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Altamiro Borges: Sem Moro, Bolsonaro perde um pilar, mas assume controle de investigações contra si e os seus
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Política

Altamiro Borges: Sem Moro, Bolsonaro perde um pilar, mas assume controle de investigações contra si e os seus


23/04/2020 - 21h23

A análise sempre cortante de Altamiro

Da Redação

Altamiro Borges é jornalista, militante do PCdoB e presidente do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé.

Ele mantém o blog do Miro e um canal no You Tube com suas análises cortantes da realidade brasileira.

Dono de uma agenda privilegiada, sabe muito do que se passa nos bastidores da política brasileira.

Por isso convidamos Altamiro para fazer uma rápida análise da conjuntura política em Brasília, depois da nova ameaça do ministro da Justiça, Sergio Moro, de pedir demissão.

Miro acredita que, enfraquecido, o presidente Jair Bolsonaro se move em duas direções: de um lado, assumir o controle mais direto do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, para bloquear múltiplas investigações que podem ameaçá-lo e a seus filhos.

Ele nota que, no evento diante do Forte Apache, em Brasília, que a pedido da Procuradoria Geral da República será investigado pela Polícia Federal, havia muitas faixas idênticas — o que pode levar a financiadores clandestinos dos bolsonaristas que pedem AI-5, intervenção militar e estão na vanguarda dos ataques ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

De outra parte, no Congresso, o foco total de Bolsonaro é no enfrentamento a Maia, transformado no inimigo número um do bolsonarismo nas últimas semanas e que tem o poder de controlar a pauta de votações e a eventual abertura de um processo de impeachment.

Por isso, Bolsonaro tem de atrair gente como Roberto Jefferson e outros expoentes do Centrão, ligados ao PTB, PP, Republicanos, PL e PSD.

Altamiro se diverte com a possibilidade de ver os bolsonaristas assistindo algum evento em que Jefferson e Sergio Moro apareçam lado a lado.

Como pano de fundo da troca de cargos e favores que Jair Bolsonaro disse repetidamente que não faria, a disputa pelo comando da Câmara prevista para fevereiro de 2021.

Mas, até lá, muita água vai rolar.

Para Altamiro Borges, desde já cabe à oposição carimbar o presidente como o grande responsável pelas consequências nefastas da pandemia do coronavírus, além do papel de inimigo dos pobres — que tornou-se mais claro com as  medidas contra os trabalhadores tomadas aproveitando a crise.

O jornalista admite a fragilidade política de Bolsonaro, mas diz que ele ainda tem várias bases de sustentação — desde os militares até a elite brasileira, à qual serve com medidas econômicas destruidoras de direitos sociais.

Porém, se confirmada a tragédia que já é visível em várias capitais brasileiras, por causa da pandemia — foram 407 mortes no Brasil nas últimas 24 horas –, Altamiro acredita que em alguns meses Bolsonaro, a não ser em ambientes absolutamente controlados, corre o risco de não poder andar na rua — depois, obviamente, que o isolamento social for de fato relaxado.

Para o jornalista, a chave para entender o confronto entre Bolsonaro e Moro está na evolução da CPMI das Fake News e nos inquéritos tocados pela Polícia Federal que dizem respeito ao presidente e aos três filhos.

Vale a pena ver a breve análise de Altamiro sobre os acontecimentos das últimas horas.





4 comentários

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Zé Maria

26 de abril de 2020 às 01h23

O Milico Mijão do GSI vai indicar
o Diretor-Geral da Polícia Federal.

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abelardo

24 de abril de 2020 às 01h20

Eu imagino que ao mesmo tempo que Bolsonaro se desespera com seu desgaste, com a perda de apoio, com a popularidade em baixa e a polícia chegando cada vez mais perto da sua família. Moro também está em situação idêntica, com exceção da polícia que seria trocada pelo STJ/STF. Ambos precisam um do outro e ambos devem ter rabo preso, um com o outro. Porém, quando Moro percebe que seu nome, como o queridinho da oligarquia foi substituído por, Mandetta e Luciano Huck ele deve sentir vontade de pular fora do barco furado que embarcou. Mas, se sair e for servir a Dória ficará em situação muito pior, porque deixará de ser um apagado ministro Federal, para se tornar um simed secretário estadual, que certamente não terá boa vida em São Paulo. Sendo assim, eu acredito que Bolsonaro e Moro, sem saberem, só irão se separar após caírem juntos, ou no final de seus mandatos, se resistirem ou deixatem.

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a.ali

23 de abril de 2020 às 22h48

que ficariam bem na foto, sem dúvidas… quem sabe brigariam pelo título de qual deles é o mais salafrário.

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Zé Maria

23 de abril de 2020 às 22h06

PSDB/Globo/MídiaFasciPaulista testando Popularidade
dos possíveis Futuros Candidatos que poderão compor
a Chapa Presidencial em 2022, contra Jair Bolsonaro.

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