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Deu a louca no tablóide britânico


08/07/2011 - 11h57

08/07/2011 – 10:52 | Ernani Lemos e Juliana Yonezawa | Londres

Após grampos e prisão de jornalistas, Cameron promete regras para imprensa britânica

Do Opera Mundi

A polícia britânica prendeu nesta sexta-feira (08/07) o ex-editor do jornal News of the World Andy Coulson e o ex-repórter do tabloide britânico Clive Goodman, responsável pela cobertura da família real britânica. Coulson é acusado de ter ligação com o escândalo de grampos telefônicos realizados pelo jornal na época em que comandou o tablóide, entre 2003 e 2007. Já Goodman é acusado de pagar propina a policiais.

Coulson trabalhou como porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e renunciou ao cargo no começo do ano, após fortes pressões que enfrentava pelas investigações no caso dos grampos. Horas antes da prisão, Cameron disse que contratar Coulson foi uma decisão pessoal e que ele assumia total responsabilidade. “Eu dei a ele uma segunda chance. O povo é quem pode julgar se eu errei ao fazer isso”, afirmou. O governante assumiu que ficou amigo de Coulson durante o tempo em que eles trabalharam juntos e que essa amizade ainda existe, embora os dois não tenham tido muito contato nas últimas semanas.

Culpa

Cameron anunciou hoje que as denúncias sobre os grampos serão investigadas por dois inquéritos públicos independentes. Um deles será coordenado por um juíz e vai começar logo após o fim dos trabalhos policiais. O governo quer saber porque a polícia falhou no primeiro inquérito sobre o caso. A outra investigação será conduzida por um corpo misto e terá como alvo a cultura, a prática e a ética da imprensa britânica. O objetivo é entender como os jornais são regulados e fazer recomendações para o futuro.

O primeiro-ministro afirmou que “a imprensa é livre, mas não está acima da lei”. Para ele, “o jeito como a imprensa é regulada no Reino Unido já não funciona mais”, O primeiro-ministro disse que o problema é coletivo. “Estamos todos juntos nisso. A imprensa, os líderes, os partidos, incluindo eu mesmo”, completou o líder britânico.

O líder da oposição no parlamento, Ed Miliband, havia pedido que o primeiro-ministro admitisse os próprios erros de julgamento por ter contratado Coulson. Miliband disse achar que outra ex-editora do News of the World, a atual chefe do grupo News International, Rebekah Brooks, também deveria ser responsabilizada pelo uso dos grampos telefônicos. A News International é um conglomerado de mídia que controla o tablóide inglês e faz parte do grupo News Corporation, do magnata Rupert Murdoch.

Interesse comercial

O fechamento do News of the World foi considerado uma ação para que Murdoch possa assumir o controle sobre a rede de TV Sky. A News Corporation é dona de 39% do capital da empresa atualmente. A negociação precisa ser aprovada pelo Departamento de Cultura do Reino Unido e era considerada quase certa até o começo desta semana.

Nesta sexta-feira, um porta-voz disse que o secretário de Cultura, Jeremy Hunt, “vai considerar todos os fatores relevantes para o caso, incluindo o fechamento do News of the World” e que “a decisão vai demorar o tempo que for necessário”. O processo de consulta pública para a compra da Sky termina hoje. O número de respostas de interesse durante a consulta subiu de 40 mil para cerca de 100 mil após  a divulgação das mais recentes denúncias sobre o escândalo dos grampos.

Desempregados

O caso das escutas telefônicas levou ao fechamento do News of the World após 168 anos de existência. O veículo é o jornal mais lido do mundo em língua inglesa e emprega 200 pessoas, que só devem trabalhar até domingo (10/07), quando será impressa a última edição.

O editor de política David Wooding, que trabalha no News of the World há um ano e meio, disse à BBC que “dos 200 funcionários atuais, há dois ou três que trabalhavam no local na época dos grampos. Muita coisa aconteceu com um editor diferente e com outros empregados”.

“Fomos trazidos para limpar a imagem do jornal, mas a lama acabou espirrando em nós”, afirmou Wooding.





17 comentários

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SILOÉ -RJ

09 de julho de 2011 às 20h07

Seria o Murdoch, manipulador político do jeito que é, o dono e o fornercedor do Wikileaks e o Assenge testa de ferro???
Ambos são autralianos… e para vazar informações tão sigilosas, só uma pessoa muito rica, muito influente, inescrupulosa e corruptora, para conseguir qualquer coisa por meios ilícitos, daí….
Se for o caso: É uma bomba atômica de destuição moral nas mãos de imorais…
Não sei não!!! Melhor deixar as barbas de môlho!!!

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SILOÉ -RJ

09 de julho de 2011 às 19h29

Espetacular jogada de marketing do Cameron e do Murdoch. O primeiro para ficar bem na fita, tenta impor regras de controle à mídia, só que tarde demais.
Quem desempenha agora e muito bem esse papel, é a INTERNET, pela rapidez da divulgação,e precisão com que monta e se desmonta qualquer factóide.
O segundo "O MAGNATA DA COMUNICAÇÃO" visionário sem escrúpulos, de longe dono das duas maiores furtunas do mundo, uma declarada e outra em paraisos fiscais. Corrupto e corruptor, sonegador fiscal, um dos maiores incentivadores das ditaduras e das guerras pelos continentes que até hoje vivenciamos. Com domínio mundial da mídia e REDE DE TV até na CHINA. No momento se desfaz do jornal que já não lhe é mais útil e atrapalha a aquisição da REDE SKY, visto que as denúncias contra o mesmo, expõe o seu lado podre, e uma coisa pode puxar outra!!! E daí…quem sabe!!!
Por via indiretaÉ a apropiação da BANDA LARGA do BRASIL,seu objetivo agora, já que virou suas baterias, pra cá, é expandir seus negócios inclusive na área petrólifera.

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Geysa Guimarães

09 de julho de 2011 às 17h55

Tomara que também dê a louca no jornalixo aqui do Brasil. Mesmo que digam que a culpada é a Dilma.

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Ricardo VCP

09 de julho de 2011 às 00h21

Em todos esses anos trabalhando nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece…

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caocaca

08 de julho de 2011 às 12h59

"Após grampos e prisão de jornalistas, Cameron promete regras para imprensa britânica"

O PIG tupiniquim não vai chamar isso de censura?

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    Klaus

    08 de julho de 2011 às 16h24

    Depende das regras.

    Alexei_Alves

    08 de julho de 2011 às 18h47

    Trollzinho Trollzinho…. quem você acha que ta enganando?

    Jairo_Beraldo

    11 de julho de 2011 às 10h59

    Desta vez concordo com Herrr Klaus…depende das regras sim…e do Bernardo!!!

Hans Bintje

08 de julho de 2011 às 12h39

Eu não gostei do fechamento do jornal "News of the World".

Nesses 168 anos de existência, jamais alguém o levou a sério, mas ele era uma importante "válvula de escape" para as repressões exercidas desde a época vitoriana.

Francamente, eu temo o velho e conhecido lema "proibido é mais gostoso".

Com o fim da versão socialmente tolerada – mas lida avidamente por milhões de britânicos – virá coisa pior. Afinal, os leitores não ficarão órfãos por muito tempo.

Nunca se cria a moral e os bons costumes por decreto. Varrer o jornal "News of the World" para debaixo do tapete sem lidar de frente com o caldo de cultura que o alimenta é criar um monstro muito mais pavoroso do que aquele infeliz jornal jamais foi.

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    Bruno

    08 de julho de 2011 às 13h04

    Não o levar a sério é uma coisa. Ignorar grampos ilegais é outra.

    Hans Bintje

    08 de julho de 2011 às 14h28

    Bruno:

    Pense o seguinte: com o jornal "News of the World" ativo, ainda havia quem processar e penalizar por esse tipo de crime.

    No mundo do "proibido é mais gostoso", ilegal por definição, aplicar a Lei fica muito mais difícil.

    Era menos ruim no tempo do jornal "News of the World", pelo menos se sabia o nome e endereço dos repórteres, do editor e do dono do jornal caso eles passassem dos limites legais.

    Agora, como um juiz vai intimar com sucesso o editor de um jornal clandestino, dedicado ao esgoto?

    Alexei_Alves

    09 de julho de 2011 às 03h05

    Hans
    Se havia alguem para processar, ora bolas, então que se processe. A justiça está aí pra isso. Mas é importante notar que não foi a justiça que fechou o jornal. Foi o proprio dono que fechou por medo do escandalo contaminar os seus outros jornais, revistas e emissoras. Isso muda as coisas de figura. A questão toda neste caso não é realmente a rejeição juridica estabelecida pela justiça e os órgãos de repressão. Neste caso o que está acontecendo é uma grande rejeição moral na opinião publica. O episódio resultou numa baita repercussão negativa. É por isso que o jornal está fechando.

    No mundo do "proibido é mais gostoso" agora o proibido ficou menos gostoso.

    Não há o que lamentar quando um dono sem escrúpulos resolve fechar seu jornal sensacionalista e comprovadamente criminoso.

Karen G.

08 de julho de 2011 às 12h32

Na verdade o caso desse jornal é so a ponta do iceberg da realidade da imprensa, lembrando das fraudes medíocres e outras nem tão mediocres no New Yok TImes que manipulou opiniao publica e instituiçoes "democraticas" a aceitarem a "evidência" das armas de destruicao em massa.

Enquanto o Judiciário fizer o que bem entender, enquanto nós como sociedade nao nos mostrarmos revoltados com toda a ilegalidade imoralidade de quem quer que seja (imprensa, policia civil e militar, corruptos, homofobicos e intransigentes de plantao), no caso do Brasil, nosso pais vai sempre mostrar a mesma face triste, ignorante e mesquinha da impunidade.

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Raphael Tsavkko

08 de julho de 2011 às 12h09

O tablóide vai fechar… Mas pensa se fosse na Venezuela e não no Reino Unido! Organizações "democráticas" como a SIP e outras já estariam gritando que a "Ditadura" chávez estaria por trás, pressionando o pobre Murdoch a fechar o jornal!

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    ZePovinho

    08 de julho de 2011 às 17h44

    É verdade,Raphael.A ditadura inglesa(é estranho o sujeito ficar 16 anos com primeiro-ministro e o PIG não falar nada),nesses termos,é pior do que a suposta "ditadura",nas palavras do PIG,venezuelana.

    Klaus

    10 de julho de 2011 às 10h11

    Primeiro MInistro, presidente, sabe a diferença?

    Alexei_Alves

    11 de julho de 2011 às 01h40

    Klaus.
    Essa é sua brilhante resposta?
    Olha.
    Ficar tratando com menosprezo as pessoas com que você está debatendo só enfraquece o seu ponto de vista (que já não me parece muito forte). Um pouco de auto-crítica e modéstia lhe fariam bem.


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