VIOMUNDO

Diário da Resistência


Opinião do blog

Palanque da quinta do lamento (18/03/2010)


18/03/2010 - 08h45

Fiquei entristecido ao ler o lamento de Eduardo Guimarães:

“Minha filha Victoria, de onze anos, portadora de Sindrome de Rett, uma espécie de “paralisia cerebral” que só dá em pessoas do sexo feminimo, é frágil como uma flor. Por incrível que possa parecer, porém, há pessoas que, diante de suas pétalas que caem por falta de cuidados, não conseguem lhe dedicar mais do que indiferença.

Pesando apenas 26 quilos, acometida por ataques epilépticos com freqüência, com um dos pulmões gravemente comprometidos, incapaz de fazer uso intencional de seus membros, incapaz de falar, tendo apenas a única – e inebriante – capacidade de emanar o sorriso mais luminoso que um ser humano é capaz de produzir, minha filha só não foi capaz, nos últimos seis meses, de despertar sentimentos humanitários em certas pessoas que, ironicamente, juraram se devotar à saúde de seus semelhantes.

No momento em que escrevo, minha filha está jogada em um canto de uma unidade de pronto atendimento de forma improvisada em vez de estar recebendo os melhores cuidados que requer por conta do fracasso de uma cirurgia que fez no fim do ano passado, uma gastrostomia – colocação de sonda em seu abdome, até o estômago, para receber alimentação enteral.

Essa cirurgia se converteu em um desastre, tendo que ser refeita nem dois meses mais tarde, em janeiro, porque o buraco que fizeram no abdome de minha filhinha não cicatriza, não pára de infeccionar e os médicos que deveriam se preocupar e tomar medidas urgentes atendem, entediados, aos telefonemas desesperados que eu e minha família lhes damos.

Estou indignado e desesperado. A milhares de quilômetros de casa, fora do Brasil, conversei, por telefone, com um dos responsáveis pela saúde de minha filha e o que ouvi foi descaso, insensibilidade, irresponsabilidade. Cheguei a agradecer a Deus por estar longe dessa criatura naquele momento.”

Para ler tudo, clique aqui.

Minha solidariedade ao Eduardo. Deve ser terrível viver uma situação destas longe de casa. E depois a gente ainda reclama da vida.

Deixem abaixo as sugestões de pauta, dicas de leitura e comentários aleatórios sobre o mundo. Tenham um bom dia!





35 comentários

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Maria Efigênia

19 de março de 2010 às 01h59

Fiquei profundamente triste com o que foi narrado sobre essa criança.

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Dr Marcelo Silber

19 de março de 2010 às 00h00

Eduardo Guimarães
Como médico pediatra, envolvido em alguns casos semelhantes ao da querida Victória, sinto imensamente o que esta acontecendo com ela. Pior do que o insucesso e as complicações cirurgicas é o descaso, a omissão, negligência destes " profissionais" que só envergonham a classe médica brasileira. Denuncie-os, para que julgados e punidos, possam ser afastados da prática médica, dando lugar a homens e mulheres que honrem o juramento de Hipoócrates e seu CRM
Conte comigo para qualque ajuda que julgar necessário.
Estou a sua disposição e da sua esposa.
Grande Abraço

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    Eduardo Guimarães

    21 de março de 2010 às 00h52

    Infelizmente só li agora a mensagem do dr Marcelo Silber. É um alento constar que é apenas uma parte dessa categoria que não tem consciência. Quem sabe tenhamos como trocar mensagens no futuro. Meu abraço

mariazinha

18 de março de 2010 às 23h40

Azenha, olha o que encontrei na Blogosfera:
"Temos realmente que divulgar que a Veja ocupa um prédio da PREVI, um fundo de pensão e fica ai metendo o pau nos fundos dizendo que eles são para ajudar o PT e esquece-se de dizer que está alojada neste prédio e não comunica quanto paga de aluguel.
Temos que deixar claro que ela ocupou o prédio na época do Serra/Fhc.
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010

O povo qdo. esta motivado, descobre coisa do arco da velha!

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mariazinha

18 de março de 2010 às 23h39

É terrível a situação do EG.
Força, caro. VC não foi o primeiro nem será o último a sofrer na mão de médicos brasileiros.

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Ellisabete Otero

18 de março de 2010 às 21h22

Azenha, morro de pena do Eduardo pela situação que está vivendo… filho doente e a gente longe é o pior do que se possa imaginar como sofrimento. Sou muito solidária com ele, embora sempre meus filhos e pais doentes tenham tido muito bom atendimento médico, quando necessário. Imagino que atendimento médico desatencioso, desinteressado seja intolerável mesmo. Meus votos são os de que a menina fique melhor e que a família do Eduardo consiga também superar o episódio atual.

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    Eduardo Guimarães

    18 de março de 2010 às 23h02

    Por sorte, Elisabete, indiferença costuma andar de braços dados com a "paura".

João H. Venturini

18 de março de 2010 às 20h35

Caro Azenha: Amanhã ocorrerá uma manifestação dos professores estaduais de São Paulo na av. Paulista em frente ao Masp, as 14:00hs. Parece q a maioria dos professores acordou e viu q a Big Mídia está boicotando a greve e as reivindicações da categoria e não dá voz para nós. Precisamos da colaboração da mídia independente nesse evento, pois vai ter muita gente e a gde imprensa não vai relatar realmente o q vai ocorrer.

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Leider_Lincoln

18 de março de 2010 às 20h20

Toda a minha solidariedade ao Eduardo!

Responder

Marco Leite

18 de março de 2010 às 19h07

O Lula é pouca água para muita cede!

Responder

Marco Leite

18 de março de 2010 às 19h05

O Lula é muita tinta para pouco pincel!

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Bruno Z.

18 de março de 2010 às 18h17

A revista Time reconhece a diplomacia brasileira:

http://igdel.com.br/site/index.php?option=com_con

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Claudomiro

18 de março de 2010 às 18h04

Caro Eduardo. Desejo muita força para você nesta fase difícil. Sei o que passa porque eu e meus irmãos tivemos que segurar a barra de termos nossa mãe e outro irmão, ao mesmo tempo, fazendo cirurgias de câncer. Infelizmente meu irmão faleceu algum tempo depois. Para piorar minha mãe já estava com Alzheimer na época e hoje encontra-se em estágio avançado da doença mas fico muito feliz por ainda estar conosco.
Lute cara! É a esperança que sua filha possui.
Desejo tudo de bom para você, para ela e para seus próximos.

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    Eduardo Guimarães

    18 de março de 2010 às 21h23

    Que pena. Sinto muito. Obrigado pelas palavras

@Mundimveloso

18 de março de 2010 às 17h19

Eu sou fã do Eduardo Guimarães! Um cidadão que faz a diferença.

Responder

    Eduardo Guimarães

    18 de março de 2010 às 21h25

    Eu digo que pra viver no Brasil é preciso ser muito macho. Digo no sentido lato de gênero. Homens e mulheres, neste país, são todos muito machos. Não temos saúde, não temos educação, não temos segurança. Ô vidinha dura neste país. Obrigado pelo elogio

Guerra

18 de março de 2010 às 16h53

Eu também estou farto dessa hipocrisia. Minha mulher é portadora de esclerose múltipla e tirando apenas um, todo o resto que a atendeu dava vontade de dar um tiro em cada um deles. A insensibilidade e o mercantilismo são apenas duas das coisas que me enojam no trato com essa raça.

Responder

Hans Bintje

18 de março de 2010 às 15h58

Prezada Conceição Lemes (a caminho da canonização – palavras do Azenha):

Por favor, mande para Victoria uma música que eu gosto muito, cantada pela Celine Dion, "Une Chanson Douce". Acredito que ela vai gostar:

Une chanson douce
Que me chantait ma maman,
En suçant mon pouce
J'écoutais en m'endormant.
Cette chanson douce,
Je veux la chanter pour toi
Car ta peau est douce
Comme la mousse des bois.

La petite biche est aux abois.
Dans le bois, se cache le loup,
Ouh, ouh, ouh ouh !
Mais le brave chevalier passa.
Il prit la biche dans ses bras.
La, la, la, la.

La petite biche,
Ce sera toi, si tu veux.
Le loup, on s'en fiche.
Contre lui, nous serons deux.
Une chanson douce
Que me chantait ma maman,
Une chanson douce
Pour tous les petits enfants.

O le joli conte que voilà,
La biche, en femme, se changea,
La, la, la, la
Et dans les bras du beau chevalier,
Belle princesse elle est restée,
Eh, eh, eh, eh

La jolie princesse
Avait tes jolis cheveux,
La même caresse
Se lit au fond de tes yeux.
Cette chanson douce
Je veux la chanter aussi,
Pour toi, ô ma douce,
Jusqu'à la fin de ma vie,
Jusqu'à la fin de ma vie.

{Variante pour les 2 derniers:}

O le joli conte que voilà,
La biche, en femme, se changea,
La, la, la, la
Et dans les bras du beau chevalier,
Belle princesse elle est restée,
A tout jamais

Une chanson douce
Que me chantait ma maman,
En suçant mon pouce
J'écoutais en m'endormant.
Cette chanson douce
Je veux la chanter aussi,
Pour toi, ô ma douce,
Jusqu'à la fin de ma vie,
Jusqu'à la fin de ma vie.

Responder

    Eduardo Guimarães

    18 de março de 2010 às 21h26

    Que iniciativa tocante. A Victoria agradece

Marcelo de Matos

18 de março de 2010 às 15h43

Em frase multicitada, Nelson Rodrigues alega que toda unanimidade é burra. Acredito que frase alguma tenha deixado de sofrer contestação. Assim, já vou adiantando que a unanimidade pode não ser inteligente, mas, é possível que seja, ao menos, esperta. O UOL noticiou ontem a manutenção da taxa selic pelo BC em 8,75%. Houve, é claro, protestos de líderes políticos e trabalhistas, como Paulo Skaf (agora PSB) e da Força Sindical. Deverão advir críticas de José Serra, José Alencar, José Dirceu, mas, a entidade supranatural a que chamamos “mercado” reagiu com naturalidade. A Fiesp fez as críticas de costume, mas, é provável que o setor industrial também lucre com os juros altos, já que sempre faz aplicações financeiras e operações de câmbio. Matéria publicada ontem no UOL diz que “BC e mercado quase sempre falam a mesma língua”. E acrescenta: “O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, fez essa conta e descobriu que BC e mercado falaram a mesma língua na maioria das vezes desde 2003.”

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Marco Antônio Leite

18 de março de 2010 às 15h13

Já estava esquecento do Exército dos Marias-Vai-Com-Os-Outros.

Responder

Marco Antônio Leite

18 de março de 2010 às 15h07

O Brasil tem o maior Exército do mundo, cujo poderio reside nos milhões de homens que pertencem as mais variadas classes sociais. Existe o Exército dos milhões desempregados e subempregados. Tem o Exército dos milhares de famílias que sobrevivem da Bolsa-Família (90,00). Não podemos esquecer-nos do Exército dos laranjas que é formado por inocentes úteis, Exército dos traficantes de drogas e armas, bem como o Exército dos ladrões de bancos e galinhas. Porém o poderoso Exército brasileiro tem em suas fileiras milhares de políticos corruptos, aqueles que desviam verbas para seus bolsos, cuecas e meias. Sem falar no Exército do Judiciário que recruta todo tipo de gente que vive de Habeas-Corpus. Com todo esse poderio nosso país esta seguro contra uma eventual invasão dos inimagináveis inimigos do povo brasileiro. Quem tem um Exército poderoso não necessita de outro inimigo.

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Eduardo Guimaraes

18 de março de 2010 às 15h04

Fiquei emocionado, meu amigo. Obrigado pela solidariedade. Hoje estou mais firme – ate por que nao tem jeito. Ainda bem que tenho a Conceicao Lemes do meu lado, mesmo estando longe. Essa mulher e um tesouro

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    Luiz Carlos Azenha

    18 de março de 2010 às 15h16

    A Conceição Lemes é um anjo. Espero propor a canonização dessa guerreira solidária! Abs e estamos contigo.

    Eduardo guimarães

    18 de março de 2010 às 16h35

    Algum dia, Azenha, vou retribuir a tudo o que ela tem feito por minha filha. E obrigado pela solidariedade. Ontem entrei em desespero. Abraço

    Antonio

    18 de março de 2010 às 18h57

    Somos muitos Azenhas torcendo por você e pela Victória. Força Edu, estamos contigo.

    Eduardo Guimarães

    18 de março de 2010 às 21h27

    Que bom seria se este mundo fosse só de Azenhas, Antonios, Conceições…

    Arthos

    21 de março de 2010 às 00h03

    Aplaudo de pé!

    Gerson Carneiro

    19 de março de 2010 às 11h34

    ô rapaz, não diga que "não tem jeito". Tem jeito sim. No máximo diga que o jeito foi determinado por Deus. Foi Ele quem colocou a Victória na tua vida. E o amor que você tem por ela é imensamente maior que qualquer dor que você possa sentir.

    " não desespere quando a vida fere, fere
    e nenhum mágico interferirá!
    se a vida fere com a sensação de um brilho
    de repente você brilhará! " Realce – Gilberto Gil

    Esse trecho dessa música me confortou bastante quando meu pai faleceu em 1994.

Rafael Frederico

18 de março de 2010 às 14h50

Acabo de me deparar com uma cena inesperada: a revista Veja na mesa da sala de jantar. Não vou dizer que nunca tinha visto a revista aqui em casa, mas com certeza foram poucas as vezes. Não sei de onde veio, mas uma breve análise da capa me fez notar duas coisas. Primeiro, a estrela do PT com o 13 substituído por um 12, e a chamada de que uma "testemunha-chave" da Justiça teria informações sobre um repasse de 12% das verbas do bancoop. Agora pergunto, se o processo nunca foi aceito pelo judiciário, que "testemunha da Justiça" é essa? Seria um justiceiro de capa e espada contratado, maquiado e bem vestido pela própria revista? Não me dei ao trabalho de ir verificar.

A segunda coisa, que achei ainda mais curiosa, foi a chamada no canto direito superior, que falava da "vitória exemplar" do Brasil sobre os EUA na OMC. Pera lá, quando foi que a Veja começou a elogiar qualquer aspecto que seja do governo Lula? Cadê o discurso da diplomacia equivocada? Confesso que não cheguei nem a abrir a revista.

Fica aí um retrato da crise existencial da Veja, a partir de uma análise de capa. Se alguém tiver tido a coragem de ler as tais matérias por favor elabore.

Responder

    Gerson Carneiro

    19 de março de 2010 às 11h22

    Não se engane: quando a Veja "elogia" o governo Lula certamente é porque almeja, por necessidade, vender mais exemplares. Essa foi minha sensação quando recentemente publicou uma capa no estilo retrô sobre a Dilma. Portanto fique em alerta: se isso acontecer, não morda a isca.

Jeanette

18 de março de 2010 às 14h22

Talvez a coisa vá pro lado da falta de humanização mesmo. Nesse caso, ponto para medicinas "alternativas" e complementares, como a Antroposofia, que vem tentando nos conscientizar que somos seres humanos como um todo.
…"A humanização do tratamento médico é, portanto, tida como diferencial pela medicina antroposófica. “Ela procura humanizar a prática médica, que, no ponto de vista tecnicista, caminhou para o materialismo, para o tecnicismo, tendo o homem como um conjunto de químicas e reações, sem levar em conta sentimentos, paixões, religiosidade”, completa."…
…“Humanizar não significa só atender caridosamente, pois todas as medicinas deviam fazer isso, acolher e atender o paciente. Humanizar significa resgatar imagem do homem completo, corpo, alma e espírito”.(Dr. Alexander Moreira de Almeida)

Responder

O Brasileiro

18 de março de 2010 às 13h10

Cirurgias do trato digestivo como essa têm maior chance de levar a infecções e problemas de cicatrização. Mas a criança tem direito de receber um atendimento decente, mesmo no caos que são os pronto-atendimentos. O que acaba sendo exposto no drama desta família é a falta de leitos hospitalares em casos que não são de urgência. Esta criança já deveria estar internada em um deles, onde receberia um tratamento mais digno.
Talvez fosse interessante informar o caso à Secretaria de Saúde para que medidas sejam tomadas e, principalmente, evitar que esse tipo de coisa continue se repetindo por falta de planejamento.

Responder

    Eduardo Guimarães

    21 de março de 2010 às 00h54

    Não sei se é pior ou melhor, mas ela tem um plano de saúde dito "top" da Sul América.


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