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Com dólar batendo recorde de 24 anos, Golpe vai atrás do que lhe interessa num eventual governo Haddad: o controle da política econômica
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Com dólar batendo recorde de 24 anos, Golpe vai atrás do que lhe interessa num eventual governo Haddad: o controle da política econômica


13/09/2018 - 20h39

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Marcos Lisboa, do Insper: futuro ministro?

Da Redação

O dólar terminou o dia quase em R$ 4,20, a maior marca desde a implantação do Plano Real.

“Diante de uma das disputas presidenciais mais imprevisíveis na história do país, o que chacoalhou o mercado hoje foi o risco de uma volta do PT ao governo”, noticiou o diário conservador Valor Econômico, pertencente à família mais rica do Brasil, a dos Marinho.

O tal “mercado” estaria de olho em trackings internos que registram a transferência de votos entre o ex-presidente Lula e o agora candidato oficial do PT, Fernando Haddad.

Os contratos de juros futuros também encerraram o dia em alta. Ouvido pelo Valor, David Cohen, sócio e gestor da Paineiras Investimentos, disse que as chances de Bolsonaro diminuiram depois que o candidato do PSL sofreu nova cirurgia e corre o risco de não se recuperar do atentado a faca que sofreu a tempo de fazer campanha de rua.

“Isso reduz as chances dele ganhar da esquerda no segundo turno”, afirmou Cohen.

Há alguns dias, o próprio Valor revelou a posição ambígua de operadores do mercado em relação a Haddad:

“Com um programa econômico heterodoxo, que relativiza a necessidade de reformas, se o candidato do PT continuar mostrando avanço nas pesquisas também a temperatura nos mercados deve subir, trazendo ainda mais volatilidade aos preços”, registrou o texto.

Porém, acrescentou: “Mas, à boca miúda, o que alguns experientes analistas dizem é que há chance de o petista ajustar o discurso após o primeiro turno. Leitura que gestores e economistas passaram a fazer após encontros privados com o candidato — chamado de “o mais tucano dos petistas” –, e é endossada por declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que, num eventual confronto contra Bolsonaro, o PSDB apoiaria Haddad”.

Ciro Gomes seria mais inflexível que Haddad, mas não menos temido pelos investidores — sempre segundo a leitura dos jornalistas do Valor.

“Ciro Gomes é outro nome que gera muita tensão entre investidores. Embora tenha um discurso também fiscalista, referendado por seu assessor econômico, Mauro Benevides, Ciro defende medidas consideradas populistas. Uma delas é a promessa de oferecer um mecanismo para tirar o consumidor do SPC, o que passaria pelo uso dos bancos públicos. Também propõe um duplo mandato para o BC — de inflação e emprego –, o que aponta para menor autonomia para a autoridade monetária. E fala em buscar um nível de câmbio que estimule a economia, o que arranharia o regime de câmbio flutuante”, disse o texto do diário sobre o candidato do PDT.

Outra reportagem que chamou a atenção foi a da Bloomberg, que tem grande entrada nos mercados financeiros do Brasil e de Wall Street.

Reproduzido pela revista Exame, da família Civita, o texto diz que Haddad pode não ser o bicho papão do mercado.

Um trecho:

“Haddad é mais pragmático e menos ideológico”, disse James Gulbrandsen, gestor da NCH Capital. “Há uma chance razoável de reformas mínimas que mantenham o Brasil fora da zona de default sob uma gestão Haddad.” A julgar pela retórica da campanha de Haddad e o programa de governo apresentado pelo PT, o mercado tem razão em se preocupar, sob a ótica dos investidores. Bancos públicos devem ser usados para oferecer crédito a juros baixos, a reforma trabalhista e o teto de gastos aprovados na gestão Michel Temer seriam desfeitos e mecanismos de controles de capital seriam usados para ajudar a estabilizar o câmbio. Haddad frequentemente ataca o que ele chama de oligopólio dos bancos brasileiros. “Não temos mais paciência com esses caras, precisamos dar um choque nos bancos”, disse recentemente. Os aliados do ex-prefeito afirmam que é apenas discurso de campanha, argumentando que ele tem compromisso com políticas econômicas mais ortodoxas e é um pragmático capaz de fazer a travessia da retórica de campanha ao governo. Como prefeito de São Paulo, Haddad teve gestão fiscal responsável, promoveu um impopular aumento de tarifas de ônibus e obteve grau de investimento para a cidade.

Esses movimentos de morde e assopra do mercado não são incomuns.

Costumam ser os passos que antecedem uma proposta de namoro nos bastidores, através do qual o candidato modera suas posições em troca de uma trégua do mercado.

Num texto certeiro, o jornalista Sérgio Lírio deu uma informação de bastidores, hoje, em CartaCapital:

Não se sabe a identidade do responsável, mas um balão de ensaio foi lançado no picadeiro das notícias eleitorais: Fernando Haddad, confirmado como candidato à presidência da República na terça-feira 11, estaria propenso a nomear para o Ministério da Fazenda um economista ortodoxo, defensor da austeridade fiscal e do tripé macroeconômico (câmbio livre, superávit primário e metas de inflação). Alguém com o perfil de Marcos Lisboa, senão o próprio. Seria uma tentativa de reeditar a conciliação do primeiro mandato de Lula, que assinou a Carta aos Brasileiros, um compromisso com os bancos apresentado durante a campanha de 2002, e entregou a Antônio Palocci a chave do cofre, em um gesto de boa vontade dirigido aos mercados.

Trata-se de mera especulação, mas esta é justamente a especialidade da famosa mão invisível do mercado.

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4 comentários

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David

14 de setembro de 2018 às 09h25

Mesmo com todo essa “tucanice” do HADAD, continuo votando 13.

Responder

Pedro

13 de setembro de 2018 às 21h27

Por isso, vou de Ciro. Haddad se renderia ao mercado financeiro , como fizeram Lula e Dilma. Não dá mais: chegou a hora de enfrentar essa gente – ou se está com eles, ou se está com o povo brasileiro. Ciro é bem mais duro na queda.

Responder

    Jose Batista Neto Batista

    14 de setembro de 2018 às 05h00

    Dilma enfrentou o Mercado e baixou os juros em 2012. Foi derrubada em 2016, “com STF, com tudo”!! Quem daria base de sustentação para o Ciro enfrentar o Mercado? Você?

    Sandro

    16 de setembro de 2018 às 07h02

    Eu tb vou de Ciro justamente pelo mesmo motivo do Pedro.


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