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Acuado, Bolsonaro tenta “dispositivo militar” com general que concorde em usar pólvora no Exército
O general Azevedo estava no helicóptero
Política

Acuado, Bolsonaro tenta “dispositivo militar” com general que concorde em usar pólvora no Exército


29/03/2021 - 20h55

Não há clima para um golpe de Estado. As Forças Armadas têm uma postura institucional muito forte. Não embarcam nessa onda. As Forças Armadas têm estruturas fortes de comando, de liderança, de hierarquia, de respeito à legalidade. As Forças Armadas e seus comandantes têm consistência grande. Não se imagine que se possa lançar as Forças Armadas em uma aventura. Os militares não ficam embarcando em qualquer canoa. Não é fácil mexer com as Forças Armadas politicamente. Os comandantes são todos muito discretos. Não se envolvem com política. É uma gente séria. General Santos Cruz, ex-ministro de Jair Bolsonaro

Da Redação

Depois de deslocar o general Walter Braga Netto, especialista em intervenção, para o ministério da Defesa, o presidente Jair Bolsonaro parece disposto a garantir que o novo comandante do Exército tenha e esteja disposto a usar pólvora.

Bolsonaro usou a frase quando o então candidato a presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ameaçou o Brasil com sanções comerciais em caso de destruição da Amazônia.

“Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, se não, não funciona”, afirmou o ocupante do Planalto.

Nos dias seguintes, o comandante do Exército, general Edson Pujol, normalmente muito reservado, mais de uma vez disse que não queria ver política dentro dos quartéis.

Não se sabe se houve algum episódio desconhecido pelo público que levou Pujol a se manifestar.

Bolsonaro concordou com as declarações, mas sublinhou que as tropas deveriam, sim, se manter apartidárias, “sob a autoridade suprema do presidente da República”.

Em outras palavras, o ex-tenente do Exército enquadrou o general quatro estrelas: quem manda sou eu!

A demissão do ministro da Defesa pegou os comandantes militares de surpresa, tanto que se reuniram em Brasília para falar sobre a possibilidade de uma saída coletiva.

O ministro da Defesa Azevedo e Silva teria dito a subordinados que não queria repetir maio do ano passado, quando o presidente sobrevoou uma manifestação contra o STF.

Azevedo estava a bordo mas, aparentemente, contra a vontade.

Na agora famosa reunião de abril do ano passado, Jair Bolsonaro deixou clara sua posição, na presença de todo o Ministério:

Nós queremos fazer cumprir o artigo 142 da Constituição. Todo mundo quer fazer cumprir o artigo 142. E, havendo necessidade, qualquer dos Poderes pode, né?! Pedir às Forças Armadas que intervenham para restabelecer a ordem no Brasil.

Em caso de convocação das Forças Armadas, Bolsonaro não precisa apenas apoio do ministro da Defesa, mas depende principalmente da “pólvora” do Exército, encarregado de implementar decisão presidencial.

Por isso, a remoção de Edson Pujol é dada como certa: ele já se manifestou, como Azevedo e Silva, pela estrita legalidade.

Apoiadores de Bolsonaro dizem que o presidente é o verdadeiro defensor da democracia no Brasil e que os governadores de Estado agem como ditadores ao proibir o funcionamento de serviços essenciais durante a pandemia.

Portanto, o discurso de que Bolsonaro não pretende dar um autogolpe, mas apenas “preservar a democracia”, é apoiado por muitos de seus aliados.

Quando foi decretada a intervenção no setor de Segurança Pública do Rio de Janeiro, aliás comandada pelo general Braga Netto, o tema foi fartamente discutido.

Mas, será um debate acadêmico se Bolsonaro instalar um comandante do Exército bolsonarista, disposto a usar pólvora em lealdade ao presidente.

Acuado de um lado pelo Centrão e, de outro pela oposição, o presidente da República está montando o seu “dispositivo militar”, sua linha de última defesa, seu bunker pessoal.

Isso,  num quadro de crises sanitária, econômica, política e social.

“Dispositivo militar” tornou-se efetivamente uma piada política depois que o que supostamente foi montado pelo presidente João Goulart para defendê-lo sumiu, quando tropas de Minas Gerais se deslocavam para o Rio de Janeiro, então sede da capital federal, na quartelada do 31 de março.

O avanço poderia ter sido barrado, por exemplo, furando quatro pneus do primeiro e do último caminhão do comboio militar, mas ninguém apareceu para fazê-lo!





1 comentário

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Ricardo Viana

30 de março de 2021 às 12h29

E os processos por corrupções contra políticos no STF vão continuar engavetados, até caducarem?

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