VIOMUNDO

Diário da Resistência


Merval quase culpa Dilma pela espionagem de Washington
Opinião do blog

Merval quase culpa Dilma pela espionagem de Washington


09/09/2013 - 13h42

Pelo menos hoje antes de atirar eles espionam

por Luiz Carlos Azenha

“Vacilou”, diz na capa a revista Veja, com uma admoestação a Barack Obama que equivale a um tapinha nas costas de pai.

“Xeretou”, diz Carlos Alberto Sardenberg, ao debater o tema com Merval Pereira na rádio CBN.

Mais cedo, na mesma emissora, Kennedy Alencar deu o tom da reação na mídia corporativa: é ruim essa coisa de ser espionado, mas acontece.

Tratavam, todos, do novo capítulo da espionagem dos Estados Unidos no Brasil, contra a Petrobras.

Merval se superou. Embora tenha elogiado o comportamento do governo Dilma, disse que a diplomacia brasileira é boa para o governo mas não necessariamente para o Brasil, que é próximo de “países hostis” aos Estados Unidos.

Só faltou dizer que a espionagem se justifica por isso.

Ah, sim, alertou que não se deve fazer “bravatas”, como cancelar a viagem de Dilma a Washington.

Sobre eventual suspensão do leilão de Libra, do qual certamente vão participar empresas norte-americanas, nenhum deles se pronunciou. Presumo que seria cutucar o patrocinador com vara curta.

O ponto alto foi quando se disse na CBN — um deles, Merval ou Sardenberg — que Obama talvez pedisse moderação a seus espiões.

Merval, o imortal, tem razão num ponto: espionagem não é exatamente novidade.

Quando eu ainda morava em Nova York e acompanhava de perto o governo dos Estados Unidos, no primeiro mandato de Bill Clinton, Ron Brown foi indicado secretário de Comércio com a tarefa explícita de aproximar o Departamento de Estado de empresários norte-americanos, promovendo missões comerciais como as que o próprio ex-presidente Lula promoveu a partir de Brasília, muito mais tarde, quando decidiu diversificar os parceiros comerciais brasileiros.

Clinton queria colocar a burocracia diplomática completamente a serviço dos interesses comerciais, numa versão Foggy Bottom da “gunboat diplomacy”, a diplomacia das canhoneiras, que tão bem serviu aos interesses comerciais dos Estados Unidos em várias partes do mundo.

O importante é ter isso em mente: o que interessa aos Estados Unidos é o dinheiro, perseguido se necessário à bala, mas nem sempre.

A derrubada do presidente do Irã Mohammed Mosaddeq, em 1954, num golpe promovido pela CIA, não foi exatamente por discordâncias com o cerimonial de Teerã. Saddam Hussein seria invadido muito mais tarde, no Iraque, pelo mesmo motivo: controle do petróleo e dos preços internacionais do petróleo.

Foi assim com os golpes promovidos na América Central em defesa dos interesses da bananeira United Fruit. Ou a quartelada contra Salvador Allende, no Chile, promovida com o beneplácito da mineradora Anaconda e da telefônica ITT.

O ponto é que o governo dos Estados Unidos — qualquer governo — é representativo de imensos interesses econômicos, aos quais a espionagem serve direta ou indiretamente. Indiretamente? Sim, através da porta giratória pela qual burocratas do governo se tornam funcionários de megaempresas e vice-versa.

Num interessante artigo publicado recentemente na London Review of Books sobre o futuro da União Europeia, Susan Watkins descreve como o governo Obama monitorou as decisões cruciais tomadas por inspiração de Angela Merkel durante a crise europeia para evitar que elas prejudicassem os interesses de Wall Street. Ganhou todas.

Portanto, não será o beicinho do Itamaraty exatamente o instrumento para causar algum tipo de preocupação em Washington. Nem um eventual cancelamento da visita de Dilma à Casa Branca. Seriam medidas simbólicas mas, como costumam dizer os próprios norte-americanos, se de fato a espionagem rendeu dividendos econômicos a empresas dos Estados Unidos, elas vão “gargalhar até o banco”.

A única forma verdadeira de punir os Estados Unidos por espionagem, se é mesmo isso que se pretende — e não estou advogando que deva ser — é mexer com o bolso, com interesses econômicos de Washington.

Mas isso nem a mídia acima descrita, nem o próprio governo parecem inclinados a fazer.

Se é para fazer teatro, prefiro o Zé de Abreu.





43 comentários

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Roberto Locatelli

10 de setembro de 2013 às 11h09

O ideal é cancelar o leilão ou, melhor ainda, fazer o leilão vetando a participação de empresas dos EUA.

Na verdade, a questão do petróleo é estratégica e o governo deveria restabelecer o monopólio estatal sobre o petróleo.

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Nelson

10 de setembro de 2013 às 10h00

É isso aí, Azenha. É teatro mesmo. Se Obama não pedir desculpas, o que é que vai fazer a Dona Dilma? Mandar um traque na direção dos States?

A resposta da Dona Dilma deveria ser a suspensão dos absurdos leilões de petróleo e das absurdas concessões* dos aeroportos, portos, rodovias e ferrovias. Em todas essas barbadas, as mega corporações dos EUA estarão enfiadas, buscando se encher ainda mais de lucros às custas do povo brasileiro.

* Não usei o termo privatizações para evitar ferir suscetibilidades.

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Espionagem: Ataulfo (*) quase culpa a Dilma | Conversa Afiada

10 de setembro de 2013 às 08h55

[…] Merval quase culpa Dilma pela espionagem de Washington […]

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Lafaiete de Souza Spínola

09 de setembro de 2013 às 22h37

A presidente Dilma Rousseff voltou a afirmar nesta terça-feira, 27, que o Brasil só vai se tornar uma nação desenvolvida se investir fortemente em educação.

“A maior riqueza do País não são os edifícios, não são as estradas, não são os prédios, não é a riqueza natural como o petróleo, a maior riqueza de um país é a sua população”, afirmou. Ela comentou a aprovação do projeto que destina royalties do petróleo para a educação e disse que os recursos servirão, entre outras coisas, para garantir que os professores tenham alta qualificação e que as crianças tenham aulas de recuperação nas escolas, além de enfatizar a necessidade de ampliar o ensino técnico.

Essa é uma declaração correta!

Porém, o investimento estimado de 120 bilhões de reais, até 2022, provenientes do pré-sal, é muito pouco para o que necessitamos.

Assim não chegaremos a ser uma nação desenvolvida!

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação. Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo.

Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial.

A construção civil deve ser acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante esse período, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda.

Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir, entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública; com a inclusão do bolsa família; com a criação de uma CPMF exclusiva para educação etc.

Para a construção inicial dos centros educacionais e formação de professores, sugiro que se invista cerca de 40% das nossas reservas. Alerto, que sem a federalização esse projeto não terá sucesso.

O objetivo desse projeto não é, apenas, a formação indivíduos tecnicamente muito bem preparados, mas seres humanos que enxerguem com clareza o mundo que os cerca.

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marco

09 de setembro de 2013 às 22h21

Ora,todos sabemos da capacidade de espionágem que os EE.UU.,exercem sobre o MUNDO LIVRE,desde a segunda guerra!Não só espionagem mas dominio econômico.Mesmo que não houvesse lá,nenhum tipo de espionágem,os daqui e alhures,se incumbiriam de faze-lo,graças a propensão à vassalágem que possuem.Também não acho que devamos bravatear medidas drásticas mas cabe observar que as correlações de forças,embora não favoreçam grandes ações,cabe ressaltar que eles,os estadunidenses,dão mostras de algumas fragilidades ao demonstrarem desesperos,como agora,em relação a Siria,quando o Obama Bush,bravateou e pelas aparências,esta recuando.Isto se deve,a profunda crise por que passa aquele pais,mercê muitos anos de liberalismo,onde entregaram o controle economico ao Walter Mercado,aquele mexicano que aportou aqui durante o governo dos tucanos,fantasiado de senhora.Lá também,ele da as caras,basta ver e ouvir seus representantes do Pig daqui,quando insistem que tudo é resolvido pelo MERCADO!Ah!O Walter também é astrologo!

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Bacellar

09 de setembro de 2013 às 21h58

Hora de começar a guerra de contra-informação. O governo precisa de um sistema complemente fechado de troca de mensagens com uma pequena brecha técnica para passar informações falsas. No cenário atual em que a economia se baseia nas transações de mercados futuros é impossível competir com uma nação cujo as corporações tem informações privilegiadas sobre as concorrentes de outros países, é tempo de se aproximar de outras potencias e se afastar dos EUA…

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Gerson Carneiro

09 de setembro de 2013 às 20h41

FLAGRA: espião a serviço dos EUA.

https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc3/p480x480/1185135_10201115331659606_1967835850_n.jpg

PS: se não aparecer, é só clicar no link.

Responder

Zé Brasil

09 de setembro de 2013 às 20h40

Sabem de uma coisa?

Gastamos rios de palavras nos blogs e temos pouca ação.

Já passou da hora de tratar-se com pompa e circunstância aos que traem este País sem o menor pudor!

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Urbano

09 de setembro de 2013 às 20h27

O [email protected], como eu já disse em outra oportunidade, não é o besouro…

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francisco pereira neto

09 de setembro de 2013 às 20h18

Numa paulada só você Azenha matou três hienas.

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pierre

09 de setembro de 2013 às 19h41

Esta cobertura que a globo está dando a espionagem americana é uma tentativa desesperada e doída, já que ela ama os americanos, para encobrir a repercussão do PROPINODUTO DO PSDB PAULISTA, que ela além de amar também adora.

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Marat

09 de setembro de 2013 às 19h13

Tá certo, Merval. Pode passar no mais próximo Consulados dos Estados Unidos, e pegar sua esmola, para tomar umas, ou quem sabe, cheirar umas…

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Barista

09 de setembro de 2013 às 19h09

Isso não é culpa dos americanos. Um país sério que visa o bem do seu povo tem um serviço de inteligência que se preze. O Brasil tem o seu, o problema que ele é usado como arma do governo e não como arma do Estado Brasileiro. A Política Nacional de Inteligência está parada no Congresso desde 2010.
Dizem que a Abin não previu os protestos:

http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/imprensa/ noticias/noticias_arquivos/Abin.pdf

Dilma indignada com oq?? A culpa disso tudo é dela que não investe no que é importante.

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Gerson carneiro

09 de setembro de 2013 às 19h00

Na Era FHC não era necessário espionar.

O Palácio do Planalto era sucursal da Casa Branca.

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    Cof, cof, cof

    09 de setembro de 2013 às 23h43

    Não é por nada não, mas a série de reportagens e matérias jornalísticas com o Carlos Costa já passou da puberdade e continua atualíssima…

FrancoAtirador

09 de setembro de 2013 às 18h54

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A presidenta Dilma Rousseff emitiu, nesta segunda-feira (9), nota oficial sobre denúncia de violação das comunicações e de dados do governo brasileiro e da Petrobras pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos.
Confira a íntegra:

Mais uma vez, vieram a público informações de que estamos sendo alvo de mais uma tentativa de violação de nossas comunicações e de nossos dados pela Agência Nacional de Segurança dos EUA. Inicialmente, as denúncias disseram respeito ao governo, às embaixadas e aos cidadãos – inclusive a essa Presidência.
Agora, o alvo das tentativas, segundo as denúncias, é a Petrobras, maior empresa brasileira. Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país.
Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro.

Assim, se confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos.

Por isso, o governo brasileiro está empenhado em obter esclarecimentos do governo norte-americano sobre todas as violações eventualmente praticadas, bem como em exigir medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidade de espionagem ofensiva aos direitos humanos, a nossa soberania e aos nossos interesses econômicos.

Tais tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas.
De nossa parte, tomaremos todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

(http://blog.planalto.gov.br/tomaremos-todas-as-medidas-para-proteger-o-pais-o-governo-e-suas-empresas-afirma-dilma-sobre-denuncia-de-espionagem)

Responder

    FrancoAtirador

    09 de setembro de 2013 às 18h56

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    O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), afirmou nesta segunda-feira, 9, que, se tiver alguma suspeita de favorecimento comprovada, o leilão do campo de petróleo de Libra, marcado para o dia 21 de outubro, será adiado.

    “A posição do governo brasileiro, a da nossa bancada, será a mesma para que se tenha total retidão e isenção nesse processo”, disse o líder petista.

    Favorável à suspensão do leilão, o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) anunciou pouco antes de Wellington Dias que vai apresentar um convite para que a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, e outras autoridades compareçam à Comissão de Assuntos Econômicos da Casa a fim de dar detalhes sobre o processo.

    (http://noticias.r7.com/economia/noticias/suspeita-de-favorecimento-pode-adiar-leilao-diz-petista-20130909.html)

    Julio Silveira

    10 de setembro de 2013 às 09h52

    Pois é, nesta terça feira o Ministro da Pasta Edson Lobão em frente as câmeras, risonho, afirmou que o Leilão está garantido. Quem representa mais o governo?

    Nelson

    10 de setembro de 2013 às 09h52

    Como é que é? “Suspeita de favorecimento comprovada”?

    Mas há alguma dúvida de que alguém, que não é o povo brasileiro, esteja saindo altamente favorecido com estes absurdos leilões dos poços de petróleo?

    “Total isenção no processo”?

    Se você entrega a riqueza que pertence ao povo para gaudio e farra de lucros de uns poucos, sem a mínima consulta a esse povo, há como garantir “isenção no processo”?

Luiz Moreira

09 de setembro de 2013 às 18h38

São do tipo CHATÔ! São legitimas galinhas. Gostam de acocorar (para o galo) e sair cantando. O Chatô escreveu num jornal cretino dele. “OS PAÍSES MACHOS E OS PAÍSES FÊMEAS” Adivinhem quais eram os exemplos citados.

Responder

maria de sobral

09 de setembro de 2013 às 18h02

Chavez, dizem alguns que existe outra vida, se for verdade nao tem alguem melhor que voce pra ficar de olho no tio sam.

Responder

FrancoAtirador

09 de setembro de 2013 às 17h55

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Indagações que [email protected] [email protected] que zela pelo patrimônio nacional e que preza pelo desenvolvimento sócio-econômico do Brasil deveria fazer, nesta hora que urge:

– Diante das revelações públicas de espionagem industrial internacional
promovida pelos governos dos United States of America e pelo Reino Unido da Grã-Bretanha, em favor das empresas anglo-saxãs,
será que as petrolíferas norte-americanas e inglesas (Chevron, ExxonMobil, British Petroleum e outras)
que, por conseguinte, são suspeitas de deter informações privilegiadas
não apenas comerciais e de pesquisa tecnológica das empresas braSileiras,
mas principalmente aquelas consideradas Segredo de Estado pelo BraSil,
obtidas através de meios escusos e ilícitos, sejam por escutas telefônicas ou por decodificação de dados criptografados na internet,
ainda assim, irão participar dos leilões de 70% das jazidas de petróleo brasileiro, especialmente para exploração das reservas do Pré-Sal, como o Campo de Libra, por exemplo?

– E, agora que o Brasil se impõe, em nível planetário, de forma contundente, em defesa da autonomia e da dignidade dos povos, e, portanto, da própria Soberania Nacional,
por iniciativa responsável e atitude expressa da Presidente da República Dilma Vana Rousseff, como Chefe do Poder Executivo e Representante Máxima da Nação BraSileira,
será que, desta feita, os poderes Legislativo e Judiciário brasileiros subjugar-se-ão, silenciando e se curvando diante da arrogância e desfaçatez
do governo dos United States of America que soberbamente e unilateralmente se julga o administrador e, mais, o dono de todo o Planeta Terra?
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Pela exclusão das petrolíferas estrangeiras, com matrizes nos United States e na Inglaterra, de todas as licitações de direitos de exploração de petróleo e gás no Brasil!
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13/12/2010
WikiLeaks

Nos bastidores, o lobby pelo pré-sal

Por Natalia Viana

“A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?”.
Este é o título de um extenso telegrama enviado pelo consulado americano no Rio de Janeiro a Washington em 2 de dezembro do ano passado [2009].

RIO’S OIL PLAYERS REACT TO SPECULATION ON PRE-SALT
09RIODEJANEIRO288 2009-08-27 15:15 CONFIDENTIAL Consulate Rio De Janeiro

P 271515Z AUG 09

FM AMCONSUL RIO DE JANEIRO

INFO RUEHBR/AMEMBASSY BRASILIA PRIORITY 1356
RUEHRG/AMCONSUL RECIFE PRIORITY 3519
RUEHSO/AMCONSUL SAO PAULO PRIORITY 5279
RHEBAAA/DEPT OF ENERGY WASHDC PRIORITY
RUEAIIA/CIA WASHDC PRIORITY
RUCPDOC/DEPT OF COMMERCE WASHDC PRIORITY
RHEHNSC/NSC WASHDC PRIORITY

(http://wikileaks.ch/cable/2009/08/09RIODEJANEIRO288.html)

O telegrama deixa claro que as empresas americanas querem ficar no Brasil para explorar o pré-sal.

Para a Exxon Mobile, o mercado brasileiro é atraente em especial considerando o acesso cada vez mais limitado às reservas no mundo todo.

“As regras sempre podem mudar depois”, teria afirmado Patrícia Pradal, da Chevron.

Essa mesma postura teria sido transmitida pelo pré-candidato do PSDB a presidência José Serra, segundo outro telegrama enviado a Washington em 2 de dezembro de 2009:

CAN THE OIL INDUSTRY BEAT BACK THE PRE-SALT LAW?

09RIODEJANEIRO369 2009-12-02 21:12 CONFIDENTIAL Consulate Rio De Janeiro

O 022112Z DEC 09

FM AMCONSUL RIO DE JANEIRO
TO RUEHC/SECSTATE WASHDC IMMEDIATE 0037

INFO RUEHBO/AMEMBASSY BOGOTA IMMEDIATE
RUEHBR/AMEMBASSY BRASILIA IMMEDIATE
RUEHSO/AMCONSUL SAO PAULO IMMEDIATE
RUEHRI/AMCONSUL RIO DE JANEIRO
(http://wikileaks.ch/cable/2009/12/09RIODEJANEIRO369.html)

O telegrama intitulado “A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?” detalha a estratégia de lobby adotada pela indústria [Norte-Americana] no Congresso [Brasileiro].

Uma das maiores preocupações dos americanos era que o modelo favorecesse a competição chinesa, já que a empresa estatal da China poderia oferecer mais lucros ao governo brasileiro.

“Com a indústria resignada com a aprovação da lei na Câmara dos Deputados, a estratégia agora é recrutar novos parceiros para trabalhar no Senado, buscando aprovar emendas essenciais na lei, assim como empurrar a decisão para depois das eleições de outubro”, conclui o telegrama do consulado.

Entre os parceiros, a OGX, do empresário Eike Batista, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Lacerda, da Exxon, disse que a indústria planeja fazer um ‘marcação cerrada’ no Senado, mas, em todos os casos, a Exxon também iria trabalhar por conta própria para fazer lobby”.

Já a Chevron afirmou que o futuro embaixador, Thomas Shannon, poderia ter grande influência nesse debate – e pressionou pela confirmação do seu nome no Congresso americano.

“As empresas vão ter que ser cuidadosas”, conclui o documento.

“Diversos contatos no Congresso (Brasileiro) avaliam que, ao falar mais abertamente sobre o assunto, as empresas de petróleo estrangeiras correm o risco de galvanizar o sentimento nacionalista sobre o tema e prejudicar a sua causa.”

(http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2010/12/13/nos-bastidores-o-lobby-pelo-pre-sal)
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Espionagem contra a Petrobrás compromete leilão de Libra:
petroleiras gringas tem informações sigilosas.

Leia artigo de Saul Leblon, na Carta Maior:

Os ‘patriotas’ que aliviam para a CIA

(http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1314)
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Responder

    FrancoAtirador

    09 de setembro de 2013 às 18h34

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    EUA espionaram Petrobras, dizem papeis vazados por Snowden

    Nome da Petrobras aparece em documento
    usado em um treinamento de agentes da NSA

    O documento treina os agentes a como acessar a rede privadas de instituições variadas como Petrobras, o ministério das Relações Exteriores da França, o Google e a rede Swift, que reúne vários bancos.

    Os papeis foram consultados pelo jornalista americano Glenn Greenwald, autor das reportagens divulgando o escândalo da NSA desde maio.

    Greenwald critica a espionagem de indivíduos e empresas que não “não tem nada com terrorismo”.

    A reportagem revela ainda que os Estados Unidos agem com a colaboração da inteligência do Reino Unido, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia.

    O treinamento explica como desviar dados de redes privadas durante a transmissão das informações.

    O interesse dos americanos seria a tecnologia envolvendo a exploração em águas profundas da camada pré-sal.

    O governo prepara paras as próximas semanas o leilão do mega campo de Libra.

    Fonte: BBC
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bento

09 de setembro de 2013 às 17h52

Dilma.

E se forem as empresas americanas a levarem o leilão de libra?

Responder

Maria Amélia Martins Branco

09 de setembro de 2013 às 17h37

Lembram da reunião em Foz do Iguaçu-PR em 2010 por ocasião da eleição pra presidência da República, FHC entregando a Petrobrás à Chevron?

Responder

Francisco

09 de setembro de 2013 às 16h57

É cancelar LIBRA. Ponto final.

PS. E a bomba, quando faremos?

Responder

    FrancoAtirador

    09 de setembro de 2013 às 18h03

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    Espionagem compromete leilão de campo de petróleo, diz Vanessa

    Vermelho, da Redação em Brasília, com Agência Senado

    Presidente da CPI da Espionagem, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) questionou em discurso no Plenário do Senado, nesta segunda-feira (9), a realização do leilão do campo do pré-sal de Libra diante das denúncias de que a Petrobras foi alvo de espionagem dos Estados Unidos.

    “Se há um mínimo de insegurança, não é possível manter o leilão onde as cartas já seriam conhecidas por alguns dos concorrentes”, afirmou.

    Ela citou reportagem exibida neste domingo (8) no programa Fantástico, da TV Globo, avaliando que as denúncias contradizem a negação do governo norte-americano sobre a prática de espionagem econômica.

    Segundo a reportagem – baseada em dados coletados pelo ex-técnico da agência americana de segurança (NSA) Edward Snowden e divulgados pelo jornalista Glenn Greenwald -, uma apresentação para funcionários da NSA, classificada como ultrassecreta, mencionaria a Petrobras entre as empresas que poderiam ser alvo de interceptação em suas redes privadas.

    Vanessa chamou a atenção para a liderança mundial da Petrobras em extração de petróleo em águas profundas e manifestou temor de que dados estratégicos da empresa sobre cálculos e pesquisas possam estar vulneráveis.

    A senadora também leu nota oficial do diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, James Clapper, que teria sido enviada à TV Globo em resposta à reportagem do Fantástico.

    A nota afirma que “não é segredo” a coleta de informações que possam servir aos Estados Unidos e a seus aliados como “alerta precoce” sobre problemas financeiros de repercussão mundial.

    Vanessa argumentou que, diante de tais fatos, o leilão das áreas petrolíferas – previsto para 21 de outubro – só pode ser feito mediante “absoluta certeza” de que os dados do campo de Libra não foram vazados.

    Vanessa Grazziotin disse que a espionagem de hoje toma uma forma muito diferente da verificada no passado, mas espera que este “momento-chave” mostre ao Brasil a necessidade de uma política de segurança de informação.

    Em apartes, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) classificou a nota de James Clapper como “reconhecimento de culpa” dos Estados Unidos e defendeu o cancelamento do leilão do campo de Libra como única medida cabível diante das denúncias.
    E Waldemir Moka (PMDB-MS) disse que o Brasil precisa aumentar sua preocupação com a proteção de seus sistemas de informação.

    (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=223586)

Julio Silveira

09 de setembro de 2013 às 16h53

É, tenho esse sentimento de que somos uma país onde a força intelectual foi e continua sendo culturalmente amestrada para atender aos interesses de alguma força internacional “superior”. Os States é a atual, mas já foi a França no século XIX, assim como no período do império foi a Inglaterra, em algum momento de nossa história fomos lacaios, admiradores de alguma cultura externa, sem nenhum sentido pratico para nos em nossa formação cultural, pelo contrario, renegando a formação de uma cultura interna, nacional.
Andamos na contramão da formação de países fortes, que constrói a cidadania com respeito a pátria, com olhar cívico. E não olhamos criticamente os países que adotam essas praticas como forma de assimilar tais sentimentos. Os próprios States são exemplo disso.
Não estranho nada nada a boçalidade de alguns pretensos formadores de opinião nacional, que não fica sequer ruborizados com tamanha ostentação de seu espirito menor. Que no afã de mostrar sua admiração a nação superior de seu momento temporal, buscam ampliar discípulos culturalmente assimilados por essa cultura de má brasilidade. Esses demonstram que ter uma mãe prostituta não seria problema, desde que trouxesse sua parte no quinhão ganho no meretrismo. E, para acobertar ou engambelar sua fraca consciências diante de um possível drama, se é que teriam, de consciência, recorreriam quase certamente a desculpa pela falta de compreensão na hora de ouvir a expressão prostituta, que ao ouvir pode ser confundida com a expressão protestante, como na piada, já que essa turma é muito católica.

Responder

Leandro_O

09 de setembro de 2013 às 16h12

Era uma vez, havia um território que pregava o acúmulo de riquezas, sobre todas as outras virtudes.
Nesse território havia uma corporação muito grande, com enorme poder político, fazendo inclusive com que governos e agentes públicos trabalhassem em prol de seus interesses.
Nesse território havia havia também um organismo de inteligência que trabalhava com muito empenho, atuando não somente internamente, mas também em territórios estrangeiros, porque é da natureza desse território intervir para acumular mais riquezas.
Essa grande corporação, guiada por seus desejos instintivos, desejava muito expandir seu domínio e sabia da existência de um outro grande território, que se auto-proclamava “celeiro do mundo”. Porém, era sabido que esse “celeiro do mundo” não aceitaria sua presença.
Apoiada por informações secretas de seu compatriota organismo de inteligência, com o qual podia contar, ficou sabendo da permeabilidade das fronteiras do “celeiro do mundo”[1] e assim montou uma estratégia para quebrar possíveis barreiras e invadir tal território: como a corporação era boa de lábia e sabia que seus produtos podiam provocar fascínio, proprietários de terras em regiões de fronteira foram levados por um misto de ignorância e ambição e foram seduzidos pelas alegadas “belezas” e “maravilhas” dos produtos que a corporação fazia.
Cometendo delitos como contrabando, aos poucos, os habitantes sorrateiramente foram introduzindo por conta própria tal produto, sendo pulverizado naquele novo e grande território.[2]
Quando os habitantes se deram por conta, já não era mais possível reverter o quadro, porque a natureza dos produtos da corporação se misturava facilmente à natureza dos produtos que os habitantes até então costumavam cultivar.
Foi então que governantes de tal território declararam haver “fato consumado” e trataram de aprovar publicamente a introdução dos produtos que até então eram considerados proibidos dentro do “celeiro do mundo”.
O que poucos sabiam até então, é que a corporação cobra seus próprios tributos por cada unidade mínima de tal produto cultivado, seja daquele que contenha todos os elementos característicos ou seja os que somente tenha algumas partes.

Feliz 10 anos da liberação dos transgênicos no Brasil!

[1] Do Wikileaks:
BRAZIL: 2009 SPECIAL 301 RECOMMENDATION
2009 March 2, 19:57 (Monday)
09BRASILIA254_a
12. (SBU) A customs official in Foz de Iguacu (TBA) told Poloff
that increased inspections will lead to a decrease in the overall
number of incidents. However, Poloff’s car was not inspected
crossing the Friendship Bridge between Brazil and Paraguay (a
well-known entry point for counterfeit and pirated goods), nor did
Poloff observe any other vehicles being inspected (ref C). Due to
heightened enforcement efforts in the TBA (including the use of new
surveillance tools like helicopters), industry contacts tell Post
that smugglers are turning to other, more vulnerable entry points
into Brazil.

[2]Smugglers aim to circumvent GM court ban in Brazil
(25 November 1999)
Ricardo Bonalume Neto

Top of pageAbstract
Brazilian farmers are fighting back against legal barriers of GM crops.

A legal impasse over genetically modified crops in Brazil means that GM soya bean seeds are being smuggled into the country from Argentina, especially in the southernmost state of Rio Grande do Sul, whose government has barred their entry.The resort to contraband by a growing number of farmers reflects the stalemate that characterizes the use of GM crops in Brazil.

Leitura complementar:
Monsanto’s Royalty Grab in Argentina:
All it takes is a few friends in government.
http://www.vegsource.com/articles2/monsanto_argentina.htm

Wikileaks: Monsanto now deeply infiltrated into US government
http://therapybook.wordpress.com/2012/01/13/wikileaks-monsanto-now-deeply-infiltrated-into-us-government/
Wikileaks reveals Monsanto’s close relationship with the US government
http://www.secretsofthefed.com/wikileaks-reveals-monsantos-close-relationship-with-the-us-government/
Brasil: não à Medida Provisória dos transgênicos
http://www.biodiversidadla.org/layout/set/print/Principal/Secciones/Documentos/Transgenicos/Brasil_nao_a_Medida_Provisoria_dos_transgenicos
Transgênicos: longo drama no governo Lula
http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed420/pol1.htm

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sergio de oliveira campos

09 de setembro de 2013 às 16h07

Olhe Azenha pior que o nerval que é debil mental.É o sademberg este sim um facista tota

Responder

roberto almeida

09 de setembro de 2013 às 16h06

Mexer no bolso americano: associação da Petrobras com empresas chinesas para exploração do campo de Libra. Vai doer.

Responder

    FrancoAtirador

    09 de setembro de 2013 às 17h48

    .
    .
    No Alvo!!!
    .
    .

    lukas

    10 de setembro de 2013 às 10h19

    Pq ser capacho da China é melhor q dos EUA?

    FrancoAtirador

    10 de setembro de 2013 às 11h24

    .
    .
    Doeu?
    .
    .

renato

09 de setembro de 2013 às 15h43

EU ESTOU COM MEDO!
Quando a Globo através do fantástico se coloca
a favor do Brasil contra os Estados Unidos, eu
sinto arrepios, o que vira por aí, reportagem
de uma semana a fio?
Propinoduto escondido por esta matéria?
Vão envolver o Lula de qualquer jeito?
Vão achar um Snodem Brasileiro?
EU TENHO MEDO, quando o gato esta dando queijo ao rato.
A GLOBO a favor do Brasil…..?????

Responder

Leo V

09 de setembro de 2013 às 15h31

Muito bom texto. É isso e ponto.

Responder

Elias

09 de setembro de 2013 às 15h06

Faz-se necessário incluir entre esses abomináveis escribas serviçais dos EUA, o decrépito raivoso Boris Casoy que também expeliu secreções idênticas a dos Mervais.

Responder

Renato

09 de setembro de 2013 às 14h42

Na boa, sabe quando irão punir economicamente os EUA em represália a espionagem contra o Brasil e a Petrobrás? No dia 30/02.

Praticamente, essa história vai terminar em pizza.

Responder

Bernardo

09 de setembro de 2013 às 14h31

Imaginemos, só imaginemos, o que diriam os Mervais se descrobrissm que a Bolívia e/ou a Venezuela estavam espionandoo Brasil!!

Responder

Gersier

09 de setembro de 2013 às 14h17

“alertou que não se deve fazer “bravatas”, como cancelar a viagem de Dilma a Washington.”
Para esses colonizados babacas e vira latas, as bravatas só são válidas se forem contra o Evo,contra a Cristina ou Nicolás Maduro.

Responder

Jovino Pereira

09 de setembro de 2013 às 14h04

Como diria Nelson Rodrigues: “PERDOA-ME POR ME ESPIONARES”…

Responder

    Nelson

    10 de setembro de 2013 às 10h00

    Muito boa, Jovino.


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