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Trump escolhe o golpe postal para se manter na Casa Branca, antecipando 2022 no Brasil
Alan Santos/PR, via /Wikimedia Commons
Opinião do blog

Trump escolhe o golpe postal para se manter na Casa Branca, antecipando 2022 no Brasil


15/08/2020 - 18h05

Da Redação

Jair Bolsonaro fez de sua reeleição o objetivo central do governo, antes mesmo de concluir metade do mandato.

Por enquanto, o plano do presidente brasileiro é redesenhar o Bolsa Família, trocar o nome do projeto, conquistar o eleitorado do Nordeste e obter um novo mandato em 2022.

Para isso, ele conta com o apoio das Forças Armadas, que não costumam ceder facilmente o poder.

Da última vez que o conquistaram formalmente, ficaram no Planalto de 1964 a 1985.

Hoje, Bolsonaro governa graças aos militares, cuja astúcia afastou o presidente de aventuras mas manteve a essência do mandato original: um governo reacionário, que celebra a ditadura militar e, em linhas gerais, retoma o ideário do general Silvio Frota, alijado do poder por Ernesto Geisel.

Frota era contra a “abertura”, era conta a anistia, apoiava torturadores e defendia banir a esquerda do poder — a mesma plataforma defendida por boa parte do terço dos brasileiros que apoia o bolsonarismo.

Nos Estados Unidos, onde as eleições acontecem em novembro, uma lição pode ser aprendida pelos democratas brasileiros.

O presidente Donald Trump, para se manter no poder, está disposto a aplicar o golpe postal.

Por causa da pandemia de coronavírus, a expectativa este ano é que quase 70% dos eleitores dos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório, optem por votar antecipadamente, através dos correios — o que é permitido pela legislação.

Trump, alegando que a votação assim pode ser fraudada, decidiu não aprovar o financiamento ao US Postal Service.

Democratas denunciam que o chefe do serviço, indicado por Trump, decidiu remover mais de 700 máquinas de processamento de correspondência de suas sedes.

O deputado democrata Jim Clyburn, em entrevista à rede CNN, também denunciou a remoção de caixas postais, que é onde milhões de norte-americanos depositam a correspondência.

Apesar da intensa competição de empresas privadas, principalmente do Federal Express e da UPS, o Correio dos Estados Unidos é uma instituição de imenso prestígio no país.

Funcionários denunciam que, sem dinheiro, pode haver acúmulo e atraso na correspondência, especialmente durante a pandemia, quando milhões de pessoas compram e devolvem mercadorias usando a internet e os Correios.

Com isso, milhões de votos por Correio poderiam atrasar, ficando de fora da contagem.

Os republicanos são tradicionalmente conhecidos por empregar estratégias de supressão de votos, especialmente das minorias que tendem a votar nos democratas, como pretos e hispânicos.

No passado, já foram acusados de colocar máquinas de votar defeituosas em distritos majoritariamente democratas, além de criar barreiras burocráticas a eleitores das minorias.

A ação de Trump serve de alerta para o que pode acontecer no Brasil em 2022: durante a ditadura, os militares ficaram conhecidos por inventar regras de última hora, dos senadores biônicos (indicados pelo governo) à criação e dissolução dos partidos.

Com apoio do Centrão, Bolsonaro pode urdir seu próprio golpe postal, à imagem e semelhança de Trump.





3 comentários

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Morvan

15 de agosto de 2020 às 20h36

Boa noite. O grande problema reside exatamente por ser “a maior democracia do planeta” (nem eles acreditam!), ou seja, é uma eleição chave para o destino do mundo. A partir da reeleição (ou não) do facínora de lá, sobrevive ou não a eleição de outros genocidas, como Jaircopata. A democracia, mesmo esse arremedo, cheio de tapumes, não resiste à onda de fake news e é incompatível com o rentismo. Excluem-se mutuamente. Pode-se dizer que as eleições serão pró forma, doravante. Sem qualquer chance para com a verdadeira democracia.

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Zé Maria

15 de agosto de 2020 às 20h06

O Golpe dos Milicos já tá Manjado, mas continua funcionando:
é Fake News atrás de Fake News e Espionagem de Opositores.

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Zé Maria

15 de agosto de 2020 às 19h06

“O ex-ministro Sérgio Moro assinou acordos com o FBI
para compartilhar informações biométricas de brasileiros.
Agora, com ele fora do governo, Eduardo Bolsonaro
assume a função e entrega o dossiê antifascistas
para a embaixada.” https://t.co/lr9OoT0Vdw

https://twitter.com/agenciapublica/status/1292966207738585088
https://apublica.org/2020/05/no-ministerio-da-justica-sergio-moro-abriu-as-portas-para-o-fbi/

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