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Michael Roberts: O mundo está endividado. A recessão vem aí, com Bolsonaro, Moro e a Operação Condor do século 21
O ministro Moro com o presidente do Equador Lenín Moreno e colegas na VII Reunião de Ministros em Matéria de Segurança Pública das Américas (MISPA). O encontro anterior tinha acontecido em Honduras em 2017.
Opinião do blog

Michael Roberts: O mundo está endividado. A recessão vem aí, com Bolsonaro, Moro e a Operação Condor do século 21


01/11/2019 - 12h27

VII Reunião de Ministros em Matéria de Segurança Pública das Américas (MISPA) e segundo curso presencial de capacitação policial da Rede Interamericana de Desenvolvimento e Profissionalização Policial (REDPPOL). Quito, 31 de outubro de 2019. Promovido pela OEA, com a presença do presidente do Equador Lenín Moreno, que “mudou de lado” e está prendendo esquerdistas a rodo. O encontro anterior? Foi em Honduras, em 2017. Honduras. Intercâmbio de informações… a gente viu o que aconteceu na Lava Jato. Precisa desenhar?

As brisas do regime bolivariano, impulsionadas pelo madurismo e pelo regime cubano, trazem violência, saques, destruição e um objetivo político de atacar diretamente o sistema democrático e forçar interrupções nos mandatos constitucionais. Luís Almagro, secretário-geral da OEA, sem exibir uma única prova material do que disse.

Aqui, o diário chileno La Tercera pede desculpas a seu leitores por ter divulgado notícias falsas sobre a participação de cubanos e venezuelanos nos distúrbios no país (dica do Rodrigo Vianna), fake news obviamente disseminadas em escala continental pela CIA ou subordinados. Uma reedição do que o El Mercurio fez, pago pela CIA, nos anos 70, só que desta vez o La Tercera pediu desculpas e disse que apenas repetiu informações dadas por “fontes” governamentais. Jornalismo “declaratório”.

Da Redação

“1% dos mais ricos possuem 45% de toda a riqueza pessoal global; os 50% mais pobres ficam com menos de 1%”, informa um relatório divulgado pelo Credit Suisse e reproduzido pela Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET).

A figura abaixo explica os tremores globais que temos visto, do Líbano ao Chile.

Jovens conectados pelas redes sociais estão ansiosos para subir na vida, mas batem no teto do desemprego e ficam frustrados ao observar a ascensão social do vizinho ou sucumbem ao bombardeio do “consuma, consuma, consuma” sem ter um tostão no bolso.

Porém, como demonstra a pirâmide, a renda está cada vez mais concentrada no topo — uma das consequências da crise de 2008, quando governos trataram de tapar o rombo dos bancos com dinheiro público.

Era preciso arrochar alguém.

Como os banqueiros governam de fato, o arrocho foi dirigido à base da pirâmide.

Michael Roberts suspeita que a próxima recessão global tem relacão com a dívida das famílias, já que a máquina tem de funcionar, que seja no crédito.

Os “ativos não financeiros (propriedade) forneceram o principal estímulo ao crescimento geral nos últimos anos. Nos 12 meses até meados de 2019, eles cresceram mais rapidamente do que ativos financeiros em todas as regiões. A riqueza não financeira representou a maior parte da nova riqueza na China, Europa e América Latina, e quase toda a nova riqueza na África e na Índia. Mas a dívida das famílias aumentou ainda mais rapidamente, totalizando 4,0%. A dívida das famílias aumentou em todas as regiões e a uma taxa de dois dígitos na China e na Índia. O aperto da dívida está chegando”, ele escreveu.

O que ele está dizendo é que, endividadas, as famílias vão reduzir o consumo.

É nesta conjuntura deplorável que a elite brasileira desistiu da conciliação de classes, chutou o Lula e decidiu transferir renda da base para o topo da pirâmide — através das “reformas”.

Bolsonaro, Guedes e os militares desistiram da soberania nacional, aprofundando o papel do Brasil como fornecedor de soja para os porcos da China e acelerando a produção de petróleo para permitir que o Trump se reeleja com gasolina barata, se não for impichado antes.

Nossos mercados no Mercosul e na América Latina serão ocupados pela manufatura que o Trump — ou quem vier a ocupar o lugar dele — está/estará tratando de reanimar (nos Estados Unidos há política de Estado, que a elite formula, com ajuda da Central de Inteligência Americana; o governo de turno obedece).

Não por acaso, o governo Trump elogiou o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que Jair Bolsonaro rejeitou — vai entregar o mercado do vizinho ao México/Estados Unidos/Canadá.

Os EUA sempre jogaram o papel de contrapeso ao Brasil na América do Sul e estão fazendo isso de novo, na cara do chanceler aloprado, de olho em dizimar de vez a indústria brasileira, que já responde por menos de 10% do PIB.

Os Bolsonaro encaminham o Brasil para se tornar uma grande maquiladora, com salários e direitos sociais vis, com a “escravidão” que eles enxergaram nos médicos cubanos, formados em universidades públicas que correm o risco de deixar de existir no Brasil.

Cuba, uma ilha do Caribe de 100 mil km quadrados. Pobre, mas soberano.

Um país sem soberania, como o Brasil pretende se tornar, não precisa de universidades.

Já a China comunista, cujos porcos o Brasil alimenta com soja transgênica e veneno que rendem lucros formidáveis às transnacionais, produz trens bala, painéis solares e 5G de causar desespero ao Trump.

Bolsonaro submeteu o Brasil ao Trump, que é sub da China, que segura os papéis do Tesouro americano sem os quais o dólar derreteria.

O Mito submeteu o Brasil ao Trump e à China sem qualquer projeto de Nação, que não seja fazer caixa para manter o clã no poder, turbinando o agronegócio, a bala e a Bíblia.

Dia 6 de novembro, no leilão do pré-sal, se houver interessados, já que o vazamento de óleo no Nordeste pode azedar o negócio, pois há um óbvio crime ambiental envolvido, Bolsonaro joga mais uma cartada para manter baixos os preços internacionais do petróleo, sem benefício imediato algum para o consumidor brasileiro na bomba — vai fazer caixa para seu governo, dar migalhas aos Estados e municípios e afagar as transnacionais que o sustentam.

Shell e Chevron vão “explorar” petróleo 100% descoberto, cuja descoberta, aliás, custou os olhos da cara ao contribuinte brasileiro.

Quando a recessão global bater, o clã vai espernear e dar sua cartada final, na forma de um golpe com o restolho da ditadura, que Edson Telles e Vladimir Safatle descreveram em O Que Resta da Ditadura.

Os avisos têm sido dados pelos filhos de Jair Bolsonaro, que atua no modo “morde e assopra”.

Há muitos Eduardo Frei no Brasil: quando Salvador Allende estava para ser derrubado no Chile, em 1973, Frei fez que não era com ele.

É uma analogia feita com, digamos, licença poética, já que Bolsonaro já está instalado no poder no Brasil e detém o controle das instituições, como deixou claro no abafamento das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

O ex-juiz federal Sergio Moro é um dos Eduardo Frei.

Numa reunião da OEA em Quito, que tratou de segurança pública, ele endossou um documento do organismo que foi produzido em Washington, pelo Departamento de Estado, como parte do projeto de manter a “reconquista” da América do Sul pelos Estados Unidos.

Um parágrafo do documento endossa a investigação antecipada, bem como ações de segurança pública contra movimentos populares que pretendam se manifestar, o que é um prato cheio para a instalação de uma ditabranda sob o comando de Moro.

Alvos? O MST, o MTST e todos os movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda que porventura tentem se organizar para ir às ruas contra o governo Bolsonaro ou governos vindouros.

Moro pode não prender, nem arrebentar.

Mas o documento da OEA é um endosso por escrito para compartilhamento de informações entre a CIA e o aparato repressivo dos estados envolvidos contra os movimentos populares e de esquerda do continente.

Uma espécie de Operação Condor do século 21.

Moro já tem a tecnologia. Foi assim, compartilhando informações com autoridades dos Estados Unidos, que ele prendeu Lula.

Eles vão “compartilhar informações”.

Vão querer saber, por exemplo, se o papa Francisco pagou a viagem de um ativista ambiental indígena que foi reclamar do Bolsonaro na ONU ou em Paris, organizar uma marcha em Brasília ou coisas do gênero.

Por isso, a “ditabranda”.

Notem lá no topo, no tuíte da OEA sobre o trabalho apresentado por Moro: “mecanismos concretos para aprofundar a cooperação no intercâmbio de informações e investigações policiais”.

Guerra híbrida. 

Informação mais milícia virtual.

Saber antes que os outros que o porteiro escreveu “58” na planilha da portaria.

Moro, ministro da Justiça, não é um acaso. É movimento de peça de xadrez.

E veio para ficar. Ou subir.

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4 comentários

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lulipe

02 de novembro de 2019 às 22h27

O autor parece estar assistindo muita série policial da netflix

Responder

    Renata

    03 de novembro de 2019 às 03h53

    O comentarista parece não entender o que está acontecendo

Zé Maria

01 de novembro de 2019 às 18h40

Foram os EUA que indicaram o navio grego ao braZIl?

Embarcação ficou detida nos Estados Unidos,
por 4 dias, conforme documento enviado à PF,
informou a Marinha do Brasil. (JC Online)

https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/cienciamambiente/noticia/2019/11/01/conheca-a-delta-tankers-empresa-responsavel-por-navio-suspeito-de-vazar-oleo-no-nordeste-391785.php

ATENAS (Reuters) – A Delta Tankers Ltd disse na sexta-feira que não foi contatada pelas autoridades brasileiras que investigam um incidente de derramamento de óleo no Brasil.

Investigadores brasileiros disseram na sexta-feira que um navio de bandeira grega que transportava petróleo venezuelano foi a fonte de petróleo que atingiu milhares de quilômetros da costa nos últimos dois meses.

Embora o Ministério Público e a Polícia não tenham nomeado o navio,
um documento dos procuradores obtido pela Reuters identificou o navio
como o Bouboulina, de propriedade da Delta Tankers Ltd., da Grécia.

“Nem a Delta Tankers nem a embarcação foram contatadas pelas autoridades
brasileiras em relação a essa investigação”, afirmou a empresa em comunicado.

Reportagem de Renee Maltezou; Editado por Chizu Nomiyama

https://www.reuters.com/article/us-brazil-oil-spill/delta-tankers-says-brazil-has-not-not-contacted-them-over-oil-leak-idUSKBN1XB4U9

https://pbs.twimg.com/media/EITXS1QW4AELuky.png
https://twitter.com/VIOMUNDO/status/1190312925124321283

Responder

Zé Maria

01 de novembro de 2019 às 18h13

https://i.redd.it/z0kqfy9n90u31.jpg

O Relatório do Credit Suisse aponta que, na Primeira Metade de 2019,
a Riqueza Patrimonial Individual Global, dentre os Adultos (20 anos ou +),
foi de 360 Trilhões de Dólares.
Entre o Grupo UHNW (Ultra-High Net-Worth = Patrimônio Ultra-Elevado)
foi estimado que apenas 55.920 adultos possuem Patrimônio Superior a
100 Milhões de Dólares e 4.830 pessoas detêm individualmente Mais de
US $ 500 milhões em Ativos Líquidos. Esses estariam no Pico da Pirâmide.

Já os 2,883 Bilhões, que correspondem a 56.6% da População avaliada,
possuem menos de 10 Mil Dólares. Esses estão na Base da Pirâmide e
somariam em conjunto 1,8% da Riqueza Global.
Subindo a Pirâmide, há 32,2% da População Adulta acumulando
entre 10 Mil e 100 Mil Dólares, cada um, perfazendo 15,5% da Riqueza.
Mais acima, no penúltimo segmento, tem-se 499 milhões de adultos ou
9,8% da População, com Patrimônio Individual na faixa de US$ 100 Mil
a US$ 1 Milhão, somando 38,9% da Riqueza Global.
E por fim as 47 milhões pessoas (0,9%) que individualmente possuem
Patrimônio Superior a 1 Milhão de Dólares acumulando juntas 43,9% de
tudo.
Assim, a Metade Inferior, no Conjunto, representa Menos de 1 % da Riqueza
Total Global, enquanto os 10% Mais Ricos ficam com 82% de Tudo.

Aí, os Representantes dos Patrões aqui no braZil, tipo os Herdeiros do
Roberto Marinho, que acumulam uma Fortuna de 7,5 Bilhões de Dólares,
vêm falar pro Trabalhador dar o suor e o sangue, que “um dia, por esforço
e mérito, ele chega lá”. Isso, se antes disso não ganhar na Mega-Sena …

https://www.credit-suisse.com/about-us/en/reports-research/global-wealth-report.html
https://www.credit-suisse.com/about-us-news/en/articles/media-releases/global-wealth-report-2019–global-wealth-rises-by-2-6–driven-by-201910.html

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