VIOMUNDO

Diário da Resistência


Opinião do blog

O cabelo “invocado” do Paintsil e o apartheid português


27/06/2010 - 10h35

por Luiz Carlos Azenha

Um narrador brasileiro da Copa do Mundo notou o cabelo “invocado” do Paintsil, jogador de Gana. Outro achou um exagero o cabelo do Prince Tagoe, da mesma seleção. Jogador de futebol gosta mesmo de inventar moda. Eu me lembro de uma Copa em que uma seleção europeia, aparentemente para demonstrar solidariedade de grupo, tingiu os cabelos todos de uma mesma cor. Tivemos, também, solidariedade capilar entre jogadores que ficaram carecas em grupo, aquele corte diferente do Ronaldo e, mais recentemente, a garotada do Santos inventando uma arrumação comum de cabeleira.

Em alguns lugares da África, no entanto, por incrível que pareça o corte de cabelo já foi afirmação de liberdade individual e expressão de resistência cultural.

Hoje as centenas de jornalistas que desembarcaram na África do Sul frequentam o museu do apartheid, em Joanesburgo, para ver de perto os objetos e imagens que marcaram o regime racista. Ficam boquiabertos, muitas vezes, com o fato de que um regime como aquele sobreviveu até 1994! O que poucos deles sabem é que, para os padrões africanos, embora tenha sido extremista, não se tratou de um regime de exceção: o racismo institucional foi a regra desde que os europeus fizeram a partilha da África até o fim das guerras de independência.

Nos paises de colonização portuguesa, por exemplo — em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, especialmente — foi instituído um sistema informal de castas. No topo estavam os europeus brancos. Depois os mulatos. Em seguida os negros assimilados. E finalmente os negros “indígenas”, aos quais eram negados todos os direitos.

A categoria de “negros assimilados” foi criada para fornecer aos portugueses uma elite local que ajudasse a governar a colonia em postos subalternos. Para receber o documento de assimilado, o negro tinha de apresentar a um tribunal duas pessoas brancas, para atestar diante do juiz: “Esse sujeito fala português, dorme na cama, come com garfo e faca, etc.”. Ou seja, já abandonou completamente sua cultura e, apesar da cor da pele, é “um dos nossos”. Aos negros não assimilados, ou indígenas, eram negados direitos básicos, como a liberdade de ir e vir. E eles podiam ser recrutados a qualquer momento, as vezes à força, para o trabalho em obras públicas. A “obra” colonial, portanto, foi erguida com trabalho escravo ou semi-escravo.

Na Guiné-Bissau, onde estourou cedo a luta pela independência, a guerra cultural foi levada ao extremo: alguns cortes de cabelo eram proibidos (assim como danças tradicionais das diferentes etnias em cerimônias públicas). Era, literalmente, a proibição do “cabelo rebelde”. Aos homens negros era permitido usar o cabelo curto, às mulheres fazer “maria chiquinha”. E só. Mais tarde, nos anos 60, nos Estados Unidos, durante a luta dos negros por direitos civis, surgiu o famoso cabelo “black power”. Portanto, como vocês podem notar, as elaboradas tranças africanas não refletem apenas as diferentes culturas locais, mas se tornaram também um símbolo de resistência e de afirmação cultural.

Talvez o Pantsil e o Prince Tagoe, jogadores de Gana, estejam apenas expressando sua vaidade, o que muitos outros jogadores de futebol fazem, cada um à sua maneira. Que o façam, livres da patrulha capilar.

Nota do Viomundo: Como notou o Hélio Paz, identifiquei erroneamente como sendo Pimpong o jogador de Gana que se chama Prince Tagoe (ele aparece na foto que agora ilustra esse post). O texto foi corrigido. Peço desculpas aos leitores.





59 comentários

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cortes de cabelo

24 de abril de 2012 às 13h35

Os cortes de cabelo dos jogadores de futebol são cada vez mais criativos.Os cabeleireiros estão cada vez mais inovando suas obras!

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Renato

29 de junho de 2010 às 10h33

A seleção européia que tingiu o cabelo de loiro, foi a seleção da Romênia na Copa de 1998 na França… os caras ficaram empolgados com a super campanha deles na primeira fase que pintaram logo todo mundo de loiro, inclusive o craque do time o Hagi.
Pena que os romenos caíram logo na segunda fase (oitavas de final), porém não lembro a seleção que os tirou.

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Luciana

29 de junho de 2010 às 09h53

Jogadores de futebol de cabelo "invocado" são aqueles que quando fazem gol, dedicam ao povo de seu país. Nunca vi um jogador africano dedicar gol a esposa ou namorada . Compartilham seus esforços, momentos alegres, o gol é dedicado a milhões de famílias de seus paises. Representam o país com orgulho (contagiante) e todos tem consciência que são parte do Continente que é berço da humanidade e da Civilização.

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heliopaz

28 de junho de 2010 às 16h23

Azenha,

Teu texto está excelente. Todavia, Pimpong não está na Copa 2010 e a foto é da Copa de 2006.

[]'s,
Hélio

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    Luiz Carlos Azenha

    28 de junho de 2010 às 23h32

    Obrigado pela dica, Helio. De fato, identifiquei erroneamente um dos jogadores. Vou corrigir. abs

Maria Dirce

28 de junho de 2010 às 14h26

Além dos cabelos diferentes, e o apharthaid que ainda existe, o que mais chamou a minha intenção foi o choro intenso do jogador da Coreia do norte, enqto tocava o hino de seu país.Para mim mostrou o quão eles são felizes com a divisão da Coreia cujo Usa ajudaram a separação.

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    Marcílio

    06 de julho de 2010 às 03h27

    Desculpe-me, mas só posso compreender sua opinião de duas maneiras: ou é uma ironia, ou felicidade para vc é composta de saúde e ignorância…Agradeço a Deus por não ter nascido na Coréia do Norte.

jbmartins

28 de junho de 2010 às 13h35

Muito bom isto sim é aula, cultura, mais tem alguns que se dizem Jornalistas, comunicadores, narradores, embarcam em preconceito e emitem opiniões como se fossem os donos da razão e etica, não sabem nem por que estão aqui, em uma vida curta e breve.

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Cappilori

28 de junho de 2010 às 13h34

A forma como a sociedade enxerga os diferentes tipos de cabelo é a maior prova do quanto ainda somos racistas. Utilizamos expressões como "cabelo bom" e "cabelo ruim" com a mesma naturalidade de um europeu do século XIX afirmando que negros eram inferiores. Acho bastante positivo esse movimento de "resistência" dos sul africanos, que ainda não foram dominados pela imposição ocidental do cabelo liso ("cabelo bom") para as mulheres, à base de formol, de sua saúde e do "não ter cabelo" imposto aos homens negros, ou brancos, com cabelos crespos.

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beattrice

28 de junho de 2010 às 12h41

Azenha
impressionante o baixo nível cultural e profissional dos "jornalistas" enviados para cobertura nessa Copa, é possível escrever 2 ou 3 volumes de FEBEAPÁ com o que se ouve enquanto transmitem os jogos.
A GLOBOPE realmente prestou um desserviço a este país que tardará gerações para ser corrigido.

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Luciana

28 de junho de 2010 às 11h17

Azenha o seu texto demonstra que há cidadãos que além de intolerantes, desconhecem o valor da diversidade. Mas sua mensagem , revela que há homens que identificam e se manifestam diante da indignidade de manifestações que pretendem desqualificar pelo preconceito.Seu texto é "invocado".
Eu particularmente achei o cabelo do Paintsil comportadérrimo, lindo.
No Brasil reconheço cabelos mais "invocados" (estiloso/black identidade/liberdade) que o de Paintsil.
Em setembro chega ao Brasil uma estrelona mundial com cabelo "invocado" e talento idem Lauryn Hill.

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Aldo Luiz

28 de junho de 2010 às 11h13

Belo texto caro Azenha, e de carecas e cabeleiras futebolisticas em modismos e discussões vazias, vão iludindo os povos midiotizados até à medula enquanto segue silenciosos o novo criminoso terrorista 9/11 pela BP. Mais um crime intencional contra a humanidade é este vazamento de petróleo, planejado e anunciado, no golfo do México. Veja isto: No início desta semana a Reuters reportou que uma enorme quantidade de metano foi descoberto no Golfo do México. O professor da oceanografia da Universidade Texas A & M John Kessler afirmou que os níveis de gás metano em algumas áreas são "surpreendentemente elevados". Kessler recentemente retornou de uma expedição de pesquisa de 10 dias próximo ao vazamento de petróleo da BP. A equipe de Kessler mediu as águas superficiais e profundas num raio de 5 milhas (8 quilômetros) do poço de petróleo destruído da BP. "Há uma incrível quantidade de metano por lá," Kessler disse a repórteres. Ele disse que o nível pode ser algo em torno de um milhão de vezes o nível normal.
No final de maio a BP admitiu que o metano representa cerca de 40 por cento da massa do petróleo que está vazando. Além do metano, grandes montagens tóxicas de sulfeto de hidrogênio, benzeno e cloreto de metileno, entre outros, estão vazando para o Golfo de acordo com a EPA.
Lindsay Williams, um ex-capelão de oleoduto do Alasca, com fortes conexões com a alta da indústria do petróleo, disse no Alex Jones Show em 10 de junho que gases mortais estão realmente escapando do poço.
Em nome de uma democracia de faz de conta, que eles criaram para ocupar nossas mentes em perene ilusão, o iminente 4º Reich nazi-sionista com seus fiéis banqueiros administrando a escassez planejada de tudo, com excesso do terror paralisante das guerras que lhes dão muito lucro, e, o permanente grande medo estupidificador de tudo e todos para a “implantação” definitiva da (velhíssima, agora em nova embalagem) nova ordem mundial escravagista, avançam seu fundamentalismo eugenista e genocida encobertos pela midiocracia mundial de sua propriedade.
Sua belicosa agenda escravagista segue incólume; depopulação para melhor administração, manutenção da ignorância e controle de suas milenares senzalas com a chipação dos sobreviventes.
Capciosos, solertes, mentem e distorcem a realidade para beneficiar seus pontos de vista inumanos que impressionam aos desavisados e inexperientes. Conspiram como respiram, infiltram-se em todas as classes para a velha religiosa doutrinação da infância e juventude, seu alvo preferencial, sem esquecer de reciclar idosos crédulos incautos.
Fomentam todas as competições, as guerras e lutas fratricidas para dividir, governar e lucrar. Querem a manutenção do poder milenar que detêm para usufruto da abjeta luxuriosa casa grande.
Usam de todos os recursos e métodos para controle das mentes e corações dos que, apavorados, apenas percebem os fatos na superfície e se deixam cooptar inebriados pelos discursos cheios de eufemismos e frases de efeito. Os seus escravos preferidos, os mais apreciados, são os escravizados que se julgam livres e por isso ingenuamente os apóiam. Estão preocupados com o que dirão do “meu” espetacular televisivo cabelo.

Responder

mariazinha

28 de junho de 2010 às 11h02

Que texto leve e encantador!
Obrigada e parabéns, querido Azenha.

Responder

mariazinha

28 de junho de 2010 às 10h55

Eu também esperava a grande comemoração. Um grande feito G ana tirar os EUA da competição!
Eu vibrei durante todo o jogo e emocionei-me com GANA; não é todo dia que os todopoderosos são derrotados; para mim, um dos melhores jogos da Copa.
Que maravilha!

Responder

Gerson Carneiro

28 de junho de 2010 às 10h36

E o Júlio César, será que vai jogar hoje com aquele espartilho?

Responder

Gerson Carneiro

28 de junho de 2010 às 10h30

Poxa, estava esperando um post da desclassificação dos EUA por Gana, mas não saiu.
Então farei minha análise técnica atrasada desse jogo:

Eu acho que os jogadores de Gana estavam muitos Gananciosos.

Responder

Wanderson Brum

28 de junho de 2010 às 10h14

Azenha antes de qualquer coisa muito obrigado pelo artigo, a cobertura da Copa tem me parecido até agora um passeio no tal Blue Train, não que esta deva se transformar em um documentario sobre o pós-apartheid ou coisa parecida, mas é necessario olhar para os lados, ter um pouco de sensibilidade, no entanto creio que a Midia nacional ainda não esteja preparada para isso. Será que um dia estará?

Vivemos em mundo com infinidades de culturas e formas de ver e conceber o mundo, no entanto o eurocentrismo impregnado na visão de muitos dos nossos jornalistas, deficiência que vai desde a sua formação até a linha editorial ditada pelos seus patrões, nos brinda com sucessivos episódios que desmascaram a nossa visão "étnico-racial" do mundo mascarada pela nossa "cordialidade tropical".

Só para terminar esses portugueses são danados criaram um apartheid "simpático" nas suas colonias africanas, prova disso é que esse sistema por assim dizer não parece ter rendido a mesma comoção internacional do sul-africano, muito parecido com o nosso aliás!

Responder

João Castanheira

28 de junho de 2010 às 09h46

ESPANHA X PORTUGAL:

Parafraseando a manchete de um jornal português em dia de BRASIL X INGLATERRA:

QUE PERCAM OS DOIS!

Responder

Adilson

28 de junho de 2010 às 05h03

A campanha continua: mais uma vez sem Glogo, observe o link a seguir: http://3.bp.blogspot.com/_Nj7k-NFjuzA/TCYXI3HrGwI…

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antonio carlos

28 de junho de 2010 às 02h31

Interessante, o Beckham da Inglaterra fez de td no cabelo, sem contar que pintou unhas e afirmou usar calcinhas… ninguém fala nada… agora td vez que aparece um negro com um penteado diferente td mundo fala…. vai algum tempo ainda para o preconceito sair do imaginário coletivo….

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Paulo

28 de junho de 2010 às 00h17

A seleção européia que pintou o cabelo (descoloriu) foi a da Romênia, em 1998. Fizerem isso para comemorar a classificação para a segunda fase.

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Pedro Tagua

27 de junho de 2010 às 21h36

Pra você é fácil falar que o texto é bobagem, já que com certeza nunca foi e nunca vai ser vítima de preconceito racista na sua vida…
Mas é bem tradicional no Brasil, pois pra pessoas como você, provavelmente isso é normal e ser preconceituoso e racista é agir como bom brasileiro de classe média. Mas não é!

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Carlos Morais

27 de junho de 2010 às 21h01

Carinha, se não há racismo no jornalismo esportivo brasileiro, me explique por que 99,9% dos jornalistas brasileiros enviados à África do Sul (à África do Sul!!, terra de Mandela e do apartheid…) não têm ascendência africana, ao contrário de um contingente enorme de brasileiros? Aproveite e explique por que narradores e comentaristas só elogiam a beleza de torcedoras das equipes européias, crentes de que basta ser loira para ser bonita…

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    rafael

    28 de junho de 2010 às 09h27

    Bem dito, o CQC da Band e o Pânico na TV em seus quadros sobre a beleza das torcedoras só mostraram as lindas europeias, e quando da Africa do Sul só as descendentes dos brancos.

    Privaram -nos da beleza das mulheres negras.

Sandra

27 de junho de 2010 às 20h20

Por isso que não caio nessa baboseira de que Portugal é país irmão, eles foram colonizadores implacáveis e só a Inglaterra leva a fama. Povo irmão é o de Angola e outras colônias que viveram dramas semelhantes aos nossos. Estou feliz por ver a Europa se dar mal nessa Copa.

Responder

    Roberto Locatelli

    28 de junho de 2010 às 05h48

    É verdade, Sandra. Os comentaristas de rádio e tv torcem acintosamente pelos times europeus contra os africanos e latino-americanos. Mas eu, como você, estou achando ótimo a surra que a Europa está levando.
    Países irmãos são os africanos e latino-americanos.

    rafael

    28 de junho de 2010 às 09h25

    Concordo também.

    Klaus

    28 de junho de 2010 às 10h50

    É mentira.

    @marisps

    28 de junho de 2010 às 14h49

    Eu também tô adorando a sova na "Zoropa"! Aliás, hoje comprei (mais uma) briga com o pessoal do trabalho dizendo que torcerei pela Argentina contra a Alemanha. Sinto que ao final da Copa e posteriormente ao final das eleições não me sobrarão amigos, familiares ou colegas de trabalho!

Gerson Carneiro

27 de junho de 2010 às 19h50

Pensando melhor, aquele cabelinho do Ronaldo tava mais para o estilo Seo Craysson.

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André Frej

27 de junho de 2010 às 19h14

Concordo com o Patrício quando associa a atual situação na Palestina ao regime de segregação social na África do Sul.
Um sonho possível: Free Palestine !
E amanhã de novo. Mais um dia sem Globo !

Responder

Milton Hayek

27 de junho de 2010 às 19h07

O macartismo do século 21:
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia…

27 DE JUNHO DE 2010 – 16H50

'União Europeia vigia população para proibir opiniões divergentes

Entre as realizações do mandato espanhol na presidência da União Europeia, passou praticamente despercebida a aprovação de um programa de vigilância e coleta sistemática de dados pessoais de cidadãos suspeitos de experimentar um processo de “radicalização”.

Por Irene Lozano*, no blog Casi Desnuda
Tradução: Edna Meire de Moraes (MPost)

Esse programa pode voltar-se contra pessoas envolvidas com “grupos de extrema esquerda ou direita, nacionalistas, religiosos ou antiglobalização”, segundo consta nos documentos oficiais. Em 26 de abril, o Conselho da União Europeia reunido em Luxemburgo, discutiu a ordem do dia intitulado “Radicalização na UE”, que terminou com a aprovação do documento 8570/10. ……………………"

Agora o Ato Patriota passa a valer na Europa.

Responder

    Marcos de Almeida

    27 de junho de 2010 às 19h51

    Isso já a preparação para o anticristo assumir o governo mundial.

    Milton Hayek

    27 de junho de 2010 às 23h13

    Eu não sei,Marcos.Mas já existe fundamentação legal,na União Européia e EUA,para abrir sua correspondência,sua caixa postal eletrônica e suas comunicações de telefone com o ECHELON:
    http://www.defesanet.com.br/noticia/echelon/echel…

    O relatório foi feito pelo Parlamento Europeu e publicado em 2001.

    Ramon

    28 de junho de 2010 às 09h02

    E quem define o que é ser radical e quem se encaixa neste perfil? O Mundo regride nas relações sociais de maneira preocupante. A corporocracia é quase sempre desumana e desonesta, pena que esse tipo de radicalização não será combatida por esta lei que emanou da própria corporocracia.
    O conceito de cidadania mudou e o poder já não emana do povo, e sim de quem possui recursos para financiar as campanhas eleitorais ou para corromper os políticos.

    Milton Hayek

    28 de junho de 2010 às 09h36

    Veja como a coisa é interessante,Ramon.Os EUA tem o ECHELON(um programna carnívoro que classifica os dados que acessa).Daí os tucanos privatizam a EMBRATEL e acontece isso hoje em dia:
    http://pbrasil.wordpress.com/2010/06/28/oi-negoci…

    "….No governo, é considerado delicado o fato de informações do Banco Central, enviadas de Brasília para Manaus, por exemplo, terem de passar antes por Miami (EUA).
    A proposta de lançar um satélite brasileiro consta da “Estratégia Nacional de Defesa”, documento que norteará o debate sobre o tema".

    O governo do Brasil,só agora,cogita ter um satélite de uso exclusivo das Forças Armadas.Já pensou????

C R TEIXEIRA

27 de junho de 2010 às 17h28

Sabe Azenha, em meados da década de 50, deveria ter entre 6 e 7 anos e conheci em "preto véio" que teria sido escravo do meu bisavo Ernesto. Sabe o que senti? VERGONHA! Hoje posso me considerar um "branco véio" que conhece algumas fazendas antigas aqui do sul das Geraes que mantêm suas casas grandes e senzalas. Sabe o que sinto? VERGONHA!

Responder

priscila presotto

27 de junho de 2010 às 17h17

Não vejo nenhum problema os jogadores usarem a moda em seus cabelos em campo.
Acho até muito legal.

Viva a liberdade!!!!!

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voxetopinio

27 de junho de 2010 às 16h49

Belo texto, Azenha. Seus textos sobre a copa vão além do mero jornalismo descritivo. Entram no campo do depoimento.

Muito legal.

Responder

Anderson

27 de junho de 2010 às 16h34

MEteram a mão em Portugal

Meteram a mão em C Marfim

Meteram a mão na Inglaterra

Meteram a mão no México

Copa do mundo = já está tudo bem combinado antes de começar

Responder

    Francisco Mattos

    27 de junho de 2010 às 20h22

    Os juízes é ue não tem como dar conta de tudo sem a tecnologia!!! e ficamos a deriva dos erros humanos!! O Botafogo que o diga!

    Glauco LIma

    28 de junho de 2010 às 08h45

    Não se esqueça do gol de mão do Luiz Fabiano!!!!!!
    Tá tudo combinado?

jura

27 de junho de 2010 às 16h15

Paintsil (provavelmente "tinta acetinada") e Pimpong (provavelmente "ping-pong") são alguns dos sobrenomes ridículos que os colonizadores europeus davam aos africanos. Assim como Bismarck fazia com os judeus pobres – os ricos compravam nomes como Goldman e Goldstein – e até os portugueses fizeram nas colônias africanas.

Responder

parte1

27 de junho de 2010 às 15h21

Bom texto!
Fica claro na fala do narrador, e nos escritos de alguns dos comentaristas deste texto, que para alguns está cada vez mais difícel compreender a sociedade (global) atual. A estes só me resta dizer que sinto muito mas o mundo dominado sócio-culturalmente pelos padrões eurocêntricos se foi a pelo menos 20 anos. E esta sensação tem-se ampliado ano a ano. Para o bem dos seres humanos.

Responder

Elias São Paulo SP

27 de junho de 2010 às 15h12

No embalo do papo sobre cabelo, vai aqui mais um trecho de letra de música, agora de Itamar Assumpção: "Eu tenho cabelo duro / Mas não o miolo mole / Sou afro brasileiro puro / É mulata minha prole / Não vivo em cima do muro / Da canga meu som me abole / Desaforo eu não engulo / Comigo é o freguês que escolhe…"

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Elias São Paulo SP

27 de junho de 2010 às 14h53

Azenha, você 'descolou' um artigo excelente. O cabelo tem tudo a ver com rebeldia, com dizer 'não, não vou por aí, vou por aqui'. Jorge Ben e Arnaldo Antunes têm uma letra de música que vai de encontro…

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada / Quem disse que cabelo não sente / Quem disse que cabelo não gosta de pente / Cabelo quando cresce é tempo / Cabelo embaraçado é vento / Cabelo vem lá de dentro
Cabelo é como pensamento / Quem pensa que cabelo é mato / Quem pensa que cabelo é pasto / Cabelo com orgulho é crina / Cilindros de espessura fina / Cabelo quer ficar pra cima / Laquê, fixador, gomalina / Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada / Quem quer a força de Sansão / Quem quer a juba de leão / Cabelo pode ser cortado / Cabelo pode ser comprido / Cabelo pode ser trançado / Cabelo pode ser tingido / Aparado ou escovado / Descolorido, descabelado / Cabelo pode ser bonito / Cruzado, seco ou molhado…

Responder

robledo

27 de junho de 2010 às 14h48

Seria melhor chamar a Glorinha Kalil para analisar os jogos, talvez ela surpreenda e seja melhor do que a gente ouvir as bobagens dos bufões da globo e bandeirantes.

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    beattrice

    28 de junho de 2010 às 12h44

    Na pior das hipóteses teremos uam bela análise da estética dos uniformes e do comportamento fairplay.

joe

27 de junho de 2010 às 13h35

Venha ver as minhas cores
Ah… tá na hora do cabelo nascer
Hateei o meu cabelo
Ah… foi ai só que
Fiquei sabendo das coisas

O meu cabelo é verde-amarelo
Violeta e transparente
A minha caspa é de purpurina
Minha barba azul-anil

Venha ver as minhas cores
Ah, tá na hora do cabelo nascer

A Hora e a Vez do Cabelo Nascer
Os Mutantes
Composição: Arnolpho Lima Filho

Responder

Luciana

27 de junho de 2010 às 13h12

Azenha o que este narrador não consegue compreender é que o "invocado" é tão tosco que revolta.Se ele ler seu texto vai compreender melhor o estilo Paintsil, que joga como zagueiro do Fulham da Inglaterra.
"As nossas vidas, as nossas culturas, são compostas por muitas histórias sobrepostas.A romancista nigeriana Chimamanda Adichie, conta a história de como descobriu a sua voz cultural – e adverte que se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, arriscamos um desentendimento crítico."

Responder

patricia souza

27 de junho de 2010 às 12h43

é o preconceito mascarado de novo

Responder

Luciana

27 de junho de 2010 às 12h37

O que o jornalista equivocadamente denominou cabelo "invocado" representa (coroado com a vitória) afirmação dos valores africanos e adesão a uma estética negra que se contrapõe ao padrão determinado pela elite branca.Os atletas jogadores de Gana não utilizam o padrão europeu para ganharem espaço no mundo.Há valores e posicionamento político no cabelo de Paintsil que o jornalista não saberá reconhecer, mas estão presentes nas cabeças, mentes e corpos.Os cabelos para o povo africano é mais que uma expressão cultural é espaço de liberdade, é um jeito de viver e de estar no mundo. O livro "Cabelos de Axé" do antropólogo Raul Lody, com desenhos de Rugenda e Devret e fotos de Sérgio Guerra revela a história dos povos africanos a partir de seus penteados.
A história do penteado "invocado" de Paintsil o jornalista ignora, o que é uma pena no mundo globalizado.

Responder

Patricio

27 de junho de 2010 às 12h18

Na Palestina há um tipo de penteado, ou adorno, ou vestimenta, que também, são costumes que firmam uma identidade cultural que remonta a invasão dos bárbaros romanos, dos abençoados cruzados e dos judeus racistas. Os palestinos não são negros, mas é como se fossem, já que a política do apartheid israelense em nada se diferencia dos brancos que invadiram a África.

Responder

Horridus Bendegó

27 de junho de 2010 às 12h07

Alemanha 2 X 1 Inglaterra, Eu, em nome da dignidade e da honra dos povos, treinador da Alemanha, exigiria no primeiro domínio de bola de minha seleção, um GOL CONTRA PARA PÔR A ÉTICA NA LINHA DA HISTÓRIA, A VERDADEIRA!

Os Deuses do futebol e a humanidade agradeceriam!

Responder

Luciana

27 de junho de 2010 às 12h01

Excelente observação.
É mais que opinião do Blog é respeito à diversidade, às culturas e histórias dos povos.
O cabelo do atleta Paintsil , de Pimpong jogadores de Gana, e de vários jogadores de futebol de países da África, além de valor estético, tem muito a ver com consciência e contraposição à representação dominante nas sociedades ocidentais. O que os jornalistas não comentaram é que estes jovens atletas e os meninos pobres de periferias de países africanos, falam francês, inglês e dialetos, são pessoas que se comunicam com o mundo. O penteado deles é "invocado" porque deixa perplexo quem tem visão única de estética, quem conhece uma única história.
Sugiro a este blog que publique a palestra (maravilhosa) da romancista nigeriana Chimamanda Adichie, disponível no site Irohin.

Responder

João Leite

27 de junho de 2010 às 11h34

Ótimo! simplemente ótimo esse artigo!

Responder

Gerson Carneiro

27 de junho de 2010 às 11h02

Aquele corte diferente do Ronaldo era o estilo Cascão.

Respeitem meus cabelos, brancos
Chegou a hora de falar
Vamos ser francos
Pois quando um preto fala
O branco cala ou deixa a sala
Com veludo nos tamancos

Cabelo veio da áfrica
Junto com meus santos

Benguelas, zulus, gêges
Rebolos, bundos, bantos
Batuques, toques, mandingas
Danças, tranças, cantos
Respeitem meus cabelos, brancos

Se eu quero pixaim, deixa
Se eu quero enrolar, deixa
Se eu quero colorir, deixa
Se eu quero assanhar, deixa
Deixa, deixa a madeixa balançar

Respeitem Meus Cabelos Brancos – Composição: Chico César

[youtube iEkh9cmf4Qc http://www.youtube.com/watch?v=iEkh9cmf4Qc youtube]

Responder

Alessandra

27 de junho de 2010 às 10h58

que interessante! não sabia disso e gostei! Mas alguém me explica por que os jogadores brasileiros estão na modinha de usar moicano? Pq não usam cabelo no estilo tijela? =)

Responder

Milton Hayek

27 de junho de 2010 às 10h55

Alemanha 2 X 1 Inglaterra

DEUTSCHLAND UBBER ALLES!!!!!!!!!!!!!!

Responder

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