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Cartas de Minas
Cartas de Minas

PSDB acusou governo federal de fazer o que o PSDB fez: matar CPI depois de propina de R$ 10 milhões a presidente do partido Sergio Guerra

22 de dezembro de 2015 às 03h27

Captura de Tela 2015-12-22 às 03.15.05

Da Redação

O acúmulo de informações sobre a Operação Lava Jato deixa claro: o Petrolão começou no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Diz ele que era, então, um esquema “desorganizado”. Ou seja, a corrupção do PSDB é mais “vadia” que a do PT/PMDB/PP/PSB e outros, parece sugerir o sociólogo.

É exatamente a mesma lógica utilizada para justificar como legais doações feitas pelas empreiteiras envolvidas na Lava Jato a Aécio Neves em 2014, quando aquelas que abasteceram os cofres de Dilma teriam sido “criminosas”.

“Mas, não tínhamos o que dar em troca, já que não controlávamos o Planalto”, argumentam os tucanos.

Porém, e os contratos fechados pelas mesmas empreiteiras com os governos paulistas? E os fechados com os governos de Aécio Neves e Antonio Anastasia em Minas? Não poderia ter se dado aí o quid-pro-quo?

A lógica do PSDB, endossada pela mídia, deu certo no mensalão: embora os tucanos tenham amamentado Marcos Valério no berço, com dinheiro público de empresas estatais como Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Comig — hoje Codemig, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais — e o extinto Bemge, o banco estadual mineiro, ninguém foi preso; o ex-presidente nacional do PSDB e senador Eduardo Azeredo foi condenado em primeira instância a 20 anos de prisão (leia íntegra da sentença aqui), depois de 17 anos! Dificilmente passará um dia na cadeia, já que em 2018 completa 70 anos.

Enquanto isso, o mensalão petista deu no que deu, apesar da controvérsia sobre se o dinheiro da Visanet, afinal, era ou não público.

Vejamos quais são os fatos que localizam o berço do Petrolão no quintal de FHC:

1. Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma no Senado, hoje preso, assinou ficha de filiação no PSDB em 1998 e foi diretor de Gás e Energia da Petrobrás em 2000 e 2001, no segundo mandato de FHC, quando conheceu Nelson Cerveró e Paulo Roberto Costa, que agora se tornaram delatores. Os negócios entre eles começaram então.

2. As usinas termelétricas construídas às pressas na época do apagão elétrico — o verdadeiro, não aquele que a Globo prevê desde o governo Lula –, durante o governo FHC, deram prejuízo à Petrobrás superior àquele atribuído à compra e venda da refinaria de Pasadena, no governo Dilma, segundo calculou a Folha de S. Paulo. Mas, vejam que interessante: a Folha apresenta o senador como sendo do PT quando, à época dos negócios denunciados, ele tinha ficha de filiação assinada no PSDB e servia ao governo FHC.

Captura de Tela 2015-12-22 às 01.52.14

3. Delcídio é acusado de ter recebido R$ 10 milhões em propina da Alstom neste período. A Alstom foi operadora do trensalão tucano em São Paulo, que atravessou os governos Covas, Alckmin, Serra e Alckmin com uma velocidade superior àquela com que se constrói o metrô paulistano.

4. A Operação Sangue Negro, deflagrada pela Polícia Federal, refere-se a um esquema envolvendo a empresa holandesa SBM, que operou de 1998 a 2012, envolvendo pagamentos de U$ 46 milhões. Em 1998, registre-se, FHC foi reeleito para um segundo mandato.

5. Em delação premiada, o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, disse que coletou um total de R$ 100 milhões em propinas desde 1996. Portanto, desde a metade do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Barusco, se contou a verdade, atuou no propinoduto durante seis longos anos sob governo tucano. Por que Lula e Dilma deveriam saber de tudo e FHC não?

6. Outro delator, Fernando Baiano, disse que seus negócios com a Petrobrás começaram em 2000, na metade do segundo mandato de FHC.

O curioso é que, em março de 2014, o PSDB acusou o PT, em nota no seu site, de ter tentado bloquear investigações sobre a Petrobrás.

Desde 2009, o PSDB no Senado solicita investigações sobre denúncias de irregularidades e na direção oposta, o esforço para aprovar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a estatal petroleira foi derrubada pelo governo federal no mesmo ano. […] Em 15 de maio de 2009, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) protocolou um pedido de abertura da comissão, assinado por 32 colegas de diversos partidos, incluindo até mesmo alguns de legendas que apoiam o governo. O requerimento pedia a investigação a fraudes que já haviam sido motivo de trabalhos na Polícia Federal, Tribunal de Contas da União e Ministério Público federal. 

Na justificativa, o tucano argumentou que havia indícios de fraudes em construção e reforma de plataformas de petróleo – em especial relacionadas a grandes superfaturamentos – e desvios de verbas de royalties da exploração do petróleo, sonegação de impostos, mal uso de verbas de patrocínio e fraudes em diversos acordos e pagamentos na Agência Nacional de Petróleo. No entanto, o governo operou internamente com sua base para engavetar o pedido de CPI. Mas o PSDB apresentou requerimentos relacionados à Petrobras, no esforço de buscar respostas às denúncias.

Porém, mais tarde soubemos que foi o ex-presidente do PSDB e ex-senador Sergio Guerra, já falecido, quem teria recebido R$ 10 milhões para enterrar a CPI, segundo o delator Paulo Roberto Costa.

No Estadão:

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou em sua delação premiada que o então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra – morto em março deste ano –, o procurou e cobrou R$ 10 milhões para que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás, aberta em julho de 2009 no Senado, fosse encerrada. Segundo Costa, o tucano disse a ele que o dinheiro seria usado para a campanha de 2010. Aos investigadores da Operação Lava Jato, Costa afirmou que os R$ 10 milhões foram pagos em 2010 a Guerra. O pagamento teria ocorrido depois que a CPI da Petrobrás foi encerrada sem punições, em 18 de dezembro de 2009. O senador era um dos 11 membros da comissão – três integrantes eram da oposição e acusaram o governo de impedir as apurações. 

A extorsão, segundo Costa, foi para abafar as descobertas de irregularidades nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – alvo do esquema que levou ao banco dos réus o ex-diretor da estatal e o doleiro Alberto Youssef. A obra era um dos sete alvos suspeitos na Petrobrás que justificaram a abertura da comissão, em julho. […] O ex-diretor declarou que o então presidente do PSDB estava acompanhado do deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), a quem chamou em seu relato de “operador” […] O delator afirmou que Guerra relatou a ele que o dinheiro abasteceria as campanhas do PSDB em 2010. Naquele ano, o presidente do partido foi o coordenador oficial da campanha presidencial do candidato José Serra. Integrantes da campanha informaram que o ex-senador não fez parte do comitê financeiro.

Vejam vocês que os tucanos denunciados são graúdos: dois senadores e ex-presidentes do partido, Eduardo Azeredo e Sergio Guerra. Não é, portanto, coisa da arraia miúda do PSDB.

No caso de Guerra, supostamente atuou com um operador de outro partido, demonstrando que o Petrolão obedecia a linhas partidárias tanto quanto aquela famosa foto de Delcídio (PT) com Romário (PSB), Eduardo Paes, Pedro Paulo e Ricardo Ferraço (PMDB) celebrando uma “aliança partidária”.

Nosso ponto é que o mensalão, assim como o trensalão e o petrolão, são suprapartidários e expressam a destruição do sistema político brasileiro pelo financiamento privado, aquele que transformou o presidente da Câmara Eduardo Cunha num traficante de emendas parlamentares escritas pela OAS e apresentadas por gente como Sandro Mabel (PMDB) e Francisco Dornelles (PP).

Se é certo que o PT age igualzinho aos outros partidos, também o é que o PSDB não paira ao lado do DEM no panteão da moralidade, né Agripino?

As informações acima não diminuem ou pretendem diminuir a responsabilidade de integrantes do PT e de todos os outros partidos envolvidos no Petrolão: PMDB, PP, PSB e outros.

Porém, servem para demonstrar que o Petrolão floresceu num período em que, tendo a oportunidade de fazê-lo, o PSDB não fortaleceu as instituições que poderiam desmontá-lo no nascedouro. Pelo contrário, os dois mandatos de FHC ficaram famosos pela atuação do engavetador-geral da República. O presidente se ocupava de coisas mais importantes, como vender por U$ 3 bilhões uma empresa que valia U$ 100 bi, noutro escândalo, aquele sim, jamais investigado.

PS do Viomundo: Quais campanhas foram irrigadas pelos R$ 10 mi do Guerra? Existe punição no Congresso por obstruir investigações às custas de dinheiro sujo?

Leia também:

Rogério Correia: Candidatos que receberam de Azeredo foram excluídos do processo. Inclusive Aécio

Esquema de quase R$ 40 milhões, Lista de Furnas ficou impune

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16 Comentários escrever comentário »

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Assim Falou Golbery

24/12/2015 - 01h11

uma coisa é não deixar CPi acontecer por dinheiro e outra é para salvar amigo que tenha poder de destruir todo o partido, caso não goste de alguma coisa . o petismo não teria nenhum corrupto se nunca tivesse um desse na humanidade

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Sidnei Brito

22/12/2015 - 17h20

“Por que Lula e Dilma deveriam saber de tudo e FHC não?”
Ué, mas nos seus “diários”, FHC não conta que foi avisado de bandalheira na petrolífera e que nada fez para não atrapalhar as mudanças regulatórias na área de petróleo que pretendia fazer?

Responder

FrancoAtirador

22/12/2015 - 13h01

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(http://imgur.com/WGkvLLj)
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Responder

Joanisbel Amorim - Livreiro

22/12/2015 - 12h14

Esperamos que o bom autor da – História Secreta da Rede Es(Glo(to)bo de Televisão faça uma nova edição aumentada e atualizada do seu livro !

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Eduardo

22/12/2015 - 11h18

O esforço para tornar o PT igual aos demais continua. Feliz 2016! Vai nos próximos 365 dias se arrumando provas e o povô de vermelho acredita.

Responder

Ramon

22/12/2015 - 11h16

É lamentável uma oposição ladra contando com o beneplácito da velha mídia maldita, e um judiciário elitista e deplorável; tentando dar um golpe de estado nesse país. Precisamos de uma Assembléia Constituinte já para abortar esses oligarcas do poder.

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    carlos ferraz

    22/02/2016 - 09h14

    Constituinte do tipo da Venezuela ou de Cuba?

Marcos

22/12/2015 - 10h50

Excelente !
Essa cara de paisagem que os Tucanos fazem já não enganam mais ninguém.

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Eduardo Guimarães

22/12/2015 - 08h58

Sérgio Moro, Polícia Federal do Paraná, cadê voçês? Estão tomando aulas como aprendizes de golpe no seu vizinho Paraguai? O Brasil não aprova Justiceiros de um só olho! Porque sumiram? Cadê o FHC, o Aécio é o PSDB?

Responder

FrancoAtirador

22/12/2015 - 08h54

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NO PONTO
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“O mensalão, assim como o trensalão e o petrolão, são suprapartidários
e expressam a destruição do sistema político brasileiro pelo financiamento privado,
aquele que transformou o presidente da Câmara Eduardo Cunha
num traficante de emendas parlamentares escritas pela OAS
e apresentadas por gente como Sandro Mabel (PMDB) e Francisco Dornelles (PP)”
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Responder

    FrancoAtirador

    22/12/2015 - 11h10

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    São Paulo, sexta-feira, 28 de abril de 1995 [Anno Domini FHC]
    Folha de S.Paulo
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    “CORRUPÇÃO DESORGANIZADA”
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    CARLOS HEITOR CONY
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    RIO DE JANEIRO – Quando foi realizada a Eco-92, já havia se iniciado o processo que derrubaria o presidente Fernando Collor de Mello.
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    O irmão havia feito as denúncias, embora sem as provas que só viriam depois -e em tal quantidade que a situação ficaria insustentável para o ex-presidente.
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    No clímax da reunião internacional em defesa do meio ambiente, a estrela de Collor atingiu o poundiano “punto luminoso”.
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    Alguns setores da mídia (os mesmos de sempre) não fizeram por menos.
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    Lembro o título de um artigo que chamava Collor de “estadista do século”.
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    Não faz tanto tempo assim.
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    O estadista do século despencou -e grande parcela da mídia prontamente o abandonou, colocando os ponteiros em busca de outro estadista do século.
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    É difícil viver sem esse norte que exerce fatal atração na bússola dos informadores de opinião.
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    Já comentei o assunto, mas insisto.
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    Considero sensata a declaração presidencial de que não há mais corrupção organizada.
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    Como o Brasil não chega a ser exemplo de organização em campo algum, deve-se concluir que há corrupção, embora desorganizada.
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    O recuo presidencial na questão das coordenadorias da Caixa Econômica é um sintoma dessa organizada desorganização.
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    Organizada e até coordenada.
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    Sabe-se que parte do dinheiro oficial sai dos guichês da Caixa Econômica.
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    É uma torneira pródiga na hora de pagar um serviço superfaturado ou inexistente.
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    Daí a pressão feita para que os manobreiros dessas conexões continuem os mesmos, dependentes e serviçais dos mesmos grupos pendurados no poder.
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    Até que, pensando bem, o presidente da República foi injusto para com a engrenagem montada há anos e que permanece atuante -pois nenhuma mudança de poder se verificou com a posse de FHC:
    ele continua o que existia.
    .
    A engrenagem da corrupção nada tem de desorganizada.
    .
    Pelo contrário: é mais organizada do que o próprio governo [do PSDB].
    .
    Na hora de recuar, não foi ela que recuou.
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    (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/4/28/opiniao/6.html)
    .
    .

Fabio SP

22/12/2015 - 08h18

Precisou 13 anos do PT para organizar bem as coisas… Olê,olê,olê…PT,PT!!!

Responder

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