VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Ciro Gomes detona a educação brasileira no debate sobre o Mercosul e a crise


26/05/2012 - 00h58

do You Tube do senador Roberto Requião 

O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes abriu a segunda audiência pública do seminário “O Mercosul e a Crise”, realizada nesta sexta-feira (25) e transmitida ao vivo pela TV Senado. A iniciativa da série de encontros partiu do presidente da delegação brasileira no Parlasul, senador Roberto Requião (PMDB/PR), que coordenou a mesa. A última audiência acontece na próxima sexta-feira (01), às 16h.

“Estamos a dever nas três grandes premissas para o desenvolvimento econômico: poupança doméstica vinculada ao investimento; convergência entre o governo empoderado e o empresariado; e o investimento em gente”, disse o ex-ministro, criticando o sistema de ensino brasileiro.

Segundo ele, é preciso projetos nacionais de desenvolvimento para os quatro países do Mercosul. “Planejamento é essencial. Nenhuma ‘bodega’ sobrevive sem planejamento. A gente não faz manutenção das estradas e depois gasta o dobro para recuperá-las”, exemplificou.

Ciro ressaltou que a agricultura brasileira é a maior do mundo, mas importa 40% dos insumos agrícolas. No setor da saúde, só em compras governamentais, 76% dos produtos têm patente vencida. “Nenhum país do mundo abre mão de ter autonomia no seu complexo de saúde”, disse Ciro, dizendo que muletas e camas de hospital, por exemplo, poderiam ser produzidas no Brasil.

Sobre a crise econômica mundial, o ex-ministro destacou: “Creio firmemente que esta crise é uma oportunidade extraordinária para o Brasil, que tem uma situação privilegiada porque ainda preservamos ferramentas em setores essenciais, como o petróleo e a indústria naval”.

Plano B – O economista Marcio Henrique Monteiro de Castro também defendeu uma estratégia de desenvolvimento. “O Brasil vive num mundo, não vive solto. Os problemas do Brasil estão associados ao resto do mundo. Precisamos de um plano B. Temos que mudar a rota. E muito rápido”, reforçou Castro.

Segundo ele, “o Brasil se despiu de suas defesas. Abriu sua economia, estatizou empresas estratégicas, abriu mão de ter políticas industrial, tecnológica e educacional. O Brasil se despiu de um projeto e da intenção de ser um país grande”.
Castro disse que criação do Mercosul surgiu como forma de abrir a economia brasileira e acreditou-se que os mecanismos do mercado levariam a integração adiante. Para ele, muito pouca coisa foi feita deste então. “O Mercosul é uma página em branco”, avaliou.

Integração — O economista José Carlos de Assis lembrou o seminário “Crise: Desafios e Soluções na América do Sul”, realizado em 2009, em Foz do Iguaçu, pelo então governador do Paraná, Roberto Requião. “Naquela época já dizia que esta crise é maior que a de 1929”, afirmou.

“A crise atual afetou diretamente o coração do sistema capitalista, que é o sistema bancário. Dezenove bancos americanos estavam virtualmente quebrados. E esta quebra virtual provocou quebras reais na Europa”, relatou.
Segundo ele, é o comércio entre Estados Unidos, Europa e Japão que movimenta a economia mundial. Como os três estão em crise, diminuem as importações do Brasil, diminuindo ainda mais o parque industrial brasileiro. “A nossa saída é aprofundar o processo de integração produtiva do Mercosul”, avaliou.

Assis defendeu a austeridade fiscal, ou seja, gastar menos e não cortar investimentos de áreas essenciais, como saúde e educação. Desta forma, o Estado recupera a confiança do empresariado, que tem segurança em investir no país.
Interação — A segunda parte da audiência foi dedicada a responder dezenas de perguntas enviadas por telefone e pela internet. Entre as dúvidas, a duração da crise econômica, como encarar a crise, a relação da corrupção com a crise, redução de impostos, a desindustrialização brasileira, sistema bancário, a entrada da Venezuela no Mercosul, custo da energia elétrica brasileira e a resistência do Governo em adotar sugestões feitas pelos palestrantes.

Programação – Na próxima sexta-feira (01) os convidados serão o presidente do Ipea, Marcio Pochmann; o economista e professor da UnB, Dércio Garcia Munhoz; e João Sicsú, professor de economia da UFRJ.

Também são convidados deputados e senadores, imprensa, estudantes, professores, assessores e o público em geral. O público poderá enviar perguntas pelo telefone 0800-612211 ou pelo twitter @AloSenado.

Clique aqui para ouvir a palestra do economista José Carlos de Assis.

Clique aqui para ouvir a palestra do economista Marcio Henrique Monteiro de Castro

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24 comentários

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Safatle: É a falta de educação que quebrará o Brasil « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de julho de 2012 às 23h34

[…] Ciro Gomes detona a educação pública brasileira […]

Responder

Lobo

26 de maio de 2012 às 20h27

O Ciro tem razão. Infelizmente as políticas sugeridas não encontram amparo nas correntes políticas que dominam o nosso país. Temos que compreender que o nosso país é, no mundo ocidental, um dos maiores estandartes da “direita”. Em verdade diria que somos a “meca” da “direita”. Desenvolvimento social igualitário e justo não faz parte da cartilha dos nossos políticos de direita.

Nossa “esquerda” encontra-se, em um quadro classificatório, no espectro político da “direita”. Muitos dizem que hoje todos são de “esquerda”, em verdade creio que a esquerda no poder se percebeu direita.

Parece que dia a dia tentam nos afastar desta verdade, ninguém nos aponta os indícios, nem comenta esta possibilidade. É socialmente mais aceitável pensarmos que todos são esquerda.

Mais do que retóricas em discursos diversos valem os fatos. Se considerarmos apenas os programas TANF e o Food-Stamp Spending o governo dos EUA gasta mais recursos com assistência aos pobres, proporcinalmente ao PIB, do que foi gasto por qualquer dos nossos governos de “esquerda”, aí incluído o nosso bom bolsa família (que deveria ser maior, na minha opinião).

Nosso ensino, em todos os níveis, foi sucateado por décadas para o aparecimento e domínio do ensino privado, tão danoso em uma república que se pretende igualitária e democrática. E não vemos nenhum sinal de mudança. O último exemplo foi o PROUNI. Vejam, ao invés de investirmos na ampliação do ensino público financiamos a iniciativa privada. Não custa lembrar que nos EUA a primazia é dada ao ensino público.

Na saúde vemos o péssimo estado do serviço público por falta de verbas, enquanto o governo financia indiretamente o serviço privado, permitindo abatimento integral dos gastos com planos de saúde no imposto de renda. Novamente é prejudicada uma população carente, que não possui acesso aos serviços privados. Se toda a renúncia fiscal representada pelo abatimento no IR fosse destinanda ao sistema público de saúde como estaríamos hoje?

Poderia também falar nos impostos que incidem sobre o consumo, prejudicando os mais pobres (afinal pobres e ricos pagam o mesmo por 1kg de feijão, não é?), enquanto temos alíquotas tão generosas em nosso imposto de renda. Novamente podemos utilizar como parâmetro os EUA, enquanto as classes mais abastadas naquele país pagam impostos sobre rendimentos na alíquota de 35%, no Brasil nossa alíquota não passa de 27,5%.

Poderia continuar, poderia falar da falsa idéia do rombo na previdência, ou da aristocrácia no poder, representada por um judiciário pouco republicano… Certo é que não faltariam exemplos.

Concordo que o Brasil está melhorando sim, já foi pior, mas são apenas reparos em uma realidade cruel. As verdadeiras mudanças ainda procuram por aqueles que a promovam.

Responder

Felipe Vargas

26 de maio de 2012 às 16h52

Crise ou e agonia global das últimas décadas , Ciro Gomes , TV Senado , sobre a geopolítica atual , vou repassar também para o aspecto cultural , de hábitos ou psicológico deste período negro que vai ficando para trás na história da humanidade.
O afastamento destes valores contrários que levam a pessoa ao poço ou dominação , associada a criminalidade , fazendo com que as pessoas gastem seu tempo , dinheiro , energia , cada qual com a sua , assim como qualidades adquiridas ou genéticas , para o mal , será um impulso enorme ao planeta com a quebra desta corrente atualmente amarrada no pé de boa parte da população mundial
Reafirma a falência do capitalismo com forma de governo ou ideologia , encerrando que novas formas ou ideologias substituirão o capitalismo para termos um mundo melhor.
J. C. de Assis , entre a retórica , vê o fim do capitalismo ou neoliberalismo como princípio , e a cooperação e solidariedade como princípios fundamentais , o fim do militarismo , um período dramático a curto prazo , principalmente se houverem vitórias do rommey e merkel , que por enquanto não são favoritos , isto não ocorrendo o cenário deve clarear , dos princípios dos governos destas nações como medidas econômicas , a outra tão importante variável neste fato ou eleições.
Sobre caminhos para o Brasil e AS alcançarem melhores níveis e o Brasil a liderança do continente , resposta de Monteiro que temos que sair do neoliberalismo periférico , os BRICS pode ter sido um passo , bastante grande digamos , e que os neoliberais não são malvados simplesmente querem o filé para eles , neste ponto a grande diferença , se tentar ganhar o máximo , gerar concentração de renda , bolsões de miséria , impossibilitando o equilíbrio mundial não for maldoso , enfim , o progressismo tem como princípio que todos devem ter economias sustentáveis e mínimas para as condições básicas de população , por justiça e por ser melhor para todos , na ordem que preferirem. Uma diferença que já está mudando o mundo , ainda temos que recolher as variadas tralhas deixadas pelo finado , capitalismo norte ocidental , mais um adjetivo.
Ciro sobre a legalização das drogas , as medidas até agora não resolveram e a penalização do traficante prioritária sendo o usuário descriminalizado , resolve um dos aspectos graves que era se criminalizar o uso , porem Ciro a enormidade de capital ilícito , e como citou Requião diminuiu a cocaína aumentaram as drogas sintéticas nos EUA , vou acrescentar como a cuba libre , hi fi , na bebida alcoólica tem um certo modismo , se liberadas o interesse cairá um bom pouco , voltando ao capital que o mercado da droga gera , se fosse retirado das mãos de traficantes e passasse ao controle dos governos não seria um passo enorme para a humanidade , desmontaria talvez , quase 50% das verbas que criminosos podem amealhar , esta é a minha tese , respeitando e aceitando os riscos que vários como Ciro e especialistas da área colocam. Como o crime reporia as verbas monstruosas geradas pela proibição das drogas nas últimas , digamos anos 70 , 4 décadas e a previsão para os próximos anos. Uma opinião.
A pergunta aos palestrantes seria sobre qual seria o panorama mundial se houvessem vitórias de Obama e Merkel , chegou sobre as eleições estadunienses , o último nome é Zillig , falou , concordo a grande diferença é como os grupos políticos se posicionam , aos EUA e seu arsenal , sobre militarismo e o unilateralismo estaduniense.
Fim de tarde de sexta feira , debate sobre Mercosul que acaba por abranger vários temas , tempo livre para os palestrantes , sem propagandas , quase um luxo , TV Senado , o enorme número de perguntas , TV do futuro , o mesmo molde para economia , cotidiano , política partidária , esportes e cultura.
Saudações brasileiras

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O_Brasileiro

26 de maio de 2012 às 16h23

O Brasil está caminhando a passos largos para uma “Piñerização”!
A troca do discurso de campanha petista por um programa neo-liberal, “austero” para os serviços públicos, e “investidor” em automóveis e concreto é a receita para o fracasso, pois daqui a pouco vai ter carro andando por cima do outro, e “ponte embaixo de viaduto”.
Daqui a pouco o BNDES vai emprestar dinheiro para que cada time da 3ª divisão tenha seu estádio de futebol, para “estimular a economia”, como se Educação e Saúde não estimulassem a economia.
Se o PSDB foi um péssimo “gerente”, o PT não passa de um “gerente” mediano.
E os anti-tucanos de hoje são os professores dos anti-petistas de amanhã.

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RicardãoCarioca

26 de maio de 2012 às 14h52

E a Veja dessa semana, heim? Já não é mais desespero, pelamordedeus!

Mais um grampo sem áudio, com confissões do Lula ao GILMAR MENDES no escritório do JHON BIN???

Faaaaaalaaaaaa sééééériiiiiiooooooooo!!!

Tem que ser um lulipe, EUNÃOSABIA, PiG ou um Willian da vida para ainda levar essa revista a sério!

Responder

lulipe

26 de maio de 2012 às 14h39

O Ciro está no ostracismo, é uma alma penada da política, achou que o lula o iria apoiar em SP, ficou a ver navios.Depois disso vive vagando por aí.Alguém pode me dizer do que o Ciro vive???É digno de pena….

Responder

    RicardãoCarioca

    26 de maio de 2012 às 14h47

    Tente desmenti-lo sobre o que ele disse a respeito de FHC e Serra no vídeo abaixo e eu lhe darei a mão à palmatória:

    http://www.youtube.com/watch?v=wZ8DTdVJ-1k

    RicardãoCarioca

    26 de maio de 2012 às 14h49

    Se ostracismo e falta de cargo eletivo, na sua cabeça, invalida qualquer coisa que um político fala, você também aplica esse seu raciocínio obtuso ao Serra?

    lulipe

    26 de maio de 2012 às 15h37

    Não foi o Ciro que disse que o Serra era mais preparado que a Dilma nas eleições presidenciais???

    José Eduardo

    26 de maio de 2012 às 15h25

    E o Serra? Vive de que? Ah, sei, da dinheirama da Privataria!

    Marcos

    26 de maio de 2012 às 15h53

    Sou fã do Ciro, acho ele sincero, mas sempre leal.

    Armando do Prado

    26 de maio de 2012 às 16h02

    Ex-arena, ex-tudo, mas, principalmente, protegido do Jereissati. Realmente, foi ele que disse que cerra era mais preparado que Dilma. Que dizer desse senhor?

    Luiz L. Lorenzoni

    22 de julho de 2012 às 22h44

    Ficar no ostracismo ou desempregado nessa roubalheira sistemática chamada Estado Capitalista(não há o outro lado),não é nada vergonhoso.A “crucificação” talvez seja uma honra!

Filipe Rodrigues

26 de maio de 2012 às 14h34

O problema da educação brasileira é que ela é dividida nos 3 entes federativos: federal, estadual e municipal.
O Governo Federal até leva a educação a sério, mas muito governadores e prefeitos não valorizam na mesma maneira.

Responder

    lulipe

    26 de maio de 2012 às 15h38

    Deve ser por isso que as universidades federais estão em greve, não é, Filipe? É cada um que aparece por aqui…

    Filipe Rodrigues

    27 de maio de 2012 às 12h45

    Tanto que depois de 20 anos, o governo federal retomou os investimentos no ensino universitário:
    – Desde o governo Lula são 50 novos campus universitários (90% em cidades do interior do Brasil).
    – O número de vagas que existiam nas universidades federais em 2002 foram dobradas (a maioria em cursos noturnos para os que trabalham durante o dia).
    Claro que é preciso superar o problema da falta de mão de obra e a reestruturação dos planos de carreira depois da hecatombe neoliberal no serviço público nos anos 90.

RicardãoCarioca

26 de maio de 2012 às 12h59

Alguém da oposição, por gentileza e se quiser, tente desmentir o Ciro, falando sobre FHC e Serra, no vídeo de menos de 4 minutos abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=wZ8DTdVJ-1k

Responder

Eduardo

26 de maio de 2012 às 12h36

As críticas são importantes, não podemos ter um discurso uníssono… não é por acaso que as Universidades estão em greve… e a mídia progressista não aponta isso.
Votei no Governo Dilma, acho que o caminho é esse… mas não devemos nunca deixar de fazer críticas construtivas no sentido de não deixar ninguém se acomodar. O Brasil pode e deve melhorar!

Abraços

Responder

Tomudjin

26 de maio de 2012 às 10h12

Se os Maias, os Incas e os Astecas não achassem que o mundo é tão pequeno, teriam detonado a Europa.

Responder

Ted Tarantula

26 de maio de 2012 às 09h30

É praticamente o mesmo que Monteiro Lobato já dizia… e nossos tetranetos vão ler e ouvir as mesmas coisas…nosso país é um tipo de pesadelo em deja vu..

Responder

Roberto Locatelli

26 de maio de 2012 às 08h53

Ciro Gomes adora criticar tudo e todos. Mas fugiu em diversas ocasiões nas quais podia ter feito a diferença. E agora, sem cargo, sem responsabilidades, pode girar sua metralhadora para o lado que quiser.

Responder

    Wandson

    26 de maio de 2012 às 11h47

    Concordo em parte com vc Locatelli, entretanto precisamos sim, ter voz discordante para que possamos avaçar como nação. E idéias precisam de mudanças ei Ciro mudou e isso é bom. Grato Wandson- Santana/AP.


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