VIOMUNDO

Diário da Resistência


Greenwald diz que governo brasileiro usa a mesma tática dos EUA contra Snowden e denuncia cinismo de Moro
Em março de 2015, Moro recebe o Prêmio Faz Diferença como Personalidade do Ano (2014) do então diretor de redação do jornal O Globo, Ascânio Seleme, e do vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho
Opinião do blog

Greenwald diz que governo brasileiro usa a mesma tática dos EUA contra Snowden e denuncia cinismo de Moro


24/07/2019 - 17h17

Da Redação

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, está trabalhando freneticamente para confundir a opinião pública sem apresentar provas — e antecipando o resultado de uma investigação em andamento da Polícia Federal, que comanda.

Qualquer semelhança com métodos da Lava Jato (acusar primeiro, encontrar provas depois) pode não ser mera coincidência.

O fato de que um dos presos, Walter Delgatti Neto, confessou ser o hacker das mensagens, não significa que Glenn Greenwald cometeu crime ou pagou pelo conteúdo — como querem fazer crer as redes bolsonaristas.

O que está em discussão é a autenticidade das conversas divulgadas por jornalistas no exercício de suas funções.

O ex-juiz federal já declarou que abandonou o aplicativo Telegram em 2017.

Conforme registrou o UOL:

Moro disse que “saiu” do Telegram em 2017. Embora não tenha detalhado se: apenas deixou de usar o serviço; somente deletou o aplicativo do celular; se apagou a conta quando parou de usar o serviço. Considerando o primeiro cenário, a conta de Moro permaneceria ativa (e com as conversas armazenadas nos servidores do Telegram) por no máximo 12 meses, já que a contas do serviço se “autodestroem” após um tempo de inatividade — por padrão é de seis meses, mas pode ser alterado pelo usuário.

Ou seja, pelas próprias declarações de Moro seria prematuro dizer que os supostos hackers de Araraquara teriam recuperado no celular atual do ministro, em 2019, a troca de mensagens entre ele e os procuradores da Operação Lava Jato.

Seria uma impossibilidade física.

No entanto, o ministro escreveu esta tarde no twitter:

Parabenizo a Polícia Federal pela investigação do grupo de hackers, assim como o MPF e a Justiça Federal. Pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes. Elas, a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime.

Leandro Demori, do Intercept, respondeu:

Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta. Não surpreende vindo de quem não respeita o sistema acusatório e se acha acima do bem e do mal. Em um país sério, o investigado seria você.

Mais tarde, o jornalista Glenn Greenwald registrou a tentativa do ministro Moro de confundir a opinião pública, em uma série de tweets:

Sergio Moro — sendo Sergio Moro — está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico. Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande para que isso funcione para qualquer pessoa. Vamos revisá-la:

Primeiro, lembre-se que no dia em que publicamos, nem Moro nem LJ negaram a autenticidade do material. Eles apenas negaram impropriedades. Foi só mais tarde que eles inventaram essa tática, quando perceberam que seus aliados estavam abandonando-os.

Depois, a Folha trabalhou “lado a lado” com a nossa equipe e verificou a autenticidade do arquivo — inclusive comparando os chats dos seus repórteres com os promotores com o original. Como qualquer hacker poderia forjar isso? Obviamente, isso seria impossível.

Depois da investigação da Folha, @Veja fez a mesma coisa, e concluiu a mesma coisa: o material é autêntico, e contém coisas que um hacker nunca conseguiria forjar, inclusive conversas com seu próprios repórteres. Autêntico “palavra por palavra”.

Então temos o  @BuzzFeedBrasil. Duas vezes designaram uma equipe de jornalistas investigativos para determinar se o que publicamos correspondia ao que se sabe sobre a LJ. Ambas as vezes concluíram que o material que publicamos estava alinhado com todos os eventos conhecidos.

Temos então a distinta senadora,  @maragabrilli, que confirmou que a mensagem dela que publicamos era, na verdade, totalmente precisa. Como, @SF_Moro , seus hackers poderiam ter forjado algo assim?

Foi comentário, não demanda, diz senadora sobre conversa vazada com Moro (UOL).

Todos nos lembramos do Faustão: ele confirmou sem hesitação a mensagem que enviou a Moro, publicada pela Veja. Obviamente, não havia como um hacker forjar isso. Esta é mais uma prova de que o material é autêntico.

Revista [Veja] publica relato de conversa entre Moro e Fausto Silva Apresentador teria aconselhado procuradores a usarem linguagem mais simples. Em nota, Fausto Silva disse que são coisas que fala em seu programa há mais de 30 anos.

Ainda nesta semana, mais uma confirmação veio de um ministro do STF: o ministro Barroso confirmou que a reunião privada entre ele, Moro e LJ — publicada a partir do arquivo — aconteceu. Não há como um hacker forjar isso.

‘Ninguém falou de Lava Jato’, diz Barroso sobre jantar que teve Moro e Dallagnol entre os convidados.

Não nos esqueçamos de que o próprio Moro — relutante mas claramente — admitiu várias vezes que as mensagens secretas eram reais. Ele confessou dar sugestões a DD sobre testemunhas e se desculpou com a MBL por chamá-las de “tontos” — coisas que um hacker não poderia saber.

Finalmente, temos a mais forte evidência de todas: uma reportagem investigativa completa do  @elpais_brasil na qual eles não apenas confirmaram a autenticidade das mensagens, mas também entrevistaram um outro procurador do MPF que confirmou que as mensagens são reais.

Quão mais conclusivo pode ser? As únicas pessoas que cairão no jogo cínico de Moro são aquelas que querem cair. Qualquer um com a mínima racionalidade revisará essa evidência e verá facilmente que — como todos os jornalistas concluíram — ela é autêntica e bem incriminadora.

Glenn também lembrou que, no caso dos vazamentos promovidos por Edward Snowden, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido usaram a mesma tática:

Distrair de sua própria má conduta gritando sobre os ‘crimes’ de Snowden. Ele cometeu crimes? Talvez. Mas isso não mudou o fato de que os documentos eram reais e mostravam crimes graves por parte desses governos.

Importante lembrar, por outro lado, que no longo artigo em que analisou a Operação Mãos Limpas, da Itália, o juiz federal Sérgio Moro destacou a importância de vazamentos para a imprensa como forma de colocar pressão sobre investigados e ‘condená-los’ na opinião pública, o que deixa claro que o atual ministro apoia vazamentos, desde que tire proveito deles.

O vazamento que ele próprio arquitetou, da ligação telefônica entre os ex-presidentes Dilma e Lula, foi considerado ilegal pelo ministro do STF Teori Zavascki, mas Moro justificou-se posteriormente dizendo que o foco deveria ser não no vazamento em si, mas no conteúdo da conversa.

Até agora, nem ele nem os procuradores da Lava Jato conseguiram provar que qualquer mensagem tenha sido adulterada. Pelo menos um procurador, no anonimato, disse dispor em seu celular de arquivos demonstrando que ao menos parte das mensagens divulgadas é verídica.

Para além disso, como demonstrou o jornalista Luiz Cláudio Cunha no Viomundo, Moro foi no mínimo impreciso e no máximo mentiroso ao comparar o vazamento do Intercept Brasil com vazamentos históricos do New York Times e do Washington Post no país pelo qual demonstra publicamente grande apreço, os Estados Unidos.

Isso, em depoimento ao Congresso Nacional, na condição de ministro da Justiça.

Sacado do seu pedestal, o “juiz herói” está cada vez mais mergulhando nos padrões do bolsonarismo, usando um ato criminoso para esconder os seus próprios crimes, contravenções ou “impropriedades”.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



8 comentários

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Warlen

24 de julho de 2019 às 22h14

Mídia esquerdista, o grande bandido e o Lula, e sua gangue, quem saqueou o Brasil foi o Lula, e pra prender um bandido deste calibre se usa todas as táticas possíveis, o Moro e um herói nacional , quanto ao intercept eles estão brincando com fogo, e a polícia federal vai bater na porta deles.

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Zé do rolo

24 de julho de 2019 às 20h47

Conheci um capeta em forma de juíz
Eis que surgiu um juíz que foi capaz de forjar delação para ferrar com o ex presidente Lula.
Eis que surgiu um juíz que foi capaz de falar ” não podemos melindrar alguém a quem pudesse encontrar apoiou político para a lava jato” se referindo à investigar possíveis irregularidades de corrupção envolvendo o ex presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.
Conheci um capeta em forma de juíz
Esse juíz é o Moro que formou conluio com o dallagnol e demais procuradores da lava jato de curitiba para incriminar e prender o Lula.
Conheci um capeta em forma de juíz
Esse juíz é o Moro que blindou corruptos delatados por corrupção são eles Temer, Aécio neves, Beto Richa, Marconi Perillo, jucá, Padilha, Moreira Franco, Rodrigo Maia…
Conheci um capeta em forma de juíz
Esse juíz é o Moro.

Responder

    Leo

    25 de julho de 2019 às 06h18

    vai rolar tua mágoa no inferno , quem protege bandido é bandido também

Val moura

24 de julho de 2019 às 20h38

O Moro é sim um satânico pois é capaz de semear parcialidade e seletividade em maioria do judiciário brasileiro esse capeta (O Moro) bem que deveria ir embora para os EUA e deixar a população livre de tanta parcialidade, seletividade, perseguição, ódio.

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Sidney

24 de julho de 2019 às 19h54

Tem que publicar mais coisas da lava jato, mostrar o modus operandi do Moro.
Tinha que conseguir publicar uma bomba dessa num jornal lido mundialmente como jornal americano the Washington post ou o le Monde da França ou um jornal alemão.
Publicar uma ” bomba ” num jornal desses para acabar com essa farsa juridica, matéria de capa.
A globo ferrou com o Lula em 1989 e ferrou de novo agora por meio e com a ajuda do judiciário por meio de processos fraudulentos.
Conforme for o desfecho desse suposto hackeamento, joga as conversas de putaria de juízes e promotores no ventilador para o mundo todo saber. Quem come quem, quem pula a cerca etc. Isso no caso de quererem prender jornalistas.

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Zé Maria

24 de julho de 2019 às 18h09

Os Herdeiros do Roberto Marinho – ‘os Filhos Sem-Nome do RM’ como dizia o PHA –
já escalaram o exército de comentaristas de São Paulo, Rio e Brasília, defensores
do Moro nos Veículos da Rede Globo, para fazer as acusações ao jornalista Glenn
Greenwald e ao The Intercept.
Eles virão para o ‘Tudo ou Nada’, porque a credibilidade já foi pro ralo do esgoto.

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robertoAP

24 de julho de 2019 às 17h56

Será que o Moro é totalmente burro e estúpido, ou é apenas um engraçadinho?

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Zé Maria

24 de julho de 2019 às 17h52

Está muito óbvia a tentativa do Chefe* da Força-Tarefa de Patifes de Curitiba
de atrelar o Jornalista Greenwald aos supostos crimes dos supostos Ráquers.

Enquanto isso, o conteúdo das mensagens, ou seja, a prova dos crimes do
então Juiz Sergio Moro* e do Procurador de Curitiba Deltan Dallagnol ficam
obscurecidos pela névoa do Factóide da Polícia Federal sob ordens de Moro*.

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