VIOMUNDO

Diário da Resistência


Antônio David:  O tempo corre contra Dilma
Política

Antônio David: O tempo corre contra Dilma


15/09/2013 - 01h38


O impasse do lulismo, ou a inexorável necessidade de encontrar a justa medida

por Antônio David, especial para o Viomundo

I – Manifestações e manifestantes

“O gigante acordou”. Mais do que um bordão repetido durante os protestos de junho pelo Brasil, a expressão parece corresponder à representação que os manifestantes fizeram de si mesmos, como se naquele momento tivéssemos testemunhado não a expressão de um conflito no interior da sociedade, mas um grito da sociedade contra algo ou alguém.

Penso que essa estranha autorepresentação coloca-nos diante de um traço nefasto da cultura política brasileira: a imagem da indivisão social.

A violência que marca as relações sociais no Brasil é sistematicamente ocultada, para em seu lugar impor-se a imagem de uma sociedade harmônica e coesa. Talvez Gilberto Freyre seja quem tenha levado mais longe essa imagem, quando propõe que no Brasil subsista um “equilíbrio de antagonismos”: apesar dos antagonismos, haveria entre nós equilíbrio. O interessante é que a fórmula pode ser invertida: apesar do equilíbrio, a sociedade brasileira é recortada de cima a baixo por antagonismos.

Guardamos hoje os traços de nosso passado escravocrata. Herdamos dele a abissal desigualdade entre ricos e pobres. Como todas as sociedades complexas, também a nossa é dividida. Ocorre que a sociedade brasileira não é apenas dividida; é muito dividida.

Quando Lula foi eleito em 2002, o Brasil era o país mais desigual do mundo; ainda hoje figura entre os mais desiguais. E talvez justamente por ser tão desigual, é que se imponha com tanta força a imagem de uma sociedade harmônica e coesa, simbolizada pelo verde-amarelo.

Afinal, quem foi às ruas? Acompanhando os debates públicos, parece haver dúvidas sobre o perfil dos manifestantes. Uma coisa é certa: não foi o “povo”, em abstrato, o protagonista dos protestos. E aqui não pretendo fazer reparações àqueles que vocalizam essa percepção.

Não se pode exigir daqueles que intervêm no debate público e exercem influência sobre a opinião pública que abram mão de “disputar o significado” de junho. No entanto, a atitude da disputa só é válida se puder conviver com outra atitude: o esforço de apreender as contradições da realidade.

Se o coro em uníssono contra a corrupção associado ao verde-amarelismo  criou a impressão do despertar do “gigante”, por trás da aparente celebração há um fato inexorável: em junho, saíram às ruas frações de classe. E, como sabemos, frações de classe distintas em geral possuem motivações e interesses distintos, não raro antagônicos.

Seja pelo método empírico do olhar, seja considerando o que apontaram uma série de pesquisas feitas junto aos manifestantes a fim de traçar seu perfil, parece factível a hipótese de que, no interior do gigante, havia preponderantemente duas frações de classe.

De um lado, uma parcela do proletariado, que o sociólogo Ruy Braga chama de “precariado” – jovens que estudam e ao mesmo tempo trabalham, concentrados no setor de serviços, vulneráveis à altíssima rotatividade desse setor, submetidos a um ritmo de trabalho frenético, mas que experimentaram conquistas nos últimos anos via ensino superior privado, carteira assinada, renda e crédito.

De outro, a classe média tradicional – um setor da sociedade que, a despeito de usufruir a palavra “média” no nome, situa-se no topo da pirâmide social, e que, a despeito de também ter sido beneficiada nos últimos dez anos, sente-se profundamente ameaçada pela ascensão dos de baixo.

Enquanto os primeiros almejam melhores condições de vida e de trabalho, compatíveis com sua qualificação profissional, os segundos querem os “mensaleiros” na cadeia.

Para além das demandas, o mais importante talvez seja procurar saber quais afetos dominam cada uma dessas frações. Arriscaria dizer que, entre os primeiros, fortes expectativas criadas pela ascensão social convivem com sentimentos de inquietude e frustração face às dificuldades de realizar as expectativas que nutrem; entre os segundos, o medo da perda de privilégios aliada ao ódio de classe, fruto da perda de posição de sua ideologia na sociedade – afinal, a classe média ampara-se na ideologia do mérito, ou seja, na naturalização da desigualdade.

O curioso é que, apesar do aparente uníssono nas ruas, no que realmente importa uma e outra frações de classe almejam o exato oposto –enquanto os primeiros reivindicam mais e melhores serviços públicos, os segundos reivindicam menos impostos. E, no entanto, o que observamos em junho foi uma estranha aparência de comunhão de interesses e de engajamento.

Claro está que os desejos antagônicos de um e de outro se cruzam num ponto: no repúdio à corrupção.

Mas não devemos nos enganar quanto a esse ponto comum. É certo que o tom antipartido das manifestações fez parecer haver uma repulsa geral à política institucional, talvez mesmo uma demanda por democracia direta.

Porém, se a tônica das manifestações era “contra os partidos e os políticos”, pesquisa feita em São Paulo mostrou que mais de 50% dos manifestantes têm candidato para 2014: Joaquim Barbosa e Marina Silva. Contra os partidos, pessoas. Claro que a eleição é só um aspecto, e talvez não seja o mais importante; mas é sintomático.

Para tornar o quadro ainda mais complexo, uma parcela majoritária da classe trabalhadora não saiu às ruas. A fração que o cientista político André Singer chama de subproletariado assistiu as manifestações à distância. Possivelmente com alguma desconfiança, pois essa fração teme a radicalização política, na medida em que vê nela a possibilidade do desemprego e da perda de conquistas obtidas nos últimos dez anos. Igualmente, a classe trabalhadora tradicional, do “colarinho azul”, organizada em sindicatos, com maior experiência política e melhor remunerada, parece não ter se engajado nas manifestações.

É obvio que saíram às ruas em junho indivíduos dessas duas frações, e de todas as demais frações. Até burgueses havia em meio às manifestações – e se as coisas participam da vida política tanto quanto as pessoas, o prédio da Fiesp na Av. Paulista foi um protagonista dos protestos de junho em São Paulo. A preocupação aqui é saber quais frações de classe eram predominantes em junho.

II – A ponta do iceberg

Dito isso, cabe analisar a resposta do governo aos protestos.

Para chegarmos ao ponto que aqui interessa – o impasse na estratégia lulista –, penso ser útil começarmos pela seguinte constatação: aparentemente, ao invés de sair pela tangente, o governo abraçou a demanda vinda das ruas quando propôs a Constituinte Exclusiva.

Por que o governo recuou, se pesquisa do Datafolha mostrou que 73% dos brasileiros apoiavam a proposta? Por que a mídia faria campanha contra? Por que, ao cabo, o Congresso e o STF a derrubariam? Isso tudo é verdade, mas é apenas parte da verdade. Arriscaria dizer que o governo recuou justamente porque está olhando para as classes sociais e a política.

Talvez o governo tenha percebido que estes 73% que declararam apoiar a proposta não se converteriam em mobilização de massa, pois o que motivou os manifestantes a tomar as ruas não foi a corrupção.

O repúdio geral à corrupção é um dado incontestável, mas não devemos nos enganar quanto às reais motivações dos manifestantes. O que está em jogo para o precariado é obter melhores condições de vida e de trabalho; para a classe média tradicional, bloquear o processo de ascensão social aberto em 2003, e trocar o PT pelo PSDB.

O governo certamente fez o cálculo: de um lado, apostar na Constituinte, e, exceto se houvesse radicalização política, correr o alto risco de perder a batalha; de outro lado, apostar no plebiscito, cujo risco parece ser menor. A opção, à maneira do lulismo, foi pelo menor risco e sem radicalização. Mesmo assim, o plebiscito segue de molho. Tudo indica que não ocorrerá.

Ao cabo, para avaliar se o governo errou ou acertou em retirar a proposta, só há um critério: que classes e frações de classe dariam sustentação para a proposta, e que classes e frações de classe combateriam a proposta?

É impossível responder com certeza  tais perguntas, mas é possível e necessário fazer cálculos, ou, nas palavras de Vladimir Safatle, “detalhar ao máximo [as] ações e os cenários possíveis que essas engendrariam” (A esquerda que não teme dizer seu nome, Três Estrelas, 2012). Há quem sustente que o governo errou ao recuar. Pode ser. Mas, se errou, não é por que procura seguir à risca este princípio?

No entanto, tal constatação não esgota o problema, pois parte de um pressuposto: evitar a radicalização política. Essa parece ser a questão central. Se assim for, o dilema Constituinte Exclusiva vs. Plebiscito – e por isso retomo essas propostas – apenas evidencia a ponta do iceberg. É o mero sintoma.

Naquele momento, Dilma fez uma opção. Recuou. Diante dessa conduta, alguém poderia objetar: “O governo deveria ter mantido a proposta!”. Há quem vá mais longe: “O governo deveria romper com a governabilidade e fazer enfrentamentos!”. Não são essas percepções correntes na esquerda? Aqui, mais do que uma decisão pontual do governo, é o pressuposto (evitar a radicalização) que é questionado.

Justo. O governo poderia apostar nesse caminho: a via da radicalização política, da ruptura com a base de apoio no Congresso, do enfrentamento aberto. Por que não aposta? Penso ser necessário esmiuçar as razões dessa opção.

III – Classes e frações de classe

A classe trabalhadora brasileira não é um todo homogêneo. Possui frações. Além do proletariado fabril, cujo paradigma é o metalúrgico, há uma nova classe trabalhadora, predominantemente jovem, que ascendeu via ensino superior privado, tem maiores expectativas, seja de padrão de vida, seja de trabalho, mas não enxerga perspectivas de futuro no mercado de trabalho – pois não há perspectivas. Por isso, vive sob tensão.

Por outro lado, há outra fração da classe trabalhadora, muito superior em tamanho, que ainda vive em condições de pobreza e miséria, e que constitui a principal base social e eleitoral do lulismo: o subproletariado. Essa fração quer mudanças, mas possui um traço conservador: rejeita a radicalização política, na medida em que associa (não sem razão) a instabilidade política ao desemprego e à carestia.

Para mantê-los ao seu lado e favorecê-los, a estratégia dos governos Lula e Dilma consiste em evitar a radicalização. De fato, este setor tem sido beneficiado: a pobreza e a desigualdade estão caindo, ainda que muito lentamente – o traço conservador está na lentidão do processo.

O fato é que o governo tem razões para evitar a radicalização política: a radicalização suscitaria crises, instabilidade, fuga de capitais etc., o que tenderia a elevar o nível de desemprego e a afetar diretamente o subproletariado.

Nessa situação, além do risco de ver bloqueado o processo (lento) de redução da pobreza – o qual supostamente depende de haver estabilidade econômica, bem como de uma ampla base de apoio no Congresso Nacional –, essa fração de classe poderia enxergar na direita uma alternativa política, como fez em 1989, 1994 e 1998, quando deu a vitória para Collor e FHC.

Some-se a isso o fato de que hoje a classe média tradicional é, dentre todas as classes, aquela que está se sentindo mais prejudicada e parece ter maior força de ânimo para ir às ruas manifestar seu descontentamento, com pitadas de protofascismo, como já ocorreu outrora na história do Brasil. Assim, é de se supor que a radicalização por parte do governo teria repercussões diferentes na sociedade, alimentando, sobretudo, a radicalização da classe média.

Porém, na medida em que viabiliza a ascensão social dos de baixo, a estratégia lulista cria cada vez mais a necessidade de empreender reformas estruturais, a começar pela abertura e dinamização do mercado de trabalho e pela melhora radical dos serviços públicos, a fim de viabilizar a continuidade da ascensão dos que já ascenderam, caso contrário estes ficarão estagnados economicamente.

Além disso, precisa envolver a organização e a mobilização da nova classe trabalhadora, para que esta lute por seus direitos, caso contrário essa fração de classe poderá optar por alternativas conservadoras – a história é recheada de exemplos nesse sentido. Se a nova classe trabalhadora pender para a direita, não se trata de perder apenas o governo nas urnas. É o processo em curso de combate à pobreza e à desigualdade que será bloqueado.

IV – Impasse e paradoxo

Dito isso, o impasse da estratégia do lulismo pode ser colocado nestes termos: de um lado, o governo precisa evitar a radicalização, não só por razões eleitorais, mas também por razões econômicas: a radicalização provavelmente paralisaria o governo, enquadrado que está pelo mercado, Congresso e Judiciário, e por conseguinte provavelmente elevaria o desemprego – o que, para além das repercussões eleitorais, faria a desigualdade voltar a aumentar; de outro, o governo precisa investir na radicalização, pois, na medida em que os trabalhadores ascendem, a continuidade de sua ascensão exige enfrentamentos, necessários para haver mudanças estruturais na economia brasileira e no serviço público.

Prensado entre duas frações de classe, o governo vê-se então diante da necessidade de evitar a radicalização e, ao mesmo tempo, de investir na radicalização. Desnecessário dizer que rifar uma das frações de classe não é alternativa. Daí ser duvidoso que a saída para o impasse reduza-se à mera opção entre evitar ou investir.

Não surpreende que essa formulação, pela qual se impõem simultaneamente duas tarefas antagônicas, soe estranha. A dificuldade em ver o impasse deriva não apenas da dificuldade em observar uma contradição no seio da própria classe trabalhadora, mas também, e talvez, sobretudo, em depreender o paradoxo do lulismo: parecendo ser uma coisa, o lulismo é o exato oposto. Vejamos.

É lugar comum a constatação de que o governo possui uma estratégia da acomodação dos conflitos e de amortecimento das lutas. Muitos falam em cooptação dos movimentos sociais e sindicatos. Contudo, ao examinar a realidade, o que se pode observar é que, na medida em que o tempo passa, a estratégia do lulismo produz o exato oposto, ou seja, cada vez mais alimenta o conflito.

Prova disso é o ascenso de greves operárias em curso atualmente, relacionado não à piora no mercado de trabalho, mas justamente ao oposto, ou seja, à melhora (do nível de emprego e renda), permitindo inclusive que mais de 95% dos reajustes salariais situem-se acima da inflação.

Em parte, as manifestações de junho enquadram-se nessa formulação, pois, dentre as causas que levaram o precariado a tomar as ruas, foi determinante o fato de essa fração de classe nutrir expectativas, abertas exatamente pelas opções tomadas pelos Governos Lula e Dilma.

V – Mantendo as condições de sua própria perpetuação

Aqui é preciso fazer um parêntese. Há quem diga que o lulismo esgotou-se. Não só discordo dessa tese, como penso ser o exato oposto. O grande problema do lulismo parece estar exatamente no fato de não ter se esgotado – ou seja, em ter mantido as condições para sua perpetuação. Pois, se o objetivo da estratégia inaugurada pelo governo Lula e levada adiante pelo atual governo é o combate à pobreza e à desigualdade, de modo a incorporar o subproletariado ao proletariado, então como explicar que, passados dez anos, o subproletariado ainda exista e em tão elevado número? (Se levarmos em conta as amostras do Datafolha e Ibope em suas pesquisas de opinião, observaremos que a parte da população que recebe até 2 salários mínimos de renda familiar mensal caiu de aproximadamente 50% em 2002 para 40% em 2013).

O próprio André Singer chama a atenção para isso em seu livro Os sentidos do lulismo (Companhia das Letras, 2010): “o reformismo fraco, por ser fraco, implica ritmo tão lento que, por vezes, parece apenas eternizar a desigualdade”.

De fato, enorme quantidade de pesquisas confirma que a pobreza e a desigualdade estão caindo, mas muito lentamente – e talvez mais lentamente ainda com Dilma. Se o lulismo tem um pecado, esse pecado sem dúvida está na sua longa duração.

Mas é possível ir além na crítica. Passados dez anos, o lulismo não apenas não cumpriu sua missão – incorporar o subproletariado ao proletariado – como tem dificuldade de criar as condições para que, uma vez incorporado, o novo proletariado adquira feições do velho proletariado.

Senão, como explicar que parte substancial dos trabalhadores outrora situados nessa fração (subproletariado) e que se elevaram à condição proletária, estejam hoje submetidos a condições tão precárias de trabalho – como no telemarketing ou na hidrelétrica de Jiraú, só para citar dois exemplos?

Finalmente, e voltando ao ponto inicial desse artigo: Como explicar que, passados dez anos, a percepção social continue sendo marcada pela imagem da indivisão social, bem expressa na figura do despertar do “gigante”?

Essa pergunta, em particular, é tão mais intrigante quando se constata que, paradoxal que é, parecendo jogar contra o conflito, na realidade o lulismo só tem alimentado a polarização social no interior da sociedade. A polarização não só subsistiu sob o lulismo, como aumentou, fruto exatamente das políticas do governo (não há nada melhor representativo da polarização do que a opinião generalizada na classe média sobre o Bolsa Família).

Mesmo assim, não deixou de soar estranho o recado do ex-presidente Lula ao cabo dos protestos: “façam política”. Isso porque a polarização alimentada pelo lulismo nos últimos dez anos, apesar de crescente, parece ter sido despolitizante, ao menos até junho. Assim, o resultado não poderia ser outro: expressão de uma polarização latente na sociedade, fruto da agudização do conflito de classes, os protestos eclodiram escondendo, mascarando e ocultando essa raíz. Em seu lugar, apareceram como expressão do seu exato oposto, ou seja, de uma sociedade homogênea, coesa, harmônica, com motivações e interesses convergentes: contra “tudo o que está aí”.

V – Alerta

Por fim, um alerta: as conseqüências do impasse na estratégia lulista já se fazem notar eleitoralmente. Comparando as intenções de voto no segundo turno da eleição presidencial em 2006 e em 2010, a diferença entre PT e PSDB caiu de 21% (2006) para apenas 6% (2010) na faixa de renda de 2 a 5 salários mínimos de renda familiar mensal, exatamente onde o precariado está inserido. Uma hipótese é que essa diferença esteje associada a um processo subterrâneo, lento e invisível de distanciamento do precariado em relação ao PT.

Reforçam essa hipótese as pesquisas de intenção de voto mais recentes, as quais não mostram um quadro mais favorável. Ao contrário. Segundo o Datafolha (Pesquisa feita entre 7 a 9/8/13), se houvesse segundo turno hoje, nessa faixa de renda (2 a 5 SM de renda familiar mensal) Dilma figura com larga vantagem perante Aécio Neves (50% x 32%), mas já teria sido ultrapassada por Marina Silva (43% x 45%). Além disso, mesmo em relação a Aécio, a vantagem de Dilma é relativa, pois o tucano é ainda pouco conhecido na faixa de renda aqui considerada: 20% declararam não conhecê-lo, 33% conhecem-no “só de ouvir falar”, 29% conhecem-no “um pouco” e apenas 18% conhecem-no “muito bem”.

A considerar estes dados, parece que a inquietude do precariado está levando-o a buscar alternativas eleitorais e, por extensão, políticas – o que não quer necessariamente dizer, alternativas de esquerda.

VI – Justa medida

Contraditório, o lulismo envolve um pacto conservador ao mesmo tempo em que guarda em si uma vocação igualitarista. Mas suas promessas de igualdade só poderão ser realizadas se o lulismo tiver força para superar-se, ultrapassar o impasse inscrito nele mesmo – ou seja, encontrar a justa medida da radicalização. Terá? O tempo corre contra Dilma.

Antônio David é pós-graduando em filosofia na USP e mantém uma página no Facebook para divulgação de pesquisas e análises sobre o Brasil.





33 comentários

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Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas viram alvo da PM em protestos em Brasília - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de setembro de 2013 às 11h36

[…] Antônio David: O tempo corre contra Dilma […]

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Lincoln Secco: Lula talvez o que melhor entendeu no PT os protestos de junho - Viomundo - O que você não vê na mídia

16 de setembro de 2013 às 14h42

[…] Antônio David: O tempo corre contra Dilma […]

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cid elias

16 de setembro de 2013 às 12h58

E a mírdia continua a fazer sua parte, sempre visando recolocar no Pindorama algo que lamba as botas dos irmãos do norte. Ontem quase vomitei ao passar rapidamente pela globostanews: os canalhas falaram uma trocentas vezes em “privatização” das estradas x e y – chega a ser nojento essa estratégia de MENTIR para os brasileiros teleguiados, na clara intenção de igualar o Governo atual com os privateiros criminosos. Concessão não é igual a privatização, nunca. ”Égua duns cabra safado!!”

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Urbano

16 de setembro de 2013 às 12h36

Votarei nela de novo, até pelos abutres e hienas que rondam o Planalto, mas pedirei a Deus que o tempo seja um verdadeiro raio até janeiro de 2019. Concomitantemente, reforçarei o pedido, com todo o ardor, para que o Eterno Presidente Lula volte, a fim de conseguirmos salvar alguma lavoura para o povo brasileiro.

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henrique de oliveira

16 de setembro de 2013 às 12h06

O BRASIL acordou em 2003 não en junho ou julho de 2013. os coxinhas sairão as ruas mas sem foco , sem propostas e sem discurso.
Seria Blablarina a solução para essa gente? ou Aébrio Never?

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Elias

16 de setembro de 2013 às 01h48

Tá, tudo bem, o tempo corre contra Dilma e a favor de quem? Do Aécio, da Marina? Notem o que o articulista escreve: “Dilma figura com larga vantagem perante Aécio Neves (50% x 32%), mas já teria sido ultrapassada por Marina Silva (43% x 45%). Além disso, mesmo em relação a Aécio, a vantagem de Dilma é relativa, pois o tucano é ainda pouco conhecido na faixa de renda aqui considerada: 20% declararam não conhecê-lo, 33% conhecem-no “só de ouvir falar”, 29% conhecem-no “um pouco” e apenas 18% conhecem-no “muito bem”.” Lastimáveis observações de uma cabeça da USP.

Considero Antônio David o mais divagante dos analistas suportáveis. Agora o que é insuportável mesmo é a sua prolixidade.

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Rasec

15 de setembro de 2013 às 23h39

mAs vocês não conseguem ficar muito tempo sem plantar terror, né? Haja saco!

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Davi Basso

15 de setembro de 2013 às 23h28

Há muito o que crescer sem radicalizar. Muito. Pode-se começar em mitigar ou eliminar as terceirizações em empresas públicas. Já é um bom início. Outra forma muito simples de melhorar a sociedade é colocar quadros de esquerda no lugar dos diretores de empresas, agencias reguladoras e que tais governamentais, pois ainda hoje permanecem os de orientação PSDBista. É inacreditável um projeto aprovado por ampla maioria não passar por uma explicação exdrúxula a respeito da maioria. Vejam o caso do pré-sal. Outra forma de melhorar é colocar ministros ao menos progressistas, por que Gleise, Bernardo, Ideli, Cardoso… MelDels. O que já li e ouvi de explicação sobre o governo. Bem esta é mais uma. Dentro da filosofia podemos dizer que esta sabe tudo sobre o passado e o futuro, e não sabe nada sobre o presente. O projeto que ganhou a eleição não foi este. Ah, mas e os avanços… Aí é mais desesperador, pois nesta toada vamos morrer todos e não vamos ver avanço nenhum. Alguém pode me dizer as melhorias feitas para o trabalhador durante este governo, e o anterior tbm, por favor? E não me venham com aumento real, por que isso tudo é sim extremamente desproporcional. Afinal, parece que o governo tem de pedir permissão para a direita para fazer um mínimo qualquer.

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JohnnyGo

15 de setembro de 2013 às 23h10

O texto é primoroso ao mapear os interesses sociais envolvidos no panorama político, principalmente no período que se iniciou com as manifestações de junho. Concordo que as denominadas frações preponderantes do processo (“precariado” e classe média) têm objetivos conflitantes, sendo que o primeiro grupo está onde sempre esteve, ou seja, permanece vigiando seus anéis, cada vez com menor poder de influência sobre aqueles que (erroneamente) enxergam como ameaça.
O problema político situa-se, de fato, no segundo bloco, os que emergiram da pobreza, pois são numerosos e podem afetar os resultados das eleições em 2014. Este subproletariado parece menos infenso aos ditames da velha mídia, o que é bom, mas tendem a uma espécie de niilismo resultante da nossa era da informação, bombardeados que são pela multiplicidade contrastante das novas mídias. Falta-lhes maturidade política e bom nível educacional (as faculdades particulares apenas tangenciam este problema). São eles os propensos a reclamar de “tudo que está aí”, pois a classe média tem opção política claramente definida, vota em FHC e seu entorno, idolatra o mérito, recusa-se a qualquer identificação com os mais fracos. São estes emergentes pobres que se inclinam a votar em Marina ou Joaquim Barbosa, merecendo um olhar carinhoso sobre suas necessidades.
Até aí, estou plenamente de acordo com o que foi escrito. Creio, no entanto, que o autor subestimou os avanços sociais do lulismo, que, em termos históricos, são enormes para um período de apenas dez anos. Por outro lado, o PT e seus aliados no campo ideológico possuem um trunfo na manga que não pode ser desprezado: Lula. O tal “precariado” pode até não se identificar profundamente com a presidenta, que tem dificuldades (devido à sua natureza mais reservada e técnica) em estabelecer com eles um vínculo forte, mas o ex-presidente Lula mora em seu coração. Esse fator pesará muito na próxima eleição, assim como pesou na última. Finalmente, há a realidade do dia-a-dia das pessoas, muito ligada à situação econômica do país: emprego, salário e inflação. Enquanto estas variáveis se mantiverem favoráveis, creio que as chances de levar adiante o projeto lulista são boas. Quanto ao ritmo desse avanço, pode-se melhorar, mas não nos esqueçamos de que as forças do atraso tiveram vários séculos para se organizarem e resistem com ferocidade.

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    JohnnyGo

    15 de setembro de 2013 às 23h13

    Correção: onde se lê “precariado” e classe média, leia-se na ordem inversa, classe média e “precariado”.

Matheus

15 de setembro de 2013 às 23h00

Dilma realiza privatizações massivas do petróleo. É o retorno ao entreguismo mais vergonhoso de FHC.

E há quem faça todo contorcionismo possível para dizer que o lulismo não se esgotou. Não apenas se esgotou, como deu a luz a Dilma Presidenta, a FHC de saias.

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    Bonifa

    16 de setembro de 2013 às 14h29

    Não é nada disso. Procure se informar sobre exploração de petróleo, seu custo e suas implicações políticas, bem como sobre o modelo adotado pelo governo brasileiro. A menos que o que você queira, na verdade, seja apenas atacar a presidenta-candidata Dilma Rousseff.

Bonifa

15 de setembro de 2013 às 22h48

A única dúvida que temos é se os promotores do golpe de junho detectaram antecipadamente a possibilidade do Movimento Passe Livre, único movimento no país que já tinha conseguido colocar muitos manifestantes na rua nos últimos anos, vir a servir de espoleta para suas operações táticas já planejadas e então, de alguma maneira, estimularam a explosão do movimento, ou se eles apenas viram a explosão iminente e agiram imediatamente sobre ela, tomando-a de assalto, com enorme senso de oportunidade e capacidade de articulação. Tendemos a acreditar na primeira hipótese. Seja como for, o que salvou o país foi a emergência simultânea de uma variedade enorme de demandas reprimidas por expressão de rua, inclusive aquelas dos chamados vândalos, que envolveram o golpe e despedaçaram o caráter unificado de um movimento nacional contra o Governo Federal e o Partido dos Trabalhadores. Já se sabia há tempos que a direita precisava e iria fazer alguma coisa para tentar anular a enorme popularidade que o Governo teria com o advento das copas, mas ninguém esperava que ousasse fazer algo tão grande. Foi um golpe muito bem planejado, ninguém pode negar. Mas aquelas demandas reprimidas, inclusive as que não tiveram jamais voz e vez na mídia oposicionista, a qual em seguida foi também alvo de fortes ataques de manifestantes, aquelas demandas tomaram a bandeira dos movimentos e anularam o golpe da direita. É preciso entender que a ousadia dos golpistas tende a crescer na medida em que a ousadia anterior não dá resultado. Temos que esperar por algo ainda mais intenso, em futuro próximo, na direção do golpe.

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    Valmont

    16 de setembro de 2013 às 11h52

    Bonifa, a comprovada ação de grupos patrocinados (ChangeBrazil, etc.), com milionário esquema de marketing centrado nas redes sociais, é um aspecto importante que você traz ao debate e que jamais poderia ser desprezado. Tratar os recentes movimentos de massas como se fossem absolutamente espontâneos, ignorando a existência de organizações que atuam em vários países como mercenários, financiados por “Mr. Nobody”, é o cúmulo da ingenuidade.

    A presença marcante da figura do Anonymous, esse suposto movimento internacional que usa uma máscara anarquista, mas que revela, aqui no Brasil, uma clara tendência à direita em seu discurso nas redes sociais, é algo a ser considerado.

    A partir da descoberta do Pré-Sal, o Brasil ganhou importância no cenário geopolítico mundial. Há quem não compreenda o jogo das corporações transnacionais nesse tabuleiro de guerra, mas já é de conhecimento geral a maneira como governantes desobedientes sofreram as injunções da Potência Hegemônica no pós-guerra. O modus operandi está bem documentado e pode ser visto até no Youtube, em documentários como “O Segredo das Sete Irmãs” e “The Revolution Business”. O que vimos em junho no Brasil foi o laboratório da manipulação de massas através de redes sociais e de grupos semelhantes aos mercenários do CANVAS/OTPOR. Os movimentos da Primavera Árabe, da Turquia, da Venezuela, todos foram marcados pela presença dessa organização mercenária financiada por dólares dos Estados Unidos. O modelo foi apenas testado no Brasil. Aguardemos os acontecimentos do próximo ano, quando ações muito mais contundentes ocorrerão.

    O objetivo é remover os “desobedientes” do poder.

    Creio que a pressa de Dilma em relação ao campo de Libra tem a ver com esse quadro, que se agrava com o acirramento do conflito entre BRICS e EUA/União Europeia em torno da Síria e do Irã, além das iniciativas que tendem a isolar o dólar no relevante mercado formado por esses países (criação de um banco e de uma bolsa de moedas do BRICS). A derrocada do dólar representaria um impacto sem precedentes na hegemonia estadunidense.

    Precisamos trazer à análise esses aspectos que incidem direta e decisivamente no jogo político nacional. O Brasil não pode ser visto como um sistema fechado, dada a histórica vinculação da nossa plutocracia aos interesses do Império Norte-Americano. Esse link está muito mais forte hoje, quando se percebe claramente o aparato bilionário da velha mídia agindo como verdadeiras agências de lobby e intervenção política do Tea Party.

Sr.Indignado

15 de setembro de 2013 às 22h28

O problema é que é cada vez mais difícil encontrar um fórum de debates sobre o governo que não se transforme num apedrejamento. Que não é o caso do Viomundo e outros blogs sujos.

Eu voto na Dilma.
Poderia ser melhor, poderia. Sempre poderá.
Concordo com o Paulo Roberto Jr, não é hora de radicalizar.
Melhor aproveitar as conquistas.

Responder

Antonio C.

15 de setembro de 2013 às 22h02

Bem, podem dizer que é argumento ad hominem, tanto faz. Mas não tenho Antonio David como pessoa digna de minha confiança. Eu o conheço bem. Isso compromete qualquer palavra que venha de sua boca e de seus dedos. E fim.

Responder

João Paulo

15 de setembro de 2013 às 21h09

Mais que focar em que frações de classe foram as ruas, o autor seria melhor sucedido se baseasse a sua análise num fato muito facilmente identificado por quem saiu às ruas em vez de assistir a cobertura midiática do sofá de casa.
pra ser modesto, uns 80% dos manifestantes eram jovens.
sem fazer um corte geracional, do inconformismo de uma geração que cresce com muito acesso à informação em um mundo ainda dominado por arcaísmos nas escolas, universidades, serviços públicos em geral, a análise vai ser insuficiente.
é um debate caro, mas que deve ser feito principalmente pelos que reivindicam o marxismo, pra não correr o risco de transformá-lo em assunto das mesas de dominós e quadras de bocha das praças.
#fikdik

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    Antônio

    15 de setembro de 2013 às 22h03

    Caro João Paulo,

    Repare: “De um lado, uma parcela do proletariado, que o sociólogo Ruy Braga chama de precariado – jovens que /…/”.

    Portanto, o predomínio dos jovens na fração de classe que preponderantemente tomou as ruas foi destacado no artigo. O “precariado” que saiu às ruas é majoritariamente jovem.

    No mais, sua leitura peca pelo fato de que há jovens em todas as classes e frações de classe. Contudo, os jovens burgueses praticamente não sairam às ruas, tanto quanto não sairam às ruas os jovens subproletários. Os jovens da classe trabalhadora tradicional também não sairam às ruas em peso. Quanto à classe média tradicional, pessoas com mais de 30 anos pertencentes a essa fração de classe participaram na mesma proporção que jovens. Portanto, o recorte não pode ser geracional.

    Em suma: sustentar que os protestos foram de “jovens” para mim equivale a mascarar o verdadeiro conflito.

    AD.

João

15 de setembro de 2013 às 20h46

Vai embora, Dilma! Volta, Lula!

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Elize Lima

15 de setembro de 2013 às 20h17

Estamos em uma sociedade capitalista tentando construir algo novo. Ou seja, dentro do precipício construindo escadas (fortes) para subir e respirar. Essa sociedade injusta já estava aí antes. Tempo? É uma invenção humana e a História se dará apesar dele.

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Fabio Passos

15 de setembro de 2013 às 19h49

As conquistas de Lula-Dilma são significativas… e ainda assim incapazes de produzir solução a nossa abissal desigualdade.

É imensa a riqueza roubada e acumulada pela “elite” branca durante centenas de anos de exploração.

A maioria que trabalha tem o direito de recuperar esta riqueza que foi roubada pela minoria rica.
E quer construir uma democracia real. Não esta farsa em que os governantes não atendem seus eleitores… mas apenas obedecem seus financiadores de campanha.

Dilma e Lula fizeram diagnóstico correto sobre as manifestações.
Mas as ações ainda deixam a desejar.

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anac

15 de setembro de 2013 às 19h06

enquanto os primeiros reivindicam mais e melhores serviços públicos, os segundos reivindicam menos impostos.
Interesses totalmente opostos que em outros países já deu em conflito.
Vejo na classe media que esta a viajar a Miami, New York, Europa como nunca dantes e a comprar veículos zero km e imoveis em prestações a perder de vista mais o ódio de classe e o medo de perder os privilégios. Percebo claramente esse medo quando em viagens de avião, sinto por parte de alguns o desconforto de ter que dividir o mesmo ambiente com alguém da classe C. Ou quando se toma de profunda revolta pelo fato de seus corolas e civics, terem que dividir as ruas com os veículos de 1000 cilindradas.

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Gilles

15 de setembro de 2013 às 18h05

“Mais do que um bordão repetido durante os protestos de junho pelo Brasil, a expressão parece corresponder à representação que os manifestantes fizeram de si mesmos, como se naquele momento tivéssemos testemunhado não a expressão de um conflito no interior da sociedade, mas um grito da sociedade contra algo ou alguém.

Penso que essa estranha autorepresentação coloca-nos diante de um traço nefasto da cultura política brasileira: a imagem da indivisão social.”

O melhor texto que lembro de ler neste site até agora. Parabéns ao autor.

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Sergio Silva

15 de setembro de 2013 às 17h56

Concordo com o texto e infelizmente acho que a sociedade brasileira ainda não está preparada para uma radicalização rumo à igualdade. Talvez em 2018 esteja, mais o governo tem que aprender que a sociedade precisa de emprego e renda, sim, mas precisa também ser incluída no debate político, porque o que se vê por aí é que as pessoas ainda são muito mais influenciadas pelas propagandas – que apresentam um país muito pior do que era antes do PT – que pela realidade em que estão inseridos. Muitos dos que emergiram não percebem que hoje têm empregos, escolaridade e capacidade de consumo jamais imaginadas antes do Lula.

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marco

15 de setembro de 2013 às 17h45

Sr.David.O que cabe aos governos de inspiração pequeno-burguesas é ir levando com a barriga,até onde suas teses chegam.Não mais do que isto.Teses denmocráticas-pequeno-burguesas,o ápice de tais teses,não são as calendas,senão teses democráticas-pequenos-burguesas,onde se inscrevem todas as teses da Democracia das Sociedades de Classes.Se o senhor não sai disso,interiorise-se em suas teses,tomando vinho tinto,acompanhado de vários,senão quase todos,intelectuais fumantes de cachimbos,embora críticos do tabagismo e com barbas longas para supor sabedoria,e pare de encher o saco da arma da crítica,e proponha a crítica das armas.O resto e encher além do saco,e desviar o foco da luta de classes!

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Lando Carlos

15 de setembro de 2013 às 13h11

Existem questões relevantes a ser consideradas sobre as demandas das classes sociais no País. Em maior ou menor grau, todas as classes sociais tiveram ganhos durante os Governos Lula/Dilma, os das camadas menos favorecidas tiveram um aumento percentualmente maior devido justamente às condições desfavoráveis em que viviam. Já os que possuíam melhores condições de vida, sobretudo por se misturar padrões de renda muito díspares, como os existentes nas classes médias tradicionais e alta, com pessoas de altíssima renda. O efeito dos ganhos percentuais acaba diluído, pois quanto maior é a renda, menor é o ganho relativo dela. As aparentes contradições em relação ao desejo da sociedade, expresso pelas camadas ou classes sociais é apresentado como conflitante, quando na realidade é o reflexo natural de um mesmo fenômeno ou desejo de continuar ascendendo socialmente. O distanciamento do setor produtivo nacional com o futuro do País, procurando conjuntamente com o Governo construir as condições para os investimentos, expandindo e recuperando a industria nacional para melhor aproveitamento do potencial brasileiro nas mais diversas áreas e setores, tem sido um entrave ao maior desenvolvimento economico e social do Brasil. Lula tentou com a criação, já no início de seu Governo, do Conselho de Desenvolvimento Economico e Social aproximar o empresariado e sociedade civil do Governo, na solução de conflitos e concepção de medidas para destravar os níveis de investimento no País. Os conflitos de classe existem, mas não são intransponíveis e todos estamos do mesmo lado e não uns contra os outros. A luta de classes se dá na política justamente para mitigar isso e essa tem sido a busca do chamado lulismo, conciliar interesses ampliando o dialogo entre as partes. Que nesse caso não entraram no palco. Com a falta de espaço para comunicação com o cidadão e também de afinar o discurso dos partidos da base em torno do projeto, não foi possível conquistar os avanços tanto na economia, como sociais e até mesmo político.

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Paulo Roberto Jr

15 de setembro de 2013 às 09h20

Excelente texto..

Sou engenheiro, filho de engenheiro… portanto, comparando padrões brasileiros, me coloco no topo da classe média, financeiramente me classificando…
Porém sou lulista de carteirinha… e dilmista por consequência.. e enxergo exatamente este dilema… acredito que deve se ganhar tempo, ao limite… se for pra radicalização agora, corre-se o risco de perder o pouco que se conquistou, porém acredito que o embate é inevitável… Uma pena a classe média olhar apenas para o seu umbigo.. somos seres materialistas, esta é a prova… não sou espírita, mas, espiritualmente falando, dói demais ver os de baixo passando necessidades seculares… ~

Abraço e bom domingo!

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    Ademar Vaz de Moura

    16 de setembro de 2013 às 12h39

    Caro Paulo Roberto Jr,sou espírita e sofro como vc, comtemplando a cena
    brasileira. Lido há décadas com assistência aos necessitados, e choca-nos
    a desigualdade. Creio que bem pouco de cada um, bem administrado, em favor dos pobres muito complementaria as políticas públicas.
    Convivo, também com os que muito possuem,e o que vejo neles é medo,
    perplexidade,falta de amor. Creio que precisamos de um novo Lula, para impulsionar o levantamento social desses necessitados. Um Gandi, para a grandeza do Brasil.

Sagarana

15 de setembro de 2013 às 08h59

Muito bem David, não deixe se acreditar. “Juntos chegaremos lá”.

Responder

JULIO*Dilma2014/Contagem(MG)

15 de setembro de 2013 às 08h04

Discordoooooooo !!!!!!!!!

O tempo corre contra a oposiçãozinha. Na hora de botar o voto na sacola,
o que vai contar será a macro-economia e esta vai muito bem.

Responder

    renato

    15 de setembro de 2013 às 19h59

    Você falou sacola!
    SACOLA!
    Onde esta a SACOLA, quero votar na Dilma.
    Quando é que tenho que votar na DILMA…
    Esta demorando!!!!!!!!!!!

RIcardo Munhoz

15 de setembro de 2013 às 05h19

Para começar, “lento” é uma análise feita por uma visão “dual core”, conseguimos sim, crescer e evoluir rapidamente. Em 10 anos tivemos muitas conquistas, mudanças reais, se compararmos aos anos de chumbo e a nova república até o fim de fhc. É bem verdade que poderíamos fazer mais um pouco mais, não fossem as amarras e travas da elite colonial e sua classe média acompanhante, muitas vezes intelectualizada. Nestas travas encontra-se a bancada ruralista que obtém seus votos no meio urbano, uma pequena contradição. Não vejo em pesquisas da datafolha e ibope padrões respeitáveis, até pelo passado obscuro. Temos que entender que o processo é revolucionário e permanente, não chegamos ao fim, estamos trabalhando para conseguir o sempre, o todo e, não achar que está tudo pronto. Ricardo Munhoz, Mestre em Geografia.

Responder

    Mário SF Alves

    16 de setembro de 2013 às 01h24

    Boa correção de rumos. Geografia aplicada. E, de fato, tem sido tudo muito rápido. A pior elite do mundo, imersa em seu preconceito, foi pega de surpresa. E foi isso que permitiu a velocidade. O momento da presidenta Dilma é outro. O Lula sabia disso.
    ———————–
    Só não entendi ainda o leilão de Libra.


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