VIOMUNDO

Diário da Resistência


Opinião do blog

Mídias sociais: Muito mais que 15 minutos de fama


28/06/2012 - 13h06

por Luiz Carlos Azenha

Até 25 de janeiro de 2011 os usuários do Facebook em todo o mundo tinham postado 90 bilhões de fotos. O ritmo era, então, de 6 bilhões de fotos mensais. Estimativa mais recente fala em 150 bilhões de fotos.

No Instagram, serviço que permite postar fotos em mídias sociais a partir de celulares e Ipads, 60 fotos sobem por segundo.

O Flickr, hospedeiro de imagens, tem 6 bilhões de fotos em seus servidores.

O número de blogs hospedados no Tumblr, que muitos usam para exibir fotos, é de 40 milhões.

O YouTube atingiu 1 trilhão de vídeos assistidos.

Mais do que nunca, a imagem se sobrepõe ao conteúdo. A impressão à reflexão. Zapeamos nossa atenção entre milhares de mensagens, todos os dias.

Vi em ação, nos Estados Unidos, um dos gurus da imagem do ex-presidente Ronald Reagan. Ele ajeitava todos os cenários das aparições públicas do presidente. Quando Reagan ia ao Oeste, por exemplo, aparecia de chapéu e roupa de caubói, ao lado de  fardos de feno. O marqueteiro argumentava, então, que não se importava com o conteúdo do texto narrado por repórteres na TV. Mesmo que o texto fosse crítico, as imagens se sobrepunham. Os repórteres de TV eventualmente falavam mal de Reagan, mas lá estava o presidente, sorridente, bem iluminado, esbanjando confiança.

Desde então, o poder da imagem se multiplicou. Há um exército disponível para disseminar as imagens com as quais concorda ou não concorda: os usuários das redes sociais.

Não foi por acaso que os jornais repetiram sem parar a imagem de Lula, Fernando Haddad e Paulo Maluf, na casa deste.

Fizeram isso e depois a Folha foi medir a rejeição à aliança PT-PP. Entre eleitores do PT, teria sido de 64%.

Pronto, o círculo completo: a impressão da imagem confirmada pela pesquisa.

Não é de hoje que imagem e pesquisas governam nossa política.

Aprendemos com o Reagan.

O PT terá agora 1m43s diários, proporcionados pela aliança com Maluf, para desfazer a imagem.

José Serra esteve duas vezes na casa de Maluf para costurar a mesma aliança que acabou fechada com o PT. Aparentemente, não se deixou fotografar.

O que me lembra de outro episódio, este durante a crise da dívida externa brasileira.

No governo Sarney, Bresser Pereira foi ministro da Fazenda. O Brasil vinha da moratória e tentava obter condições melhores para pagamento da dívida.

Bresser foi a Washington conversar com o secretário do Tesouro, James Baker. Em geral, as autoridades norte-americanas abriam as reuniões com uma photo opportunity, ou seja, uma oportunidade para que fotógrafos e cinegrafistas registrassem o encontro.

A proposta de Bresser era de que os bancos dessem ao Brasil um desconto no principal da dívida (ideia mais tarde incorporada ao Plano Brady).

Eu esperava Bresser do lado de fora do prédio. Chovia em Washington. Baker não só não permitiu o registro do encontro, como divulgou uma nota quando Bresser ainda descia as escadarias do prédio do Tesouro. A proposta brasileira, dizia a nota, era “non-starter”, ou seja, não dava nem para conversar a respeito.

Testemunhei isso em muitas outras ocasiões, especialmente envolvendo autoridades dos Estados Unidos em reuniões bilaterais nas Nações Unidas. O controle da imagem como forma de mandar um recado. Quem “estava bem na foto” saia sorridente com o presidente ou com o (a) secretário (a) de Estado. Quem não estava, ficava sem a imagem para poder mostrar ao público, em casa.

A edição mais recente da New York Review of Books tem uma foto muito interessante de Slavoj Zizek, deitado no quarto de seu apartamento, na Eslovênia. Atrás dele, um daqueles cartazes clássicos de Josef Stalin, com o uniforme branco de marechal. Considerando que ninguém faria a foto no quarto de uma casa sem autorização do dono, ou seja, de Zizek, achei a escolha intrigante. Vamos combinar que ninguém quer sair na foto com Stalin.

Zizek é um pensador de grande produção intelectual, parte dela disseminada via Facebook.

O texto que acompanha a foto, de John Gray, basicamente diz que as ideias de Zizek não trazem um conteúdo definitivo, como se o movimento fosse mais importante que as ideias em si.

Diz a crítica:

“Com a ordem capitalista prevalente consciente de que enfrenta problemas mas é incapaz de conceber alternativas práticas, o radicalismo sem forma de Zizek é idealmente adequado para uma cultura paralisada pelo espetáculo de sua própria fragilidade. Que exista isomorfismo entre o pensamento de Zizek e o capitalismo contemporâneo não é surpreendente. Afinal, apenas uma economia como a que existe hoje poderia produzir um pensador como Zizek. O papel de pensador público global que Zizek assume emergiu junto com o aparato da mídia e a cultura da celebridade que é integral ao atual modo de expansão capitalista”.

E mais:

“Em um estupendo feito de superprodução intelectual, Zizek criou uma crítica fantasmática da ordem atual, uma crítica que alega repudiar praticamente tudo o que existe e de certa forma repudia, mas que ao mesmo tempo reproduz o dinamismo compulsivo e sem propósito que ele identifica nas operações do capitalismo. Alcançando uma substância enganosa pela reiteração sem fim de uma visão essencialmente vazia, o trabalho de Zizek — que bem ilustra os princípios da lógica paraconsistente — no fim representa menos que nada”.

É mais ou menos a reprise de Che, o revolucionário, como mercadoria.

Com o advento das mídias sociais, de certa forma, somos todos Che. Temos nossos 15 minutos de fama, para alegria — e fortuna — do Mark Zuckerberg.

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



23 comentários

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Gustavo

10 de julho de 2012 às 13h50

A quem interessar possa, segue link para uma crítica à crítica de John Gray:

http://dissidentvoice.org/2012/07/coming-to-grips-with-zizek/

e a réplica do próprio Zizek:

http://jacobinmag.com/blog/2012/07/slavoj-zizek-responds-to-his-critics/

Ambos em inglês (ainda…)

Responder

David Bromwich: Barack Obama, entre Zelig e Forrest Gump « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de julho de 2012 às 15h24

[…] PS do Viomundo: Barack Obama é um político de seu tempo, em que a imagem é tudo. […]

Responder

dárcio

30 de junho de 2012 às 03h33

É a sociedade do espetáculo (G. Debord)

Responder

Julio Silveira

29 de junho de 2012 às 18h51

Ainda não tive coragem de participar dessas mídias sociais. Vivem me convidando, até minha esposa participa, mas sou arisco ainda não confio, sei lá por que.

Responder

    Cleyciane

    30 de junho de 2012 às 09h13

    vc tem toda razão Julio, isso é coisa do diabo mesmo…o pastor da minha igreja contou que o presidente da Africa entrou nesse feicebuque que eles falam e ficou três dias soltando umas coisas estranhas pela boca, coisas parecidas com cobras, aranhas,… quando vc tiver vontade de fazer uma coisa dessas ore em línguas que a vontade passa…se mesmo assim nao resistir dá uma passadinha na nossa igreja que vamos fazer uma corrente pra vc e deus vai ungir seu computador e tudo vai passar.

eunice

29 de junho de 2012 às 17h00

Nossa! suei! Em algumas encarnações vou escrever assim! Que redondo!

Responder

José da Mota

29 de junho de 2012 às 11h24

Duas em uma, as mídias sociais junto às tecnologias mais recentes são o maior sistema de espionagem já inventado pelo homem. Gravam tudo o que você fala, em vídeo e fotos se expõe e textos escreve, para a eternidade.
Alteram suas regras, das mídias sociais, mudando todo o comportamento de uma sociedade e ou levando-a ao constrangimento porque expõe particularidades que só se fazia entre amigos íntimos, ou às escondidas entre quatro paredes, porque o usuário ainda se ilude que a Internet é algo privado, que só você ou quem você e quem você quer, tem acesso às suas informações íntimas e particulares, naturalmente confidenciais como inclusive certa confidências que faz à algum amigo(a).
E o que é pior, em dois pontos:
Primeiro, existem organizações criminosas especializadas em criar armadilhas para pessoas comuns que vivem solitáriamente e usam a Internet em uma frequência maior. Transformando-as em reféns (vítimas) das próprias confidências, navegações excusas e exposições.
Segundo: é uma mídia que está nas mãos de meia dúzia de empresas influenciando as massas e ou de alguma forma com os seus dados estatísticos extraídos dos segredos pessoais guardados, constrangendo e inibindo os movimentos legítimos em defesa de suas pátrias. Também transformando seus usuários em reféns (vítimas) das próprias confidências, navegações excusas e exposições de suas intimidades sejam verbais ou físicas.
Mesmo os Guerrilheiros, rebeldes, revolucionários e independentes são dependentes e submetidos às ações das plataformas que usam para “erguerem suas vozes” como: Facebook, Google, Yahoo, Gmail, Blog, Orkut, Linkedin, bancos de dados gigantescos que guardam as informções de todo o planeta com os seus IP´S. O que apelidei de era apocalÍPtica e o próprio grupo detentor da W W W que controla tudo, todos eles.
Os supercomputadores calculam estatisticamente tudo, baseado em informações pessoais para tomarem conclusões sobre mudança de comportamento à até um golpe de estado em uma nação, e como e onde se aproveitar disso.
Como exemplo, de nome sugestivo, O Tiranossauro, apelidado de Tirano, é um supercomputador da receita federal brasileira que cruza dados de seu cartão de crédito, imóveis (cartórios), contas bancárias de mais de 170 bancos, conta telefônica, plano médico `a mais de 30 opções de cruzamentos de informaçoes, hoje, com tendência a aumentar sempre, vasculhando a vida fiscal e financeira de todo cidadão brasileiro e em milésimo de segundos.
Imagine os supercomputadores que calculam estatisticas via mídias sociais, WEB, bancos de dados, identidade digital de voz nos bancos de dados telefônicos e etc?
Esta na hora de criar um movimento para criar alternativas para que não fiquemos à mercê de meia dúzia de detentores desta tecnologia. Criar e fortalecer outras mídias sociais em bancos de dados independentes e seguros de privataria e etc…
José da Mota.

Responder

    eunice

    29 de junho de 2012 às 17h03

    A humanidade ainda não é livre. Vive criando sua escravidão.

Patricia Rodrigues

29 de junho de 2012 às 08h40

Azenha parabéns por seu texto, sempre fiel ao seu espírito crítico. Poucos hoje na “imprensa não oficial” fazem isso. Parabéns novamente. E obrigada por me mostrar em cima de que o Facebook faz fortuna: vendedo o sonho dos 15 minutos de fama para milhões de pessoas. Não há como negar, o capitalismo sobrevive por ser absolutamente genial em suas diversas formas de manifestação e dominação. É genial. Diabólico, mas genial. Mas deixa eu parar por aqui, já que quando você olha para o abismo o abismo olha de volta para você…

Responder

strupicio

29 de junho de 2012 às 05h51

Podia resumir tudo isso em na pequena frase: “O meio é a mensagem”…
do fundo do tumulo McLuhan agradece penhorado…

Responder

smilinguido

29 de junho de 2012 às 05h44

“So os superficiais desprezam a imagem e as aparências” Oscar Wilde

Responder

Moacir Moreira

29 de junho de 2012 às 01h20

Zizek é um nazi-anarco-trotskista a serviço do imperialismo financiado pelos banqueiros do crime organizado internacional.

E o Lula não tinha nada que tirar foto com Maluf se quisesse realmente preservar sua imagem de “esquerdista” respeitado internacionalmente.

Responder

    eunice

    29 de junho de 2012 às 17h07

    Fiquei supervaidosa. Eu leio esse sujeito desde que achei o primeiro artigo dele. Sentia esse inacabado…. mas não conseguia explicar. Estou viva portanto.

Mariano

28 de junho de 2012 às 21h50

QUE DIABO ESTARÁ ACONTECENDO EM SÃO PAULO

Vejam a manchete da folha:

Após onda de ataques, policiais andam dentro de ônibus em SP.

Que ataques são esses? Será que eles vem de Marte? A imprensa paulista tenta explicar, mas eu não entendo. Eu quero saber quem são os bandidos que estão levando pânico à população de São Paulo? Será que o PT não tem nada a ver com isso? Ou será que isto é coisa da ala extremada do Opus Dei?
Por favor, me esclareçam antes que eu enlouqueça de vez.

Responder

    erivaldosilva

    28 de junho de 2012 às 22h51

    Mariano, lamentavelmente ainda não foi identificada a autoria dos ataques. Na realidade consta que a facção PCC estaria usando menores para atear fogo nos ônibus. Mas até as 2 horas desta madrugada de quinta-feira, 28, nenhum suspeito havia sido detido por policiais militares. Hoje dia 28 a SSP admitiu finalmente que há uma crise na segurança paulista, sob ataque do PCC há pelo menos quinze dias. “Essa facção (Primeiro Comando da Capital)não foi desarticulada pelas ações policiais e os seus líderes não estão isolados nas prisões como afirma o secretario. Pronto respondi…

Leo V

28 de junho de 2012 às 20h51

Nã entendi o final do texto, no que se referia a Zizek. Foi uma crítica a ele citando uma crítica a ele?

Responder

    Gustavo

    29 de junho de 2012 às 09h40

    Sim, esse foi o meu entendimento também, uma crítica a Zizek através de uma crítica a Zizek, inserida na correta análise de Azenha sobre o enorme mas fugaz poder da imagem.
    Zizek, desde a década de 90, já era o Zizek que vemos hoje – a única diferença é que talvez poucos conhecessem os cacoetes dele, já que não tínhamos o Youtube. Já nessa época ele fazia análises extremamente críticas do capitalismo, que com a queda do Muro, transbordava de certezas.
    A meu ver, essa crítica da fugacidade da imagem não se aplica a ele, o que não impede de se aplicar, talvez, aos seus novos consumidores, os da geração Facebook, que hoje recortam aqui e ali instantâneos de alguma palestra ou artigo dele, apenas para alimentar o spam ideológico em que às vezes se transforma a Internet.
    Zizek nunca foi uma unanimidade, mas assim como os livros dele são de dificílima leitura devido à necessidade de conhecer as suas principais referências teóricas (Lacan, Marx, Hegel, Heidegger), as boas críticas negativas a ele também, na medida em que precisam necessariamente usar as mesmas referências.
    Li rapidamente o artigo a que se refere o Azenha e fiquei com a mesma sensação deste leitor (http://pathtothepossible.wordpress.com/2012/06/26/john-gray-boo-on-zizek-sigh/) a respeito de Gray: um acadêmico inglês iconoclasta desiludido, o que, convenhamos, é uma combinação de atributos extremamente perigosa e explosiva. Mas admito que não conheço nada a seu respeito, e seria bom que alguém trouxesse mais informações sobre ele.
    Com relação à foto de Stálin e à acusação de violência que Gray parece lhe fazer, acho que se trata de desconhecimento das teorias de Zizek. Só para ficar com uma frase dele a respeito de Stálin: “O Fascismo é relativamente fácil de explicar [filosoficamente]. É um fenômeno reacionário. O nazismo foi um bando de caras maus com idéias más, que infelizmente conseguiram realizá-las. O trágico no stalinismo é que foi fruto de um projeto emancipador. No começo, foi um levante dos trabalhadores. O verdadeiro enigma é como é que este projeto emancipador pôde dar tão errado. Este é um enigma muito maior. A orientação marxista mais representativa do século XX – a teoria crítica da escola de Frankfurt – era obcecada com o fascismo, o anti-semitismo, etc, mas simplesmente ignorou a questão do stalinismo. Certo, existem aqui e ali alguns poucos livros a respeito, mas não existe uma teoria sistemática sobre o que representou o stalinismo. Para mim, o fenômeno chave do século XX é o stalinismo. As minhas análise não vão na direção do pensamento conservador ou liberal da chamada era pós-política: a idéia de que a época de grandes projetos passou, e que a única coisa a fazer é aceitar a economia capitalista num mercado mundial, global, etc. Quando quero repensar essas questões, é justamente para evitar esse pensamento.” (http://www.believermag.com/issues/200407/?read=interview_zizek)
    Desculpem o comentário fora do padrão Facebook-15-minutos-de-fama.

Glecio

28 de junho de 2012 às 18h15

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/06/27/datafalha-haddad-16-x-12-cerra/

Calma, quando a campanha da TV começar. Dilma, Lula e Haddad vão mostrar o projeto e a rejeição de Serra só vai aumentar.
Russomano e Chalita vão dizer o que? “Meu nome é Eneas?”

Responder

Hans Bintje

28 de junho de 2012 às 17h43

Azenha:

A questão do Slavoj Zizek não é o Stalin, mas o avião do Bessinha que chega a São Paulo. A imagem está neste link: http://www.conversaafiada.com.br/bessinha/

O piloto fala aos passageiros: “comecem a rezar”.

E, ao chegar em São Paulo, eles rezam. Na melhor tradição católico / budista / umbandista se expõem em confessionários, agora virtuais, internéticos.

E o medo do infinito, da solidão que ele traz. Melhor ficar num espaço reduzido, na frente de uma tela, em contato, conectado, tá ligado?

Isso não empresta sentido à vida, mas proporciona conforto. Um americano se torna um heroi cauboi, uma garota que sabe cantar se cobre de badulaques e vira uma Amy Winehouse, um cantor e dançarino negro vira branco e… que importa?

O “novo branco” morreu à míngua. Você pode até querer esquecer que existe o infinito, mas ele está lá para detonar o cérebro do heroi cauboi com uma Alzheimer devastadora, matar a ótima cantora de intoxicação e tristeza.

Eu repito: a questão do Slavoj Zizek não é o Stalin, mas o avião do Bessinha que chega a São Paulo.

E, ao chegar na cidade, eu repito uma oração do Jorge Luis Borges, que termina assim: “Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.”

Responder

FrancoAtirador

28 de junho de 2012 às 17h03

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Movimentos sociais pedem suspensão do Paraguai e inclusão da Venezuela

Em audiência com o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, nesta quarta (27), representantes dos movimentos sociais, deputados e senadores brasileiros pediram ao governo brasileiro que defenda, na reunião da Cúpula do Mercosul, a suspensão do Paraguai e a inclusão imediata da Venezuela ao bloco. De acordo com eles, a deposição do presidente do Paraguai coloca em risco a democracia em toda a América Latina.

Por Najla Passos, na Carta Maior

Brasília – Representantes dos movimentos sociais, deputados e senadores pediram ao governo brasileiro que defenda, na reunião da Cúpula do Mercosul, a suspensão do Paraguai e a inclusão imediata da Venezuela ao bloco. O pleito foi formulado ao ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, em audiência ocorrida nesta quarta (27), antes que ele deixasse o país para participar da reunião, que começa nesta quinta (28), em Mendonza, na Argentina.

De acordo com parlamentares e militantes, o presidente eleito democraticamente pelo povo paraguaio, Fernando Lugo, foi deposto por um golpe de estado que coloca em risco à construção da democracia em toda a América Latina. “Mais do que o Lugo, todo o povo paraguaio foi vítima deste golpe. O Brasil precisa condenar essas investidas com firmeza”, justificou o coordenador do MST, Alexandre Conceição.

Segundo ele, nos últimos 12 anos, há um avanço dos movimentos organizados que elegeram presidentes comprometidos com uma pauta popular em toda a América Latina. Por outro lado, há também uma contrainvestida conservadora para desestabilizar a democracia na região. “Exemplos são a tentativa de golpe na Venezuela, a invasão da fronteira do Equador pela Colômbia, o golpe em Honduras e, agora, no Paraguai”, observou.

O coordenador disse que o grupo também pediu à Patriota que os ajude a viabilizar uma missão parlamentar para correr o Paraguai investigando as denúncias de que o novo governo comandado pelo recém empossado Frederico Franco, esteja repremindo os movimentos camponeses e de luta contra o golpe. “Os movimentos sociais estão mobilizados. Estamos pautando várias ações para denunciar o que ocorreu no Paraguai”, acrescentou.

O porta-voz do Itamaraty, Touvar Nunes, afirmou que o pleito coincide com as posições já manifestadas pelo governo brasileiro. “Há uma mesma percepção de que houve no Paraguai uma ruptura do processo democrático, um o atentado à democracia. A diferença é apenas no tom, já que os movimentos sociais têm todo o direito de serem mais contundentes”, explicou.

Nunes considerou o momento prematuro para se avaliar a inclusão da Venezuela no Mercosul. “O Brasil, individualmente, apoia a entrada da Venezuela. Mas discuti-la, neste momento, é prematuro, porque ainda não se discutiu a suspensão do Paraguai”, afirmou. De todos os países que integram o bloco, o Paraguai é o único que ainda não aprovou a adesão do estado presidido por Hugo Chaves.

Os parlamentares e representantes dos movimentos sociais também entregaram ao ministro uma moção de repúdio, subscrita por cinco senadores, onze deputados, e por representantes de movimentos camponeses, sindicais, estudantis, universidades e igrejas.

Foto: Embaixador Tovar da Silva Nunes cumprimenta o coodenador do MST, Alexandre Conceição, após entrevista sobre o encontro dos movimentos sociais, entidades da sociedade civil e parlamentares brasileiros com o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, para entregar uma moção de repúdio contra o rito sumário adotado no processo de impeachment do então presidente Fernando Lugo (Elza Fiúza – ABr)

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20480

Responder

O_Brasileiro

28 de junho de 2012 às 13h57

Azenha, pelo texto e pela importância do tema devia estar na seção “Opinião do Blog”.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    28 de junho de 2012 às 14h18

    Tem razão, mudamos. abs

Gustavo

28 de junho de 2012 às 13h40

É importante não esquecer que Zizek é um lacaniano – desde há muito. E para um lacaniano – até onde pude entender, muito superficialmente – o conceito de vazio é importante, senão fundamental, mesmo que apareça com outros nomes na teoria do frncês tarado. De resto, Zizek, tambem desde ha muito, é visto com olhos mais do que desconfiados pela academia. Acho que um dos fascínios que ele poderá exercer é ter vivido na carne o regime stalinista, do qual aliás ele fala muito em vários de seus livros, de ter se aberto para o capitalismo, para depois querer fazer um retorno – não diria a Stálin, mas a Marx (sem jamais abandonar Lacan). A busca dele assemelha-se um pouco à busca pela Teoria da Unificação da Física, ou do Santo Graal – coisa basicamente para um louco como Zizek. Mas a loucura, às vezes, é fundamental.

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A mídia descontrolada

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