VIOMUNDO

Diário da Resistência


Opinião do blog

Gana avança na Copa; conheça nossos parentes africanos


23/06/2010 - 18h19

por Luiz Carlos Azenha

Às vezes eu me incomodo com o despreparo de alguns narradores, repórteres e comentaristas em relação à África. Mas depois me acalmo, especialmente quando relembro que eu também era tão ignorante sobre a África quanto qualquer brasileiro há dois anos. Aliás, continuo ignorante e querendo aprender mais sobre o continente.

A minha irritação nasce da constatação de que muitos preconceitos do século 19 continuam vivíssimos e que se expressam quase sempre sobre um “ente” que não tem identidade: o africano. O africano é um jogador irresponsável. O africano é um jogador violento. O africano é um jogador de muita força física e pouca inteligência. O tal africano nunca tem nome, nem origem, nem talento individual. É uma forma inconsciente de se negar protagonismo ao africano. Ele é genérico.

Essa generalização esconde ignorância. Lá nos manuais da cobertura da Copa do Mundo, que todos os veículos com certeza produziram, com certeza há informações sobre os gentílicos. Portanto, os narradores falam acertadamente em “marfinenses”, “argelinos” ou “ganenses”, mas duvido que saibam muito mais sobre as distinções entre os diferentes povos. É comum ouvir algum deles lembrar que se fala francês na Costa do Marfim, mas é raro ouvir que os verdadeiros idiomas da África são o mandinga, o macua, o zulu e uma infinidade de outros.

De qualquer forma, a Copa do Mundo na África do Sul é uma oportunidade rara para que a gente aprenda sobre a África. Por isso, convido os leitores a assistir esta noite o programa Nova África que fala sobre a agricultura em Gana e sobre o parentesco entre o Brasil e aquele país da África Ocidental.

Gana é o centro de irradiação na África das tecnologias desenvolvidas no Brasil pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. Você vai saber um pouquinho sobre esta parceria, que traz vantagens para o Brasil e para os paises africanos. E também vai conhecer um pouquinho da história dos Tabom, os libertos no Brasil que retornaram a Gana e formaram um bairro que ainda existe na capital do país, Acra.

Aqui, um clipe do programa.

Aqui, outro.

O programa começa às 20h30m, na TV Brasil.





19 comentários

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Werner_Piana

26 de junho de 2010 às 11h43

Fazer Jornalismo não dói, não engorda e faz crescer.
Parabéns pelo seu trabalho, Azenha.
Você nos honra.

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Vera Silva

24 de junho de 2010 às 16h10

Azenha,
Adoraria comprar um CD com o programa sobre Gana. O programa me levou às lágrimas pelo respeito e o carinho com que foi feito.
Tenho um grande e querido amigo ganense e seria muito legal mandar para ele o CD. Ele gostava muito do Brasil durante o tempo que esteve aqui, mas lamentava o preconceito do brasileiro contra os negros.
Seria legal poder mostrar-lhe que, embora vagarosamente, estamos resgatando o preconceito e a exploração com ações afirmativas.

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mariazinha

24 de junho de 2010 às 14h58

Sempre foi revoltante a maneira como o Mundo tratou nossa África querida.
História mais triste: países estranhos chegaram por lá e espalharam seu ódio e sua usura. Sem compreenderem sua diversidade enorme, sua alma, promoveram o desentendimento, separando pais de filhos e instalaram um inferno por lá, abarrotando cofres reais de tesouros.
Pobre MÃE África! Dilapidada, aviltada e dilacerada; os brasileiros sabem o que é isto.

Hoje, a esperança esta no ar….Os Brasileiros celebram, com seu PRESIDENTE, um tempo novo e um Mundo melhor e mais justo que virá, para nós e nossa África querida.
Obrigada, AZENHA, VC é parte muito importante nesse novo tempo.

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Juarez Silva Jr.

24 de junho de 2010 às 01h57

Excelente preocupação Azenha, tenho formação em História e Cultura africana e afrobrasileira; o que você diz é um fato, o brasileiro sabe muito pouco sobre África e muitas vezes "o que sabe" está errado ou distorcido…, por tal motivo é que em 2003 foi sancionada a lei federal 10.639 que obriga o ensino transversal de História e Cultura africana e afrobrasileira no ensino básico, porém a implementação da lei tem sido muito lenta e dificultada, existe uma certa "má vontade" dos dirigentes escolares em colocar a coisa para funcionar, desinteresse de professores e por vezes até manifestações contra a lei (ou professores que tentam aplica-la ) por "fundamentalistas" evangélicos que insistem em que "cultura africana é macumba e deve ser evitada" , por outro lado pessoas de mentalidade racista ou meta-racista não acham necessário o ensino de HCAA pois "não acrescenta nada de útil" …. .

A copa na África do Sul pelo menos está servindo para a maioria dos brasileiros começarem a mudar seus conceitos e buscar mais informações sobre o continente-mãe da humanidade…

Afroamplexos !

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jbmartins

23 de junho de 2010 às 21h55

Percebo um grande preconceito as vezes ate eu me pego nisto, mais acredito que as coisas caminham bem depressa aqui no Brasil para mudar e para melhor, a começar pela nossa Politica.

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francisco.latorre

24 de junho de 2010 às 00h07

africanos aprendem com a embrapa há décadas.

começou com a mandioca. matando a fome.

a gente vai de embrapa.

tecnologia. grátis.

adeus usamerika.

desiste china.. não tem pra ninguém.

é brasil.

..

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alirio

23 de junho de 2010 às 23h02

Fiquei apertado, quando um filho perguntou qual idioma se falava na África do Sul. Sabia da colonização inglesa e da diversidade de etnias, mas tive de voltar aos estudos do dicionário enciclopédico. Sabia que eram vários, mas nem tanto: Segundo o Larousse são onze idiomas.
Sabemos muito pouco sobre a África devido á pouca consideração que lhe é devida pelo Sistema de Ensino. Lembro que, no Ginásio, um professor muito exigente, que nos fazia decorar os nomes de todos os acidentes geográficos principais de todos os continentes, assim como os países e suas respectivas Capitais, no caso da África, disse: "Aquilo ali é uma bagunça. Todo dia nasce um País!" E fomos obrigados apenas a decorar os acidentes geográficos do Continente.

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Lucas

23 de junho de 2010 às 22h34

Alguem da Embrapa podia ter ensinado os ganenses a não perder tantos gols. Dois gols de penalte é muito pouco.

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tonypoeta

23 de junho de 2010 às 22h29

Muito bom que tenhamos alguma coisa sobre a Africa. Apesar de pouco ver TV, não vi nada sobre a Africa em si , em termos turisticos, culturais ou econômicos. A TV se limitou, a mostrar a miséria nativa e as loiras sexy que assistiam as partidas, com seus parceiros de chapelão e cornetas. Num povo com o índice de afrodecedentes elevado como o nosso, a cobertura representa um desrespeito tanto para os descendentes africanas, como para nós, descendentes de europeus ou asiaticos, pois ,o primeiro principio que rege uma nação é o da igualdade, seguido do conhecimento de seus pares e do respeito mútuo. Gostaria que a TV Brasil tivesse uma difusão maior.

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    Kanhotão

    23 de junho de 2010 às 22h38

    Tu tens toda razão basta acessar ( http://placar.abril.com.br/copa-do-mundo/galeria-… e ver que não são apenas as TVs que boicotam os negros em seu próprio continente.
    Note que de 15 fotos das belas da copa, sómente uma face negra foi fotografada, ao lado de uma branca e ambas inglesas. Tentei colocar esta observação nos comentários daquele link mas malogrei.
    Com milhões de belas negras naquele continente eles só conseguem fotografar apenas uma e inglesa ?

    Kanhotão

    24 de junho de 2010 às 00h10

Jairo_Beraldo

23 de junho de 2010 às 22h23

Voce colocou que pouco sabem sobre idioma, diferença entre os povos e como se fala sua nacionalidade…acho que não sabem nem ONDE se localiza tais países no continente.

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Rodrigo Carvalho

23 de junho de 2010 às 22h15

Muito interessante!!!!!!!!!

Lembro-m,e dos tempos de escola (antigo ginásio) que o professor comentava sobre a proidução agrícola de Gana. A África pela África!!!!

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Claudionor Damasceno

23 de junho de 2010 às 22h12

Grande, Azenha!
Parabéns pelo Nova África, que assisto e do qual sou fã de carteirinha. É maravilhosa a forma humanizada, desmistificada, simples e profunda com que o programa nos apresenta os povos africanos. Só lamento que a duração de cada programa seja tão curta. Toda a série ainda vai virar referência obrigatória nos cursos de África em universidades e nas escolas de nível médio. Parabéns!

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Milton Hayek

23 de junho de 2010 às 22h05

Que diferença,Azenha!!Enquanto os americanos mandam seus militares do AFRICOM nós mandamos a EMBRAPA,fábricas de vacina e implentamos o soft power do Brasil na África. Muito bom!!!!!!!!!!!

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    Marcos C. Campos

    24 de junho de 2010 às 00h25

    o Brasil será a Cuba do século XXI … Com diferenças para melhor …

Lucas Cardoso

23 de junho de 2010 às 22h04

O zulu também é falado na costa do marfim? Não que eu duvide de você, Azenha, que com certeza sabe muito mais sobre a África do que eu (por falar nisso, a TV Brasil podia liberar os episódios antigos do Nova África no youtube, não? Perdi um bando deles); mas é interessante saber que os zulus, povo do sul da África, foram parar lá. A nação zulu é maior que eu imaginava.

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    Luiz Carlos Azenha

    23 de junho de 2010 às 22h18

    Não, o zulu não é falado na Costa do Marfim. Não foi o que escrevi. Mas você pode dizer sem medo de errar que há um parentesco entre marfinenses e sulafricanos negros: quase todos são descendentes dos povos bantos, originários da África Ocidental que se expandiram até o sul do continente, na grande expansão dos bantos. abs


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