VIOMUNDO

Diário da Resistência

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Opinião do blog

Sobre Mandela e Mugabe


14/05/2010 - 18h14

por Luiz Carlos Azenha

Quando eu era correspondente em Nova York, nos anos 90, uma de minhas diversões favoritas era acompanhar a chegada de novos jornalistas brasileiros à cidade. Eu e outros veteranos no posto acompanhavamos com interesse a “descoberta” dos recém-chegados. Escreviam no jornal ou falavam na televisão como se ninguém antes deles tivesse pisado em Nova York. “Descobriam” as nevascas, o melhor hamburguer, as noitadas “exclusivas” em recantos pouco frequentados de Manhattan.

Agora, afinal, terei a oportunidade de ver uma reprise do que testemunhei. Em alguns dias teremos centenas de repórteres brasileiros na África do Sul e eles vão “descobrir” o apartheid, a cidade racista onde só vivem africâners e a estátua de Nelson Mandela no centro de Joanesburgo. Ah, sim, Mandela será devidamente reconhecido como o herói que foi — hoje em dia, até os racistas de ontem se escondem atrás de Mandela.

A imagem de Mandela se encaixa perfeitamente na narrativa que deverá acompanhar a venda da Copa do Mundo da África do Sul ao mundo, aquela narrativa maniqueista, bland, cujo objetivo principal, ainda que inconsciente, é fazer o telespectador/leitor/ouvinte se sentir bem. Sim, Mandela é o “nosso herói”. Mas um herói só pode ser apresentado em contraposição a alguém diabólico e, na falta de um bom africâner, talvez meus colegas optem por falar de Robert Mugabe, o eterno presidente do Zimbábue, país vizinho da África do Sul.

Mugabe foi devidamente demonizado pela mídia ocidental, especialmente pela britânica, embora não seja o mais cruel, nem o pior dos ditadores da África. Mugabe não foi demonizado apenas pelo que fez de ruim, mas provavelmente pelo que fez de bom para aqueles que o defendem. Mugabe fez a reforma agrária! Tirou terras dos brancos e as transferiu para fazendeiros negros. Foi o único líder africano, desde o fim do colonialismo europeu, nos anos 50, que mexeu neste vespeiro.

Terra, como vocês sabem, é o principal bem de um africano. A maioria dos habitantes do continente depende da terra para sobreviver. Todas as grandes rebeliões do período colonial, na África, foram causadas pelo avanço dos brancos sobre terras de povos locais. A rebelião do herero, na Namíbia, foi assim. A rebelião dos mau mau, no Quênia, foi assim. A rebelião dos maji maji, na Tanzânia, também. Na África do Sul, ainda hoje, os fazendeiros brancos controlam a maior parte das terras férteis.

Isso se deve aos compromissos que o Congresso Nacional Africano (ANC), o partido de Mandela, assumiu ao fazer a transição do fim do apartheid. O ANC, que um dia foi um partido revolucionário, escreveu uma espécie de “carta aos sulafricanos”, na qual prometeu mudanças lentas, graduais e seguras. Para todos os efeitos, a reforma agrária prometida pelo ANC nunca saiu do papel. Os problemas mais graves foram resolvidos com o pagamento de indenizações.

Por incompetência governamental, os fazendeiros negros que tiveram acesso à terra não tiveram acesso a insumos ou assistência técnica. Em vez de resolver o problema da terra, o ANC voltou-se para a criação de uma classe média negra, urbana. Meus colegas certamente notarão isso: as leis do apartheid sumiram, os sulafricanos hoje tem total liberdade de movimento, mas o apartheid social é tão dramático quanto o que existia 15 anos atrás. Para todos os efeitos, brancos e negros sulafricanos vivem em universos distintos.

No Zimbábue a situação econômica melhorou desde que um governo de coalizão foi formado. A reforma agrária era uma demanda nacional, não apenas dos partidários de Mugabe, embora estes tenham sido os mais beneficiados pela distribuição de terra. Aliás, esta é a origem da força política que sustenta Mugabe no poder: ele fez, aos trancos e barrancos, a reforma agrária! Podemos discutir os métodos e o resultado final. Mas é indiscutível que Mugabe só se sustenta no poder por ter atendido à demanda da base rural do Zanu-PF, o partido que ele comanda.

Para minha própria surpresa, descobri na África que muitos africanos apóiam e elogiam Mugabe fazendo a comparação entre ele e Nelson Mandela: um fez a reforma agrária; outro, não. É óbvio que as coisas não são tão simples assim. Quem pesquisar melhor, vai descobrir que Mugabe e Mandela estão do mesmo lado.

Uma das críticas recorrentes da mídia internacional a Thabo Mbeki, o antecessor do atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, se relacionava ao fato de que ele nunca retirou o apoio do ANC e da África do Sul ao ditador do Zimbábue.

Isso tem duas explicações: de um lado, a retirada dos fazendeiros britânicos do Zimbábue interessa à própria África do Sul e aos interesses do agronegócio sulafricano, que se expandem além-fronteira; de outro lado, Mugabe é um parceiro histórico do ANC.

Quando o regime racista da África do Sul se sentia crescentemente ameaçado, optou por estabelecer um cordão sanitário na vizinhança: financiou a guerra civil em Angola, em Moçambique e no Zimbábue (então chamado de Rodésia) e ocupou militarmente a Namíbia. Foi então que se forjou a aliança que, mais tarde, teria um papel importante no isolamento político e econômico da África do Sul e no fim do apartheid.

Portanto, Mandela se tornou quem é um pouco por causa de Mugabe; e Mugabe está onde está em parte por força do ANC de Mandela. Mugabe e Mandela foram aliados históricos, contra regimes racistas que tiveram origem na filosofia de superioridade racial dos africâners.

Seria mais simples ter escrito que um é mocinho e o outro bandido, não?

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50 comentários

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Wanderson Brum

15 de junho de 2010 às 18h14

Mugabe é um heroi para os Pan-africanistas de todo mundo, isso não quer dizer que seu governo como qualquer outro governo não seja isento críticas, o detalhe é que ele não qualquer outro, é um individuo represetativo para Africa e a Diáspora que inclui o nosso continente de um ideal de soberania ainda não concretizado.

Não quero ser "romântico" com essas afirmações apenas fazer uma referência digna a esse grande africano.

Em relação a esse outro grande africano, o Mandela, e a seu país, substitui-se o apartheid como parte da legislação positiva para transferi-lo para a prática social tal qual se faz aqui na terra do samba e da mulatas inzoneiras, afinal para manter um sistema de segregação racial não é necessário prescrições jurídicas o dever ser social já basta, quem quiser duvidar visite o Brasil!

Viva a nós estamos exportando a nossa tecnologia social de apartheid com alento democratico para o mundo, que tem a vantagem de ser declaradamente menos agressiva e evasiva mas que implicitamente tem o potencial de produzir surtilegios inimagináveis sobre a população alvo.

Só a nivel de adendo essa é uma questão tanto lá como aqui ou em quaquer lugar do planeta que só e resolvivel partir do enfrentemento, não se resolve em um ou dois governos, é uma questão estrural, e não é herança maldita de nenhum politico isoladamente mais sim de uma nação por inteiro. Na africa do Sul há uma classe média negra consciente do seu papel politico nacional e continental, bem que de certa forma em algumas circunstâcias deixa-se ludibriar pela zona de conforto propiciada pela sua ascensão socio-econômica. A questão é no Brasil existe uma classe média negra…e se existe em que estado esta se encontra…

Responder

Gustavo Radames

30 de maio de 2010 às 12h14

Olá a todos!!!
Bem como o Azenha disse no seu post sobre a cobertura da globo na Africa do Sul eis uma materia bem piegas!
&lt ;http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2010/05/apartheid-brancos-invadem-soweto-e-mostram-integracao-com-negros.html>

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MAURO RAMOS

27 de maio de 2010 às 11h24

NAO VOU NEM PERDER MEU TEMPO COM A PATRIOTADA DA GLOBO.
TALVEZ EU ASSISTA ALGUM JOGO DA ARGENTINA,HOLANDA,ESPANHA…..
REPORTAGENS "SOCIOLOGICAS" DAS GLOBOS DA VIDA,NEM PENSAR!!!

Responder

Aelton M. Faria

27 de maio de 2010 às 13h34

Prezado Azenha;

Parece que a Editora Abril perdeu o rumo de vez.
Não entende o Mundo, a América do Sul nem a África do Sul.
Na sua edição da revista Viagem sobre África do Sul estampou na capa uma Onça Pintada.

Atenciosamente;

Aelton M. Faria

Responder

dukrai

16 de maio de 2010 às 22h31

Parênteses:
A derrota da África do Sul para Angola numa das batalhas decisivas no "cordão sanitário" foi a pá de cal no regime racista. De um lado os brancos arianos da África do Sul apoiados por Israel, do outro os pretos africanos de fala portuguesa apoiados pelos soviéticos. Foi uma tripla vitória, negra, socialista e afro-portuguesa.
Zimbábue e Mugabe pagam o preço pela não-conciliação com os terratenientes e esperam a sua morte para o butim final.

Responder

Mc_SimplesAssim

16 de maio de 2010 às 18h29

Perdoem minha ignorância, mas pelo que tenho lido por aí, me parece que Mandela pode ter sido herói em certa altura de sua trajetória política, mas quando alçado ao governo, comportou-se como o Lula comporta-se no Brasil, entrando em acordo com a elite branca a fim de promover uma transição segura para a suposta democracia ilusória que vemos na TV, conseguindo, assim, evitar a verdadeira revolução que efetivamente levaria o povo ao poder e, com essa estatégia, aproveitou para salvar algumas alvas e ricas cabecinhas.

É a velha máxima: mudar para não mudar nada.

Naturalmente esta é uma opinião apenas, pois desconheço a realidade daquele país irmão.

Responder

Valdete Lima

16 de maio de 2010 às 17h50

Caríssimo Azenha. Que beleza saber o quanto você sabe sobre a minha raça. Leitora sua que sou, adorei!!!! o artigo sobre Mungabe e Mandela. E, para esclarecer a comparação com a Dilma, o povo tem que saber que ela também purgou anos de prisão, quanto o soberano Mandela. O brasileiro não sabe muito sobre isto, que aprendam.
Adorei!!!! o artigo.
Valdete Lima

Responder

Leo Carioca

15 de maio de 2010 às 19h07

Estive em Vitoria Falls, no Zimbábue, este verão e concordo com Azenha no ponto que as críticas Mugabe deveriam ser por tudo que fez no pais depois da reforma agrária e não por ter expulsados fazendeiros branco racistas.

A situação no pais é caótica demais. Adotaram o dólar como moeda nacional porque o dólar local chegou a se desvalorizar num nível incrível; tenho uma nota de 5 bilhões de dólares locais!!!!! Obvio que ficaram pior ainda agora que não têm nem a possibilidade de imprimir a própria moeda.

No mercado de artesanatos chegaram a querer trocar um leão de madeira por um elástico de cabelo. Banco o usar um cartão de crédito, pode esquecer. Acho que é um mistura de inoperância e vazio internacional.

Os ingleses, como sempre, sairam-se bem posicionados: controlaram a África Do Sul por 60 anos, política e economicamente, mas os racistas foram seus sócios brancos decentes de holandeses. No Zimbábue não tem como se defenderem, porque o pais é foi um invento de Cecil Rhodes ( por isso chamava-se Rodésia) no nome do Império Britânico. Por exemplo, em Vitoria Falls, me contaram que depois da Segunda Guerra, chegaram muito fazendeiros ingleses ex combatentes que receberam terras no pais como premio por servido no exercito. O sistema apartheid era igual ao da África do Sul. Ninguém no Zimbábue sente saudade desses colonos, apesar de todas as dificuldades pelas que passam.

Responder

elias candido

15 de maio de 2010 às 18h07

Meu caro Azenha, que texto brilhante, com uma coerência de emocionar. Mas acredite, o grande sucesso dessa copa será mostrar que a África naum é um país, sim um continente, que não tem só selva, é igual qualquer outro lugar pobre do mundo, inclusive o Brasil, que tem constituiçoes, e não tradições tribais, como os racistas daqui acreditam. poderia dizer mais, mas por enquanto deixo a sugestão de vc voltar ao assunto, porque suas colocações muito nos enriqueceram. forte abraçao, Elias.

Responder

Klaus

15 de maio de 2010 às 13h39

Até Dilma se escondeu atrás de Mandela. Quem viu a propaganda eleitoral do PT pode constatar.

Responder

    Janes Rodriguez

    15 de maio de 2010 às 20h10

    Ô Klaus, Dilma não se "escondeu". Tem uma história de coragem e valentia para mostrar. O que se fez, didaticamente, é explicar que pessoas consideradas heróis ou heroínas numa determinada época, em outra foi apontada como criminosa, perigosa etc. Essa é a essência da relação entre os dois. Porque a direita racista no Brasil, usa o argumento da prisão de Dilma para criminalizá-la e ocultar sua luta em defesa das liberdades democráticas em nosso país. Dilma e Mandela se equivalem, sim, por terem ambos lutado com regimes de opressão, por terem ambos pago com privação de liberdade, e com o sofrimento e a dor da tortura noca so da Dilma, a opção de defender a pátria de todos os brasileiros e brasileiras. Viva Dilma!Viva Lula, Viva Mandela e Viva Mugabe! Por um Brasil sem latifúndio!

    Jairo_Beraldo

    16 de maio de 2010 às 17h06

    Incrível como tem gente de mente pequena.Dilma esconder atrás de Mandela?Que sandice.mandela tem história de luta e vitórias.Dilma idem,e como ele,será presidente de seu país.Cada coisa,que a gente tem que ler!

Gerson Carneiro

15 de maio de 2010 às 14h58

O PIG não vai noticiar o Mugabe pelo que ele fez de bom.

É raro, mas às vezes o PIG pensa antes de noticiar, neste caso, manterá o Mugabe no anonimato. Aliás, o PIG, se não ler o Vi o Mundo, nem saberá quem é Mugabe.

Responder

Carlos Morais

15 de maio de 2010 às 14h58

Azenha, o que eu quero saber é o seguinte: dos muitos jornalistas brasileiros que descerão sobre a África do Sul, quantos serão negros? Ou "nossa" delegação poderá ser confundida com a da Suécia?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    15 de maio de 2010 às 15h19

    Podem nao ser suecos, mas pensam como se fossem…

    patrick

    16 de maio de 2010 às 12h38

    Pena que não defendem o estado social sueco :(

Altemar

15 de maio de 2010 às 14h37

Pense num cara inspirado…

Responder

Tweets that mention Sobre Mandela e Mugabe | Viomundo - O que você não vê na mídia -- Topsy.com

15 de maio de 2010 às 10h54

[…] This post was mentioned on Twitter by ACarlosMelo. ACarlosMelo said: Sobre Mandela e Mugabe – http://tinyurl.com/2fr27m5 (via @viomundo) […]

Responder

Gabriel Lira

15 de maio de 2010 às 11h22

Azenha, estoue em Cape Town, ha um mes, e ainda nao vi uma mesa num restaurante com brancos e negros, e vi poucos negros em restaurantes…
Aqui o que senti dos professores(brancos) q eles nao gostam do mandela, mas nao falam que nao gostam. Dizem, 'e um simbolo, um mito,tal….
De fato Mugabe 'e demonizado aqui, so escuto falar mal….vc tem toda razao…
Parabens pelo post, de um teclado sem acento…

Gabriel

Responder

Eden, SP

15 de maio de 2010 às 05h02

Caro Azenha!
Mais uma vez suas análises surpreendem. Sei que não quer clicherizar, para o bem, Mandela nem, para o mal, Mugabe. Quer sim colocar um ponto de vista coerente, livre das amarras ao qual somos submetidos. Temos muito à aprender com e sobre a África. Para isso, seu blog tem sido de grande relevância. Parabéns e um forte abraço !

Responder

parte1

14 de maio de 2010 às 22h46

Parabéns pela análise, Azenha. Está claro para mim que não veremos nada semelhante em nenhum orgão da dita imprensa brasileira -blogs noticiosos inclusos.

Responder

Luciana

14 de maio de 2010 às 22h40

E porque no Brasil não ocorre a Reforma Agrária?

Responder

    Jairo_Beraldo

    15 de maio de 2010 às 13h03

    Ocorre, Luciana. O que ocorre, é que não é noticiado.

Fernando

14 de maio de 2010 às 19h57

A Casa Branca que pegou o Mandela pra super-herói e ficou defilando ele pelo mundo.

Isso quem me contou foi gente graúda da esquerda, óbvio que pode ser uma análise equivocada.

Responder

    Jairo_Beraldo

    14 de maio de 2010 às 22h24

    Sempre a esquerda a fazer sandices…ora, foi Serra que te contou isso!

Sérgio

14 de maio de 2010 às 19h49

Olá Azenha

Você tem razão ao afirmar que até hoje o Mugabe tem apoio do ANC. Em fev/mar de 1981, o exército do apartheid invadiu o território moçambicano para ocupar a região produtora de arroz (Província de Gaza). A tropa de Mugabe estava junto para repelir. Estive dois meses depois na região invadida e observei os vestígios da luta. Na época o Zimbabwe tinha a melhor tecnologia de produção de semente de milho híbrido.

Países como Moçambique, Angola, África do Sul e Namíbia têm uma dívida de gratidão com Mugabe, cujo maior problema é no campo da política econômica (uma inflação estratosférica).

Saudação, Sérgio.

Responder

Lucas Cardoso

14 de maio de 2010 às 19h28

Esse artigo me lembrou o quanto o ensino de História é deficiente nas escolas brasileiras. Esse tipo de coisa era pra ser ensinado nas escolas. Espero que História africana entre no currículo, assim como a asiática e americana.

Sim, é importante saber sobre a idade média. Mas é no mínimo igualmente importante saber sobre a África pré e pós colonização, China, Japão, Índia, Oriente Médio, e as civilizações pré colombianas e pré cabralinas. Não sei quanto a vocês, mas quando eu fiz escola, os professores só faziam rápidas menções sobre essas coisas.

Responder

    Jairo_Beraldo

    14 de maio de 2010 às 20h21

    Lula nos aproximou dos africanos.Agora,certamente,estaremos mais informados e sabedores da historia deste povo sofrido e perseguido.

    C.C. Bregamin

    14 de maio de 2010 às 21h28

    Hoje o ensino de história da África é obrigatório no Brasil, graças ao MEC, que o exige para os livros didáticos. Porém até que isso possa ser chamado ensino acho que serão longos anos.

    Realista

    15 de maio de 2010 às 02h26

    Olha… o estudo de história em colégios nunca vai poder englobar todo e qualquer processo histórico. O que falta é iniciativa por parte dos alunos – estudar além do que é destacado nos livros de história convencionais (o mais relevante). Muitas vezes os detalhes e as nuances são perdidos quando se estuda o processo geral.

    Lucas Cardoso

    15 de maio de 2010 às 12h45

    Tudo bem, concordo que é impossivel ensinar tudo nas escolas, mas com certeza dá pra ensinar mais. Na minha, falou-se mais sobre os fenícios do que sobre os chineses, esplicou-se a guerra dos Cem Anos, mas praticamente ignorou-se as guerras de independência da América Latina. Os indianos, fora uma menção a Ghandi, nem foram tocados.

    Os livros nem sempre destacam o mais relevante. A história da Ásia é cada vez mais importante no mundo atual, mas a não ser que eu esteja muito enganado, e tudo mudou enquanto não prestava atenção, os livros de História ainda dão muita importância à Europa e praticamente não mencionam nada do resto do mundo (exceto, é claro, o Brasil e os EUA).

    @mamaralrocha

    06 de dezembro de 2010 às 10h32

    Isso é muito verdade!A história da África não é nem de longe abordada.

Flavio Lima

14 de maio de 2010 às 19h09

Belissimo artigo, Azenha!

Responder

Jorge N Rebolla

14 de maio de 2010 às 22h04

A cegueira ideológica neste artigo atingiu o ápice. Mortalidade infantil em crescimento acelerado, desnutrição aguda atinge quase metade da população, desemprego acima de 80%, moeda nacional deixou de existir devido a maior hiperinflação desde a República de Weimar, emigração em massa, corrupção estratosférica, expectativa de vida de 40 anos, dentre outros indicadores.
O mugabe não precisa ser demonizado, o resultado dos seus trinta anos de governo são suficientes.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    15 de maio de 2010 às 14h27

    Outros paises da Africa vivem situacao pior que a do Zimbabue (Guine Bissau, por exemplo), nem por isso ganharam o destaque que o Zimbabue ganhou na midia. Qual o motivo? Mugabe mexeu com os interesses dos brancos. abs

    BEM GRANDE

    14 de julho de 2010 às 21h17

    como africano que sou, eu lhe pergunto: qual o país que obteve a independencia e não passou por uma situação como esta? ainda que os numeros fossem mais reduzidos, a verdade é que passaram.MUGABE É UM GRANDE HOMEM, PENA QUE NÃO TENHA SIDO AJUDADO COMO NELSON MANDELA FOI.alías esta é a diferença entre os dois: UM FOI AJUDADO E O OUTRO NÃO.

Klaus

14 de maio de 2010 às 18h44

Como foi quando vc chegou em Nova Iorque? Fez o mesmo ou vc era mais "cool"?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    15 de maio de 2010 às 00h33

    Cheguei em 1985. Nunca fui cool. Ou pelo menos nunca tentei ser. abs

    Klaus

    15 de maio de 2010 às 10h57

    Eu também nunca fui cool. A primeira vez que fui a Belzonte tropecei na calçada porque andava olhando pra cima, admirado com a altura dos prédios.

    Gerson Carneiro

    15 de maio de 2010 às 14h53

    Eu também nunca fui cu. A primeira vez que cheguei em Sun Palo me lembrei de Macabéia e do Homem que Virou Suco, e chorei. Comprei minha passagem de volta, peguei o Itapemirim, e sartei de banda. Caí fora, agradecendo por Deus me ter feito um tabaréu.

    dukrai

    16 de maio de 2010 às 22h08

    eu demorei seis meses em SunPaulo, deu uma tristeza danada de ver o sem futuro e voltei pra roça.
    o que foi feito daqueles meninos e meninas de 1976?

Messias Macedo

14 de maio de 2010 às 18h29

Rússia apóia mediação de Lula em crise com o Irã
Apesar da desconfiança inicial do Ocidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou nesta sexta-feira (14) um voto de confiança da Rússia – uma das principais potências nucleares do mundo – para tentar um acordo com o regime iraniano que impeça a proliferação de armas atômicas na teocracia islâmica.
O discurso do presidente russo, Dmitri Medvedev, seguiu no tom usado pelos Estados Unidos na véspera. “Espero que a missão do presidente do Brasil seja coroada com o sucesso…

FONTE: UOL Notícias
Em São Paulo http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/inter

[DA SÉRIE BYE BYE (S)erra & INFAMES a$$ecla$ ‘FOREVER’!]

Brasil – em homenagem ao ínclito presidente e estadista emérito Luiz Inácio Brasileiro Lula da Silva
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    Jairo_Beraldo

    14 de maio de 2010 às 18h52

    Pena que ele cometeu uma pequena gafe,ao citar a invasão do Afeganistão pela antiga URSS, em 1979. Poderia ter passado sem essa citação. O PIG vão usar isso até espumar o canto da boca.

    Jorge N Rebolla

    14 de maio de 2010 às 19h07

    Espero que no irã ele defenda o fim da pena de morte, a não criminalização do homossexualismo e do que eles chamam por lá de adultério, o respeito a pluralidade de opiniões e crenças, se bem que o partido dele aqui também odeie a pluralidade de opiniões.

    Jairo_Beraldo

    14 de maio de 2010 às 19h33

    Tanto odeia,Rebolla, que ele apanha desde o sol nascer até a lua se esconder,e não retruca nada!

    mendes

    21 de junho de 2010 às 14h52

    muitas pessoas critica o Mugabe mas so ele sabe oque passou com ele com os pais dele ecom os avos dele agente depois de 210 anos condo le sobre oque os portugueses e seus protegidos fazia com o povo agente sente raiva imagina uma pessoa que viu e sentiu na propia pele o que e viver embaixo da chibata de um esplorador .. e ainda vem o porco do obama e faz um terrorismo silencioso aplicando sançês sobre o pais dele e o pior de tudo e que amidia da a ele toda cobertura ate uma mosca que ele matou repercutiu no mundo todo ……

    Christian Schulz

    15 de maio de 2010 às 05h17

    Não sabia que a próxima parada do Lula era no Egito, ou na Arábia Saudita, ou na Igreja Católica, ou na direita brasileira etc etc etc

    Marcos C. Campos

    15 de maio de 2010 às 13h25

    Quem odeia pluralidade de opiniões aqui no Brasil não é o PT, e sim o PSDB, "Democratas", a mídia (vide o caso do antropólogo x Veja) .

    C.C. Bregamin

    14 de maio de 2010 às 21h31

    Isso não é gafe. É negociação. Querem diferenciar-se? Podem afirmar que são pacíficos? Vão apoiar a paz ou a guerra? Acreditam nos discursos americanos?

    Jairo_Beraldo

    14 de maio de 2010 às 19h02

    Se Lula conseguir, além dos aplausos internacionais, ganhará definitivamente o seu assento como Secretário Geral da ONU. O mundo diplomático sabe que essa visita ao oriente é um teste para o Presidente brasileiro. Se ele for meia-boca. Se segurar os ímpetos do iraniano por alguns meses, já terá sido uma vitória.


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