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Stédile: Não é mais sem terra vs. latifundiário; é a sociedade contra a devastação do agronegócio


07/09/2010 - 14h20

por Luiz Carlos Azenha

O velho paradigma, do sem terra com a foice na mão enfrentando o capanga do latifundiário, já era. Essa ideia — assustadora para a classe média, romântica para uma certa esquerda e mortal para os descamisados — será superada por um crescente enfrentamento entre a sociedade civil e o modelo do agronegócio, de acordo com o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

Por causa da correria dos últimos dias, ainda não pude escrever sobre a hora e meia de entrevista que fiz, ao lado de Conceição Lemes, com o Stédile. Farei isso aos poucos.

Para ele, o novo paradigma surge da consciência crescente da população em relação aos danos ambientais causados pela monocultura mecanizada de vastas extensões de terra, que envenena a água, o solo e o ar, expulsa o homem do campo para as cidades, ameaça a biodiversidade e é responsável por fazer do Brasil o maior consumidor de venenos agrícolas do mundo.

Durante a entrevista, Stédile deu um exemplo: em 2006, quando as mulheres da Via Campesina invadiram o horto florestal da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul, destruindo mudas de eucaliptos, pouco se sabia no Brasil sobre o “deserto verde”, que resulta do plantio de vastas extensões de eucalipto para a produção de celulose. Hoje, diz Stédile, a própria Votorantim tem se mostrado flexível a discutir as propostas do MST, que quer limitar em 20% a área de eucaliptos plantada em um município.

Isso se deve, segundo Stédile, à própria reação de quem mora perto dos “desertos verdes”: o eucalipto suga a água do solo, não permite que vegetação se desenvolva entre as árvores — causando, entre outras coisas, o sumiço das abelhas — e empobrece o solo.

Agora, no entanto, o MST não vai agir apenas no campo da política. O movimento pretende demonstrar na prática a viabilidade econômica da agricultura orgânica e está se preparando para produzir suco de uva natural (sem produtos químicos no plantio e cuidado das uvas e sem conservantes no produto final) e arroz orgânico para a merenda escolar. Stédile imagina que os pais de alunos, os maiores interessados na saúde dos próprios filhos, são aliados em potencial na luta contra a agricultura devastadora patrocinada pelas grandes corporações.

Assim serão, também — imagina Stédile — os médicos, pesquisadores e cientistas, quando ficarem mais claras as consequências do uso de sementes geneticamente modificadas para a biodiversidade brasileira e dos venenos associados a elas para a saúde pública.

Para quem quiser ter uma visão completa do que sugere Stédile, recomendo que ouçam a íntegra da entrevista, aqui. Garanto que vale a pena.



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51 comentários

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Alex Gonçalves

08 de setembro de 2010 às 22h25

Azenha, comentaristas,

Começo dizendo que tenho parentes que plantam eucalipto. Logo, óbviamente tenho interesse no assunto. Sim, dinheiro, $, grana.

Já vi pecuaristas muito animados discutindo gado indiano (gir?) no blog do Nassif. Espero não sofrer preconceitos ou ataques infundados aqui no seu espaço.

Azenha, esse papo de deserto verde é uma ladainha gigantesca. O plantio de eucalipto no Brasil é uma fracção ridícula de outras atividades agrícolas. Não tenho saco pra buscar números, pesquisem vocês mesmos.

Peguem o carro, viajem em qualquer região do sudeste. O que vão ver mais? Pasto, cana, café, soja. Muito, mas, muito mais. Não sejamos cegos.

Vamos ser lógicos. Vejam qualquer pasto, em viajem, e verão terra careca. Vejam qualquer canavial, e verão queimadas. Passem por cafezais em terreno montanhoso e verão também, ali do lado, terra arrasada.

Meus parentes dizem que fiscais do ibama vão religiosamente verificar o manejo do terreno. Não faltam nunca. Examinam tudo com lupa. Que manejo vão verificar em pastos? Não restou nada!

O que é mais deserto verde? Plantação de Eucalipto? Ou pasto? O que vai resultar em mais erosão, assoreamento de rios? Eucalipto? Ou pasto, cana, café, soja?

Quantos porcento de queimadas vocês acham que vão pra pasto, quantos grileiros fazem plantio de soja, cana, café? Qual a quantidade de queimadas e grilagens servem pra eucalipto? Lá na amazônia, pantanal, etc.

E aí vem o Stédile – o Stédile! – e isola o eucalipto como merecedor de mais fiscalização. Com milhares de quilômetros quadrados de pasto deixando terra arrasada país afora.

Parece até que o Stédile também foi hipnotizado pelas novelas da globo, que sempre representam os reis do gado de forma épica, chique e imponente. Não é a toa que dezenas de globais são pecuaristas. R. Duarte, Ana Maria Braga, Tarcísio e Glória, Faustão…

Milhares de quilômetros quadrados de pasto deixando terra arrasada, causando erosão, assoreamento de rios, inundações, terra arrasada Brasil afora e vem o Stédile falar que Eucalipto é deserto verde… putzgrila.

edit: tirei o palavrão pra ver se foi a causa da não publicação.

Responder

    Luis

    09 de setembro de 2010 às 10h50

    Alex, a crítica ao monocultivo de eucalipto e pinus não descarta o problema com as demais monoculturas, e os movimentos sociais sempre se posicionaram da mesma forma crítica com relação ao avanço da pecuária sobre nossos biomas já ameçados, assim como em relação à soja, produzida aqui em larga escala para alimentar gado europeu, apenas para citar alguns exemplos.

    O fato é que a indústria da celulose tem sim números alarmantes. Só no norte do Espírito Santo, onde a Aracruz Celulose começou a explorar a produção de eucalipto nos anos 1960, mais de 130 córregos já desapareceram. Essas plantações são responsáveis por parte da devastação da Mata Atlântica nos últimos anos, além de terem invadido áreas que estavam em processo de demarcação indígena. 40 aldeias foram afetadas e sumiram, 1.500 famílias quilomboilas foram expulsas de suas terras e hoje lutam para conseguir de volta 10.500 hectares que foram apropriados ilegalmente pela empresa.
    Além da Aracruz, outras empresas já exploram a região como a Suzano e a Bahia Sul. Elas ocupam as áreas mais agricultaveis e outras que deveriam ser reservadas para a preservação permanete. (com dados do IDEC)

    O mais grave ainda é a contaminação promovida por essa indústria. No branqueamento da celulose é usado o dióxido de cloro, considerado o mais potente cancerígeo já testado em laboratório, segundo a EPA (agencia ambiental norte americana). Tanto é que a Europa já proibiu o uso do cloro na fabricação do papel. Mesmo depois de tratados, esses residuos continuam carregados de dioxinas e são descartados no solo e água.

    Tem ainda os aspectos sociais. A Aracruz, que possui 252 mil hectares plantados em MG, ES, RS e BA teve 97% de sua produção destinada à exportação no ano de 2004 (e ocupa terras ricas, que poderiam ser usadas para produzir alimentos…). Enquanto a agricultura familiar pode ser responsável por gerar até 5 empregos por ha cultivado, o monocultivo do eucalipto gera 1 emprego para cada 185 ha plantados.

    Estas são apenas algumas razões para a crítica ao deserto verde

    Alex Gonçalves

    09 de setembro de 2010 às 18h45

    Duvido que os cultivos de eucalipto sejam responsáveis isolados pelo desaparecimento de córregos, muito pelo contrário: É uma ótima cortina de fumaça.

    Os Lindenberg são os que controlam a rede gazeta (globo) aqui no ES. E… estão entre os maiores pecuaristas do estado, veja só. Culpar tudo pelo eucalipto é ótimo pra eles. Não se dá um pio sobre pecuária. Contra o eucalipto, uma infernização, que só diminuiu um pouco depois que a Votorantim entrou.

    Os meus parentes são pequenos produtores, não lembro exatamente quantos alqueires. Nenhum proprietário vizinho reclama de 'roubo' de água pelos eucaliptos. O que eu defendo é o tratamento igual a qualquer outro produtor, não são diferentes de ninguém. Estão longe de ser os principais responsáveis por desastres ecológicos.

    Fabricio

    04 de outubro de 2010 às 01h56

    Recomendo que tu comece a estudar ecologia, meu amigo. E depois estude os movimentos sociais e agricultura familiar. Depois tu verá que teus parentes estão sendo manipulados e que sim, eucaliptos e principalmente pinus fazem muito mal ao ecossistema. Mais mal ainda ao bioma pampa, que é CAMPO, mas é campo nativo, com milhares de especies diferentes vivendo lá e se tu plantar 100hectares de eucalipto aquela area vai ser um deserto verde SIM.. compreende o problema?

Fabio_Passos

08 de setembro de 2010 às 22h23

Um exemplo muito positivo:

"Escola Latino Americana de Agroecologia" http://videolog.uol.com.br/video.php?id=233945

Responder

Pitagoras

08 de setembro de 2010 às 22h08

Grande brasileiro Stedile! Tô contigo e não abro!

Responder

Alex Gonçalves

08 de setembro de 2010 às 22h01

Azenha, por favor, publique meu comentário. Estou aqui dando minha cara a tapa pra quem quiser. Concordem, discordem, defendam sua produção. Ja tive outros comentários barrados, sei lá por quê.

Mas a não publicação do último me causa estranhesa e decepção.

Responder

Marcia Costa

08 de setembro de 2010 às 15h30

Realmente Stédile você fala a verdade. Na minha viagem de Brasília para Araxá foi só o que vi: florestas de eucalipto e soja roundup pra todos os lados da rodovia. Terras e terras a perder de vista. Daqui a uns anos não vai sobrar nada daquela terra. Vai ser um deserto. A única coisa boa é que na BR-040 há um coletivo de famílias assentadas, com suas lavouras bem cuidadas, suas galinhas e seus boiszinhos.

Responder

Carlos Morelli

08 de setembro de 2010 às 11h25

O Brasil não precisa da Monsanto.
O Brasil precisa que a Embrapa faça melhor que a Monsanto para o Brasil, para nossas terras, para os brasileiros e para os produtos que exportamos. Não há necessidade de se saber o que os outros fazem e nem como. O que interessa é o que é melhor para a nossa nação.
Dilma Presidente e Mercadante Governador.

Responder

Hans Bintje

08 de setembro de 2010 às 11h13

Azenha e Conceição Lemes, pauta para o "Viomundo da Roça":

1) Do insuspeito Banco Interamericano de Desenvolvimento ( http://www.iadb.org/idbamerica/index.cfm?thisid=4… ):

"Os elementos mais críticos dessa comunidade são as árvores, pois elas fornecem a sombra necessária para a produção dos melhores grãos. O café cultivado à plena luz do sol produz mais, porém o café que cresce à sombra tem um sabor melhor."

2) Sobre a melhor cerveja produzida na Alemanha ( http://edurecomenda.blogspot.com/2010/09/bebendo-… ):

"Conta a história que os Biergartens surgiram no século XIX, quando o Rei Ludwig I decretou que as cervejas deveriam ser produzidas em meses frios, para que o controle de temperatura da fermentação permitisse a qualidade das então recentes lagers claras. Para fornecer cervejas também no verão, as cervejarias construíram adegas às margens do Rio Isar. E para manter a temperatura dessas adegas ainda mais baixas plantaram castanheiras em cima delas, para que no verão sua vasta folhagem produzisse sombra e garantisse temperaturas mais amenas."

Para fazer essa reportagem sobre a cerveja, nem precisa ir para Munique, basta mostrar a casa de uma cervejeira no Rio de Janeiro: http://femalecarioca.blogspot.com/2010/07/female-

Responder

Luis Armidoro

08 de setembro de 2010 às 10h29

Caros Azenha e camaradas do blog:

Se fizerem uma reportagem (nem digo investigação) nas terras da empresária "muderna" Katia Abreu (pregadora do capitalismo "dickensiano": sem direitos trabalhistas, sem preocupação ambiental, sem futuro), o que será que vão encontrar? Te garanto que "não fica um, meu irmão"

Responder

    Klaus

    08 de setembro de 2010 às 19h07

    Você já pensou porque não fizeram até hoje?

    Fabio_Passos

    08 de setembro de 2010 às 22h08

    Sugiro o excelente blog do Sakamoto:
    http://blogdosakamoto.uol.com.br/

    Esta Katia Abreu – figura lamentável que defende o trabalho escravo no Brasil – tenta intimidar ele com frequência… mas não consegue.

Gildo Araújo

08 de setembro de 2010 às 10h02

Dilma Roussef não está permitindo que os jornalistas lhe façam perguntas, ou seja, nem tomou posse e já começou a Censura.

Responder

    Juscelino

    08 de setembro de 2010 às 11h50

    Fantástico! Finalmente alguém com quem posso concordar!!! Bem vindo ao clube, Gildo.

    Paulo Geroldo

    08 de setembro de 2010 às 19h19

    Que censura? Houve censura quando a Folha publicou a ficha falsa?

Gildo Araújo

08 de setembro de 2010 às 10h01

Vale salientar que FHC fez mais pela Reforma Agrária do que o Presidente Lula da Silva, como bem afirmaram Arruda Sampaio e Mino Carta, editor da Revista CartaCapital e única cabeça pensante que ainda acredita em Lula da Silva.

Responder

    Aristharco

    08 de setembro de 2010 às 11h45

    raújo: o Zé o dos Pedágios, companheiro de partido não deu bola nenhuma ao "fazedor" FHC, o tal que tanto fez pelos pobres do Brasil… oinc.oinc.oinc!!!

    Emilio_Matos

    08 de setembro de 2010 às 13h55

    Diga os motivos pelos quais aqueles que acham que o Brasil progrediu muito nesse governo são cabeças não pensantes. E mostre que você não é um caso de "deixa que a Natureza marca".

Gerson Carneiro

08 de setembro de 2010 às 07h37

Esse texto obrigou-me a retirar da estante onde hibernava a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Está lá, no Capítulo V, "Como se faz um deserto". Segundo ele, essa receita é "um desastroso legado indígena". Na agricultura primitiva dos silvícolas era instrumento fundamental, o fogo. Depois veio o colonizador que embrutesceu mais ainda a metodologiaadotando-a fora da estreita faixa dos canaviais da costa o regime pastoril. E em seguida veio o sertanista, ganancioso e bravo, em busca do silvícola e do ouro.

Ironicamente vêm da Europa os exemplos benéficos demonstrados na próxima passagem do mesmo capítulo: "Como se extingue o deserto".

Responder

Josnei Di Carlo

08 de setembro de 2010 às 00h48

Gostei das considerações do Stédile. São claras. Mostram que ele observa a realidade do campo e aponta caminhos possíveis para a luta do MST dialogar com outras lutas travadas no âmbito da sociedade civil. Sabe ele que o sectarismo apenas prejudicaria a luta do MST.

Responder

ruypenalva

08 de setembro de 2010 às 00h42

Nem tanto à norte e nem tanto à sul . Eu acho que o agronegócio bem dosado é necessário. É uma das poucas áreas que somos competitivos e detemos tecnologia própria, apesar de dependermos ainda de muita semente e defensivos, e adubos também, vindos de fora. Como tudo, precisa ser disciplinado, mas daí a matar nossa produção de soja, de cana, agropecuária, suinos, aves, açucar, alcool vai uma grande distância. A agricultura familiar tem de se incentivada, mas ela nunca chegará a ser competitiva. Sementes transgênicas não são problemas, a seleção natural destrói tudo que não é compatível, e se elas persistem é porque estão em linha com a seleção natural, são uma evolução, como a célula tronco e a hibridização de células o são. Preocupa-me mais os defensivos, a poluição de rios e nascentes, o aumento da produção de dióxido de carbono com a pecuária etc. Mas não podemos nos perder nessa discussão e atacar florestas plantadas de coníferas e outros projetos interessantes e que geram dólares para o país. A mineração é tão nociva quanto o agrobusiness para o ambiente. Tudo tem um preço, e o agronegócio, a mineração, a agroindústria vieram para ficar. É um fenômeno mundial a despopulação dos campos. Nos EUA somente 3% da população está no campo. Eu descreio totalmente em qualquer efeito maléfico dos transgênicos, posto que tudo isso é proteinas que é digerida. Não vai ser alteração de uma sequência de DNA que vai causar mal a ninguém. O que pode fazer mal são os agrotóxicos, esses sim são nocivos, mas transgênicos não tem potencial nocivo, quando muito alergênico. O Brazil vive num mato sem cachorro. É competitivo basicamente em commodities (minerais e agrícolas) e brevemente em alcool e petróleo. Não chegaremos a ser competitivos industrialmente (a Embraer é apenas uma montadora de aviões – não fabrica turbinas nem aviônicos), pois tem muito burocracia para produzir aqui, e perdemos o bonde da pesquisa básica em eletrônica, ótica, robótica, etc, etc, etc. Tem coisa pior que importamos sem controles que são os fármacos, muito deles extremamente tóxicos e usados indiscriminadamente no país. Antes de cobatermos as sementes transgênicas vamos combater o tráfico, as drogas, o crack, a falta de saneamento universal, coisas que nos destroem muito mais do que essas simples sementes transgênicas. É uma tolice se pensar que vamos fixar a população ao campo, todo mundo almeja migrar, somente uma minoria almeja ficar.

Responder

    Luis

    08 de setembro de 2010 às 13h38

    O uso de agrotóxicos e o desenvolvimento das sementes transgênicas então intimamente relacionados. A quase totalidade das variedades transgenicas lançadas no mercado são combinadas com o uso de agrotóxicos. A mais conhecida, a soja, surgiu com a desculpa de que reduziria o uso do glifosato, o que hoje já demonstrou ser uma grande farça. O Uso desse agrotóxico aumentou e muito após a implementação da soja transgênica. Estes organismos modificados não se tratam apenas de uma simples incorporação de proteínas. O poder de contaminação de outras epécies é altissimo, e já existem vários casos de agricultores que cultivam espécies não trangenicas que tiveram suas plantações contaminadas e que agora são obrigados a pagar royalties para a Monsanto.
    A transgenia da forma como está sendo tratada hoje, sem controle e sem avaliação de riscos, representa uma tragédia para a população. O plantio do milho transgenico é um exemplo de catástrofe, uma vez que a disseminação do pólen e a contaminação de outras espécies é muito mais provável. Com a contaminação, todas as sementes passam a ter um unico dono: a Monsanto.
    Já existem muitos trabalhos publicados que comprovam os riscos e os danos à saúde de pessoas, animais e prejuizos ambientais dos trangenicos. Dentre eles indico o documentário "O mundo segundo a Monsanto" de Marie-Monique Robin e o livro "Transgenicos: as sementes do mal – a silenciosa contaminação dos solos e alimentos" de Antônio Andrioli e Richard Fuchs.
    Ah, e você que diz que a agricultura familiar não é competitiva, existem inúmeras experiências Brasil afora de que é sim viavel e perfeitamente capaz de substituir o agronegócio. Um exemplo são os produtores em sistemas agroflorestais de Barra do Turvo-SP, que chegam a produzir 10 toneladas de alimentos agroecológicos por hectare/ano, produtividade essa que o agronegócio com toda sua química e investimento não consegue.

Fabio_Passos

08 de setembro de 2010 às 00h33

A defesa do Stédile para um novo modelo agrícola desmonta o botim promovido no Brasil pelo agribusness.
Isto é imperdoável para as corporações / oligopólios que não tem compromisso nenhum com o meio-ambiente e segurança alimentar… mas apenas com gordos lucros para poucos acionistas. Malditos tiranetes corporativos.

Não se sustenta a defesa do modelo que as cias transnacionais impuseram ao Brasil.
Tem alternativa muito melhor.

Confiram:

"
Inúmeras experiências e pesquisas evidenciam que os sistemas agroecológicos de produção são capazes de alcançar produtividades maiores do que as médias alcançadas pela agricultura convencional. E sempre com custos mais baixos.

A título de exemplo, vale a pena a leitura do artigo “Lidando com extremos climáticos: análise comparativa entre lavouras convencionais e em transição ecológica no Planalto Norte de Santa Catarina”, publicado pela revista Agriculturas: experiências em agroecologia: http://agriculturas.leisa.info/index.php?url=arti
"

Responder

Klaus

07 de setembro de 2010 às 22h07

Stédile para Ministro da Agricultura!!!!

P.S. vou fazer estoque de Miojo.

Responder

    Aristharco

    08 de setembro de 2010 às 11h47

    Tucha para as tuas entranhas a bem preparada química da Monsanto e… boa sorte… santíssimamente…

    Klaus

    08 de setembro de 2010 às 19h11

    Aristharco, eu só como orgânicos.

monge scéptico

07 de setembro de 2010 às 19h51

Só de vera figura do itagiba, garotinho pedindo voto, dá vômito.
Grande sr, STÉDILE. è um fato; essas mega produções para exportação, tem que ter um freio
um dia. A terra se cansa nós nos cansamos desses latifundiários, que só querem a terra para
eles. O BRASIL não poderá sustentar o mundo a grãos. temos que estabelecer cotas de produ-
-ção ou desmataremos todo o país a pretexto de inutilmente querer suprir as necessidades, de
uma demografia sem controle, cujas demandas crescentes, logo, logo, exigirão o impossível:
aumentar a produção matando a terra. As sociedades do futuro(?) terão consumir modera-
-damente, tudo, para que o bolo dê para todos. Não há nenhúm planeta próximo para onde
possamos ir etc etc………………………Moderem a sanha por lucros estúpidos!!

Responder

Mirian

07 de setembro de 2010 às 19h34

O Stédile é de uma clareza sem par! Muito bom.

Responder

Gerson Carneiro

07 de setembro de 2010 às 18h59

Sempre que viajo fico observando de cima e uma coisa sempre me impressiona e me intriga: o fato de não haver florestas. Ressalto que nunca estive na Região Norte e nem na Região Sul. No restante, não há florestas, e quando há, são pequenas extensões. Isso eu sempre observei. Não entrarei no mérito do quanto isso é bom ou ruim. Sei dizer que me dá tristeza. É uma coisa sem retorno (sem volta). E no Estado de São Paulo então… só se ver os desenhoszinhos do agronegócio no chão. Na maioria, monocultura.

Responder

    Elton

    07 de setembro de 2010 às 21h38

    Na Região Sul, caro amigo, somos uma decepção tão ou mais completa do que nas demais porções do país. Lamentável nossa situação em termos de preservação de florestas. Palavra de um Geógrafo sulista (paranaense, com orgulho)

    Carmen Silvia

    08 de setembro de 2010 às 00h10

    Gerson o cerrado brasileiro é muito generoso,se realmente avançar a luta do MST, e acredito que irá avançar,e nos conseguirmosde fato retomarmos o controle de nossas terras(nos o brasileiros)aqui no cerrado teremos o resurgimento da vegetação nativa,pois as sementes estão estocadas no subsolo.Um exemplo disso são áreas que antes estavam devastadas e com o fim de sua utilização quer seja para agricultura o mesmo a pastagem estensiva é possível observar o retorno das espécies nativas.Essa proposta feita pelo Stédile já deve estar sendo bem encaminhada pela base do movimento tem tudo pra dar certo. É bom lembrarmos que tem muitos cientistas qualificadissimos ligados a causa do MST e um monte de gente disposta a colaborar com essa luta.Quanto aos outros biomas eu tenho pouca ou nenhuma informação mas creio que tembém será possível fazer algum tipo de resgate.Temos que ser um pouco otimistas companheiro

Thomas Morus

07 de setembro de 2010 às 18h33

O latifúndio só existe com uma monocultura. Gado, soja, açucar, eucalipto, café… Sempre é contra a natureza e o trabalhador rural.

Responder

Lucas Cardoso

07 de setembro de 2010 às 18h30

"Agora, no entanto, o MST não vai agir apenas no campo da política. O movimento pretende demonstrar na prática a viabilidade econômica da agricultura orgânica e está se preparando para produzir suco de uva natural (sem produtos químicos no plantio e cuidado das uvas e sem conservantes no produto final) e arroz orgânico para a merenda escolar. Stédile imagina que os pais de alunos, os maiores interessados na saúde dos próprios filhos, são aliados em potencial na luta contra a agricultura devastadora patrocinada pelas grandes corporações."

Só gostaria de mencionar que não é comprovado cientificamente a superioridade dos alimentos orgânicos. Seja em benefícios à saúde ou em produção. Claro que pode-se presumir que o não-uso de venenos na planta tenha muitos resultados positivos, e é importante notar que se tornar independente das grandes multinacionais já é um fim em si mesmo. Mas a ciência pode e deve ser aliada do homem do campo. A tecnologia é uma ferramenta que traz grandes benefícios se bem utilizada.

Mesmo assim, todo meu apoio ao MST.

Responder

    Mirian

    07 de setembro de 2010 às 19h31

    Lucas
    Já vi estudos apresentados por pesquisadores da Fiocruz que mostram, por ex, que o teor de ferro no feijão orgânico é bastante superior ao do cultivado com agrotóxicos. A superioridade nutricional dos alimentos orgânicos é sim reconhecida cientificamente.

    Lucas Cardoso

    08 de setembro de 2010 às 05h01

    Mirian, existem vários estudos sobre os orgânicos. Alguns dizem que o orgânico é nutricionalmente melhor, outros que não há diferença, e eu até já vi um ou dois que diz que os não-orgânicos são melhores. Não há consenso. E eu, pelo menos, nunca achei uma metanálise sobre o tema em lugar nenhum (para os universitários entre nós, possível tema de monografia).

    De qualquer forma, os orgânicos são uma alternativa interessante em pequena escala, mas sua produção é impossível na escala necessária para alimentar uma população mundial cada vez maior (pelo menos até onde sei. Se puder me apontar algum lugar onde haja uso de agricultura orgânica em larga escala, por favor, faça. Nada me faz mais feliz do que ter mais argumentos ainda contra a Mosanto).

Fabio_Passos

07 de setembro de 2010 às 18h06

O Brasil precisa rever a questão dos transgênicos.

Não é apenas possivel impedir que as transnacionais do agribusness dominem nosso país… é extremamente vantajoso.

Confiram…

"Guerra de Requião contra transgênicos beneficiou o Paraná" http://politica.horahnews.com.br/2010/03/guerra-d

"
O Paraná se tornou um dos Estados em que os transgênicos tiveram a menor penetração. Empresas importantes, como a Sadia, passaram a recusar produtos transgênicos e o Estado conseguiu delimitar as áreas com produção modificada.

Ao longo do tempo algumas das profecias apocalípticas do governador se revelaram certeiras. Era mesmo possível obter preços melhores pela soja convencional. O mercado chinês estava disposto a pagar mais pela boa e velha soja. O mercado europeu se fechou para a soja da Monsanto.

Pior ainda, as grandes vantagens alardeadas pelos vendedores de sementes transgênicas, se revelaram ilusórias. A economia de agrotóxico proporcionada pela soja Roundup Ready, resistente ao herbicida glifosato, era real, mas só no começo.

Logo as pragas agrícolas começaram a se adaptar ao glifosato e o agricultor precisou recorrer também aos herbicidas convencionais para evitar infestações na plantação.

Com isso o suposto lucro fenomenal da soja transgênica em relação à convencional escorria lavoura abaixo. As restrições cada vez maiores dos mercados internacionais se encarregaram de fazer a balança pender, definitivamente, contra a transgenia.
"

Responder

    kimparanoid

    07 de setembro de 2010 às 23h41

    Isso sem falar na vantagem de não ter que pagar royatie$ para a Monsanto…

Ronaldo

07 de setembro de 2010 às 17h38

O Lula não é perfeito e o caso dos transgênicos foi uma de suas maiores falhas. O metalúrgico não captou esse problema agrário e a Marina não soube convencê-lo.

Agora é torcer para que a Dilma não queira que o Gabriel coma alimentos envenenados.

Comecei a evitar todos os alimentos que contém transgênicos desde que começou com a soja. Hoje restam poucos alimentos industrializados sem transgênicos, considerando que "óleo vegetal" é soja e "glucose" e "amido" é milho.

Responder

    Helcid

    07 de setembro de 2010 às 18h17

    é a oportunidade de pequenas e médias empresas produzirem produtos naturais !! por que não ??

jose carlos lima

07 de setembro de 2010 às 17h21

Dias atrás estive numa pequena propriedade rual perto da cidade de Leopoldo de Bulhões, há umas 2 horas de viagem partindo de Goiânia.
Fiquei encantado com a agricultura orgânica, os proprietários estavam satisfeitos por que nada perdem, o governo compra o excedente para doar às creches e escolas,
O Sr. Alonso, dono da propriedade, se mostrou muito satisfeito com o governo Lula, segundo ele, Lula levou-lhe a energia elétrica através do programa Luz Para Todos, na Era FHC era tudo pago e ninguém dava conta de pagar, relatou
Ah, os médicos do PSF, todos ao alcance dos trabalhadores rurais
Cá prá nós, quando a internet chegar a este povo com a reativação da Telebrás e do Programa Nacional da Banda Larga, vai ficar bom demais morar na roça

Responder

    Renato

    08 de setembro de 2010 às 09h27

    Ou seja, eu sou produtor, sou obrigado a vender o excedente da minha produção para o governo, não posso escolher a quem vender. Esse é o modelo economico que a esquerda quer para o Brasil.
    Viva o indivíduo, a escolha para quem e o preço que eu quero vender.

Marat

07 de setembro de 2010 às 16h22

Eu não compro óleos que contenham a letra "T" e insto meus amigos a fazerem o mesmo!!!

Responder

    Helcid

    07 de setembro de 2010 às 18h15

    vou convencer os outros também, Marat !!

Juca Paulino

07 de setembro de 2010 às 16h20

Azenha e Conceição, parabéns pela entrevista. Stédile é um professor!
Lí e ouvi na íntegra a entrevista do coordenador. Dois aspetos me chamaram a atenção quanto me deixaram indignado. Primeiro sobre a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio): não sabia que uma parte do PIG (Globo e Estadão) são sócios do agronegócio. Agora entendo os holofotes e microfones para a Kátia Abreu e o Álvaro Dias.
O segundo aspecto ficou por conta da multinacional americana Monsanto: o direito de propriedade sobre sementes modificadas obrigam os produtores a pagarem taxas e até multas pelo uso de sementes. Vale dizer que o proprietário rural perdeu o certificado de produção e passou a ser sócio da monsanto. Isso é monopólio.

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Armando do Prado

07 de setembro de 2010 às 15h51

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,

E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

Ricardo Reis (in Odes), um heterônimo de Fernando Pessoa

pescado do excelente Diário Gauche. Aliás, patriotismo é o último refúgio dos canalhas, segundo o pensador inglês.

armando do prado

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indiana

07 de setembro de 2010 às 15h36

Azenha, gostaria muito de poder ler a entrevista completa com o Stédile, você não vai publicá-la? Ver e ouvir é bom, mas ler é muito melhor.

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Jairo_Beraldo

07 de setembro de 2010 às 15h13

O agronegocio sustenta o Brasil. Se não estão satisfeitos, elejam o Serra, que tudo pára!

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ZePovinho

07 de setembro de 2010 às 15h02

Você sabia que quando consome aspartame ele libera(por decomposição da sua molécula) metanol em seu organismo????Essa molécula é EXTREMAMENTE CANCERÍGENA.Depois que introduziram o aspartame nos EUA,em 1983,a incidência de câncer disparou.O documentário aborda isso.
Sabe quem assumiu a empresa NUTRASWEET,fabricante desse veneno,nessa época???O emblemático DONALD RUMSFELD………………

'O aspartamo ou aspartame é uma neurotoxina utilizada para substituir o açúcar comum. Ele tem maior poder de adoçar (cerca de 200 vezes mais doce que a sacarose) e é menos denso. O aspartamo geralmente é vendido junto com outros produtos. É o adoçante mais utilizado em bebidas.

O aspartamo é consumido por mais de 200 milhões de pessoas, em todo o mundo e está presente em mais de 6000 produtos.
Este veneno esta sendo consumido inocentemente pelas pessoas, com aprovação da Organização Mundial de Saúde.

Faça uma pesquisa por "Codex Alimentarius" e você ficará surpreso com as proporções que isso vem tomando.

[youtube _fb3PrFW5vc http://www.youtube.com/watch?v=_fb3PrFW5vc youtube]

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ZePovinho

07 de setembro de 2010 às 14h55

Digite o texto aqui![youtube xhXnUfUnwsQ http://www.youtube.com/watch?v=xhXnUfUnwsQ youtube]

Baixe o vídeio aqui:
http://docverdade.blogspot.com/2009/03/o-mundo-se

França, 2008, 108min. – Direção Marie-Monique Robin)

Documentário que aborda a maneira como uma grande empresa consegue enganar a população mundial, através da mídia e da corrupção dos governos, inserindo seus produtos tóxicos no mercado alimentício, colocando a saúde de milhões de pessoas em risco, contaminando o meio-ambiente, provocando a migração do campo para a cidade, concentrando muito poder na mãos de poucos.

Hoje mais de 90% do mercado de sementes transgênicas pertence à Monsanto.
Vários produtos da empresa foram proibidos na Europa e Canadá.
Depois de assisti-lo, você nunca mais comerá um transgênico da mesma forma…
(Sinopse original do docverdade)

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