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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Com Lula preso, o PT vai fazer uma revolução?

07 de março de 2018 às 16h30

08/08/2017- São Paulo- Lula discursa em Franco da Rocha na plenária do PT da Macrorregião da Mantiqueira
Foto: Ricardo Stuckert

Da Redação

Nas redes sociais, a indignação com a possível prisão do ex-presidente Lula cresce a olhos vistos.

Petistas, lulistas ou simpatizantes de Lula denunciam o que enxergam como apatia de lideranças do PT diante das derrotas que começaram lá atrás, com o julgamento do mensalão, passando pelas prisões de José Dirceu e José Genoino, o impeachment de Dilma e, agora, a possibilidade iminente de prisão de Lula.

Há até quem pregue uma limpeza no partido, no estilo das promovidas por Stálin, para se livrar dos “traidores” do ex-presidente.

Maluquice?

Não. A indignação é real, a partir da constatação, a que qualquer pessoa pode chegar, de que a justiça brasileira concede um tratamento diferenciado a petistas.

Ninguém se esquece de que o julgamento do mensalão no STF aconteceu em pleno período eleitoral e de que o caso, quando envolveu tucanos, foi convenientemente desmembrado e julgado por tribunais inferiores, desfazendo assim a possibilidade de que penas maiores — por formação de quadrilha, por exemplo — pudessem ser aplicadas.

Nenhum tucano foi preso pelos mesmíssimos crimes que levaram petistas à cadeia.

Agora, Lula é o único candidato ao Planalto que corre o risco de ser afastado das eleições de 2018 por conta da operação Lava Jato.

Porém, os indignados parecem desconhecer que o PT não é, nunca foi, um partido revolucionário. Nem Lula.

O ex-sindicalista é, eminentemente, um conciliador.

Também parecem desconhecer outro fato: a palavra final no PT é de Lula.

Sob Lula, o PT é um partido dominado eminentemente pelos mandatos e, sendo assim, é apenas natural que tente renová-los periodicamente.

As eleições de 2018, portanto, são o foco de Lula.

Não é por outro motivo que o ex-presidente trabalha em coalizões regionais inclusive com o MDB, partido que derrubou Dilma Rousseff.

A própria Dilma disse, hoje, que é preciso renovar o Congresso, votando não apenas em Lula, mas em deputados e senadores do PT.

Mas, por que não seguir o ímpeto revolucionário dos militantes digitais?

Vamos que Lula acredite, de repente, numa ação que não se enquadre nos parâmetros institucionais.

Onde estão as bases de massa do lulismo, hoje?

As pesquisas demonstram que o apoio eleitoral ao PT e a Lula migrou das metrópoles, se interiorizou e está majoritariamente nas classes D e E.

São eleitores que não estão necessariamente articulados com movimentos sociais.

Em uma brilhante análise sobre o lulismo, o ex-porta-voz da Presidência, André Singer, demonstrou que estes lulistas não querem ver a canoa virar.

É pouco provável que aceitem um comando para quebrar tudo, ou adiram a uma greve geral por tempo indeterminado, correndo o risco de perder o emprego.

Além disso, embora Lula lidere todas as pesquisas eleitorais, o fato é que ele e o PT são rejeitados consistentemente por cerca da metade dos entrevistados.

Portanto, radicalizar sem uma base popular consistente pode ser um risco. Não só de não atingir os objetivos pretendidos, mas de perder apoio e gerar consequências nefastas.

Quais?

Dentre elas, uma intervenção militar “constitucional”.

As opiniões do general Hamilton Mourão podem não ser, ainda, majoritárias nas Forças Armadas. Ainda.

Mas, é sempre bom lembrar o que ele disse, numa de suas intervenções públicas: “Se o caos for ser instalado no país… e o que a gente chama de caos? Não houver mais um ordenamento correto, as forças institucionais não se entenderem, terá que haver um elemento moderador e pacificador nesse momento”.

E mais: “Mantendo a estabilidade do país e não mergulhando o país na anarquia. Agindo dentro da legalidade, ou seja, dentro dos preceitos constitucionais, e usando a legitimidade que nos é dada pela população brasileira”.

O apoio à intervenção militar na segurança pública do Rio é majoritário, é sempre bom lembrar.

Ações violentas e generalizadas em defesa da liberdade de Lula ou do direito dele concorrer ao Planalto podem ser o pretexto que falta aos militares.

Outra possibilidade no caminho da radicalização seria o PT simplesmente desistir das eleições, caso Lula não seja candidato.

Uma espécie de suicídio eleitoral, para deslegitimar um futuro presidente.

Mas a manobra teria efeito duvidoso, já que existem outros candidatos do mesmo campo político em pré-campanha: Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Avila (PCdoB) e Guilherme Boulos (Psol).

Sem um candidato a presidente, ficaria mais improvável a reeleição do governador Rui Costa, na Bahia, por exemplo; ou dos deputados federais e estaduais do partido.

Portanto, o PT desistir de concorrer ao Planalto parece muito improvável.

Não se sabe ainda o que o partido planeja fazer quando Lula for preso.

É provável que tentará direcionar a frustração e a revolta de seus militantes e eleitores numa resposta que desemboque… nas urnas.

“Lula livre”, diziam as enormes faixas penduradas no local do evento em que o ex-presidente lançou sua pré-candidatura em Belo Horizonte.

É um bom mote eleitoral.

Parece certo que o PT esgotará todo o seu arsenal para registrar a candidatura de Lula ao Planalto, permitindo que ele concorra sub judice e tenha sua foto nas urnas eletrônicas.

Uma eventual desistência em favor de novo candidato, com a foto de Lula nas urnas, facilitaria imensamente a tarefa de transferir os votos.

Pelas alianças que vem montando nos bastidores, até agora, Lula parece contar com uma votação maciça no Nordeste para impulsionar um candidato petista ao segundo turno, garantindo assim a renovação das bancadas do partido no Congresso.

A perseguição ao ex-presidente, cristalizada pelas imagens dele preso, pode acabar contribuindo com isso.

Pelo exposto, mesmo que não assumindo este discurso formalmente, está claro que o PT ainda está focado acima de tudo em sua sobrevivência eleitoral, com ou sem Lula candidato em 2018.

Leia também:

Rodrigo Vianna: Lula preso, assombrando a direita

 

7 Comentários escrever comentário »

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marco

08/03/2018 - 11h25

Já postei acima,e caiu como se fora LENI.

Responder

Policarpo

08/03/2018 - 02h44

A sobrevivência eleitoral do PT é a sobrevivência da esquerda no Brasil e a sobrevivência de um projeto democrático e popular de país. Gostaria muito de estar enganado. Quem (sobre)viver verá.

Responder

assim falou Golbery

08/03/2018 - 02h08

a grande revolução petista será apoiar Bolsonaro, tal como fez os comunistas apoiando Hitler, o que resultou disso foi um mundo melhor para esquerda, pois virão que havia coisa pior do que governo de esquerda

Responder

    Antonio

    08/03/2018 - 12h10

    Vsi estudar história e pare de falar bobagens!

Alexandre Tambelli

08/03/2018 - 00h08

Não vejo processo revolucionário algum no PT e nas esquerdas a caminho. Ainda estamos muito institucionalizados, centralizados no universo social das elites e virtuais. E longe estamos do povo trabalhador, do pobre e do remediado. Fiz este texto ontem e coloco aqui para ajudar no debate:

LULA CANDIDATO CENTRALIZA O GOLPE NELE E AJUDA NOSSA VITÓRIA.

Eu penso que Lula deve ser candidato até as urnas, solto ou preso candidato. Se não tivermos forças de mantê-lo candidato se apresente o candidato de Lula o mais próximo do pleito, apresenta-lo antes é entregar ouro ao bandido.

A candidatura de Lula garante a centralidade dos ataques à esquerda, vindas da velha mídia capitaneada pela Rede Globo na figura de Lula.

Ao se adiantar qualquer candidato do Lula para o eleitorado, este será detonado como Lula é hoje. Pois, sem Lula candidato até quando for possível, todo candidato ou do Lula ou que for de esquerda e herdar os votos de Lula será a bola da vez, será massacrado pela Rede Globo & velha mídia e terá sua condução coercitiva, invasão do lar e até prisão televisionada e será corrupto aos olhos do Tribunal Midiático brasileiro.

Estamos em um Golpe e Golpe não tem legalidade nenhuma. Não há leis, Estado de Direito, Constituição. Nem sequer responsabilização por atos cometidos ilegalmente por motivos político-eleitorais. Todos viram corruptos da noite para o dia em um Estado de Exceção, ainda mais neste processo Golpista que visa ir além da economia ultra neoliberal, visa acabar com a esquerda brasileira.

Vão detonar todos os candidatos progressistas, o de Lula e os de todos os matizes das esquerdas com votos para chegarem no segundo turno, se Lula sair agora da disputa, e terão Globo & Cia. + Judiciário e PF aliados do Golpe tempo de sobra para a destruição de todos os que surgirem com votos.

Lula candidato é centralidade de discursos de Brasis possíveis, o que estava dando certo e o que não está dando certo. É a narrativa das realidades distintas em destaque, para além da máscara midiática, que sem Lula, agora, pode zerar o jogo eleitoral, porque sobram 7 meses para Eleição e se facilitará a construção da alternativa do candidato “novo”, na medida exatamente proporcional em que se detonará o candidato do Lula, todos que aparecerem e outros contrários ao Golpe. Teremos um Jaques Wagner por dia!

7 meses é tempo suficiente para a fragmentação do “candidato do Lula” em vários candidatos.

Cresceu! Levou! Seria a tônica dos golpistas para com os candidatos de Lula e contrários ao Golpe.

O candidato de Lula e candidatos contrários ao Golpe para vencer em 2018 precisa ser conhecido o mais próximo possível da Eleição para não dar tempo de muitos golpes baixos contra ele e para o não fortalecimento do candidato “novo”, que precisa se confrontar com “Lula” e o Brasil que estava dando certo!

Lula ou seu candidato ou quem Lula manifestar apoio têm tudo para ganhar, no discurso prático do que é preciso realizar na economia e no social aqui no Brasil. Não cravo hoje, como disse, meses atrás, que venceremos o Golpe, porque vimos um exemplo, com Jaques Wagner na Bahia, do que o Golpe pode praticar e o fará em excesso, se tiver uma Eleição sem Lula desde já.

Quantas balas de prata detonadas até outubro de 2018 não viriam, não é verdade? Contra Lula já foram detonadas todas as possíveis, exceto a prisão.

A questão central, para nós, dever ser como mobilizar o eleitorado do Lula, que já deve ultrapassar os 50 milhões de votos para garanti-lo nas urnas.

Precisamos encontrar formas de dobrar o Judiciário, de levá-lo de volta à casinha. Para tanto é o povo nas ruas quem pode conseguir. Temos que ter mais forças que a força midiática tem hoje e a narrativa do real vencer com manifestações gigantes do povo, para ser manifestação popular em gigantismo e não só manifestação da militância organizada de esquerda nas ruas, que não é suficiente para assustar os golpistas.

Precisamos encontrar mecanismos de trazer o povo para a batalha de narrativas e acuar a narrativa da Globo & Cia.

O embate de hoje se dá na força das narrativas, no Poder da Globo estar acima do Poder popular, antes a popularidade e a realidade dos governos petistas dimensionaram as realidades e a narrativa do real (não-midiática) venceu. Com a Lava-Jato e o Congresso eleito e o fator econômico Levy se conseguiu fortalecer uma narrativa outra, paralela, midiática da Globo & Cia. em detrimento da real.

Para além dos patrocinadores do Golpe estão os brasileiros. Quem patrocina o Golpe é o Mercado Financeiro Globalizado e o Império Norte-Americano, pontos pacificados, mas quem o põe em prática são brasileiros nascidos no nosso território, e que praticaram um impeachment fraudulento em prol de interesses alheios aos do Brasil, mas tiveram a seu tempo apoio da população, não dá para fugir disto, por estar na dianteira a narrativa virtual da Globo & Cia. de um caos econômico e de corrupção generalizada inexistentes por parte do Governo Dilma, todavia fabricada de maneira efetiva.

Hoje não há quase mais quem queira a continuidade do Governo do Golpe, que não tenha percebido que foi enganado, mas, também, não há organização e mobilização para retirá-lo da frente, certo?

Lula é esta centralidade anti-Golpe. Precisamos criar mecanismos de trazer as vozes do povo a favor de Lula para o jogo, para além do voto e das caravanas, onde, Lula vai até seu eleitorado! Há milhões e milhões de eleitores de Lula que não verão Lula uma única vez, mas nós devemos dar a ele o direito de expressar que está com Lula, para o que der e vier, nas ruas.

Cheguemos nas periferias, nas pequenas cidades e vamos mobilizar esse povo todo, para além do voto em Lula e da impopularidade de Temer. Saiamos da bolha, da cômoda posição de ocupação dos centros urbanos, de se manifestar, quase que tão somente, nos bairros e espaços geográficos e físicos das elites e na internet progressista não periférica e nem popular.

Se a Globo & velha mídia estiverem sozinhas e os golpistas manobrarem as forças armadas para a repressão amplificada em outras regiões metropolitanas pode se complicar as manifestações populares e gerar medo no povo de se juntar nas ruas e exigir o direito de Lula ser candidato e de se garantir a volta da Democracia e o fim do Estado de Exceção.

As esquerdas precisam atravessar o rubicão do Parlamento, das universidades, sindicatos, sede, comitês e diretórios de seus partidos e casas de artistas e ir aonde o povo trabalhador e pobre deste país se encontra o mais rápido possível e ficar de prontidão nas ruas até o resultado eleitoral sair.

A batalha para vencer o Golpe é nas ruas e sem a sua naturalização e sem vitimismo. Os golpistas têm 4% de popularidade e fazem tudo o que querem, até impugnar a candidatura líder, e nós, que somos milhões, vamos aceitando tudo da poltrona de casa, esbravejando nos microfones virtuais e nos espaços das elites dizendo que não tem jeito ou que o povo não se mobiliza? Mas, e nós vamos até o povo, como Lula, solitariamente, tem feito?

Esperamos as caravanas e só? Para cliques de políticos candidatos ao lado dele buscando uma (re)eleição via selfies?

Fizemos diversos comitês da legalidade em favor do direito de Lula ser candidato, foi e é uma iniciativa bonita, mas, cadê a articulação entre os comitês para transformar os comitês em movimentos de rua, em manifestações de rua localizadas, periféricas, de pequenas cidades, mas espalhadas por todo o território nacional?

Para vencer o Golpe é necessário organização social nas ruas.

Lula deve ser candidato até quando der, se possível, até nas urnas, penso eu, e o eixo aglutinador das manifestações nas ruas.

Esperar pacificamente as eleições pode não ser mais do que adiá-la e ser um facilitador da prisão de Lula.

Deveria ter manifestação até a Eleição, todo dia, pedindo eleições diretas e a presença de Lula como candidato.

Somos milhões e milhões de brasileiros insatisfeitos com o que se apresenta para o Brasil hoje, precisamos brigar por nossos direitos, inclusive de votar em Lula, um condenado sem provas, nas ruas de todo o Brasil sem pausas para respiro do Golpe.

P.S. Sem manifestações populares nas ruas Lula será preso e não será candidato, é o que indica o cenário atual. Só a ação parlamentar e jurídica não garantem sua candidatura.

Lembrando.

Lembrando que Lula traz para o debate o Brasil que estava dando certo e não se desviará do assunto economia e social o eleitorado, muito, pela imagem de Lula, ligada às lembranças do Brasil com emprego, renda, consumo, lazer e prosperidade.

Responder

    Leo F.

    08/03/2018 - 12h21

    Concordo que podem derrubar seu sucessor, se revelado demasiadamente cedo.

    Porém, não se garante uma transferência absoluta de votos, da confiança do eleitor, com uma revelação de candidatura tão em cima da data das urnas.

    Na minha humilde opinião, não tem pragmatismo algum, esta possível estratégia utilizada por Lula.

    Manter uma pré-candidatura como forma de não “jogar a toalha” com relação à sua inocência, pode até ter o simbolismo eleitoral perante parte do público que ele almeja. Mas, não tem utilidade processual/penal nenhuma e, como confirmado após a decisão do STJ, não vai retirá-lo da rota da prisão. Já que o roteiro do golpe segue, faça chuva ou faça sol.

    E uma vez fora da corrida, em Out/18, nada garante no céu ou na Terra que o indicado com seu apoio, terá condições de capitalizar seu eleitorado a ponto de vencer um provável segundo turno. Que é o que interessa.

    Nesse aspecto, tenho de concordar com o Rodrigo Vianna em sua última análise: Lula não é Brizola.

João Lourenço

07/03/2018 - 17h02

Meninos,desculpem mas o PT não tem mais força pra nada ,não tem mais moral e ainda mais com a Gleisi na presidência do PT que mais funciona como uma “tiete”do Lula e deixando o partido ir pra junto dele no tumulo .Até hoje os bravateiros que vivem ameaçando o povo com a escuridão.Acordem e façam algo mais útil procurando um candidato de Esquerda.Mas esqueçam os coelhos Boulus e Manuela,procurem dar a solução e não ficar ai chorando sobre o cadáver do Lula

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