Ataque do MBL é tática pré-eleitoral da extrema direita para ter visualizações nas redes e votos em 2024, diz pesquisador

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Foto: Divulgação da UFPR e reprodução de vídeo

Para pesquisador, ação violenta do MBL na UFPR faz parte de tática pré-eleitoral

Militantes do grupo de extrema direita justificaram invasão do prédio da universidade para verificar “vagabundagens”

Por Ana Carolina Caldas, no Brasil de Fato

Na manhã de sexta (01/09), oito integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) provocaram tumulto e agrediram estudantes e uma funcionária na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Minutos antes de entrarem no Edifício D. Pedro I, mais precisamente dentro do Centro Acadêmico de História, munidos de câmeras e spray de pimenta, os militantes chegaram a gravar um vídeo exposto em suas redes sociais dizendo que iriam entrar para verificar “as vagabundagens que estão defendendo”.

A UFPR emitiu nota condenando a ação do grupo e informou que, através da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, fez boletim de ocorrência junto à Polícia Civil do Paraná.

Agressões semelhantes ocorreram em 2016, quando estudantes de ensino médio ocuparam escolas estaduais contra a Reforma do Ensino Médio. Na época, em Curitiba, militantes do MBL entravam nas escolas e agrediam estudantes.

Para analisar a ação, o Brasil de Fato Paraná conversou com o professor e pesquisador de Comunicação Política e Opinião Pública do Departamento de Ciência Política da UFPR, Emerson Urizzi Cervi, que destacou ser esta uma tática pré-eleitoral.

Professor e pesquisador da UFPR, Emerson Urizzi Cervi / Divulgação

Confira a entrevista:

BDF — Os militantes do MBL gravaram um vídeo dizendo que a ação era para mostrar as “vagabundagens” feitas dentro de uma universidade pública. Essa também era uma fala de ex-ministros e do ex-presidente Bolsonaro. O que está implícito nesta ação e discursos?

Emerson Cervi–Trata-se de uma atuação prevista em formas de atuação desse tipo de grupos da extrema-direita internacional. Nos Estados Unidos há um grupo chamado Proud Boys com a mesma forma de atuação: entrar em prédios públicos, agredindo, ofendendo e gravando.

Dois líderes desse grupo já foram condenados pela invasão do Capitólio e estão cumprindo pena.

No Brasil há grupos parecidos com esse, com a mesma motivação.

A Universidade Pública, infelizmente, não consegue atender a todos os jovens em idade escolar. Há um processo seletivo e alguns daqueles que não conseguem ser aprovados transformam a frustração em raiva e acabam se voltando contra as atividades daqueles que estudam e trabalham em prédios públicos.

Não foi o bolsonarismo que causou isso. O bolsonarismo apenas deu vazão para esses sentimentos que estão historicamente presentes em alguns segmentos da sociedade.

BDF — O MBL fez ações semelhantes em 2016, durante as ocupações das escolas de ensino médio. Você acredita que seja também uma estratégia pré-eleitoral, já que naquela época saíram vários candidatos desses militantes do MBL?

Emerson — Sim, há uma conexão temporal entre período pré-eleitoral municipal e essas ações de vândalos. O motivo é que a extrema-direita busca caminhos alternativos à vida partidária para chegar aos postos eletivos como a Câmara de Vereadores.

Muito antigamente era via meios de comunicação (havia uma bancada de radialistas), depois passou a ser via lideranças religiosas (havia uma bancada de pastores) e agora é via influenciadores de extremismo na redes sociais online.

Em 2020 já foram eleitos alguns com esse perfil. Agora está na hora de buscar likes e compartilhamentos em redes sociais para que no ano que vem parte disso se transforme em votos. E é um caminho que tende a permanecer, pois, para eleger-se vereador de um município basta 1% de votos.

Quer dizer, se em um município houver 99% de eleitores contrários a discurso de ódio, radicalismo e ações de vandalismo para gerar capital eleitoral, ainda assim, é possível eleger-se com esse tipo de estratégia. E, em Curitiba, infelizmente esse percentual está bem abaixo de 99%.

BDF — Esse ódio à universidade pública, tão propagado na eleição que elegeu Bolsonaro e que faz parte da narrativa do MBL, ainda repercute na sociedade?

Emerson — Há uma parcela da sociedade que sempre nutriu algum sentimento negativo em relação ao poder público. Para a universidade esse percentual ainda é maior, pois a concorrência é grande e para cada aprovado no vestibular, outros dez passaram pela experiência de reprovação todos os anos.

Claro que isso não justifica a violência e vandalismo. Apenas em uma minoria o sentimento de derrota é transformado em comportamento violento contra a universidade pública. O problema é que para esses casos não há informação suficiente para modificar o comportamento.

Ou nós entendemos que a origem do problema está no discurso extremista ou continuaremos “enxugando gelo” e periodicamente veremos cenas lamentáveis como as ocorridas na UFPR.

O pior é que a violência de militantes extremistas sempre pode crescer e as agressões externas à universidade, alunos e funcionários se transformarem em coisas mais graves.

Edição: Lia Bianchini

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Comentários

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Zé Maria

O MBL é um dos Movimentos de Extrema-Direita

que utiliza as mesmas Táticas de Banditismo

que o Partido Nazista usou na Alemanha há 100 Anos.

abelardo

Quem planta vento, já demonstra sintomas de que irá colher bastantes e fortes tempestades.

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