povo votar no melhor presidente que o Brasil ja teve, com membros do MP e judiciario mentindo, A presidente do TSE dra Rosa Weber se calou com a pantomina como confiar em judiciario e MP que mente? e gravissimo!!!O que podemos esperar dos tribunais brasileiros, quando o vaidoso ministro Barroso afrontou o Brasil, os brasileiros e a Onu comandado pela Globo! E perseguicao sem tregua, Moro, Lebos, Dalanhol globo judiciario e MP, perseguicao covarde sem respeitar a constituicao ao estadista Lula o melhor presidente que o Brasl ja teve. Ate quem nao e petista esta escandalizado com a perseguicao ao estadista Lula. Judiciario e MP e parcial e tem lado, Dra Raquel Elias Dodge e TSE serao contestado pelos maiores juristas do mundo e Onu e ficaram na historia como arbitrarios e traidores do Brasil!

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Julio Silveira

02 de setembro de 2018 às 17h07

A procuradoria é instrumento para fortalecimento ou enfraquecimento politico, conforme conveniencias das parcerias escusas feitas nas ante salas do poder.

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carlos

02 de setembro de 2018 às 07h26

Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido, o presidente da república, tem obrigação de extinguir essa MPF, PGR e as instâncias superiores, criar o poder de notáveis, porque isso é uma afronta a nossa carta Magna, Raquel Dodge sua canalha respeito ao povo brasileiro .

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Fernando

01 de setembro de 2018 às 22h16

Esperavam o que dessa mulher. Tá lá pra isso. É daí para pior. O caixa 2 do Haddad é crime, o do Serra e o do Alckimin não é crime.
Vê se os filhos e os netos dessa mulher estão desempregados e vejam onde eles trabalham e qto ganham.
Parte do povo aceita perfeitamente desonestidade qdo é contra o PT. Por isso que vamos pro beleléu igual a Argentina.
Essa procuradora foi posta nesse cargo pq era esse o trato com o Temer. Não esperem honestidade de nenhum deles. Se ela não fizer isso, tiram ela do cargo. Enfim, é um pau mandado da direita reaça.

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Ferreira Júnior

01 de setembro de 2018 às 14h47

Isto é tudo devido ao republicanismo do Pt que considera mais importante que a luta de classes.

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